{"subject_id":"3a3cc48d0099811ba273e2e262d010ce","topico":"Intenção comunicativa; ponto de vista; ironia","stems":["Texto CB1A1 Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente. Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas. Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca. O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada. Com base nas ideias do texto CB1A1, julgue os itens que se seguem.","mencionados. Creio que, em geral, deixando de lado a opinião dos especialistas, damos demasiada importância à opinião dos outros, tanto em assuntos cruciais quanto em assuntos de pequena monta. A regra básica é que uma pessoa deve respeitar a opinião pública apenas o suficiente para não morrer de fome nem ir para a cadeia. Tudo o que passar desse ponto significa submeter-se voluntariamente a uma tirania desnecessária, e, possivelmente, isso é o que acaba interferindo na própria felicidade. Examinemos, por exemplo, a questão de como as pessoas gastam seu dinheiro. Elas o gastam naquilo que não satisfaz seus gostos pessoais, simplesmente porque acreditam que o respeito dos vizinhos depende de terem carro ou de abrirem suas residências para jantares. Na verdade, uma pessoa que possa claramente comprar um carro, mas que prefira gastar o dinheiro em viagens ou numa boa biblioteca, acabará sendo muito mais respeitada do que se houvesse feito exatamente como todas as outras. Não há sentido em zombar deliberadamente da opinião pública; isso é admitir seu domínio, ainda que às avessas. Mas ser autenticamente indiferente a ela é uma força e uma fonte de felicidade. E uma sociedade de homens e mulheres que não se submetem demasiadamente aos convencionalismos é mais interessante do que uma sociedade em que todos se comportam da mesma maneira. A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.","“A liberdade medieval”, disse o historiador Lord Acton, “difere da moderna nisto: a primeira depende de propriedade”. Mas a diferença é certamente uma diferença apenas em grau, não em espécie. O dinheiro pode ter menos influência num tribunal moderno do que num tribunal medieval. Mas e fora do tribunal? Fora, é verdade, estou legalmente livre para trabalhar ou não trabalhar, como eu bem escolher, porque não sou um servo. Estou legalmente livre para viver aqui em vez de lá, porque não estou preso à terra. Eu sou livre, dentro de limites razoáveis, para me divertir como eu bem quiser. Estou legalmente livre para casar-me com qualquer pessoa; nenhum lorde me obriga a casar-me com uma garota ou viúva da mansão senhorial. A lista de todas as minhas liberdades legais ocuparia páginas e mais páginas datilografadas. Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora. Mas vejamos o que acontece se eu tento fazer uso da minha liberdade legal. Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar; como resultado, começo a passar fome na próxima segunda-feira. Não sendo ligado à terra, eu opto por viver em Grosvenor Square e Taormina; infelizmente, o aluguel da minha casa em Londres equivale ao quíntuplo da minha renda anual. Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos, eu decido que seria agradável levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar; mas não tenho roupas adequadas, e acabo gastando mais no entretenimento da minha noite do que consigo ganhar em uma semana. Todas as minhas liberdades legais acabam sendo, na prática, tão estreitamente dependentes de propriedade como eram as liberdades dos meus antepassados medievais. Os ricos podem comprar vastas quantidades de liberdade; os pobres precisam se virar sem ela, muito embora, por lei e teoricamente, eles tenham tanto direito à mesma quantidade de liberdade quanto têm os ricos. Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente. Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições. Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.","diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Texto CG2AI Presumivelmente, o processo de criatividade, seja ele qual for, é essencialmente o mesmo em todos os seus ramos, de modo que a evolução de uma nova forma artística, um novo mecanismo ou um novo princípio científico envolve fatores comuns. Uma maneira de investigar o problema é considerar as grandes ideias do passado e ver como elas foram geradas. Infelizmente, o método de geração não é claro nem mesmo para os próprios “geradores”. Mas e se a mesma ideia revolucionária ocorrer a dois homens, simultânea e independentemente? Talvez os fatores comuns envolvidos sejam esclarecedores. Considere a teoria da evolução pela seleção natural, criada independentemente tanto por Charles Darwin quanto por Alfred Wallace. Nesse caso, existem muitos pontos em comum. Ambos viajaram para lugares distantes, tendo observado espécies estranhas de animais e plantas e a maneira como variavam de lugar para lugar. Ambos estavam profundamente interessados em encontrar uma explicação para isso e falharam até cada um deles ler o Ensaio sobre o princípio da população, de Malthus. Ambos, então, viram como a noção de superpopulação e esgotamento (que Malthus havia aplicado aos seres humanos) se encaixaria na doutrina da evolução pela seleção natural (se aplicada às espécies em geral). Obviamente, portanto, o que é necessário não são apenas pessoas com uma boa formação em uma área específica, mas também pessoas capazes de estabelecer uma conexão entre itens que podem não parecer usualmente conectados. Sem dúvida, na primeira metade do século XIX, muitos naturalistas estudaram a maneira pela qual as espécies se diferenciavam entre si. Muitas pessoas leram Malthus. Talvez algumas tenham estudado as espécies e lido Malthus. Mas o que era preciso era alguém que estudasse espécies, lesse Malthus e tivesse a capacidade de fazer uma conexão cruzada. O ponto crucial é a rara característica que deve ser encontrada. Uma vez que a conexão cruzada é feita, ela se torna óbvia. Thomas H. Huxley teria exclamado depois de ler A Origem das Espécies: “Que estúpido da minha parte não ter pensado nisso!”. considere que todos os programas mencionados estão em Mas por que ele não pensou nisso? A história do pensamento humano poderia fazer parecer que há dificuldade em pensar em uma ideia, mesmo quando todos os fatos estão sobre a mesa. Fazer a conexão cruzada requer certa ousadia — porque qualquer conexão cruzada realizada de uma só vez por muitos se desenvolve não como uma nova ideia, mas como um mero corolário de uma velha ideia. É somente mais tarde que uma nova ideia parece razoável. De início, ela normalmente parece sem sentido. Parecia a máxima insensatez supor que a Terra se movia em vez do Sol, ou que os objetos exigiam uma força para detê-los quando em movimento, em vez de uma força para mantê-los em movimento, e assim por diante. Uma pessoa disposta a seguir em frente enfrentando a razão, a autoridade e o bom senso deve ser uma pessoa de considerável autoconfiança. Como ela aparece apenas raramente, deve parecer excêntrica (pelo menos nesse aspecto) para o resto de nós. Uma pessoa excêntrica em um aspecto frequentemente o é em outros. Consequentemente, a pessoa com maior probabilidade de obter novas ideias é uma pessoa de boa formação na área de interesse e alguém que não é convencional em seus hábitos. No que se refere ao texto CG2A1 e às ideias nele veiculadas, julgue os itens que se seguem.","A humanidade produz 400 milhões de toneladas de plástico por ano, e apenas 10% dele é reaproveitado, até mesmo porque a reciclagem de alguns tipos é econômica ou tecnicamente inviável. Mas pode haver solução. Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia, liderados pela engenheira química e ambiental Kandis Abdul-Aziz, criou um método que transforma o plástico em fertilizante: ele é misturado a palha de milho e se torna um tipo de carvão extremamente poroso, ideal para fertilizar o solo. Para transformar o plástico em carvão, a equipe utiliza plásticos como o PET, empregado em garrafas, e o isopor, misturados a resíduos de milho — restos de talos, folhas, cascas e espigas. Os pesquisadores aquecem essa mistura em um reator, sem oxigênio, para romper a estrutura molecular original e obter carbono elementar, que dá origem ao carvão. Esse processo de decomposição por altas temperaturas, chamado pirólise, já é frequentemente usado com outros restos agrícolas. Esse carvão pode aumentar o teor de nutrientes como potássio e nitrogênio no solo, além de melhorar a retenção deles. Mas uma de suas aplicações mais promissoras é o uso dele para diminuir a chamada lixiviação de nitrogênio (remoção ou dissolução desse nutriente pela ação da água sobre o solo) e aumentar o teor de carbono orgânico presente no solo, o que otimizaria sua saúde e o crescimento das plantações. Quanto aos próximos passos para o desenvolvimento da técnica, a equipe liderada por Kandis Abdul-Aziz está pensando em combinar os plásticos com outros resíduos agrícolas comuns na Califórnia, além da palha de milho. O estado é um dos maiores produtores de frutas cítricas dos Estados Unidos da América, mas a maioria dos resíduos, como cascas, sementes e polpa, é descartada e acaba em aterros sanitários. Além de produzir uma mercadoria valiosa como o carvão, o processo desenvolvido pelos pesquisadores pode fornecer uma alternativa sustentável para elementos que geralmente são considerados lixo. Com relação à tipologia, às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Sentimos a dor, mas não a ausência da dor; sentimos a inquietação, mas não a ausência da inquietação; o temor, mas não a segurança. Sentimos o desejo e o anelo, como sentimos a fome e a sede; mas, uma vez satisfeitos, tudo acaba, assim como o bocado que, uma vez engolido, deixa de existir para a nossa sensação. Enquanto possuímos os três maiores bens da vida, saúde, mocidade e liberdade, não temos consciência deles, e só os apreciamos depois de os havermos perdido, porque esses também são bens negativos. Só notamos os dias felizes da nossa vida passada depois de darem lugar aos dias de tristeza. À medida que os nossos prazeres aumentam, tornam-nos cada vez mais insensíveis; o hábito já não é um prazer. Por isso mesmo, a nossa faculdade de sofrer é mais viva; todo hábito suprimido causa um sentimento doloroso. As horas correm tanto mais rápidas quanto mais agradáveis são, tanto mais demoradas quanto mais tristes, porque o gozo não é positivo, diferentemente da dor, cuja presença se faz sentir. O aborrecimento dá-nos a noção do tempo; a distração tira-a. Não se poderia absolutamente imaginar uma grande e viva alegria se esta não sucedesse a uma grande miséria, porque nada há que possa atingir um estado de alegria serena e durável; o mais que se consegue fazer é distrair, satisfazer a vaidade. É por este motivo que todos os poetas são obrigados a colocar os seus heróis em situações cheias de ansiedades e de tormentos, a fim de os livrarem delas: drama e poesia épica só nos mostram homens que lutam, que sofrem mil torturas, e cada romance oferece-nos em espetáculo os espasmos e as convulsões do pobre coração humano. Voltaire, o feliz Voltaire, que tão favorecido foi pela natureza, pensa como eu, quando diz: “A felicidade não passa de um sonho; só a dor é real”. E acrescenta: “Há oitenta anos que o experimento; não sei fazer outra coisa senão resignar-me e dizer a mim mesmo que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas, e os homens, para serem devorados pelos pesares”. Julgue os itens a seguir, referentes às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.","Devemos salientar mais uma vez o caráter essencial dos sentimentos negativos. Manifestações populares e mudança social advêm do acúmulo de muitos cidadãos irritados e ofendidos. Ocultar sentimentos negativos sob o tapete do pensamento positivo significa estigmatizar e tornar vexaminosa a estrutura emocional do mal-estar social e da instabilidade. Alguns dirão que optamos por privar trabalhadores dos benefícios da ciência do bem-estar em troca do aceno de uma ideia vaga de consciência coletiva. A felicidade, como alguns empiristas ferrenhos afirmarão, é o único bem tangível em que podemos pôr as mãos aqui e agora. Nossa resposta e nossa objeção final podem ser encontradas na famosa refutação do utilitarismo do filósofo Robert Nozick. Em 1974, ele pediu a seus leitores que participassem de um experimento mental que consistia em imaginar que estamos conectados a uma máquina que nos proporciona qualquer experiência prazerosa. Nossos cérebros seriam estimulados a acreditar que estaríamos vivendo a vida que desejamos. A pergunta de Nozick, então, era: dada a possibilidade de escolha, você preferiria a máquina prazerosa à vida real (e presumivelmente mais infeliz)? Uma resposta a essa questão parece hoje ainda mais relevante do que antes, sobretudo agora que a ciência da felicidade e as tecnologias virtuais se tornam tão predominantes. Nossa resposta, assim como a de Nozick, é a de que o prazer e a busca da felicidade não podem superar a realidade e a busca por conhecimento — o pensamento crítico sobre nós mesmos e sobre o mundo que nos rodeia. Uma “máquina da experiência” do tipo que Nozick imaginou tem hoje seu equivalente em uma indústria da felicidade que pretende nos controlar: ela não apenas borra e confunde a capacidade de conhecer as condições que moldam nossa existência, mas também faz que essas condições em si sejam irrelevantes. Conhecimento e justiça, e não felicidade, continuam a ser o propósito moral revolucionário da vida. Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens a seguir.","Por quase dois séculos, apesar da controvérsia provocada pela Revolução Francesa, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão encarnou a promessa de direitos humanos universais. Em 1948, quando as Nações Unidas adotaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, seu artigo 1.º dizia: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Em 1789, o artigo 1.º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão já havia proclamado: “Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos”. As origens dos documentos não nos dizem necessariamente nada de significativo sobre as suas consequências. Importa realmente que o esboço tosco de Jefferson tenha passado por 86 alterações feitas por ele mesmo, pelo Comitê dos Cinco ou pelo Congresso? A Declaração da Independência dos Estados Unidos da América (EUA) não tinha natureza constitucional. Declarava simplesmente intenções, e passaram-se quinze anos antes que os estados finalmente ratificassem uma Bill of Rights, muito diferente, em 1791. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão afirmava salvaguardar as liberdades individuais, mas não impediu o surgimento de um governo francês que reprimiu os direitos, e futuras constituições francesas — houve muitas delas — formularam declarações diferentes ou passaram sem nenhuma declaração. Ainda mais perturbador é que aqueles que, com tanta confiança, declaravam, no final do século XVIII, que os direitos eram universais vieram a demonstrar que tinham algo muito menos inclusivo em mente. As pessoas não ficaram surpresas por eles considerarem que as crianças, os insanos, os prisioneiros ou os estrangeiros eram incapazes ou indignos de plena participação no processo político, pois pensavam da mesma maneira. Mas eles também excluíam aqueles sem propriedade, os escravos, os negros livres, em alguns casos as minorias religiosas e, sempre e por toda parte, as mulheres. Em anos recentes, essas limitações a “todos os homens” provocaram muitos comentários, e alguns estudiosos até questionaram se as declarações tinham um verdadeiro significado de emancipação. Os fundadores, os que estruturaram e os que redigiram as declarações, têm sido julgados elitistas, racistas e misóginos por sua incapacidade de considerar todos verdadeiramente iguais em direitos. Como é que esses homens, vivendo em sociedades construídas sobre a escravidão, a subordinação e a subserviência aparentemente natural, chegaram a imaginar homens nada parecidos com eles, e, em alguns casos, também mulheres, como iguais? Se pudéssemos compreender como isso veio a acontecer, compreenderíamos melhor o que os direitos humanos significam para nós hoje em dia. A respeito de aspectos linguísticos do texto precedente bem como das ideias nele veiculadas, julgue os próximos itens.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Em um mundo cada vez mais acelerado e hiperconectado, que recompensa o imediatismo, a cultura da urgência obscurece a linha entre o que é realmente importante e o que não é. No trabalho, a cultura da urgência pode envolver lidar com solicitações frequentes de última hora, prazos ou carga de trabalho irrealistas e estimular a expectativa de que se esteja disponível mesmo depois do expediente. Na vida pessoal, as manifestações da cultura da urgência incluem estender-se demais nos relacionamentos, verificar com frequência as atualizações das mídias sociais, por medo de perder alguma coisa, e responder imediatamente a chamadas e mensagens de texto, mesmo quando isso for inconveniente. Fazer parte da cultura do “sempre ligado” muitas vezes exige a realização de várias tarefas. No entanto, pesquisas mostram que o cérebro humano não tem a arquitetura neurocognitiva para realizar duas ou mais tarefas simultaneamente. Portanto, toda vez que realizamos uma multitarefa, o cérebro fica mais lento e sua produtividade pode ser reduzida em até 40%. Além disso, “a atração pela distração que impulsiona a maioria das multitarefas pode ser difícil de ser desligada”, afirma a neurocientista Friederike Fabritius. “Como resultado, você pode achar difícil se concentrar mesmo quando não está realizando multitarefas”, ela diz. Enquanto isso, a superestimulação constante — um contribuinte significativo para a cultura da urgência — dessensibiliza o sistema de dopamina. Em resumo, “quanto mais superestimulada uma pessoa estiver, menos alegria poderá sentir”, diz Fabritius. A superestimulação constante também impede o pensamento reflexivo. Quando o cérebro está sobrecarregado pela necessidade constante de processar informações e tomar decisões rapidamente, ele geralmente recorre ao pensamento superficial. Isso compromete sua capacidade de se envolver em um trabalho profundo que exija longos períodos de concentração sem distrações. Por fim, a cultura da urgência, com o passar do tempo, também pode ser prejudicial à saúde física, contribuindo para hipertensão, privação do sono, colesterol alto e distúrbios inflamatórios. A respeito das ideias veiculadas no texto apresentado e de seus aspectos linguísticos, julgue os itens a seguir.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. O Poder Judiciário brasileiro tem em torno de 80 milhões de processos judiciais. Esse número é estarrecedor quando comparado com a população do país, cuja estimativa é de 203 milhões de brasileiros. Sendo assim, para pouco mais de dois brasileiros, há um processo judicial, o que representa uma situação praticamente insustentável sob o aspecto econômico, gerencial e jurídico. Já houve redução no tempo e no custo do processo judicial com a implantação do processo eletrônico, mas há muito o que fazer quando se depara com o tempo de resolutividade e os gastos para a manutenção do serviço de prestação jurisdicional: estima-se que, no ano de 2022, tenham sido gastos, só na justiça federal, R$ 12.369.100.765. Em relação ao custo processual, no ano de 2015, por exemplo, cada brasileiro desembolsou R$ 387,00 para manter o Poder Judiciário, o que equivalia a 1,3% do PIB. Se avaliarmos de 2009 a 2015, o crescimento foi de 31%. Em 2020, os gastos foram de R$ 479,16 por habitante. Em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto precedente, julgue os itens a seguir.","De acordo com o Plano das Nações Unidas sobre Discursos de Ódio, a prática do discurso de ódio se caracteriza como um tipo de comunicação falada, escrita ou comportamental que ataca ou utiliza linguagem pejorativa ou discriminatória em referência a uma pessoa ou grupo, com base em fatores de identidade, como religião, etnia, gênero, entre outros. Diferentemente da desinformação (prática não intencional de compartilhamento de informações imprecisas), ou da distribuição intencional de informações falsas com o intuito de provocar dano, o discurso de ódio se expressa de forma violenta contra grupos delimitados. O discurso de ódio online pode ser reproduzido em diferentes formatos, mas geralmente contém características típicas do meio digital, como o anonimato do(a) autor(a), o alcance expandido do ataque, a instantaneidade da mensagem e a formação de comunidades em torno do discurso. Considerando aspectos linguísticos do texto precedente e as ideias nele veiculadas, julgue os itens que se seguem.","A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dois para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber, perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dois pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras. O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pego. Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a quem lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os sinais do fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o bairro por onde andava e a quantia de gratificação. Quando não vinha a quantia, vinha promessa: “gratificar-se-á generosamente”, ou “receberá uma boa gratificação”. Muita vez o anúncio trazia em cima ou ao lado uma vinheta, figura de preto, descalço, correndo, vara ao ombro, e na ponta uma trouxa. Protestava-se com todo o rigor da lei contra quem o açoitasse. Ora, pegar escravos fugidios era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas, por ser instrumento da força com que se mantêm a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso, e alguma vez o gosto de servir, também, ainda que por outra via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo para pôr ordem à desordem. Machado de Assis inicia o conto Pai contra Mãe — escrito em 1906 e publicado na coletânea Relíquias da casa velha —, mencionando “ofícios e aparelhos” da escravidão no Brasil. O conto aborda a história de Cândido Neves, personagem que trabalhava na captura de escravos fugidios. Considerando o fragmento desse conto apresentado anteriormente, julgue os itens a seguir.","A respeito de aspectos linguísticos do texto CB3A1-I, julgue os itens a seguir.","O híbrido tem por finalidade nomear algo ou alguém cuja formação é múltipla, derivada de fontes heterogêneas. Tal termo passa a ser empregado nos estudos da cultura a partir dos deslocamentos e das migrações acentuadas do século XX. Na literatura, com mais propriedade nos estudos pós-coloniais, é abordado por Homi Bhabha, que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de “hibridismo linguístico”. O híbrido constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal em contraposição à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária. Como termo amplamente usado por vários críticos e estudiosos, gera polêmica e controvérsias, atingindo patamares de significação positiva ou negativa de acordo com a nuança que lhe seja empregada. Stelamaris Coser afirma que, ao se reverter “o movimento do centro para a periferia que caracterizou a era colonial e fez das colônias ‘o local dos sincretismos e hibridismos’, os grandes ‘centros globais’ são agora internacionalizados e hibridizados neste novo momento histórico pós-(neo)colonial”. Nesse caso, não se trata de enaltecer ideologicamente os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos e choques que resultam das diferenças, mas, acima de tudo, de perceber o hibridismo que forma a realidade interamericana e a força criativa que dele resulta. Ainda segundo Coser, “uma inevitável transformação cultural é resultante da entrada, circulação e crescente poder dessa multiplicidade de vozes, visões e estilos que renovam e modificam a face da nação”. Igualmente, para Stuart Hall, a ocorrência do hibridismo (cultural, linguístico e literário) permite que o “novo” entre no mundo inscrito pelas forças hegemônicas e as modifique, passando a ser uma condição necessária à modernidade das comunidades construídas entre os impasses de perdas e ganhos sócio-históricos. Em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto precedente, julgue os itens seguintes.","Pesquisadores da Universidade Raboud, na Holanda, analisando cerca de 5.000 participantes de 358 tarefas cognitivas, chegaram à conclusão de que pensar dói. Não ria. A análise foi feita com o auxílio de um programa especial da NASA. Pelo que entendi, certas atividades cerebrais, como fazer cálculos matemáticos, ler Gertrude Stein ou tomar decisões que envolvam um sim ou não de vida ou morte, provocam sensações orgânicas que podem ser classificadas como dolorosas. Segundo o estudo, quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico. Não é preciso pensar muito para se chegar a este óbvio, por definição, ululante. A pesquisa não considera a hipótese de todo esforço mental ser relativo — para muitos, calcular uma reles raiz quadrada será uma tarefa intransponível, enquanto, para outros, discutir a conjectura de Poincaré com Alfred North Whitehead pode ser tão simples como falar de futebol no botequim. O que me espanta é que a conclusão de que pensar dói tenha vindo de uma instituição da Holanda, país admirado por produzir pensadores em tantos ramos. Eram holandeses Erasmo de Roterdão (1466-1536) e Spinoza (1632-1677), dois pilares da filosofia, atividade cuja única ferramenta é o pensamento. E não há registro de que os filósofos sofressem de lombalgia ou dor de dentes por pensar. Os holandeses inventaram também a fita cassete, o CD e o DVD, e temos de lhes ser gratos por isso. Mas depois os desinventaram — e pensar nisso, sim, dói. Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","Texto CB3A1-I A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que institui a Política Nacional de Linguagem Simples nos órgãos e nas entidades da administração pública direta e indireta. Os objetivos da política incluem possibilitar que as pessoas consigam encontrar, entender e usar facilmente as informações publicadas por órgãos e entidades, reduzir os custos administrativos e o tempo gasto com atividades de atendimento ao cidadão, e facilitar a participação e o controle da gestão pública pela população. O texto aprovado é substitutivo ao Projeto de Lei n.º 6.256/2019. A proposta conceitua linguagem simples como o conjunto de técnicas para transmitir informações de maneira clara e objetiva, como redigir as frases em ordem direta, preferencialmente em voz ativa, usar frases curtas, evitar redundâncias e palavras desnecessárias e estrangeiras, entre outras. Essas técnicas deverão ser observadas na redação de textos destinados ao cidadão. “Em nosso substitutivo, sugerimos mudanças no texto original para que constassem todas as técnicas, e não apenas algumas, referentes à redação em linguagem simples”, explicou o relator. “Também deixamos clara a intenção de que a linguagem simples seja adotada especificamente nas comunicações para o cidadão, por intermédio de sites, jornais impressos, aplicativos e publicidade, não atingindo, portanto, todos os atos da administração pública, como pretendia o projeto original”, completou. Em relação ao texto CB3A1-I e seus sentidos, julgue os itens a seguir.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Nos últimos anos, uma das tendências mais surpreendentes das ciências sociais pode ser descrita como a descoberta da ignorância. À primeira vista, parece bizarra a escolha desse objeto de estudo, pois há mais de trinta anos nos dizem que vivemos numa sociedade do conhecimento. Está cada vez mais claro, entretanto, que hoje vivemos também numa sociedade da ignorância, em que, de fato, sabemos pouco sobre as doenças, o meio ambiente e o funcionamento dos negócios e da política. Essa desconfortável tomada de consciência nos coloca um desafio. Como estudar a falta de conhecimento? Uma das respostas tem sido examinar as práticas correntes de ocultação de informações ou circulação de fake news, descrevendo essas atividades como exemplos da construção, produção ou fabricação da ignorância, quando, por exemplo, encobrem calamidades ou defendem que determinada droga não tem efeitos colaterais perigosos. Seria mais preciso falar de manutenção do que de produção da ignorância. Outra resposta a esse novo desafio seria estudar a história social da ignorância, perguntando quem ignora o quê em dado lugar e em dada época, quais são as causas dessa ignorância e, acima de tudo, que consequências ela produz. A humanidade nunca soube tantas coisas como hoje, mas cada indivíduo tem conhecimento apenas de uma parte ínfima desse saber. Quanto mais se tem a saber, mais se pode ignorar. Julgue os itens que se seguem, a respeito das ideias e estruturas linguísticas do texto precedente.","objetivas será igual a 1,00 ponto, caso a resposta do candidato esteja em concordância com o gabarito oficial definitivo das provas, ou 0,50 ponto negativo, caso a resposta do candidato esteja em discordância com o gabarito oficial definitivo das provas. Texto CG1A1-I Uma organização é um sistema complexo de comunicações com um objetivo funcional. Durante sua existência e atuação, a organização vai formando uma imagem perante seus diversos públicos em função de todo um conjunto de contatos realizados, e não somente pelas iniciativas planejadas de comunicação que ela toma para formar a imagem pretendida. Essa imagem, chamada imagem organizacional, pode ser descrita como uma compilação de opiniões e pontos de vista baseados em informações processadas de várias fontes, ao longo do tempo, que gera uma imagem mental dos atributos da organização. Seguindo uma tendência já percebida na iniciativa privada, os órgãos públicos têm-se preocupado, cada vez mais, com sua imagem organizacional. A imagem organizacional pública tem valor estratégico na medida em que interfere diretamente no relacionamento da organização com diferentes atores, bem como na sua legitimação e credibilidade perante a sociedade. No entanto, apesar de sua relevância, ainda há poucos estudos sobre a imagem organizacional no contexto público, tanto nacional quanto internacionalmente. Quando se trata da construção da imagem de uma organização, ressalta-se o papel dos veículos de imprensa. Esses veículos, ao publicarem uma notícia, atuam na associação e formação das crenças, das ideias, dos sentimentos e das impressões que uma pessoa ou um grupo tem ou passa a ter sobre aquela organização. Não obstante, a migração desses meios de comunicação para a Internet aumenta o volume de informações em circulação e eleva o seu poder de influência, uma vez que é possível acessar dados e informações de qualquer lugar e a qualquer momento, de modo a expandir a comunicação entre as pessoas e as organizações. Julgue os itens que se seguem, com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I.","Texto CG1A1-I A apropriação colonial das terras indígenas muitas vezes se iniciava com alguma alegação genérica de que os povos forrageadores viviam em um estado de natureza — o que significava que eram considerados parte da terra, mas sem nenhum direito a sua propriedade. A base para o desalojamento, por sua vez, tinha como premissa a ideia de que os habitantes daquelas terras não trabalhavam. Esse argumento remonta ao Segundo tratado sobre o governo (1690), de John Locke, em que o autor defendia que os direitos de propriedade decorrem necessariamente do trabalho. Ao trabalhar a terra, o indivíduo “mistura seu trabalho” a ela; nesse sentido, a terra se torna, de certo modo, uma extensão do indivíduo. Os nativos preguiçosos, segundo os discípulos de Locke, não faziam isso. Não eram, segundo os lockianos, “proprietários de terras que faziam melhorias”; apenas as usavam para atender às suas necessidades básicas com o mínimo de esforço. James Tully, uma autoridade em direitos indígenas, aponta as implicações históricas desse pensamento: considera-se vaga a terra usada para a caça e a coleta e, “se os povos aborígenes tentam submeter os europeus a suas leis e costumes ou defender os territórios que durante milhares de anos tinham erroneamente pensado serem seus, então são eles que violam o direito natural e podem ser punidos ou ‘destruídos’ como animais selvagens”. Da mesma forma, o estereótipo do nativo indolente e despreocupado, levando uma vida sem ambições materiais, foi utilizado por milhares de conquistadores, administradores de latifúndios e funcionários coloniais europeus na Ásia, na África, na América Latina e na Oceania como pretexto para obrigar os povos nativos ao trabalho, com meios que iam desde a escravização pura e simples ao pagamento de taxas punitivas, corveias e servidão por dívida. Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1-I À medida que o homem cria, recria e decide, vão se formando as épocas históricas. E é também criando, recriando e decidindo como deve participar nessas épocas. É por isso que obtém melhor resultado toda vez que, integrando-se no espírito delas, se apropria de seus temas e reconhece suas tarefas concretas. Ponha-se ênfase, desde já, na necessidade permanente de uma atitude crítica, a única com a qual o homem poderá apreender os temas e tarefas de sua época para ir se integrando nela. Uma época, por outro lado, realiza-se na proporção em que seus temas forem captados e suas tarefas, resolvidas. E se supera na medida em que os temas e as tarefas não correspondem a novas ansiedades emergentes. Uma época da história apresentará uma série de aspirações, de desejos, de valores, em busca de sua realização. Formas de ser, de comportar-se, atitudes mais ou menos generalizadas, das quais somente os visionários que se antecipam têm dúvidas e frente às quais sugerem novas fórmulas. A passagem de uma época para outra caracteriza-se por fortes contradições que se aprofundam, dia a dia, entre valores emergentes em busca de afirmações, de realizações, e valores do ontem em busca de preservação. Quando isso ocorre, verifica-se o que chamamos transição. Observa-se um aspecto fortemente dramático que vai atingir as mudanças de que se nutre a sociedade. Porque é dramático, é fortemente desafiador. E a transição se torna então um tempo de opções. Nutrindo-se de mudanças, a transição é mais que as mudanças. Implica realmente a marcha que faz a sociedade na procura de novos temas, de novas tarefas ou, mais precisamente, de sua objetivação. As mudanças se produzem numa mesma unidade de tempo, sem afetá-la profundamente. É que se verificam dentro do jogo normal, resultante da própria busca de plenitude que fazem estes temas. Quando, por fim, estes temas começam a esvaziar e a perder sua significação, emergindo novos temas, a sociedade começa a passar para outra época. Nestas fases, mais do que nunca, se faz indispensável a integração. Mais do que nunca se faz indispensável o desenvolvimento de uma mente crítica, com a qual o homem possa se defender dos perigos dos irracionalismos, encaminhamentos distorcidos da emoção, característica dessas fases de transição. Com relação às ideias e à tipologia do texto CB1A1-I, julgue os itens a seguir.","Texto CG2A1-I Até você terminar de ler este parágrafo, mais um acidente de trabalho será notificado no Brasil. Em menos de quatro horas, mais uma pessoa morrerá em decorrência de um desses acidentes. Segundo dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab), que consideram apenas registros envolvendo pessoas com carteira assinada, os acidentes e as mortes, no Brasil, cresceram nos últimos dois anos. Em 2020, foram 446.881 acidentes de trabalho notificados; em 2021, o número subiu 37%, alcançando 612.920 notificações. Em 2020, 1.866 pessoas morreram nessas ocorrências; no ano passado, foram 2.538 mortes, um aumento de 36%. Na avaliação do ministro Alberto Balazeiro, as situações de precarização do trabalho tendem a gerar mais acidentes, e estudos mostram que trabalhadores terceirizados estão mais suscetíveis a condições de risco e à falta de políticas adequadas de prevenção. “Além disso, situações de crise levam empregadores a, inadvertidamente, esquecer ou não investir em medidas de proteção coletiva e eliminação de riscos”, assinala. Por ano, os acidentes de trabalho representam perdas financeiras na média de R$ 13 bilhões. O montante considera valores pagos pelo INSS em benefícios de natureza acidentária. Além disso, mais de 46 mil dias de trabalho são perdidos, contabilizando-se todos aqueles em que as pessoas não trabalharam em razão de afastamentos previdenciários acidentários. Em relação às ideias do texto CG2A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nA respeito de aspectos linguísticos do texto CG2A1-I, julgue os próximos itens.","Texto CB3A1-II Foi só a OpenAI lançar, em novembro de 2022, o ChatGPT, a versão 3.5 conversacional e acessível a todos, para que os especialistas em comunicação, matemática, computação, lógica, linguística, tecnologia da informação etc. começassem a se preocupar com os danos da inteligência artificial (IA) generativa. Essa diz respeito a um dos tipos da IA de nível narrow, ou seja, compartimentada e (ainda) limitada. Apesar do cipoal de estudos e opiniões apresentados sobre a inovação tecnológica baseada em dados inseridos na sociedade das plataformas, até hoje vemos lives em que moderadores perguntam o que é e como funciona o ChatGPT. Vale destacar: por “dados”, devemos considerar informações obtidas de determinado período no passado, com o intuito de prever efeitos no futuro. Obviamente, internautas que estão a par do que se trata e já experimentaram ao menos uma pergunta ao robô simpático em eterno plantão torcem o nariz, pois já sabem o básico: querem mais. Eles sabem, inclusive, que somos cada vez mais usados pelas máquinas e constatam que é imprescindível aguçar e explorar ao máximo a intencionalidade em face da IA. Como isso é possível? Ao fazer perguntas de elevada qualidade — preferencialmente, advindas de um pensamento crítico — no proveito de se produzir um bom objeto de análise. Ainda, fazê-lo de forma contextualizada, sinalizando-se para qual finalidade, determinado público etc., de modo a obter respostas mais refinadas em tempo real. Em relação às ideias do texto CB3A1-II, julgue os seguintes itens.","Texto CG1A1-I Em 721, um concílio romano presidido pelo papa Gregório II proibiu o casamento com uma commater, isto é, a madrinha de um filho, ou a mãe de um filho de quem se fosse padrinho. Isso levou o papado a se alinhar com a legislação promulgada, algumas décadas antes, em Bizâncio. A adoção marcadamente rápida desses princípios sugere que o clero franco já sustentava concepções similares. Isso é ilustrado por um caso curioso contado por um clérigo franco anônimo, em 727. Ele censurava a maneira traiçoeira pela qual a infame concubina Fredegunda havia conseguido se tornar a esposa legal do rei Quilpérico. Durante uma longa ausência do rei, ela persuadira sua rival, a rainha Audovera, a tornar-se madrinha da própria filha recém-nascida. Assim, a ingênua Audovera foi subitamente transformada na commater de seu próprio marido, impossibilitando qualquer relação conjugal posterior e deixando o caminho livre para Fredegunda. Essa artimanha mostra que, poucos anos após o concílio romano de 721, o autor anônimo e seu público estavam bem familiarizados com os impedimentos derivados do parentesco espiritual. Não fosse o caso, seria impossível acusar Fredegunda de seu ardiloso truque. As cartas do missionário Bonifácio conferem testemunho adicional a esse fato. Em 735, ele perguntou ao bispo escocês Pethlem se era permitido que alguém se casasse com uma viúva que era mãe de seu afilhado. “Todos os padres da Gália e na terra dos francos afirmavam que isso era um pecado grave”, escreveu ele. Soava-lhe estranho, já que ele nunca ouvira falar nisso antes. A questão devia preocupá-lo porque, no mesmo ano, escreveu a respeito para dois outros clérigos anglo-saxões. Evidentemente, o missionário até então não estava familiarizado com esse impedimento ao casamento, embora o clero continental, a quem ele se dirigia, considerasse a questão muito grave. Considerando os sentidos e as ideias do texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1-I É uma falácia comum supor que mudanças graduais, pequenas, só podem engendrar resultados graduais, incrementais. Mas esse é um raciocínio linear, que parece ser nosso modo padrão de pensar a respeito do mundo. Isso pode decorrer do simples fato de que a maior parte dos fenômenos perceptíveis para os seres humanos, em escalas de tempo e de magnitude habituais e dentro do escopo limitado de nossos sentidos, tende a seguir direções lineares — duas pedras parecem duas vezes mais pesadas que uma; é necessária uma quantidade de comida três vezes maior para alimentar um número três vezes maior de pessoas, e assim por diante. No entanto, fora da esfera das ocupações humanas práticas, a natureza está cheia de fenômenos não lineares. Processos de extrema complexidade podem emergir de regras ou partes enganosamente simples, e pequenas mudanças num fator subjacente a um sistema complexo podem engendrar mudanças radicais e qualitativas em outros fatores que dele dependem. Pense neste exemplo muito simples: imagine que você tenha um bloco de gelo na sua frente e esteja aquecendo-o pouco a pouco. Na maior parte do tempo, o aquecimento por um grau a mais não causa nenhum efeito interessante: a única coisa que você tem e que não tinha um minuto atrás é um bloco de gelo ligeiramente menos gelado. Mas, então, chega-se a 0 °C e, assim que essa temperatura crítica é atingida, você vê uma mudança abrupta, espetacular. A estrutura cristalina do gelo desagrega-se, e, de repente, as moléculas de água começam a escorregar e a fluir livremente umas em torno das outras. Sua água congelada torna-se líquida, graças a um grau crítico de energia térmica. Nesse ponto-chave, mudanças incrementais cessaram de ter efeitos incrementais e precipitaram uma súbita mudança qualitativa chamada transição de fase. No que se refere aos sentidos do texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1-I Considerado o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século 20, Anísio Teixeira (1900-1971) foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis, que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos. A marca do pensador Anísio era uma atitude de inquietação permanente diante dos fatos, considerando a verdade não como algo definitivo, mas que se busca continuamente. O mundo em transformação requer um novo tipo de homem, consciente e bem-preparado para resolver seus próprios problemas, acompanhando a tríplice revolução da vida atual: intelectual, pelo incremento das ciências; industrial, pela tecnologia; e social, pela democracia. Essa concepção exige, segundo Anísio, “uma educação em mudança permanente, em permanente reconstrução”. As novas responsabilidades da escola eram, portanto, educar em vez de instruir; formar homens livres em vez de homens dóceis; preparar para um futuro incerto em vez de transmitir um passado claro; e ensinar a viver com mais inteligência, mais tolerância e mais felicidade. Para isso, seria preciso reformar a escola, começando-se por dar a ela uma nova visão da psicologia infantil. O próprio ato de aprender, dizia Anísio, durante muito tempo significou simples memorização; depois seu sentido passou a incluir a compreensão e a expressão do que fora ensinado; por último, envolveu algo mais: ganhar um modo de agir. Só aprendemos quando assimilamos uma coisa de tal jeito que, chegado o momento oportuno, sabemos agir de acordo com o aprendido. Para o pensador, não se aprendem apenas ideias ou fatos, mas também atitudes, ideais e senso crítico — desde que a escola disponha de condições para exercitá-los. Assim, uma criança só pode praticar a bondade em uma escola onde haja condições reais para desenvolver o sentimento. A nova psicologia da aprendizagem obriga a escola a se transformar num local onde se vive, e não em um centro preparatório para a vida. Como não aprendemos tudo o que praticamos, e sim aquilo que nos dá satisfação, o interesse do aluno deve orientar o que ele vai aprender. Portanto, é preciso que ele escolha suas atividades. Para ser eficiente, dizia Anísio, a escola pública para todos deve ser de tempo integral para professores e alunos, como a escola parque, por ele fundada em 1950, em Salvador, que mais tarde inspirou os centros integrados de educação pública (CIEP) do Rio de Janeiro e as demais propostas de escolas de tempo integral que se sucederam. Cuidando da higiene e saúde da criança, bem como da sua preparação para a cidadania, essa escola é apontada como solução para a educação básica no livro Educação não é privilégio. Além de integral, pública, laica e obrigatória, ela deveria ser também municipalizada, para atender aos interesses de cada comunidade. O ensino público deveria ser articulado numa rede até a universidade. Em relação ao texto CG1A1-I, às ideias nele expressas e à sua construção, julgue os itens a seguir.","Ora, graças a Deus, lá se foi mais um. Um ano, quero dizer. Menos um na conta, mais uma prestação paga. E tem quem fique melancólico. Tem quem deteste ver à porta a cara do mascate em cada primeiro do mês, cobrando o vencido. Quando compram fiado, têm a sensação de que o homem deu de presente, e se esquecem das prestações, que serão, cada uma, uma facada. Nem se lembram dessa outra prestação que se paga a toda hora, tabela Price insaciável comendo juros de vida, todo dia um pouquinho mais; um cabelo que fica branco, mais um milímetro de pele que enruga, uma camada infinitesimal acrescentada à artéria que endurece, um pouco mais de fadiga no coração, que também é carne e se cansa com aquele bater sem folga. E o olho que enxerga menos, e o dente que caria e trata de abrir lugar primeiro para o pivô, depois para a dentadura completa. O engraçado é que muito poucos reconhecem isso. Convencem-se de que a morte chega de repente, que não houve desgaste preparatório, e nos apanha em plena flor da juventude, ou em plena frutificação da maturidade; se imaginam uma rosa que foi colhida em plena beleza desabrochada. Mas a rosa, se a não apanha o jardineiro, que será ela no dia seguinte, após o mormaço do sol e a friagem do sereno? A hora da colheita não interessa ― de qualquer modo, o destino dela era murchar, perder as pétalas, secar, sumir-se. A gente, porém, não pode pensar muito nessas coisas. Tem que pensar em alegrias, sugestionar-se, sugestionar os outros. Vamos dar festas, vamos aguardar o ano novo com esperanças e risadas e beijos congratulatórios. Desejar uns aos outros saúde, riqueza e venturas. Fazer de conta que não se sabe; sim, como se a gente nem desconfiasse. Tudo que nos espera: dentro do corpo o que vai sangrar, doer, inflamar, envelhecer. As cólicas de fígado, as dores de cabeça, as azias, os reumatismos, as gripes com febre, quem sabe o tifo, o atropelamento. Tudo escondido, esperando. Sem falar nos que vão ficar tuberculosos, nas mulheres que vão fazer cesariana. Os que vão perder o emprego, os que se verão doidos com as dívidas, os que hão de esperar nas filas ― que seremos quase todos. E os que, não morrendo, hão de ver a morte lhes entrando de casa adentro, carregando o filho, pai, amor, amizade. As missas de sétimo dia, as cartas de rompimento, os bilhetes de despedida. E até guerra, quem sabe? Desgostos, desgostos de toda espécie. Qual de nós passa um dia, dois dias, sem um desgosto? Quanto mais um ano! Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.","Faz parte da natureza humana a incansável busca por relacionamentos ideais. Em se tratando de carreira ou de relações românticas, a tendência é sempre a mesma: apego à falível ideia de que há alguém ou algo perfeito — seja qual for o objeto de desejo. Perfeição significa ausência de falhas ou defeitos em relação a um padrão ideal, no entanto isso não existe, pois ninguém nem lugar nenhum são infalíveis. A perfeição é irreal e inalcançável. O componente das organizações são as pessoas, que trazem em suas bagagens as falhas. Portanto, não haveria a possibilidade de existir uma empresa perfeita. Embora algumas companhias já comecem a expor suas imperfeições um pouco mais nas redes sociais, reconhecendo seus erros, e estimulem seus líderes a demonstrar vulnerabilidade, ainda há o discurso estereotipado de que aquele trabalho é o melhor do mundo ou de que aquela empresa é a melhor de todas. Apesar de ser louvável a busca por construir um excelente ambiente de trabalho, disseminar a ilusão de perfeição pode ser altamente prejudicial para as empresas e para seus funcionários, que podem acabar frustrados diante da realidade, muitas vezes mais dura do que o ideal prometido. No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1-II A palavra “corrupção” tem origem nas palavras latinas corruptio e corrumpere, que indicam algo que foi corrompido, deturpado. Por ela ser um termo polissêmico, entendemos que a sua história conceitual é incerta. É usual o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista, como algo resultante da falta de caráter dos indivíduos. Contudo, tal abordagem não apresenta validade científica, já que moral é um atributo individual, dotado de subjetividade e culturalmente circunscrito. A manifestação de práticas corruptas pode-se dar em ambientes públicos ou privados, a partir de numerosos tipos de ação e em variada magnitude. Em todos os casos, a corrupção sempre se materializa a partir de trocas entre os agentes. Em relação a quem participa da troca corrupta, em situações nas quais há participação de agentes públicos, distinguem-se três tipos de corrupção: a grande corrupção, a corrupção burocrática (a pequena corrupção) e a corrupção legislativa. A primeira normalmente se refere a atos da elite política que cria políticas econômicas que a beneficiem. A segunda tem a ver com atos da burocracia em relação aos superiores hierárquicos ou ao público. A terceira se relaciona à compra de votos dos legisladores. Nas três formas, encontramos algum tipo de pagamento. Isso nos leva a concluir que a corrupção tem uma natureza essencialmente econômica: ela é uma troca socialmente indesejada. Com isso, queremos dizer que, apesar de não se configurar necessariamente como ilegal em todos os seus tipos, ela se configura como um jogo de soma zero entre a sociedade e os participantes do ato corrupto. Com base nas ideias do texto CB1A1-II, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1-II Muito se tem pesquisado sobre os impactos positivos da educação, que valeram inclusive um prêmio Nobel de economia a James Heckman, em 2000, por ele ter evidenciado, em um estudo longitudinal, as inegáveis vantagens de pré-escolas de qualidade para a obtenção futura de emprego e salários e para a redução de encarceramento. Mas uma nova pesquisa, feita aqui no Brasil, sobre uma política pública de visível efeito na aprendizagem, o ensino médio integral, um programa realizado por Pernambuco ao longo de 16 anos, trouxe evidências que também transcendem a educação. O estudo, feito por pesquisadores da USP e do INSPER, mostrou que, com o aumento da carga horária e um currículo que incorpora ideias de Antonio Carlos Gomes da Costa, que concebeu a proposta para a escola piloto, o Ginásio Pernambucano, no qual há tempo para se trabalhar o projeto de vida do aluno e o protagonismo juvenil, reduz-se em 50% a taxa de homicídio de homens jovens. Não se trata do primeiro estudo sobre os efeitos da escola em tempo integral. Outros analisaram salários dos formados e empregabilidade de mulheres, mas a melhora nos índices de criminalidade foi capturada apenas nessa interessante pesquisa. Visitei muitas escolas de ensino médio em Pernambuco, em áreas de grande vulnerabilidade. O resultado de uma política que se construiu ao longo de anos, tendo passado por diferentes governos e se fortalecido, é visível não só pelas melhores condições de trabalho dos professores, com dedicação exclusiva a uma única escola, como também pelo clima escolar. Não é por acaso que tantos estados, com governadores de partidos diferentes, têm-se inspirado no exemplo pernambucano, como Paraíba, Ceará, Maranhão e Goiás. O país pode aprender com nações com bons sistemas educacionais, nenhum deles com quatro horas de aula por dia, e, ainda, com o que dá certo por aqui. Considerando os sentidos e as propriedades linguísticas do texto CG1A1-II, julgue os itens que se seguem.","Texto CB1A1-I Não é preciso temer as máquinas, à maneira do Exterminador do futuro, para se preocupar com a sobrevivência da democracia em um mundo dominado pela inteligência artificial (IA). No fim das contas, a democracia sempre teve como alicerces os pressupostos de que nosso conhecimento do mundo é imperfeito e incompleto; de que não há resposta definitiva para grande parte das questões políticas; e de que é sobretudo por meio da deliberação e do debate que expressamos nossa aprovação e nosso descontentamento. Em certo sentido, o sistema democrático tem se mostrado capaz de aproveitar nossas imperfeições da melhor maneira: uma vez que de fato não sabemos tudo, e tampouco podemos testar empiricamente todas as nossas suposições teóricas, estabelecemos certa margem de manobra democrática, uma folga política, em nossas instituições, a fim de evitar sermos arrastados pelos vínculos do fanatismo e do perfeccionismo. Agora, novas melhorias na IA, viabilizadas por operações massivas de coleta de dados, aperfeiçoadas ao máximo por grupos digitais, contribuíram para a retomada de uma velha corrente positivista do pensamento político. Extremamente tecnocrata em seu âmago, essa corrente sustenta que a democracia talvez tenha tido sua época, mas que hoje, com tantos dados à nossa disposição, afinal estamos prestes a automatizar e simplificar muitas daquelas imperfeições que teriam sido — deliberadamente — incorporadas ao sistema político. Dessa forma, podemos delegar cada vez mais tarefas a algoritmos que, avaliando os resultados de tarefas anteriores e quaisquer alterações nas predileções individuais e nas curvas de indiferença, se reajustariam e revisariam suas regras de funcionamento. Alguns intelectuais proeminentes do Vale do Silício até exaltam o surgimento de uma “regulação algorítmica”, celebrando-a como uma alternativa poderosa à aparentemente ineficaz regulação normal. Com relação às ideias do texto CB1A1-I, julgue os itens a seguir.","É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome? “Posso ajudá-lo, cavalheiro?” “Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...” “Pois não?” “Um... como é mesmo o nome?” “Sim?” “Pomba! Um... um... Que cabeça a minha! A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima.” “Sim, senhor.” “O senhor vai dar risada quando souber.” “Sim, senhor.” “Olha, é pontuda, certo?” “O quê, cavalheiro?” “Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta; a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?” “Infelizmente, cavalheiro...” “Ora, você sabe do que eu estou falando.” “Estou me esforçando, mas...” “Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?” “Se o senhor diz, cavalheiro.” Acerca das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","informado o contrário, considere que todos os programas mencionados estão em configuração padrão e que não há restrições de Texto CB4A1-I A comunicação tem-se transformado em um setor estratégico da economia, da política e da cultura. Da guerra, ela sempre o foi. A inclusão da informação e da comunicação nas estratégias bélicas tem aumentado no correr de milênios. No século VII a.C., o chinês Sun Tzu, em A arte da guerra, dizia que “toda guerra é embasada em dissimulação”, referindo-se à distribuição de informações falsas. Contudo, quem mais desenvolveu esse conceito foi o general prussiano Carl von Clausewitz, em seu amplo tratado Da guerra (Vom Kriege), publicado em 1832. No capítulo VI, Clausewitz afirma: “Grande parte das notícias recebidas na guerra é contraditória, uma parte ainda maior é falsa e a maior parte de todas é incerta. Em suma, a maioria das notícias é falsa, e o medo do ser humano reforça a mentira e a inverdade. As pessoas conscientes que seguem as insinuações alheias tendem a permanecer indecisas no lugar; acreditam ter encontrado as circunstâncias distintas do que imaginavam. Na guerra, tudo é incerto, e os cálculos devem ser feitos com meras grandezas variáveis. Eles direcionam a observação apenas para magnitudes materiais, enquanto todo o ato de guerra está imbuído de forças e efeitos espirituais”. Trata-se de desinformar, e não de informar. A desinformação é a informação falsa, incompleta, desorientadora. É propagada para enganar um público determinado. Seu fim último é o isolamento do inimigo em um conflito concreto, é o de mantê-lo em um cerco informativo. Os nazistas levaram essa estratégia do engano quase à perfeição. Atualmente, pratica-se tanto o cerco econômico, militar e diplomático quanto o informativo. Já não se trata apenas de isolar o inimigo. As novas tecnologias permitem aos militares intervir nos conflitos bélicos a distância, direcionando até mesmo os foguetes com a ajuda de GPS, a partir de um satélite. A telecomunicação militar apoiada em satélites e a eletrônica determinarão as guerras do futuro imediato. Fala-se já de bombas eletrônicas (E) que podem paralisar estabelecimentos neurais da sociedade moderna, como hospitais, centrais elétricas, oleodutos etc., destruindo os seus circuitos eletrônicos. Parece que hoje já se pode fazer a guerra sem bombas atômicas. As bombas E do tipo FCG (flux compression generator — gerador de compressão de fluxo), cujo emprego não está limitado às grandes potências bélicas, têm o mesmo efeito e fazem parte dos arsenais de alguns exércitos, e consistem em comprimir, mediante uma explosão, um campo eletromagnético, como um raio, sem os custos, os efeitos colaterais ou o enorme alcance de um dispositivo de pulso eletromagnético nuclear. Com relação às ideias do texto CB4A1-I, julgue os itens que se seguem.","informado o contrário, considere que todos os programas mencionados estão em configuração padrão e que não há restrições de No fim do século XVIII e começo do XIX, a despeito de algumas grandes fogueiras, a melancólica festa de punição vai-se extinguindo. Nessa transformação, misturaram-se dois processos. Não tiveram nem a mesma cronologia, nem as mesmas razões de ser. De um lado, a supressão do espetáculo punitivo. O cerimonial da pena vai sendo obliterado e passa a ser apenas um novo ato de procedimento ou de administração. A punição pouco a pouco deixou de ser uma cena. E tudo o que pudesse implicar de espetáculo desde então terá um cunho negativo; e como as funções da cerimônia penal deixavam pouco a pouco de ser compreendidas, ficou a suspeita de que tal rito que dava um “fecho” ao crime mantinha com ele afinidades espúrias: igualando-o, ou mesmo ultrapassando-o em selvageria, acostumando os espectadores a uma ferocidade de que todos queriam vê-los afastados, mostrando-lhes a frequência dos crimes, fazendo o carrasco se parecer com criminoso, os juízes com os assassinos, invertendo no último momento os papéis, fazendo do supliciado um objeto de piedade e de admiração. A execução pública é vista então como uma fornalha em que se acende a violência. A punição vai-se tornando, pois, a parte mais velada do processo penal, provocando várias consequências: deixa o campo da percepção quase diária e entra no da consciência abstrata; sua eficácia é atribuída à sua fatalidade, não à sua intensidade visível; a certeza de ser punido é que deve desviar o homem do crime e não mais o abominável teatro; a mecânica exemplar da punição muda as engrenagens. Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado, julgue os itens seguintes.","Muitos meses atrás, a pandemia era encarada com outros olhos. À ideia de que a quarentena duraria quarenta dias, ou ao fato de os peixes terem voltado a nadar nos canais de Veneza, somava-se uma preocupação com a autoimagem: havia quem brincava, em grupos de redes sociais, por exemplo, que estava engordando, porque a única “distração” em casa era comer. Mas essa ideia, além de reforçar um discurso gordofóbico, ignora que muita gente não tinha nem um prato de arroz e feijão disponível. O relatório Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil, publicado em abril deste ano, demonstra que houve uma redução geral da disponibilidade de alimentos nos domicílios em situação de insegurança alimentar, inclusive dos considerados não saudáveis. Há alguns meses, estamos ouvindo especialistas e conversando com trabalhadores para entender o que sobra no prato das famílias em situação de vulnerabilidade social em tempos de covid-19. Um grupo de pesquisadores da Freie Universität Berlin (FU Berlin) trouxe a resposta que não queríamos ter: o consumo de alimentos saudáveis diminuiu em 85% nos domicílios em situação de insegurança alimentar durante a pandemia. A maior redução encontrada pelo estudo foi das carnes, em 44% dos domicílios, seguida de frutas (40,8%), queijos (40,4%) e hortaliças e legumes (36,8%). De acordo com a pesquisa, os ovos podem ter sido substitutos da carne, com o maior aumento entre os alimentos da categoria, em quase 19%. Os autores da pesquisa destacam que, no período entre agosto e dezembro de 2020, quase 60% dos domicílios entrevistados estavam em algum nível de insegurança alimentar — isto é, quando a qualidade dos alimentos é inadequada ou a oferta é insuficiente. Desses, 15% estavam em situação de insegurança alimentar grave. Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1-II As plantas, os animais domésticos e os produtos deles obtidos (frutas, ervas, carnes, ovos, queijos etc.) pertencem aos mais antigos produtos comercializáveis. A palavra latina para dinheiro, pecunia, deriva da relação com o gado (pecus). Esse comércio é provavelmente tão antigo quanto a divisão do trabalho entre agricultores e criadores de gado. Embora inicialmente o comércio e a distribuição econômica de produtos de colheita fossem geograficamente bem delimitados, eles conduziram a uma difusão cada vez mais ampla das sementes, desenvolvendo-se, então, um número cada vez maior de variações. Sem milênios de constantes contatos entre os povos e sem o trânsito intercontinental, o nosso cardápio teria uma aparência bastante pobre. Das aproximadamente trinta plantas que constituem os recursos de nossa alimentação básica, quase todas têm sua origem fora da Europa e provêm, predominantemente, de regiões que hoje enumeramos entre os países em desenvolvimento. Já que hoje as plantas nutritivas domésticas são cultivadas em praticamente todas as regiões habitadas, a humanidade também poderia alimentar-se, se o comércio de produtos agrários se limitasse a áreas menores, de proporção regional. O transporte de gêneros alimentícios por distâncias maiores se justifica, em primeiro lugar, para prevenir e combater epidemias de fome. Há, sem dúvida, uma série de razões ulteriores em favor do comércio mundial de gêneros alimentícios: a falta de arroz, chá, café, cacau e muitos temperos em nossos supermercados levaria a um significativo empobrecimento da culinária, coisa que não se poderia exigir de ninguém. O comércio internacional com produtos agrícolas aporta, além disso, às nações exportadoras a entrada de divisas, facilitando o pagamento de dívida. E, em muitos lugares, os próprios trabalhadores rurais e pequenos agricultores tiram proveito da venda de seus produtos a nações de alta renda, sobretudo quando ela ocorre segundo os critérios do comércio equitativo. Considerando as ideias e propriedades linguísticas do texto CG1A1-II, julgue os próximos itens.","Texto CG1A1-II Amado nos levou com um grupo para descansarmos na fazenda de um amigo. Esta confirmava as descrições que eu lera no livro de Freyre: embaixo, as habitações de trabalhadores, a moenda, onde se mói a cana, uma capela ao longe; na colina, uma casa. O amigo de Amado e sua família estavam ausentes; tive uma primeira amostra da hospitalidade brasileira: todo mundo achava normal instalar-se na varanda e pedir que servissem bebidas. Amado encheu meu copo de suco de caju amarelo-pálido: ele pensava, como eu, que se conhece um país em grande parte pela boca. A seu pedido, amigos nos convidaram para comer o prato mais típico do Nordeste: a feijoada. Eu lera no livro de Freyre que as moças do Nordeste casavam-se outrora aos treze anos. Um professor me apresentou sua filha, muito bonita, muito pintada, olhos de brasa: quatorze anos. Nunca encontrei adolescentes: eram crianças ou mulheres feitas. Estas, no entanto, fanavam-se com menos rapidez do que suas antepassadas; aos vinte e seis e vinte e quatro anos, respectivamente, Lucia e Cristina irradiavam juventude. A despeito dos costumes patriarcais do Nordeste, elas tinham liberdades; Lucia lecionava, e Cristina, desde a morte do pai, dirigia, nos arredores de Recife, um hotel de luxo pertencente à família; ambas faziam um pouco de jornalismo, e viajavam. Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CG1A1-II, julgue os seguintes itens.","Alguns linguistas acreditam que o Homo erectus, há mais ou menos 1 milhão e meio de anos, já tinha uma linguagem. Os argumentos que eles dão são que o Homo erectus tinha um cérebro relativamente grande e usava ferramentas de pedra primitivas, porém bastante padronizadas. Essa hipótese pode ser verdadeira, mas pode também estar bem longe do correto. O uso de ferramentas certamente não requer linguagem. Chimpanzés usam galhos como ferramentas para caçar cupins, ou pedras para quebrar nozes. Obviamente, mesmo as ferramentas mais primitivas do Homo erectus (pedras lascadas) são muito mais sofisticadas que qualquer coisa usada por chimpanzés, mas ainda assim não há uma razão convincente para crer que essas pedras não pudessem ter sido produzidas sem linguagem. O tamanho do cérebro é igualmente problemático como indicador da presença de linguagem, porque ninguém tem uma boa ideia de quanto cérebro exatamente é necessário para a linguagem. Além disso, a capacidade para a linguagem pode ter permanecido latente no cérebro por milhões de anos, sem ter sido de fato colocada em uso. A respeito das ideias, dos sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.","Texto CB1A1-II são úteis, devemos necessariamente aceitar que sábado e domingo são dias inúteis. É inútil, portanto: ir ao cinema e almoçar com a família, tomar cerveja com os amigos, ler um livro, passar a madrugada acordado vendo séries. se medidas pela régua da produtividade. Claro que se podem defender filmes, séries, peças e livros afirmando-se profissional. Também é possível defender o piquenique com os pessoas que cultivam laços familiares e sociais são mais estáveis, seguras e resilientes no trabalho. Mas a lógica que seus incrementos à carreira, que justifica a própria felicidade por sua contrapartida laboral, é a lógica dos que de útil no supostamente inútil a enxergar o que há de inútil no útil. discordem, são absolutamente inúteis. Não se ofendam, eu também sou. Daqui a cinquenta, cem, mil, dez mil anos, daqui a cinquenta, cem, mil, dez mil anos, já não haja mais ninguém aqui para se lembrar de coisa alguma, pois a aliás, também é inútil. Às vezes eu penso no cara que inventou o pelos corredores de uma de suas fábricas, dizendo para a secretária ligar para a sua esposa e avisar que não volta aramezinho de fechar pão. Um gênio ele devia se achar. E cada um de nós tem seu aramezinho de fechar pão e se para o futuro do cosmos. Com relação às ideias do texto CB1A1-II, julgue os próximos itens.","Texto CB1A1-II são úteis, devemos necessariamente aceitar que sábado e domingo são dias inúteis. É inútil, portanto: ir ao cinema e almoçar com a família, tomar cerveja com os amigos, ler um livro, passar a madrugada acordado vendo séries. se medidas pela régua da produtividade. Claro que se podem defender filmes, séries, peças e livros afirmando-se profissional. Também é possível defender o piquenique com os pessoas que cultivam laços familiares e sociais são mais estáveis, seguras e resilientes no trabalho. Mas a lógica que seus incrementos à carreira, que justifica a própria felicidade por sua contrapartida laboral, é a lógica dos que de útil no supostamente inútil a enxergar o que há de inútil no útil. discordem, são absolutamente inúteis. Não se ofendam, eu também sou. Daqui a cinquenta, cem, mil, dez mil anos, daqui a cinquenta, cem, mil, dez mil anos, já não haja mais ninguém aqui para se lembrar de coisa alguma, pois a aliás, também é inútil. Às vezes eu penso no cara que inventou o pelos corredores de uma de suas fábricas, dizendo para a secretária ligar para a sua esposa e avisar que não volta aramezinho de fechar pão. Um gênio ele devia se achar. E cada um de nós tem seu aramezinho de fechar pão e se para o futuro do cosmos. Com relação às ideias do texto CB1A1-II, julgue os próximos itens.\n\n\n\nA respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue os itens que se seguem.","Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anteriormente apresentado, julgue os itens subsequentes.","Texto CB1A1BBB sempre vi a alfabetização de adultos como um ato político e um ato de conhecimento, por isso mesmo, como um ato criador. memorização mecânica dos ba-be-bi-bo-bu, dos la-le-li-lo-lu. Daí que também não pudesse reduzir a alfabetização ao ensino processo o alfabetizador fosse “enchendo” com suas palavras as cabeças supostamente “vazias” dos alfabetizandos. Pelo processo da alfabetização tem, no alfabetizando, o seu sujeito. O fato de ele necessitar da ajuda do educador, como ocorre em educador anular a sua criatividade e a sua responsabilidade na construção de sua linguagem escrita e na leitura desta Na verdade, tanto o alfabetizador quanto o alfabetizando, ao pegarem, por exemplo, um objeto, como faço percebem o objeto sentido e são capazes de expressar verbalmente o objeto sentido e percebido. Como eu, o dizer caneta. Eu, porém, sou capaz de não apenas sentir a caneta, de perceber a caneta, de dizer caneta, mas também de alfabetização é a criação ou a montagem da expressão escrita da expressão oral. Esta montagem não pode ser feita pelo momento de sua tarefa criadora. Creio desnecessário me alongar mais, aqui e agora, a propósito da complexidade desse processo. A um ponto, porém, referido várias vezes neste texto, gostaria de voltar, ler e, consequentemente, para a proposta de alfabetização a que me consagrei. Refiro-me a que a leitura do mundo precede continuidade da leitura daquele. Na proposta a que me referi acima, este movimento do mundo à palavra e da palavra ao flui do mundo mesmo através da leitura que dele fazemos. De alguma maneira, porém, podemos ir mais longe e dizer do mundo, mas por uma certa forma de “escrevê-lo” ou de “reescrevê-lo”, quer dizer, de transformá-lo através de nossa Esse movimento dinâmico é um dos aspectos centrais, para mim, do processo de alfabetização. Daí que sempre tenha da alfabetização deveriam vir do universo vocabular dos grupos populares, expressando a sua real linguagem, os seus sonhos. Deveriam vir carregadas da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador. assim as palavras do povo, grávidas de mundo. Elas nos vinham através da leitura do mundo que os grupos populares e chamo de codificações, que são representações da realidade. Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto CB1A1BBB, julgue os itens que se seguem.","objetivas. Texto CB1A1AAA Da pedagogia tradicional à pedagogia nova pela passagem da pedagogia tradicional para a pedagogia nova. A pedagogia tradicional, portadora dos costumes dos séculos conservadora, prescritiva e ritualizada, e como uma forma que respeita e perpetua o método de ensino do século XVII. século XIX, no período dito de “ensino mútuo”, que corresponde à Revolução Industrial. preocupação com a eficiência sempre maior, inspirada no modelo econômico dominante, e pelo impulso da educação implicando uma organização global extremadamente detalhada. Entretanto, no início do século XX, a pedagogia se constitui como oposição estreita à tradição: concentração da atenção na criança, suas afinidades e seus campos de interesse; a uma pedagogia tradicionalmente centrada no mestre e nos conteúdos a transmitir. Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, julgue os seguintes itens.","Texto CB2A6AAA prosperidade que, apegando-se a certas soluções onde, na melhor hipótese, se abrigam verdades parciais, progresso. É bem característico, para citar um exemplo, o que ocorre com a miragem da alfabetização. Quanta inútil nossos males ficariam resolvidos de um momento para o outro se estivessem amplamente difundidas as escolas A muitos desses pregoeiros do progresso seria difícil convencer de que a alfabetização em massa não é e capitalista que admiram. Desacompanhada de outros elementos fundamentais da educação, que a completem, nas mãos de um cego. No que se refere às ideias e aos sentidos do texto CB2A6AAA e à sua classificação quanto ao tipo e ao gênero textual, julgue os próximos itens.","Texto para os itens de 13 a 21 Ouro em FIOS como o ouro e o cobre — condutor de ENERGIA ELÉTRICA. O ouro já é escasso. A energia elétrica caminha para energia sustentáveis, faça sua parte aqui no TJDFT: — Desligue as luzes nos ambientes onde é possível — Feche as janelas ao ligar o ar-condicionado. — Sempre desligue os aparelhos elétricos ao sair do — Utilize o computador no modo espera. Fique ligado! Evite desperdícios. Energia elétrica. A natureza cobra o preço do desperdício. Considerando as ideias expressas no texto, bem como seus aspectos tipológicos e linguísticos, julgue os itens subsequentes.","No que se refere aos aspectos linguísticos do texto, julgue os próximos itens."],"questions":[{"id":"4ee586b8e9d8","number":1,"stem":0,"statement":"Por meio do trecho “mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca” (terceiro parágrafo), o autor demonstra sua discordância parcial em relação à teoria darwinista da evolução.","answer":"E","source":{"slug":"TCU_25_TEFC","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"Darwin é convocado como reforço, não como adversário. A tese do texto é que mudar rima com adaptar e que velhos hábitos precisam ser revisitados; a teoria da evolução entra logo depois para dar respaldo científico exatamente a isso, ao dizer que a sobrevivência não depende da força, mas da adaptação. Não há no trecho nenhuma marca de ressalva, contestação ou restrição — nem um porém, nem um embora, nem uma atenuação.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"o autor demonstra sua discordância parcial em relação à teoria darwinista da evolução","corrected_statement":"Por meio do trecho “mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca” (terceiro parágrafo), o autor recorre à teoria darwinista da evolução para reforçar a sua tese de que sobreviver exige adaptar-se.","concept":"Citação de autoridade como reforço da tese","citation":null,"trap_note":"Citação de autoridade quase sempre entra para sustentar o que o autor já disse. Para sustentar o contrário, o texto precisaria marcar a divergência com um conector adversativo ou um verbo de ressalva. Sem essa marca, ler discordância é acrescentar ao texto."}},{"id":"ae17b5c9a4e1","number":2,"stem":1,"statement":"O autor do texto sugere que, para evitar a infelicidade, o indivíduo deve buscar a autenticidade, ou seja, deve opor-se à opinião pública.","answer":"E","source":{"slug":"SUSEP_25","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"O texto recusa expressamente a oposição: não há sentido em zombar deliberadamente da opinião pública, porque isso é admitir seu domínio, ainda que às avessas. O que ele recomenda é a indiferença autêntica, apresentada como força e fonte de felicidade, e um mínimo de respeito prático para não morrer de fome nem ir para a cadeia. Opor-se e ser indiferente não são a mesma atitude — e a diferença entre as duas é justamente o ponto do parágrafo.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"deve opor-se à opinião pública","corrected_statement":"O autor do texto sugere que, para evitar a infelicidade, o indivíduo deve buscar a autenticidade, ou seja, deve ser autenticamente indiferente à opinião pública.","concept":"Indiferença × oposição deliberada","citation":null,"trap_note":"Quando o texto distingue duas atitudes próximas e rejeita uma delas, é essa rejeitada que o item vai oferecer. O aviso está no verbo de recusa — não há sentido em, seria um erro, não se trata de —, e o termo correto costuma estar na frase seguinte, aberta por Mas."}},{"id":"808983f24540","number":4,"stem":2,"statement":"No segundo período do primeiro parágrafo, o emprego do vocábulo “certamente” evidencia que o autor do texto concorda com a opinião do historiador Lord Acton reproduzida no primeiro período, considerando-a indubitável.","answer":"E","source":{"slug":"PF_25_ADM","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"O período em que certamente aparece é aberto por Mas, e o que ele afirma é uma restrição à tese de Acton: a diferença entre a liberdade medieval e a moderna é apenas de grau, não de espécie. Ou seja, o advérbio dá certeza à correção que o autor faz, e não à opinião corrigida — todo o texto existe para mostrar que também hoje a liberdade depende de propriedade. O item aproveita a força do modalizador e transfere seu alvo.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"concorda com a opinião do historiador Lord Acton","corrected_statement":"No segundo período do primeiro parágrafo, o emprego do vocábulo “certamente” evidencia que o autor do texto relativiza a opinião do historiador Lord Acton reproduzida no primeiro período, reduzindo a uma diferença de grau a distinção que ela estabelece.","concept":"Modalizador de certeza dentro de uma adversativa","citation":null,"trap_note":"Certeza e concordância não são a mesma coisa. Quando o certamente está numa oração iniciada por mas, contudo ou todavia, ele reforça a objeção do autor, não a tese citada. Leia o conector antes do advérbio."}},{"id":"eedd85c5a92d","number":8,"stem":2,"statement":"Ao empregar a primeira pessoa do plural em “desfrutarmos” (último período do segundo parágrafo), o autor se aproxima do leitor do texto, incluindo-o, ainda que de modo indireto, na ação expressa por esse vocábulo.","answer":"E","source":{"slug":"PF_25_ADM","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"O plural de desfrutarmos se explica dentro da própria cena: quem jantaria no Savoy seriam o narrador e a jovem que ele decidiu levar. O nós aí é exclusivo — reúne o eu do texto e uma personagem, e não o leitor —, e o parágrafo inteiro é construído em primeira pessoa do singular justamente para exibir, em exemplos pessoais, a inutilidade prática das liberdades legais. Não há gesto de aproximação com quem lê.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"o autor se aproxima do leitor do texto, incluindo-o","corrected_statement":"Ao empregar a primeira pessoa do plural em “desfrutarmos” (último período do segundo parágrafo), o autor inclui na ação apenas a si mesmo e a jovem que levaria ao jantar.","concept":"Nós exclusivo × nós inclusivo do leitor","citation":null,"trap_note":"Antes de aceitar que um nós inclua o leitor, procure na frase quem mais participa da ação. Se há na cena uma segunda pessoa concreta — um acompanhante, um grupo nomeado —, o plural é exclusivo. O nós inclusivo aparece em afirmações gerais sobre a condição humana, não em episódios particulares."}},{"id":"affd52853775","number":11,"stem":3,"statement":"Por meio de diferentes recursos linguísticos, o autor do texto expressa dúvida em relação à redução da intensidade da severidade penal no decorrer dos últimos séculos e ao caráter humanitário atribuído ao afrouxamento dessa severidade.","answer":"C","source":{"slug":"PF_25_ADM","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"A dúvida está marcada em três lugares distintos. O verbo na voz passiva com agente difuso — foi visto, durante muito tempo, de forma geral — afasta o autor da leitura corrente; as aspas em humanidade suspendem o valor da palavra; e a sequência interrogativa seguida de atenuante, Redução de intensidade? Talvez, opõe-se à afirmação categórica que vem logo depois, Mudança de objetivo, certamente. O texto só assume como certa a mudança de alvo da punição; quanto à suavização e ao humanitarismo, reserva-se.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Aspas de distanciamento, pergunta e talvez como marcas de dúvida","citation":null,"trap_note":"A dúvida raramente vem dita com a palavra duvido. Ela aparece em aspas de distanciamento, em perguntas sem resposta, em talvez e possivelmente e em passivas que atribuem a leitura a um sujeito indefinido. Compare sempre esses trechos com o que o autor afirma sem atenuante: o contraste mostra onde ele se compromete e onde não."}},{"id":"b17471ef3bbf","number":1,"stem":4,"statement":"O emprego da expressão “Sem dúvida” (sétimo parágrafo) revela que o autor tem uma opinião inflexível a respeito do tipo de pessoa capaz de ter novas ideias.","answer":"E","source":{"slug":"EMBRAPA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Sem dúvida modaliza uma afirmação histórica — que muitos naturalistas do início do século XIX estudaram a diferenciação das espécies — e não a tese sobre quem é capaz de ter novas ideias. Essa tese, aliás, aparece cercada de atenuações por todo o texto: presumivelmente, talvez, normalmente, frequentemente, a pessoa com maior probabilidade. O item desloca o marcador de certeza de um enunciado para outro e converte em rigidez um raciocínio deliberadamente hipotético.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"uma opinião inflexível a respeito do tipo de pessoa capaz de ter novas ideias","corrected_statement":"O emprego da expressão “Sem dúvida” (sétimo parágrafo) reforça a afirmação de que muitos naturalistas do início do século XIX estudaram a maneira pela qual as espécies se diferenciavam entre si.","concept":"Escopo do modalizador: a que enunciado a certeza se aplica","citation":null,"trap_note":"Modalizador tem endereço. Antes de aceitar que sem dúvida, certamente ou é evidente revelem convicção do autor sobre a tese, volte ao período em que a expressão está e veja o que exatamente ela qualifica — costuma ser um detalhe factual, e não a tese. Some a isso o inventário dos atenuantes do texto: talvez e presumivelmente desmentem inflexibilidade."}},{"id":"bf618df641f8","number":2,"stem":5,"statement":"O objetivo principal do texto é explicar como diferentes resíduos agrícolas podem ser usados para produzir carvão.","answer":"E","source":{"slug":"EMBRAPA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O problema enunciado na abertura é o plástico: 400 milhões de toneladas por ano, dos quais só 10% se reaproveitam. Toda a reportagem descreve o método que converte esse plástico em carvão fertilizante, e a palha de milho e os futuros resíduos cítricos entram como insumo que se mistura ao plástico, não como objeto do texto. O item promove o ingrediente secundário à condição de assunto principal e faz desaparecer justamente o problema que o texto veio resolver.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"explicar como diferentes resíduos agrícolas podem ser usados para produzir carvão","corrected_statement":"O objetivo principal do texto é explicar como o plástico descartado pode ser transformado em carvão utilizável como fertilizante.","concept":"Objeto do texto × insumo mencionado no percurso","citation":null,"trap_note":"Para achar o objetivo de um texto de divulgação, volte ao problema anunciado na abertura: é a ele que a solução responde. O item errado costuma escolher um elemento verdadeiro do meio do texto e apresentá-lo como assunto, e a frase fica inteiramente correta em cada palavra e falsa no conjunto."}},{"id":"5f80fb2194af","number":2,"stem":6,"statement":"O texto expressa, de modo irônico, o entendimento de que saúde, mocidade e liberdade são alegrias passageiras, que acabam tão logo começam a ser desfrutadas.","answer":"E","source":{"slug":"FUNPRESP_24_EXE","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O texto classifica saúde, mocidade e liberdade como bens negativos, e a definição que ele mesmo dá é outra: enquanto os possuímos não temos consciência deles, e só os apreciamos depois de os havermos perdido. Não se trata, pois, de alegrias que se esgotam ao serem desfrutadas — trata-se de bens que nunca chegam a ser sentidos como prazer. Nem há ironia: a exposição é assertiva e sustentada por analogias e pela citação aprovadora de Voltaire, que o autor apresenta dizendo que ele pensa como eu.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"são alegrias passageiras, que acabam tão logo começam a ser desfrutadas","corrected_statement":"O texto expressa o entendimento de que saúde, mocidade e liberdade são bens negativos, de que só se toma consciência depois de perdidos.","concept":"Bem negativo: não percebido enquanto se tem","citation":null,"trap_note":"Quando o texto cunha um termo e o define na frase seguinte, essa definição é a única leitura autorizada. E não chame de ironia a tese sustentada a sério: ironia exige que o texto diga o contrário do que quer, com marca que denuncie a inversão — citação aprovadora e analogia em série são sinais de que o autor fala a sério."}},{"id":"ec7d4cc078af","number":2,"stem":7,"statement":"O uso do pensamento positivo com o fim de dissimular sentimentos negativos é condenado pelos autores no texto.","answer":"C","source":{"slug":"ANVISA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O texto abre afirmando o caráter essencial dos sentimentos negativos e declara que ocultá-los sob o tapete do pensamento positivo significa estigmatizar e tornar vexaminosa a estrutura emocional do mal-estar social e da instabilidade. Estigmatizar e vexaminoso são termos de reprovação, e a metáfora do tapete já carrega a acusação de encobrimento. A condenação não é inferida: está escrita.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Condenação explícita marcada pelo léxico avaliativo","citation":null,"trap_note":"Quando o item afirmar que o autor condena, defende ou critica algo, procure a frase em que isso está dito com palavras de valor. Aqui estava; na maioria dos itens errados desse tipo, não está — e é essa checagem, e não a impressão de tom, que decide."}},{"id":"107e277a60ce","number":2,"stem":8,"statement":"No texto, a autora põe em xeque o conceito de direitos humanos e demonstra duvidar da sua real aplicabilidade desde seu surgimento no século XVIII, mesmo que tenham sido assegurados na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.","answer":"E","source":{"slug":"STJ_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"A dúvida sobre o significado emancipador das declarações está no texto, mas com dono declarado: em anos recentes, alguns estudiosos até questionaram se as declarações tinham um verdadeiro significado de emancipação, e os fundadores têm sido julgados elitistas, racistas e misóginos. A autora relata esses julgamentos e, em seguida, formula a pergunta que é dela: como esses homens chegaram a imaginar iguais pessoas nada parecidas com eles, e compreender isso ajudaria a entender o que os direitos humanos significam hoje. Relatar a desconfiança alheia não é assiná-la.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"a autora põe em xeque o conceito de direitos humanos","corrected_statement":"No texto, a autora registra que alguns estudiosos põem em xeque o significado emancipador das declarações do século XVIII e se pergunta como aqueles homens chegaram a considerar iguais pessoas tão diferentes deles.","concept":"Opinião relatada com data e sujeito × opinião do autor","citation":null,"trap_note":"Marcas como em anos recentes, alguns estudiosos, têm sido julgados e formas na passiva sem agente definido situam a opinião fora do autor. Depois de identificá-las, procure a frase em que o autor fala por si — costuma ser a pergunta final ou a última frase do texto."}},{"id":"d99c0c88b4ec","number":3,"stem":7,"statement":"Na oração “como alguns empiristas ferrenhos afirmarão” (quinto período), os autores estabelecem uma comparação para emitir um juízo de valor pejorativo a respeito do que pensam os empiristas.","answer":"E","source":{"slug":"ANVISA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Nessa oração, como não compara coisa alguma: introduz a fonte do que se afirma, marcando que a frase sobre a felicidade ser o único bem tangível pertence aos empiristas e não aos autores. É a mesma operação do período anterior, aberto por Alguns dirão — antecipação de uma objeção que o texto vai refutar em seguida com Nozick. O item troca a função do conector e transforma atribuição de voz em comparação.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"os autores estabelecem uma comparação","corrected_statement":"Na oração “como alguns empiristas ferrenhos afirmarão” (quinto período), os autores atribuem a afirmação a terceiros, antecipando uma objeção que passam em seguida a refutar.","concept":"Como conformativo, de atribuição de voz, × como comparativo","citation":null,"trap_note":"Como comparativo pede um segundo termo comparado; como conformativo aparece encaixado entre vírgulas com verbo dicendi — como afirma, como dizia, como sustentam. Ao ver o segundo, procure a objeção antecipada: o autor está emprestando a voz ao adversário antes de respondê-lo."}},{"id":"d41822998e5e","number":4,"stem":4,"statement":"O autor evoca os exemplos de Charles Darwin e Alfred Wallace com o intuito de investigar como cada um deles compreendeu, de modo independente, o raciocínio que levou à criação da teoria da evolução pela seleção natural.","answer":"E","source":{"slug":"EMBRAPA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O autor enuncia o propósito antes do exemplo: se a mesma ideia ocorre a dois homens simultânea e independentemente, talvez os fatores comuns envolvidos sejam esclarecedores. Darwin e Wallace entram, portanto, para que se isole o que havia de comum entre eles — as viagens, as espécies observadas, a leitura de Malthus, a conexão cruzada —, e não para reconstituir separadamente o percurso mental de cada um. O item mantém o exemplo e troca o eixo da análise, do comum para o individual.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"investigar como cada um deles compreendeu","corrected_statement":"O autor evoca os exemplos de Charles Darwin e Alfred Wallace com o intuito de investigar que fatores eles tinham em comum e que explicariam a criação independente da teoria da evolução pela seleção natural.","concept":"Finalidade do exemplo declarada pelo próprio autor","citation":null,"trap_note":"Quando o texto anuncia por que vai citar um exemplo, essa frase decide todos os itens sobre a função do exemplo. Localize-a antes de julgar: aqui ela está no parágrafo anterior à citação, e diz fatores comuns — o que sozinho elimina qualquer leitura que trate os dois casos isoladamente."}},{"id":"d35f5bb30624","number":4,"stem":9,"statement":"No texto, são expostos efeitos da cultura da urgência, mas não se observa um posicionamento explícito quanto à necessidade de combatê-la.","answer":"C","source":{"slug":"TRT10_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O texto encadeia efeitos da cultura da urgência — queda de produtividade, dessensibilização do sistema de dopamina, pensamento superficial, hipertensão, privação do sono — e apoia cada um em pesquisa ou na fala da neurocientista citada. Em nenhum momento aparece verbo de recomendação, proposta de mudança ou avaliação do autor sobre o que se deve fazer: não há é preciso, deve-se, urge. Expor consequências negativas não equivale a defender que se combata a causa, e o item observa exatamente essa ausência.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Exposição de efeitos sem posicionamento explícito do autor","citation":null,"trap_note":"Quando o item afirmar que o texto não se posiciona, o teste é procurar o verbo de recomendação. Se o texto só descreve, ainda que descreva coisas ruins, a ausência de posicionamento é fato e o item é certo. Encadear consequências negativas parece defesa de uma tese, mas não é."}},{"id":"1125cc112242","number":4,"stem":10,"statement":"Com o emprego do adjetivo “estarrecedor” (segundo período do primeiro parágrafo), o autor do texto expressa uma avaliação negativa em relação à quantidade de processos judiciais em tramitação no Poder Judiciário brasileiro.","answer":"C","source":{"slug":"TRF6_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Estarrecedor não informa quantidade: avalia o efeito do número sobre quem o observa. O autor poderia ter escrito que o número é elevado, e escolheu o termo que exprime espanto e reprovação, reforçado logo em seguida pela conclusão de que a situação é praticamente insustentável sob o aspecto econômico, gerencial e jurídico. Adjetivo que só se sustenta a partir de um observador é marca de avaliação do autor.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Adjetivo de efeito emocional como avaliação negativa","citation":null,"trap_note":"Em texto com muitos números, a subjetividade entra justamente nos adjetivos que os qualificam: estarrecedor, alarmante, insustentável, modesto, tímido. O dado é objetivo; o adjetivo é do autor, e é sobre ele que o item pergunta."}},{"id":"04975844d928","number":5,"stem":8,"statement":"O questionamento feito pela autora no segundo parágrafo constitui um recurso de linguagem utilizado para verificar o entendimento do leitor quanto à argumentação por ela desenvolvida no texto.","answer":"E","source":{"slug":"STJ_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"A pergunta sobre importar que o esboço de Jefferson tenha passado por oitenta e seis alterações não espera resposta de ninguém: vem logo depois da afirmação de que as origens dos documentos não dizem necessariamente nada de significativo sobre as suas consequências, e funciona como a forma interrogativa dessa mesma afirmação. É pergunta retórica, recurso de ênfase argumentativa, e não instrumento de aferição da compreensão do leitor — o texto sequer se dirige ao leitor para testá-lo.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"utilizado para verificar o entendimento do leitor","corrected_statement":"O questionamento feito pela autora no segundo parágrafo constitui uma pergunta retórica, utilizada para reforçar a afirmação de que as origens dos documentos pouco dizem sobre suas consequências.","concept":"Pergunta retórica: afirmação sob forma interrogativa","citation":null,"trap_note":"Pergunta em texto argumentativo quase nunca pede resposta. Teste convertendo-a em afirmação: se o resultado repete o que o texto acabou de dizer, é retórica, e sua função é enfatizar ou introduzir o próximo movimento, nunca avaliar o leitor."}},{"id":"0cedf97b268f","number":9,"stem":11,"statement":"A oração “mas geralmente contém características típicas do meio digital” (segundo parágrafo) revela uma opinião dos autores, haja vista o emprego do advérbio “geralmente”, que, nesse caso, denota totalidade.","answer":"E","source":{"slug":"TRF6_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Geralmente exprime frequência alta, não totalidade: ele diz que na maioria das vezes o discurso de ódio online traz aquelas características, e, ao dizê-lo, admite os casos em que não traz. O advérbio é, portanto, um atenuante — faz o oposto do que o item lhe atribui, que seria abranger todos os casos. Sem a suposta totalidade, cai também a conclusão de que a oração revelaria opinião dos autores, num texto que define e classifica a partir do Plano das Nações Unidas.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"que, nesse caso, denota totalidade","corrected_statement":"A oração “mas geralmente contém características típicas do meio digital” (segundo parágrafo) não revela uma opinião dos autores, haja vista o emprego do advérbio “geralmente”, que, nesse caso, denota frequência, e não totalidade.","concept":"Advérbio de frequência não equivale a quantificador universal","citation":null,"trap_note":"Geralmente, normalmente, em regra e na maioria das vezes restringem; todo, sempre, invariavelmente e a totalidade universalizam. A banca troca uns pelos outros com naturalidade, porque a frase continua soando bem. Ao ver o item afirmar que um advérbio denota totalidade, verifique se ele não é justamente o que abre exceção."}},{"id":"53b2d763dfb0","number":9,"stem":12,"statement":"A menção aos anúncios sobre escravos fugidos em folhas de jornais públicos tem como objetivo apontar a eficácia do sistema de captura de escravos fugidios no sistema escravagista do Brasil.","answer":"E","source":{"slug":"STJ_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Os anúncios entram para documentar o ofício que o parágrafo seguinte vai nomear — pegar escravos fugidios era um ofício do tempo —, descrevendo a mecânica da gratificação, os sinais do fugido e a vinheta impressa. O trecho, aliás, aponta na direção contrária à da eficácia: diz que os escravos fugiam com frequência, que eram muitos e que nem todos gostavam da escravidão, o que explica a própria existência de um mercado de captura. Descrever um costume não é atestar que ele funcionava bem.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"apontar a eficácia do sistema de captura de escravos fugidios","corrected_statement":"A menção aos anúncios sobre escravos fugidos em folhas de jornais públicos tem como objetivo caracterizar o ofício de capturar escravos fugidios, apresentado logo em seguida no texto.","concept":"Função do detalhe narrativo: preparar o que vem a seguir","citation":null,"trap_note":"Para julgar a função de um trecho narrativo, leia o que vem imediatamente depois: o detalhe quase sempre existe para preparar a informação seguinte. E confira a direção do dado — frequência de fugas e anúncios repetidos são indício de falha do sistema, não de eficiência."}},{"id":"a77b6951c47e","number":9,"stem":13,"statement":"Da leitura do texto conclui-se que, ao empregar aspas em “bem conduzido” (primeiro período do quarto parágrafo), o autor do texto evidencia sua intenção de expressar ironia, ou seja, de exprimir o oposto daquilo que a expressão significa.","answer":"E","source":{"slug":"PREF_CACHOEIRO_24_ADM","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"As aspas ali reproduzem a palavra de outra pessoa: o parágrafo resume em discurso indireto o que disse uma pesquisadora que não participou do estudo e conserva entre aspas os termos exatos que ela usou, como faz em seguida com a citação direta completa. Nada no texto contraria o elogio — a ressalva que vem depois é sobre limitações metodológicas, e é introduzida por Embora, que pressupõe verdadeiro o elogio. Sem contradição entre o dito e o contexto, não há ironia.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"evidencia sua intenção de expressar ironia","corrected_statement":"Da leitura do texto conclui-se que, ao empregar aspas em “bem conduzido” (primeiro período do quarto parágrafo), o autor do texto reproduz literalmente palavras da pesquisadora citada.","concept":"Aspas de citação × aspas de ironia","citation":null,"trap_note":"Aspas fazem pelo menos quatro coisas: citar, marcar estrangeirismo ou gíria, destacar um termo e ironizar. Só a última exige que o contexto desminta a palavra. Em texto jornalístico com fonte identificada, a hipótese padrão é citação — e o Embora que vem antes confirma que o elogio é levado a sério."}},{"id":"67f135a7c5ed","number":24,"stem":14,"statement":"No quarto período do primeiro parágrafo, a autora julga “infecunda” e “anticomunitária” a identidade cujas características são contrapostas à dita “identidade do duplo”.","answer":"C","source":{"slug":"INOVERSASUL_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"No período em causa, os adjetivos infecunda e anticomunitária estão na oração relativa que se prende à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme — precisamente a identidade que o texto põe em contraposição à identidade do duplo. Não são termos descritivos: qualificam negativamente e exprimem a avaliação da autora. O item acerta o alvo dos adjetivos e a relação de contraste que os enquadra.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"A que termo a oração relativa avaliativa se prende","citation":null,"trap_note":"Em período longo com duas ideias contrapostas, o item costuma cobrar a qual das duas o adjetivo se aplica. Recue até o antecedente do que da oração relativa; é ele, e não o termo mais próximo do adjetivo, que responde pelo juízo."}},{"id":"6d771aad154a","number":27,"stem":15,"statement":"No último parágrafo do texto, o autor culpa os holandeses de terem criado e, depois, destruído a fita cassete, o CD e o DVD.","answer":"E","source":{"slug":"INOVERSASUL_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O parágrafo faz o contrário de culpar: diz expressamente que temos de lhes ser gratos pela invenção da fita cassete, do CD e do DVD. A ressalva seguinte, mas depois os desinventaram, é remate humorístico da crônica — desinventar não é destruir, é deixar de fabricar — e serve para retomar em tom de piada a tese de que pensar dói. Tom de queixa bem-humorada não é imputação de culpa.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"o autor culpa os holandeses","corrected_statement":"No último parágrafo do texto, o autor agradece aos holandeses por terem criado a fita cassete, o CD e o DVD, e lamenta, em tom humorístico, que depois os tenham desinventado.","concept":"Humor e queixa leve × atribuição de culpa","citation":null,"trap_note":"Em crônica humorística, a banca converte a brincadeira do autor em acusação, denúncia ou crítica. Antes de aceitar, procure no mesmo parágrafo a marca do afeto contrário — aqui, temos de lhes ser gratos. O verbo forte que o item usa raramente tem apoio no texto."}},{"id":"1cbb5977b369","number":28,"stem":15,"statement":"Ao declarar “Não ria” (segundo período do primeiro parágrafo), o autor direciona-se ao público leitor do texto, partindo do pressuposto de que seria risível a ideia de que pensar dói.","answer":"C","source":{"slug":"INOVERSASUL_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Não ria é imperativo sem destinatário na cena narrada: não há interlocutor dentro do texto, logo o vocativo implícito é o leitor. E só se pede que não se ria de quem já esteja inclinado a rir — a ordem pressupõe que a conclusão de que pensar dói soa cômica, pressuposto que o autor precisa desativar para seguir comentando a pesquisa a sério. O item descreve corretamente a interlocução e o pressuposto que a sustenta.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Imperativo dirigido ao leitor e pressuposto que ele carrega","citation":null,"trap_note":"Verbo no imperativo em texto sem personagem só pode se dirigir a quem lê. E todo imperativo negativo pressupõe a possibilidade do ato negado: não ria pressupõe vontade de rir, não estranhe pressupõe estranhamento. Esse pressuposto é o que a banca cobra."}},{"id":"c6a6a1fa3e58","number":1,"stem":16,"statement":"O texto tem como principal finalidade informar o público leitor acerca da aprovação do projeto de lei que institui a Política Nacional de Linguagem Simples na administração pública.","answer":"C","source":{"slug":"TBG_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O texto abre pelo fato — a Comissão aprovou o projeto de lei que institui a Política Nacional de Linguagem Simples — e todo o resto detalha esse fato: os objetivos da política, a condição de substitutivo, o conceito adotado e as falas do relator. Não há tese a defender nem posição do autor; há relato de acontecimento recente para um público leitor. Essa é a finalidade informativa típica da notícia.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Finalidade informativa: o fato anunciado na abertura organiza o texto","citation":null,"trap_note":"Para achar a finalidade principal, veja o que está no primeiro período e pergunte se o resto do texto serve para desenvolvê-lo. Servindo, a finalidade é informar sobre aquele fato — mesmo que o texto traga citações, números e explicações técnicas pelo caminho."}},{"id":"14d61d4841ff","number":2,"stem":17,"statement":"O termo “desconfortável”, no primeiro período do segundo parágrafo, veicula um juízo de valor do autor a respeito da “descoberta da ignorância”, tratada no parágrafo anterior.","answer":"C","source":{"slug":"CAPES_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Desconfortável não descreve a tomada de consciência: avalia-a. O fato de que hoje se estuda a ignorância poderia ser apresentado neutramente — o texto escolhe o adjetivo que exprime o incômodo do autor diante dessa constatação, e o faz retomando anaforicamente, por Essa, a descoberta da ignorância do parágrafo anterior. Adjetivo que qualifica o efeito de um fato sobre quem o observa é marca de subjetividade.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Adjetivo avaliativo como marca da opinião do autor","citation":null,"trap_note":"Separe o adjetivo que classifica do que avalia: sociedade do conhecimento classifica, tomada de consciência desconfortável avalia. O segundo tipo só existe porque alguém julga, e esse alguém é o autor — por isso o item que aponta juízo de valor nesses adjetivos costuma ser certo."}},{"id":"3e5e495cb0fc","number":3,"stem":18,"statement":"Entre os objetivos do texto, está o de informar que, dada a complexidade do sistema de comunicações de uma organização, que visa primordialmente ao alcance de objetivos funcionais, nem sempre a imagem organizacional alcançada e a pretendida coincidem, devido à existência de uma série de fatores não controláveis pela organização ao longo do processo de construção da sua imagem.","answer":"E","source":{"slug":"CGE_RJ_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O texto atribui a distância entre a imagem pretendida e a imagem formada a uma causa determinada: a imagem se forma em função de todo um conjunto de contatos realizados, e não somente pelas iniciativas planejadas de comunicação. A complexidade do sistema de comunicações aparece como definição de organização, no primeiro período, e em nenhum momento é apresentada como razão dessa divergência. O item monta com dois fragmentos verdadeiros uma relação de causa que o texto não estabelece.","distortion_type":"relacao_causal","distorted_span":"dada a complexidade do sistema de comunicações de uma organização","corrected_statement":"Entre os objetivos do texto, está o de informar que, por se formar em função de todo um conjunto de contatos realizados, e não somente das iniciativas planejadas de comunicação, nem sempre a imagem organizacional alcançada e a pretendida coincidem.","concept":"Causa efetivamente enunciada × causa montada a partir de informações contíguas","citation":null,"trap_note":"Em item longo, a banca costuma acertar o conteúdo e inventar a amarração. Localize no texto o conector real entre as duas informações: se o que há é um ponto final, uma definição de abertura ou um além disso, a relação de causa foi acrescentada, ainda que as duas pontas sejam verdadeiras."}},{"id":"c7608e0640d3","number":3,"stem":16,"statement":"No segundo parágrafo, o projeto de lei é elogiado por privilegiar a acessibilidade à informação e a redução de despesas.","answer":"E","source":{"slug":"TBG_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O parágrafo apenas enumera os objetivos declarados da política: permitir que as pessoas encontrem, entendam e usem as informações, reduzir custos administrativos e tempo de atendimento, facilitar a participação e o controle da gestão pública. Enumerar finalidades de um projeto é reproduzir o que ele diz de si mesmo; não há nenhum termo que valorize essas finalidades, nenhum adjetivo de aprovação, nenhuma voz que as recomende. Relato de objetivos não é elogio.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"o projeto de lei é elogiado","corrected_statement":"No segundo parágrafo, são enumerados os objetivos do projeto de lei, entre os quais a acessibilidade à informação e a redução de despesas.","concept":"Enumerar objetivos × avaliá-los positivamente","citation":null,"trap_note":"Objetivo bom não equivale a elogio do texto. Em notícia, os fins de um projeto aparecem como informação, e o item errado converte a simpatia natural do leitor por esses fins em avaliação do jornalista. Procure o adjetivo de aprovação: sem ele, não houve elogio."}},{"id":"684a3735beb2","number":3,"stem":19,"statement":"O emprego do adjetivo “preguiçosos” (penúltimo período do primeiro parágrafo) revela uma opinião preconceituosa dos autores do texto a respeito das populações nativas colonizadas.","answer":"E","source":{"slug":"TJ_ES_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O adjetivo vem com a atribuição de voz ao lado: os nativos preguiçosos, segundo os discípulos de Locke, não faziam isso. A expressão segundo os discípulos de Locke transfere a responsabilidade da qualificação para os lockianos, e todo o texto existe para expor criticamente esse estereótipo, que ele em seguida denuncia como pretexto para a escravização e a servidão por dívida. Reproduzir um preconceito para criticá-lo não é sustentá-lo.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"revela uma opinião preconceituosa dos autores do texto","corrected_statement":"O emprego do adjetivo “preguiçosos” (penúltimo período do primeiro parágrafo) reproduz o estereótipo que os discípulos de Locke atribuíam às populações nativas colonizadas.","concept":"Discurso relatado: a quem pertence o juízo","citation":null,"trap_note":"Procure sempre o operador de atribuição de voz — segundo, para, na visão de, conforme, de acordo com — antes de imputar uma opinião ao autor. Quando ele está presente, a opinião é de outro, e o autor com frequência a cita justamente para combatê-la."}},{"id":"6d5c998b95cf","number":4,"stem":19,"statement":"O trecho ‘são eles que violam o direito natural e podem ser punidos ou ‘destruídos’ como animais selvagens’, no penúltimo período do segundo parágrafo, exprime a perspectiva de James Tully.","answer":"E","source":{"slug":"TJ_ES_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O trecho está dentro da citação de Tully, mas não enuncia o que Tully pensa: enuncia o que decorre da doutrina lockiana, cujas implicações históricas ele está apontando. Tully descreve a lógica segundo a qual o aborígene que defende o próprio território passa a violar o direito natural e pode ser destruído como animal selvagem — e marca distância pondo destruídos entre aspas. Voz citada e perspectiva enunciada são coisas distintas, e o item as confunde.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"exprime a perspectiva de James Tully","corrected_statement":"O trecho ‘são eles que violam o direito natural e podem ser punidos ou ‘destruídos’ como animais selvagens’, no penúltimo período do segundo parágrafo, exprime a perspectiva dos seguidores de Locke, cujas implicações históricas James Tully expõe.","concept":"Perspectiva enunciada dentro de uma citação não é a do citado","citation":null,"trap_note":"Uma citação pode conter a voz de um terceiro. Quando o autor citado está descrevendo a lógica de um adversário, a perspectiva do trecho é a do adversário, e as aspas internas são o aviso de que o citado não assina aquelas palavras. Confira sempre o verbo que introduz a citação: aponta as implicações desse pensamento anuncia exposição, não adesão."}},{"id":"132236bd922e","number":5,"stem":20,"statement":"No primeiro período do texto, o autor apresenta uma constatação a respeito da ação do homem na formação das épocas históricas, enquanto, no segundo período, ele opina sobre a forma como o homem deve participar dessas épocas.","answer":"C","source":{"slug":"MEC_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O primeiro período enuncia um processo, sem prescrever nada: à medida que o homem cria, recria e decide, vão se formando as épocas históricas. O segundo introduz o verbo deve — criando, recriando e decidindo como deve participar nessas épocas —, e o dever modal transforma a frase em posição do autor sobre a maneira correta de participar. A diferença entre os dois períodos é exatamente a diferença entre constatar e opinar.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Constatação × opinião: o verbo modal como divisor","citation":null,"trap_note":"Deve, é preciso, cabe, urge e convém marcam o que o autor quer; forma-se, ocorre, passou a ser marcam o que ele diz existir. Em item que separa dois períodos entre constatação e opinião, localize o modal: ele decide sozinho de que lado cada período está."}},{"id":"a1a4ac414d1c","number":6,"stem":21,"statement":"No primeiro período do texto, o emprego do pronome “você” é um recurso de linguagem utilizado pela autora para aproximar-se do leitor, com o objetivo de chamar sua atenção para o fato apresentado.","answer":"C","source":{"slug":"DATAPREV_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O primeiro período não fala de leitores em geral: fala de quem está lendo naquele instante — Até você terminar de ler este parágrafo, mais um acidente de trabalho será notificado no Brasil. O pronome de segunda pessoa transforma a estatística em acontecimento simultâneo à leitura e envolve quem lê no fato relatado, que é o modo de fisgar a atenção logo na abertura. Trata-se de recurso de interlocução deliberado, próprio da reportagem que quer dar peso a números.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Interpelação direta do leitor como recurso de abertura","citation":null,"trap_note":"Quando o texto usa você, pergunta ao leitor ou emprega imperativo, está construindo interlocução. Se além disso a frase amarra o dado ao tempo da leitura, o efeito é de aproximação e de captura de atenção — e o item que assim descreve o recurso costuma ser certo."}},{"id":"1e881406cea5","number":14,"stem":22,"statement":"Expressões como “danos da inteligência artificial” (primeiro parágrafo) e “somos cada vez mais usados pelas máquinas” (terceiro parágrafo) evidenciam um posicionamento desfavorável da autora em relação ao ChatGPT e, consequentemente, à IA.","answer":"E","source":{"slug":"TBG_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"As duas expressões têm dono, e não é a autora. A preocupação com os danos da IA é atribuída aos especialistas que começaram a se preocupar depois do lançamento do ChatGPT; a frase sobre sermos cada vez mais usados pelas máquinas é o que os internautas informados sabem e constatam. A posição da autora aparece no fecho e é propositiva: como a IA é limitada, cabe aguçar a intencionalidade e fazer perguntas de elevada qualidade, contextualizadas, para obter respostas melhores.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"evidenciam um posicionamento desfavorável da autora","corrected_statement":"Expressões como “danos da inteligência artificial” (primeiro parágrafo) e “somos cada vez mais usados pelas máquinas” (terceiro parágrafo) reproduzem preocupações atribuídas a especialistas e a internautas, e não o posicionamento da autora.","concept":"Voz dos especialistas citados × voz da autora","citation":null,"trap_note":"Expressão de tom negativo dentro de um texto não basta para definir a posição de quem escreve: confira o verbo que a introduz — preocuparam-se, sabem, constatam, afirmam — e localize quem é o sujeito. A posição da autora costuma estar na parte propositiva, no fecho."}},{"id":"bdc80a6bf0ad","number":2,"stem":23,"statement":"Ao qualificar Fredegunda como “infame” (quinto período do texto), a autora do texto demonstra simpatia pela rainha Audovera.","answer":"E","source":{"slug":"PGE_RJ_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O adjetivo infame integra o resumo do relato do clérigo franco anônimo de 727, que censurava a maneira traiçoeira da concubina — é juízo dele, reproduzido pela autora ao expor a fonte, e não avaliação própria. Além disso, reprovar uma personagem não implica tomar partido pela outra: Audovera é chamada de ingênua, o que tampouco é elogio, e o texto se ocupa de demonstrar o conhecimento do parentesco espiritual no século VIII, não de julgar a disputa entre as duas mulheres.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"a autora do texto demonstra simpatia pela rainha Audovera","corrected_statement":"A qualificação de Fredegunda como “infame” (quinto período do texto) reproduz o juízo do clérigo franco anônimo cujo relato a autora resume.","concept":"Adjetivo pertencente à fonte resumida, não ao autor","citation":null,"trap_note":"Em texto histórico que resume um documento, os adjetivos de valor quase sempre vêm do documento. Pergunte quem está falando naquele período e desconfie duplamente da inferência seguinte: condenar um personagem nunca equivale, por si, a simpatizar com o adversário dele."}},{"id":"50aeaec140da","number":5,"stem":24,"statement":"O principal objetivo do texto é contrapor dois tipos de mudança linear: as pequenas e as grandes.","answer":"E","source":{"slug":"ANP_22_PSS","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"A oposição que organiza o texto é entre o raciocínio linear, que ele chama de falácia comum, e os fenômenos não lineares, em que pequenas mudanças produzem alterações qualitativas abruptas — o bloco de gelo que, ao atingir os 0 graus, muda de estado. Pequeno e grande não são dois tipos de mudança linear postos em contraste: são os dois lados de uma mesma expectativa linear que o texto quer desmontar. O eixo da contraposição foi trocado.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"contrapor dois tipos de mudança linear: as pequenas e as grandes","corrected_statement":"O principal objetivo do texto é contrapor o raciocínio linear aos fenômenos não lineares, em que mudanças pequenas podem produzir efeitos radicais.","concept":"Eixo da oposição: linear × não linear","citation":null,"trap_note":"Em item sobre objetivo do texto, identifique primeiro o par que o texto opõe e só depois julgue. A banca mantém os dois termos do assunto e desloca o eixo — aqui, de linear contra não linear para pequeno contra grande —, produzindo uma frase inteiramente feita de palavras do texto e mesmo assim falsa."}},{"id":"fbe3e3201445","number":6,"stem":25,"statement":"No quinto parágrafo do texto, o autor utiliza pontualmente a primeira pessoa do plural como forma de evidenciar sua experiência pessoal com a educação proposta por Anísio Teixeira.","answer":"E","source":{"slug":"SEE_PE_22_EDUCACAO_BASICA","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"As formas em primeira pessoa do plural — só aprendemos quando assimilamos, não aprendemos tudo o que praticamos — não relatam nada que o autor tenha vivido: enunciam uma generalização sobre como qualquer pessoa aprende, e são a reformulação do pensamento de Anísio, a quem o parágrafo atribui expressamente as ideias. O nós aí inclui o leitor e a humanidade, e não identifica o autor como participante da experiência educacional descrita. Trocou-se um plural genérico por um relato pessoal.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"como forma de evidenciar sua experiência pessoal com a educação proposta por Anísio Teixeira","corrected_statement":"No quinto parágrafo do texto, o autor utiliza pontualmente a primeira pessoa do plural como forma de generalizar, a todos os leitores, o modo de aprender descrito por Anísio Teixeira.","concept":"Nós genérico × nós de relato pessoal","citation":null,"trap_note":"Nós tem pelo menos três valores: o inclusivo genérico (qualquer pessoa), o de modéstia (o autor sozinho) e o de grupo real. Só o terceiro autoriza falar em experiência pessoal, e ele exige que o texto nomeie o grupo. Sem essa nomeação, o nós é genérico."}},{"id":"215776d82f6d","number":8,"stem":26,"statement":"No texto, a autora incentiva uma postura otimista durante a passagem de ano, apesar de manifestar uma visão pessimista quanto ao porvir.","answer":"C","source":{"slug":"INSS_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"As duas coisas convivem no texto e a virada está explícita. Primeiro o inventário do que espera a todos: o desgaste diário, as doenças, as filas, as perdas, os desgostos. Depois a mudança de direção — A gente, porém, não pode pensar muito nessas coisas. Tem que pensar em alegrias, sugestionar-se, sugestionar os outros. Vamos dar festas, vamos aguardar o ano novo com esperanças —, em que os imperativos e a primeira pessoa do plural incentivam a postura otimista. O incentivo não desmente o pessimismo: apoia-se nele, como quem propõe fazer de conta que não se sabe.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Conector adversativo que separa diagnóstico pessimista e exortação otimista","citation":null,"trap_note":"Item que atribui ao autor duas atitudes aparentemente incompatíveis costuma estar certo quando o texto tem um porém, um mas ou um entretanto separando as duas partes. Em vez de escolher uma, localize a dobradiça: cada lado responde por uma das atitudes."}},{"id":"f3e6b797a76a","number":8,"stem":27,"statement":"No texto, que é essencialmente argumentativo, a afirmação “A perfeição é irreal e inalcançável” (primeiro parágrafo) representa o ponto de vista da pessoa que escreveu o texto.","answer":"C","source":{"slug":"BANRISUL_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"A frase é afirmação categórica, sem qualquer atribuição de voz: não vem precedida de segundo, para alguns ou dizem que, e conclui o raciocínio dos períodos anteriores, que definem perfeição como ausência de falhas em relação a um padrão ideal e negam que isso exista. Em texto argumentativo, enunciado assertivo não atribuído a terceiro é do autor, que o usa como premissa para a tese de que não pode haver empresa perfeita.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Enunciado assertivo não atribuído pertence ao enunciador","citation":null,"trap_note":"Para decidir de quem é uma opinião, procure o operador de atribuição imediatamente antes dela. Não havendo nenhum, a responsabilidade é de quem escreve — e é isso que o item quer que você confirme. A pergunta inversa, quando há operador, decide os itens de troca de dono."}},{"id":"2032e1ba6863","number":10,"stem":28,"statement":"O terceiro período do primeiro parágrafo transmite um juízo de valor negativo a respeito da abordagem moralista da corrupção.","answer":"E","source":{"slug":"MPC_SC_22_SERVIDOR","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O terceiro período limita-se a constatar uma prática — é usual o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista, como algo resultante da falta de caráter dos indivíduos —, sem qualificar essa abordagem. A desqualificação vem no período seguinte, aberto por Contudo, que lhe nega validade científica. Conteúdo verdadeiro, período errado: o item transfere para a constatação a avaliação que só existe na frase que a contraria.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"O terceiro período do primeiro parágrafo","corrected_statement":"O quarto período do primeiro parágrafo transmite um juízo de valor negativo a respeito da abordagem moralista da corrupção.","concept":"Constatar um uso × avaliá-lo: períodos distintos","citation":null,"trap_note":"Item que localiza uma operação em período ou parágrafo determinado exige contagem, não impressão. Conte os períodos e leia só aquele. Registrar que algo é usual é constatação; o juízo costuma vir depois, introduzido por contudo, entretanto ou no entanto, e é nessa fronteira que a banca desloca o item."}},{"id":"f1fbdeb45a65","number":14,"stem":29,"statement":"No quinto parágrafo, o emprego da primeira pessoa do singular indica que a autora do texto integrou a equipe de pesquisadores que avaliaram os impactos da educação integral em Pernambuco.","answer":"E","source":{"slug":"SEE_PE_22_EDUCACAO_BASICA","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O que a primeira pessoa do singular registra é uma visita: visitei muitas escolas de ensino médio em Pernambuco. O estudo, ao contrário, é nomeadamente atribuído a pesquisadores da USP e do INSPER, sempre em terceira pessoa, e a autora se refere a ele como leitora, não como coautora. O item conserva o eu, que existe, e lhe dá uma função que o texto desmente.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"integrou a equipe de pesquisadores que avaliaram os impactos da educação integral em Pernambuco","corrected_statement":"No quinto parágrafo, o emprego da primeira pessoa do singular indica que a autora do texto visitou pessoalmente escolas de ensino médio em Pernambuco.","concept":"O que exatamente o eu do texto afirma ter feito","citation":null,"trap_note":"Presença de primeira pessoa não define qual é o papel do autor no que ele narra. Leia o verbo ao lado do eu: visitei, li, ouvi, conversei situam o autor como observador; realizamos, coletamos, concluímos o situariam como pesquisador. A banca troca um pelo outro sem tocar no resto."}},{"id":"ed54877f0c9e","number":1,"stem":30,"statement":"No texto, o autor dedica-se a denunciar as falhas do sistema democrático.","answer":"E","source":{"slug":"TCE_RJ_21_ANALISTA","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"As imperfeições aparecem no texto como alicerce da democracia, não como falha a denunciar: o conhecimento incompleto e a ausência de resposta definitiva justificam a deliberação, e o sistema, diz o autor, tem se mostrado capaz de aproveitar nossas imperfeições da melhor maneira, criando uma folga política contra o fanatismo e o perfeccionismo. O que o texto denuncia é a corrente tecnocrata que quer automatizar essa folga em nome dos dados.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"o autor dedica-se a denunciar as falhas do sistema democrático","corrected_statement":"No texto, o autor dedica-se a mostrar que as imperfeições do conhecimento humano são o alicerce do sistema democrático, hoje ameaçado pela inteligência artificial.","concept":"Imperfeição apresentada como fundamento, não como defeito","citation":null,"trap_note":"Quando um texto trata longamente de limitações, falhas ou lacunas, a banca oferece o item que o converte em denúncia. Procure o verbo de valor do autor sobre essas limitações: aproveitar da melhor maneira e alicerce indicam que ele as defende, e um texto que defende algo não o está denunciando."}},{"id":"b139e4156f55","number":4,"stem":31,"statement":"A expressão ‘Pomba!’ (sétimo parágrafo) demonstra a impaciência do enunciador consigo mesmo.","answer":"C","source":{"slug":"TELEBRAS_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"A interjeição não é dirigida ao vendedor, que nada fez de errado: ela vem cercada de Que cabeça a minha e A palavra me escapou por completo, que atribuem a falha ao próprio falante. Pomba é, portanto, descarga de irritação do enunciador diante da própria memória, e não reclamação contra o interlocutor. O alvo da emoção se identifica pelo contexto imediato, não pela força da interjeição.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Interjeição: identificar o alvo da emoção pelo cotexto","citation":null,"trap_note":"Interjeição exprime emoção, mas quem ela atinge depende do que vem em volta. Procure sempre a frase vizinha que nomeia o alvo: aqui Que cabeça a minha fixa o próprio falante; fosse Ora, você sabe do que estou falando, o alvo seria o outro."}},{"id":"601f59818542","number":6,"stem":30,"statement":"O último parágrafo do texto demonstra que a opinião do autor harmoniza-se com o entusiasmo dos intelectuais do Vale do Silício.","answer":"E","source":{"slug":"TCE_RJ_21_ANALISTA","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"O último parágrafo relata o entusiasmo alheio e o desqualifica na mesma frase: os intelectuais até exaltam a regulação algorítmica, celebrando-a como alternativa poderosa à aparentemente ineficaz regulação normal. O até marca o exagero, o aparentemente retira do autor a adesão ao diagnóstico de ineficácia, e o parágrafo anterior já classificara essa corrente como extremamente tecnocrata em seu âmago. O autor expõe o entusiasmo para se afastar dele.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"harmoniza-se com o entusiasmo dos intelectuais do Vale do Silício","corrected_statement":"O último parágrafo do texto demonstra que a opinião do autor se distancia do entusiasmo dos intelectuais do Vale do Silício.","concept":"Modalizadores que marcam distanciamento do autor em relação ao que relata","citation":null,"trap_note":"Palavras pequenas denunciam a posição do autor: até, pretensa, suposta, aparentemente, ao que se diz, as aspas de distância. Achando uma delas na frase em que o autor relata a opinião de terceiros, a adesão está descartada, por mais elogiosos que sejam os verbos citados."}},{"id":"c4653dbb6543","number":6,"stem":32,"statement":"No texto, critica-se a falta de responsabilidade dos militares de propagar, na guerra, informação falsa para enganar um público específico.","answer":"E","source":{"slug":"TELEBRAS_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"O texto é expositivo: reconstitui historicamente o emprego da informação na guerra, de Sun Tzu a Clausewitz, define desinformação como informação falsa, incompleta e desorientadora propagada para enganar um público determinado, e descreve o cerco informativo e as armas eletrônicas. Não há verbo de reprovação nem juízo sobre responsabilidade de militares — nem mesmo na frase sobre os nazistas, que registra que levaram a estratégia quase à perfeição. Descrever uma prática de guerra não é condená-la.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"critica-se a falta de responsabilidade dos militares","corrected_statement":"No texto, descreve-se a prática, na guerra, de propagar informação falsa para enganar um público específico.","concept":"Exposição de uma estratégia × crítica a quem a emprega","citation":null,"trap_note":"Assunto moralmente carregado não transforma exposição em denúncia. Procure o léxico de reprovação — inaceitável, irresponsável, condenável — antes de aceitar critica-se. Em texto histórico ou técnico, esse léxico quase nunca aparece, e o item que o pressupõe cai."}},{"id":"e7c7302925c4","number":7,"stem":33,"statement":"Ao empregar o adjetivo “melancólica” para caracterizar “festa”, em “a melancólica festa de punição” (primeiro parágrafo), o autor apresenta seu ponto de vista sobre a forma de punição que se vai “extinguindo”.","answer":"C","source":{"slug":"SERIS_AL_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Chamar de festa o suplício público já é um gesto interpretativo, e acrescentar melancólica é qualificá-lo com um estado de espírito que não pertence ao acontecimento, mas ao olhar que o descreve. O adjetivo antecede o substantivo, posição que em português reforça o valor subjetivo, e produz com festa um contraste deliberado. É o autor que se pronuncia sobre a cerimônia punitiva em vias de extinção.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Adjetivo anteposto com valor subjetivo","citation":null,"trap_note":"Adjetivo posposto tende a classificar (festa popular); anteposto, tende a avaliar (melancólica festa). Quando o adjetivo anteposto atribui a um fato uma emoção, quem sente é o enunciador — e é esse o ponto de vista que o item cobra."}},{"id":"a4893e9a650c","number":12,"stem":34,"statement":"O texto faz uma crítica à brincadeira mencionada no primeiro parágrafo.","answer":"C","source":{"slug":"SESAU_AL_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"A brincadeira sobre engordar na quarentena é retomada no período seguinte por uma adversativa que a desqualifica duas vezes: essa ideia reforça um discurso gordofóbico e ignora que muita gente não tinha nem um prato de arroz e feijão disponível. Reforçar discurso gordofóbico e ignorar a fome alheia são juízos, não descrições. O restante do texto confirma a crítica ao apresentar os dados de insegurança alimentar que a piada desconhecia.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Adversativa que introduz a crítica do autor ao que acabou de relatar","citation":null,"trap_note":"Quando o texto relata um comportamento e emenda um Mas, o que vem depois é a posição do autor sobre o que ele acabou de relatar. Relatar não é aderir: a adversativa é justamente a marca de que o autor se afasta do que citou."}},{"id":"4e3deb7fbdbf","number":12,"stem":35,"statement":"A expressão “sem dúvida” (terceiro período do segundo parágrafo) denota um posicionamento do autor quanto à questão do comércio mundial de gêneros alimentícios.","answer":"C","source":{"slug":"PREF_PIRESRIO_GO_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Sem dúvida aparece no período em que o autor afirma existir uma série de razões ulteriores em favor do comércio mundial de gêneros alimentícios, e é ele que transforma a enumeração seguinte — temperos, divisas para nações exportadoras, proveito dos pequenos agricultores no comércio equitativo — em defesa assumida. O modalizador exprime o grau de adesão de quem escreve ao que escreve, e aqui esse grau é máximo. Trata-se, portanto, de posicionamento do autor.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Modalizador de certeza como marca de adesão do autor","citation":null,"trap_note":"O mesmo sem dúvida pode marcar adesão ou reforçar uma objeção: o que decide é a oração em que ele está. Aqui abre a lista de razões a favor, e o autor assina; num período iniciado por mas, marcaria a ressalva do autor contra a tese citada."}},{"id":"b30e01ff50e1","number":12,"stem":36,"statement":"A narradora se mostra reticente tanto ao hábito brasileiro de oferecer bebidas às visitas quanto à aparência de maturidade precoce das adolescentes nordestinas.","answer":"E","source":{"slug":"MJSP_21_PSS","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"A narradora registra com aprovação o costume de servir bebidas: chama-o de primeira amostra da hospitalidade brasileira e conta que Amado lhe encheu o copo de suco de caju, acrescentando que se conhece um país em grande parte pela boca. Nada nesse trecho indica reserva. A reticência que o item generaliza só encontra apoio no segundo tema, o da menina de quatorze anos e da ausência de adolescentes, e mesmo ali é observação, não recusa. A conjunção correlativa estende a dois objetos uma atitude que, no máximo, cabe a um.","distortion_type":"escopo_ampliado","distorted_span":"tanto ao hábito brasileiro de oferecer bebidas às visitas","corrected_statement":"A narradora registra com simpatia o hábito brasileiro de oferecer bebidas às visitas e estranha a aparência de maturidade precoce das adolescentes nordestinas.","concept":"Atitude do narrador aferida trecho a trecho","citation":null,"trap_note":"Estruturas correlativas — tanto… quanto, não só… mas também, tanto para… como para — são o instrumento preferido da banca para contrabandear um segundo objeto. Confira cada um dos dois separadamente: basta que um não se sustente para o item cair inteiro."}},{"id":"3a46718380ba","number":24,"stem":37,"statement":"O uso do advérbio “Obviamente” (segundo parágrafo) desempenha importante papel na argumentação apresentada no texto, realçando uma informação que já é tomada como conhecimento geral.","answer":"C","source":{"slug":"PETROBRAS_21_NS","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Obviamente apresenta como incontroverso o fato de que as pedras lascadas do Homo erectus são mais sofisticadas do que qualquer coisa usada por chimpanzés — informação que o autor supõe partilhada por quem lê e por isso não precisa demonstrar. O advérbio tem função argumentativa precisa: concede o ponto ao adversário para em seguida virar a discussão com o mas ainda assim, mostrando que nem essa vantagem autoriza inferir linguagem. Realçar o consenso é o que torna a ressalva seguinte mais forte.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Advérbio modalizador que marca consenso e prepara a concessão","citation":null,"trap_note":"Obviamente, evidentemente, é claro que e naturalmente marcam o que o autor trata como sabido — e quase sempre abrem uma concessão que a adversativa seguinte vai limitar. Ao encontrá-los, procure o mas: a tese do autor está depois dele, não antes."}},{"id":"e0d82c92abe8","number":10,"stem":38,"statement":"Ao afirmar que são inúteis as atividades apresentadas no trecho “ir ao cinema (...) vendo séries” (ℓ. 3 a 6), o autor do texto sugere que elas não devem ser realizadas de segunda a sexta-feira.","answer":"E","source":{"slug":"SLU_DF_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"O raciocínio do primeiro parágrafo é uma redução ao absurdo: se os dias de segunda a sexta são os úteis, então sábado e domingo são inúteis, e inútil passa a ser também tudo o que se faz neles. O autor conclui ironicamente que essas atividades deveriam ser consideradas inúteis para expor o disparate da régua da produtividade — ele as valoriza, tanto que diz preferir encontrar o que há de útil no supostamente inútil. De nenhum trecho se extrai recomendação sobre em que dias realizá-las.","distortion_type":"escopo_ampliado","distorted_span":"o autor do texto sugere que elas não devem ser realizadas de segunda a sexta-feira","corrected_statement":"Ao afirmar ironicamente que são inúteis as atividades apresentadas no trecho “ir ao cinema (...) vendo séries” (ℓ. 3 a 6), o autor do texto expõe o absurdo do critério que separa os dias em úteis e inúteis.","concept":"Redução ao absurdo: o autor afirma o que não sustenta","citation":null,"trap_note":"Em texto irônico, o item errado costuma fazer duas coisas de uma vez: lê a afirmação ao pé da letra e ainda extrai dela uma recomendação prática. Nenhuma das duas se sustenta. Pergunte se o autor assina aquela frase e, mesmo que assinasse, se o texto chega a prescrever conduta."}},{"id":"970a1bf37c12","number":15,"stem":39,"statement":"O autor empregou a expressão “absolutamente inúteis” (ℓ.23) em referência ao conceito de dias úteis, visando criticá-lo.","answer":"E","source":{"slug":"SLU_DF_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"A expressão qualifica pessoas, não conceitos: o sujeito da oração é o senhor ou a senhora, isto é, o leitor a quem o autor se dirige, e a prova está no período seguinte, em que ele se inclui na mesma condição — Não se ofendam, eu também sou. O texto segue então generalizando a inutilidade à humanidade inteira. O conceito de dias úteis é criticado em outro lugar, no terceiro parágrafo, com outras palavras.","distortion_type":"atribuicao_errada","distorted_span":"em referência ao conceito de dias úteis","corrected_statement":"O autor empregou a expressão “absolutamente inúteis” (ℓ.23) em referência ao leitor a quem se dirige, a quem em seguida se iguala.","concept":"Identificar o referente do predicativo","citation":null,"trap_note":"Antes de julgar a que uma qualificação se aplica, recupere o sujeito da oração, ainda que esteja oculto. Aqui bastava ler o período seguinte, em que o autor se põe na mesma condição — o que só faz sentido se o predicativo se referir a pessoas."}},{"id":"55017def62ab","number":16,"stem":40,"statement":"Citado na linha 17, o “mecanismo de poder” é explicado de forma irônica no período seguinte: “Doutor não precisa se fazer entender: são os outros, os seres humanos comuns, que têm de se familiarizar com a caligrafia médica” (R. 18 a 20).","answer":"C","source":{"slug":"FUB_18","ano":2018},"explanation":{"verdict_reason":"O período seguinte não descreve o mecanismo de poder de fora: enuncia-o da perspectiva de quem o exerce — Doutor não precisa se fazer entender: são os outros, os seres humanos comuns, que têm de se familiarizar com a caligrafia médica. O autor afirma como natural um privilégio que evidentemente não subscreve, e a oposição entre Doutor, com maiúscula, e os seres humanos comuns denuncia a distância. Dizer o contrário do que se pensa, com marca que permita reconhecê-lo, é exatamente o que caracteriza a ironia — e a frase, ao mesmo tempo, explica em que consiste o mecanismo.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Ironia por adesão simulada ao ponto de vista criticado","citation":null,"trap_note":"A ironia mais comum em crônica é esta: o autor assume a voz de quem ele critica e enuncia o absurdo com naturalidade. Procure a marca que impede a leitura literal — uma maiúscula irônica, um contraste de tratamento, um exagero. Havendo marca e contradição com o resto do texto, o item que fala em ironia é certo."}},{"id":"f3d04c560d56","number":16,"stem":41,"statement":"Para o autor, a aprendizagem da técnica da escrita deve ser dissociada da concepção de mundo do alfabetizando.","answer":"E","source":{"slug":"SEDUC_AL_17","ano":2017},"explanation":{"verdict_reason":"O texto sustenta o oposto: a leitura do mundo precede a leitura da palavra, e as palavras da alfabetização devem vir do universo vocabular dos grupos populares, carregadas da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador. Alfabetizar, aí, é ato político e de conhecimento, e não domínio isolado de uma técnica — a recusa explícita da memorização dos ba-be-bi-bo-bu diz isso. O item toma a tese central e a inverte.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"deve ser dissociada da concepção de mundo do alfabetizando","corrected_statement":"Para o autor, a aprendizagem da técnica da escrita deve estar associada à concepção de mundo do alfabetizando.","concept":"Leitura do mundo precede a leitura da palavra","citation":null,"trap_note":"Em texto de tese forte, a inversão pura é a distorção mais barata de produzir e a mais fácil de aceitar por distração: basta trocar associada por dissociada, ou deve por não deve. Leia o item devagar até o fim e confronte-o com a frase do texto que enuncia a tese, não com a impressão geral."}},{"id":"8a7dce0a5c6b","number":3,"stem":42,"statement":"O texto não apresenta juízo de valor sobre as abordagens pedagógicas apresentadas no título.","answer":"E","source":{"slug":"SEE_16_DF","ano":2016},"explanation":{"verdict_reason":"O texto qualifica as duas abordagens com adjetivos de valor: a pedagogia tradicional é dita conservadora, prescritiva e ritualizada, e diz-se que ela perpetua um método do século XVII e produz uma organização extremadamente detalhada; a pedagogia nova é apresentada como concentração da atenção na criança, em oposição a um ensino centrado no mestre e nos conteúdos. Adjetivo que avalia e advérbio de intensidade são juízo de valor, e o item afirma que não há nenhum.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"O texto não apresenta juízo de valor","corrected_statement":"O texto apresenta juízo de valor sobre as abordagens pedagógicas apresentadas no título.","concept":"Adjetivação avaliativa em texto de aparência descritiva","citation":null,"trap_note":"Item que nega a presença de subjetividade se resolve caçando um único adjetivo de valor ou um advérbio de intensidade no texto. Basta um para derrubá-lo. Textos de história das ideias parecem neutros e quase nunca são."}},{"id":"94d26b3f8a61","number":20,"stem":43,"statement":"O autor do texto é contrário à alfabetização em larga escala, pois ele critica a difusão das “escolas primárias” (R. 9 e 10).","answer":"E","source":{"slug":"SEE_16_DF","ano":2016},"explanation":{"verdict_reason":"O alvo da crítica é a crença, não a prática. O texto fala da miragem da alfabetização e dos pregoeiros do progresso que imaginam que os males do país se resolveriam de um momento para outro com escolas difundidas, e conclui que a alfabetização desacompanhada de outros elementos fundamentais da educação é como luz nas mãos de um cego. Criticar a suposição de que alfabetizar em massa basta é diferente de ser contrário a alfabetizar em massa — a imagem final supõe, ao contrário, que a luz é boa e que falta quem a possa usar.","distortion_type":"escopo_ampliado","distorted_span":"O autor do texto é contrário à alfabetização em larga escala","corrected_statement":"O autor do texto é contrário à crença de que a alfabetização em massa, desacompanhada de outros elementos da educação, baste para resolver os males do país.","concept":"Crítica à ilusão sobre um meio × crítica ao próprio meio","citation":null,"trap_note":"Distinga sempre o objeto criticado do objeto discutido. Quando o autor ataca uma expectativa exagerada — a miragem, a panaceia, a solução mágica —, o item errado converte isso em recusa da coisa em si. A ressalva desacompanhada de é o sinal de que o autor condiciona, e não rejeita."}},{"id":"a40550b63196","number":15,"stem":44,"statement":"A finalidade do texto é alertar o interlocutor sobre as consequências que podem resultar do desperdício de energia elétrica e apresentar-lhe um conjunto de ações recomendadas pelo TJDFT com vistas a evitar o desperdício de energia elétrica.","answer":"E","source":{"slug":"TJDFT_15_SERVIDOR","ano":2015},"explanation":{"verdict_reason":"A segunda metade do item se confirma: as quatro instruções em travessão são ações que o TJDFT recomenda ao servidor. A primeira não. O alerta do cartaz é sobre a escassez do recurso — o ouro já é escasso e a energia elétrica caminha para isso —, e não sobre consequências que o desperdício produziria; nenhuma consequência é nomeada, e o fecho A natureza cobra o preço do desperdício é slogan de encerramento, não exposição de efeitos. O objeto do alerta foi trocado.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"alertar o interlocutor sobre as consequências que podem resultar do desperdício de energia elétrica","corrected_statement":"A finalidade do texto é alertar o interlocutor sobre a escassez da energia elétrica e apresentar-lhe um conjunto de ações recomendadas pelo TJDFT com vistas a evitar o desperdício de energia elétrica.","concept":"Objeto do alerta: escassez do recurso × consequências do desperdício","citation":null,"trap_note":"Item de finalidade costuma vir em duas metades, e a banca acerta uma para dar credibilidade à outra. Julgue cada uma contra o texto e localize, para cada verbo — alertar, informar, recomendar —, a frase que o cumpre. Faltando a frase, falta a finalidade, ainda que o tema esteja certo."}},{"id":"c3dc6b587f80","number":16,"stem":45,"statement":"No segundo período do terceiro parágrafo, a escolha vocabular — exemplificada por “revanchista” (R.31), entre outros exemplos — e o uso de certas estruturas sintáticas — ilustradas por “Não é aceitável” (R.29) — contribuem para a veiculação da opinião da autora do texto.","answer":"C","source":{"slug":"TJDFT_15_SERVIDOR","ano":2015},"explanation":{"verdict_reason":"O período em causa afirma que não é aceitável que o Brasil pretenda consolidar sua democracia praticando um direito penal patrimonialista e revanchista. Revanchista é adjetivo axiológico: não descreve o direito penal, julga-o. E Não é aceitável é construção impessoal de valor deôntico, que apresenta a avaliação da autora como se fosse consenso. Léxico avaliativo e estrutura impessoal de julgamento são precisamente os recursos pelos quais a opinião se inscreve em um texto que se quer analítico.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Marcas de subjetividade: adjetivo axiológico e construção impessoal avaliativa","citation":null,"trap_note":"Opinião não aparece só em eu acho. Ela se instala em adjetivos que avaliam (revanchista, alarmante, medieval), em construções impessoais de dever (é preciso, não é aceitável, é necessário) e nas aspas irônicas. Item que aponta esses recursos como veículo da opinião do autor costuma ser certo."}}]}