{"subject_id":"3a3cc48d0099811f9b71ed69a4c202c9","topico":"Adequação a níveis de formalidade e gêneros","stems":["Texto CG1A1-I A expressão “inteligência artificial” é muito popular, tanto na literatura técnica quanto no imaginário popular. A sociedade se espanta com os prometidos ganhos em bem-estar e produtividade e se apavora com perspectivas apocalípticas relacionadas à inteligência artificial. Em muitos casos, o que se observa é a confusão entre inteligência artificial e toda e qualquer atividade que envolve aparelhos digitais. Muitas inovações recentes creditadas à inteligência artificial decorrem simplesmente da automatização de tarefas cotidianas ou do uso de tecnologias dominadas há algum tempo. É preciso filtrar um pouco os excessos e procurar se ater aos pontos que caracterizam mais fortemente as inteligências artificiais, mesmo que tenhamos uma definição vaga de inteligência artificial. Um agente inteligente, de forma geral, deve ser capaz de representar conhecimento e incerteza; de raciocinar; de tomar decisões; de aprender com experiências e instruções; de se comunicar e interagir com pares e com o mundo. Embora alguém possa imaginar cérebros biológicos artificiais, hoje toda a ação em inteligência artificial está centrada em computadores digitais construídos a partir de silício. Com base nas ideias do texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nJulgue os itens que se seguem, em relação a estruturas linguísticas do texto CG1A1-I.","A humanidade produz 400 milhões de toneladas de plástico por ano, e apenas 10% dele é reaproveitado, até mesmo porque a reciclagem de alguns tipos é econômica ou tecnicamente inviável. Mas pode haver solução. Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia, liderados pela engenheira química e ambiental Kandis Abdul-Aziz, criou um método que transforma o plástico em fertilizante: ele é misturado a palha de milho e se torna um tipo de carvão extremamente poroso, ideal para fertilizar o solo. Para transformar o plástico em carvão, a equipe utiliza plásticos como o PET, empregado em garrafas, e o isopor, misturados a resíduos de milho — restos de talos, folhas, cascas e espigas. Os pesquisadores aquecem essa mistura em um reator, sem oxigênio, para romper a estrutura molecular original e obter carbono elementar, que dá origem ao carvão. Esse processo de decomposição por altas temperaturas, chamado pirólise, já é frequentemente usado com outros restos agrícolas. Esse carvão pode aumentar o teor de nutrientes como potássio e nitrogênio no solo, além de melhorar a retenção deles. Mas uma de suas aplicações mais promissoras é o uso dele para diminuir a chamada lixiviação de nitrogênio (remoção ou dissolução desse nutriente pela ação da água sobre o solo) e aumentar o teor de carbono orgânico presente no solo, o que otimizaria sua saúde e o crescimento das plantações. Quanto aos próximos passos para o desenvolvimento da técnica, a equipe liderada por Kandis Abdul-Aziz está pensando em combinar os plásticos com outros resíduos agrícolas comuns na Califórnia, além da palha de milho. O estado é um dos maiores produtores de frutas cítricas dos Estados Unidos da América, mas a maioria dos resíduos, como cascas, sementes e polpa, é descartada e acaba em aterros sanitários. Além de produzir uma mercadoria valiosa como o carvão, o processo desenvolvido pelos pesquisadores pode fornecer uma alternativa sustentável para elementos que geralmente são considerados lixo. Com relação à tipologia, às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","A expectativa de vida da população brasileira ao nascer subiu no ano de 2021, segundo dados da Tábua Completa de Mortalidade de 2021 divulgados em novembro do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados, publicados no Diário Oficial da União, mostram que o número subiu de 76,8 para 77 anos na comparação com 2020. Anualmente, o IBGE divulga esses números para o total da população brasileira, com data de referência em 1.º de julho do ano anterior e para todas as idades, conforme prevê o artigo 2.º do Decreto n.º 3.266/1999. As informações sobre a expectativa de vida da população são usadas para a tomada de decisão em várias políticas públicas. Esse dado é utilizado, por exemplo, para determinar o fator previdenciário no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social. Na divulgação dos números de 2020, o IBGE informou que as mortes decorrentes da pandemia de covid-19 não foram incluídas no levantamento e que essas informações só devem ser incorporadas na divulgação de 2023, referente ao ano de 2022. Mesmo assim, a inclusão seria apenas em caráter preliminar. Portanto, a divulgação seguiu a mesma metodologia do ano anterior, sem o impacto da pandemia. “É bem provável que em 2023 a gente tenha uma Tábua preliminar (corrigida pela covid-19) para o Brasil; para as unidades da Federação, são necessários os dados do Ministério da Saúde, que demoram um pouco mais”, explicou a demógrafa Izabel Guimarães Marri, gerente de população do IBGE na ocasião. “Em 2024, a gente vai ter a Tábua (referente a 2023) com todos os ajustes e estudos por unidades da Federação”, previu. Julgue os itens que se seguem, relativos às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.","Texto CG1A1-I Um dos principais motores do avanço da ciência é a curiosidade humana, descompromissada de resultados concretos e livre de qualquer tipo de tutela ou orientação. A produção científica movida simplesmente por essa curiosidade tem sido capaz de abrir novas fronteiras do conhecimento e de, no longo prazo, gerar valor e mais qualidade de vida para o ser humano. O empreendimento científico e tecnológico é, sem dúvida alguma, o principal responsável por tudo que a humanidade construiu ao longo de sua história. Suas realizações estão presentes desde o domínio do fogo até as imensas potencialidades da moderna ciência da informação, passando pela domesticação dos animais, pelo surgimento da agricultura e indústria modernas e, é claro, pela espetacular melhora da qualidade de vida de toda a humanidade no último século. Além da curiosidade humana, outro motor importantíssimo do avanço científico é a necessidade de solução dos problemas que afligem a humanidade. Viver mais tempo e com mais saúde, trabalhar menos e ter mais tempo disponível para o lazer, reduzir as distâncias que separam os seres humanos — por meio de mais canais de comunicação ou de melhores meios de transporte — são alguns dos desafios e aspirações humanas para cuja solução, durante séculos, a ciência e a tecnologia têm contribuído. Apesar dos feitos extraordinários da ciência e dos investimentos públicos em ciência e tecnologia, verifica-se uma espécie de movimento de deslegitimação social do conhecimento científico no mundo todo. Recentemente, Tim Nichols, um reconhecido pesquisador norte-americano, chegou a anunciar a “morte da expertise”, título de seu livro sobre o conhecimento na sociedade atual, no qual ele descreve o sentimento de descrença do cidadão comum no conhecimento técnico e científico e, mais que isso, um certo orgulho da própria ignorância sobre vários temas complexos, especialmente sobre qualquer coisa relativa às políticas públicas. Vários fenômenos sociais recentes, como o movimento antivacina ou mesmo a desconfiança sobre a fatalidade do aquecimento global, apesar de todas as evidências científicas, parecem corroborar a análise de Nichols. A despeito da qualidade de vida ter melhorado nos últimos séculos, em grande medida graças ao avanço científico e tecnológico, a desigualdade vem aumentando no período mais recente. Thomas Piketty evidenciou um crescimento da desigualdade de renda nas últimas décadas em todo o mundo, além de mostrar que, no início deste século, éramos tão desiguais quanto no início do século passado. Esse é um problema mundial, mas é mais agudo em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde ainda abundam problemas crônicos do subdesenvolvimento, que vão desde o acesso à saúde e à educação de qualidade até questões ambientais e urbanas. É, portanto, nesta sociedade desigual, repleta de problemas e onde boa parte da população não compreende o que é um átomo, que a atividade científica e tecnológica precisa se desenvolver e se legitimar. Também é esta sociedade que decidirá, por meio dos seus representantes, o quanto de recursos públicos deverá ser alocado para a empreitada científica e tecnológica. Em relação às ideias do texto CG1A1-I e à sua tipologia, julgue os seguintes itens.\n\n\n\nA respeito de aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue os próximos itens.","Texto CG1A1-II Com a dor, o silêncio. Denso, ácido. Estagnado. Um silêncio de caco de vidro moído esfolando o corpo por dentro. Um desesperar, nada por vir. Dalva parou de falar com Venâncio. Não olhou mais para ele, considerou que ele não estava mais vivo, ignorou sua presença. Nenhuma reação. Nem quando ele chorou, quando ficou sem comer, quando parou de se lavar, nem quando ameaçou morrer, nem quando mandou valente, cuspiu na cara dela, sugigou prometendo uma nova surra, jurando morte, morrendo esmagado pelo que não podia ser desfeito. Nada. Ele suplicou sincero, desamparado, e ela, nem um olhar, nenhum perdão possível. Nas primeiras semanas, Dalva não comia, não bebia, não acendia a luz, morria um pouco a cada dia. Levantou-se depois de uma longa visita de luto da mãe, saiu de casa sem deixar pistas e, para desespero de Venâncio, só voltou ao entardecer do dia seguinte. Desse dia em diante, passou a sair todas as manhãs. Caminhava lenta, magra, ombros fechados de quem desistiu. Ninguém sabe ao certo aonde ia. Na hora mais triste das tardes, quando a saudade parece apertar o coração do mundo, Dalva voltava para casa. Dizem que a tristeza dessa hora está nas entranhas da gente, infiltrada nas nossas menores porções há milênios. Nasceu do pavor infinito do anoitecer, hora em que as mulheres não sabiam se seus homens voltariam vivos da caça. Muitas vezes não voltaram. Hora em que os homens, ao voltar da caça, não sabiam se encontrariam suas mulheres mortas. Muitas vezes encontraram. Perder amores é escurecer por dentro, uma memória do corpo que o entardecer evoca quando tinge o céu de vermelho. Para quem está sozinho depois de ter amado, o fim do dia é muito triste. Era nessa hora que ela voltava. Em relação ao texto CG1A1-II e a suas propriedades linguísticas, julgue os próximos itens.","Quando se fala em palhaço, duas imagens costumam vir logo à cabeça. Palhaço, infelizmente, é aquele de quem muitos têm medo. Ele pega alguém da plateia para ridicularizar, faz grosserias, piadas inconvenientes. Crianças têm medo de palhaços. Filmes de terror exploram impiedosamente nossas fantasias infantis sobre tal figura. Esses palhaços malvados existem em nosso imaginário e, felizmente, são a minoria na realidade. Neste exato instante em que você lê estas palavras, milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais, campos de batalha, campos de refugiados, escutando pessoas, relacionando-se verdadeiramente com elas, buscando, por meio do afeto e do humor, amenizar a dor daqueles que estão passando por situações trágicas e delicadas. Dessa imagem inferimos por que a comédia é uma espécie de tratamento para a tragédia. Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior, mas que faz com ele uma espécie de inversão de sentido. Assim, introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência, de pequenez e arrogância, de pobreza e desencontro, que se mostra como uma repetição insensata sempre. O palhaço é um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela. Primeira lição a tirar disso para a arte da escuta: escutar o outro é escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir. Escutar o que realmente alguém sente ou expressa, e não o que seria mais agradável, adequado ou confortável sentir. Escutar o que realmente está sendo dito e pensado, e não o que nós ou ele deveríamos pensar e dizer. Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1-II são úteis, devemos necessariamente aceitar que sábado e domingo são dias inúteis. É inútil, portanto: ir ao cinema e almoçar com a família, tomar cerveja com os amigos, ler um livro, passar a madrugada acordado vendo séries. se medidas pela régua da produtividade. Claro que se podem defender filmes, séries, peças e livros afirmando-se profissional. Também é possível defender o piquenique com os pessoas que cultivam laços familiares e sociais são mais estáveis, seguras e resilientes no trabalho. Mas a lógica que seus incrementos à carreira, que justifica a própria felicidade por sua contrapartida laboral, é a lógica dos que de útil no supostamente inútil a enxergar o que há de inútil no útil. discordem, são absolutamente inúteis. Não se ofendam, eu também sou. Daqui a cinquenta, cem, mil, dez mil anos, daqui a cinquenta, cem, mil, dez mil anos, já não haja mais ninguém aqui para se lembrar de coisa alguma, pois a aliás, também é inútil. Às vezes eu penso no cara que inventou o pelos corredores de uma de suas fábricas, dizendo para a secretária ligar para a sua esposa e avisar que não volta aramezinho de fechar pão. Um gênio ele devia se achar. E cada um de nós tem seu aramezinho de fechar pão e se para o futuro do cosmos. Com relação às ideias do texto CB1A1-II, julgue os próximos itens.\n\n\n\nA respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue os itens que se seguem.","Texto CB1A1AAA qualquer coisa muito interessante sobre ácido desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre desoxirribonucleico, uma carta que termine com “Muito amor, papai”. Francis Crick descobriu o desenho do DNA e escreveu Estrutura, foi o que ele falou. Antes de despedir-se ainda disse: “Quando chegar em casa, vou te mostrar o modelo”. Não guarde o resto do dinheiro para seus caramelos e, quando chegar, eu mostro a você o mecanismo copiador básico a partir Não sou de choro fácil, mas um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam me comove. Cromossomas me animam, ribossomas me espantam. A divisão celular não me deixa dormir, e olha que eu passarem os aviões, mas isso nunca acontece de madrugada — a noite se guarda toda para o infinito silêncio. uma carabina, mas não sei se vem ao caso. Nenhuma palavra quer ferir outras palavras: nem desoxirribonucleico, nem sinônimos, veja só, ácido desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma coisa, e os do resto das palavras você os canhões. Que coisa mais linda esse ácido despenteado, caramba. Olhei com mais atenção o desenho da estrutura e Julgue os itens a seguir, com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, no qual a autora Matilde Campilho aborda a descoberta, em 1953, da estrutura da molécula do DNA, correalizada pelos cientistas James Watson e Francis Crick.","Texto CB1A1BBB Com relação aos sentidos do texto CB1A1BBB, em que aparecem as personagens Mafalda (presente apenas no primeiro quadrinho) e Susanita, julgue os seguintes itens.\n\n\n\nA respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB1A1BBB, julgue os próximos itens."],"questions":[{"id":"7c7b7096aea0","number":8,"stem":0,"statement":"No final do primeiro parágrafo, a substituição da forma verbal “há” por tem, ainda que gramaticalmente correta, conferiria ao texto um tom de informalidade que destoaria do restante do texto.","answer":"C","source":{"slug":"PREF_CACHOEIRO_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Ter existencial no lugar de haver é construção corrente e aceita no português brasileiro falado, de modo que a substituição não produziria agramaticalidade — e o item reconhece isso expressamente. O que ela produziria é choque de registro: o texto é expositivo, técnico, em terceira pessoa e sem qualquer marca de oralidade, e o tem existencial é traço nitidamente coloquial. O item afirma exatamente essa dissociação entre correção e adequação.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Ter existencial: correto na fala, inadequado no registro formal","citation":null,"trap_note":"Correção e adequação são eixos independentes, e a CEBRASPE cobra os dois no mesmo item. Quando o enunciado concede uma coisa e nega a outra — ainda que gramaticalmente correta, conferiria informalidade —, costuma ser certo: a banca mente prometendo tudo, não admitindo uma perda."}},{"id":"a725f4a83746","number":10,"stem":1,"statement":"No trecho “Os pesquisadores aquecem essa mistura em um reator” (segundo período do terceiro parágrafo), a forma verbal “aquecem” poderia ser substituída por esquentão, sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do texto.","answer":"E","source":{"slug":"EMBRAPA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Antes de discutir registro, escreva a forma proposta no lugar: Os pesquisadores esquentão essa mistura. A terceira pessoa do plural do presente de esquentar é esquentam; esquentão não existe como forma verbal, é grafia que reproduz a pronúncia relaxada da fala. A substituição fere a correção gramatical, e por isso o item cai antes mesmo de se avaliar se esquentar caberia no registro de um texto de divulgação científica.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"substituída por esquentão","corrected_statement":"No trecho “Os pesquisadores aquecem essa mistura em um reator” (segundo período do terceiro parágrafo), a forma verbal “aquecem” poderia ser substituída por esquentam, com prejuízo, porém, do nível de formalidade do texto.","concept":"Forma verbal inexistente na escrita: ão por am","citation":null,"trap_note":"Quando o item oferece uma alternativa coloquial, confira primeiro se ela é sequer uma forma da língua escrita. Terminações ão no lugar de am em verbo no presente ou no pretérito perfeito (esquentão, falarão por falaram) são transcrição de fala, não conjugação — o item morre na correção e nem chega à questão do registro."}},{"id":"29239759362d","number":19,"stem":2,"statement":"A substituição de ‘a gente vai ter’ (último período do texto) por será divulgada conferiria mais formalidade ao trecho do texto em questão.","answer":"C","source":{"slug":"DATAPREV_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"A gente vai ter concentra três marcas de fala: o pronome a gente no lugar de nós, a perífrase de futuro com ir e o verbo ter genérico. Será divulgada elimina as três de uma vez, pondo o fato na voz passiva, sem agente explícito, com futuro simples — que é como se escreve notícia e documento oficial. A troca sobe o registro do trecho sem alterar o que se informa.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Traços que elevam o registro: passiva, futuro simples, apagamento do a gente","citation":null,"trap_note":"Formalidade não é vocabulário difícil: é apagamento do falante. Passiva sem agente, futuro simples no lugar da perífrase com ir, terceira pessoa no lugar de nós ou a gente e verbos precisos no lugar de ter, fazer e dar são as quatro operações que sobem o registro, e itens de adequação praticamente só cobram essas."}},{"id":"23de5ce31098","number":9,"stem":3,"statement":"O primeiro período do segundo parágrafo do texto seria adequado para compor parte de um parágrafo argumentativo de um documento oficial por meio do qual se requeresse verba pública para o desenvolvimento de pesquisas na área de ciência e tecnologia.","answer":"C","source":{"slug":"MCOM_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O período em causa afirma que o empreendimento científico e tecnológico é o principal responsável por tudo que a humanidade construiu: é uma tese, escrita em terceira pessoa, sem marcas de oralidade, sem coloquialismo e sem apelo pessoal ao leitor, e reforçada por um modalizador de certeza. Essas são exatamente as exigências de registro e de estrutura de um parágrafo argumentativo de documento oficial que pleiteia recursos. O item avalia se o trecho caberia em outro gênero, e a resposta se obtém confrontando registro, pessoa do discurso e força argumentativa.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Transposição de um trecho para outro gênero: teste de registro e de função","citation":null,"trap_note":"Quando o item pergunta se um trecho serviria para um ofício, um requerimento ou um relatório, faça três perguntas: o registro é formal, a pessoa do discurso é impessoal ou de terceira pessoa e o trecho sustenta uma posição em vez de narrar ou opinar subjetivamente. Passando nas três, cabe — descrição de fato ou trecho lírico não passa na terceira."}},{"id":"b1e4eb39b6c1","number":16,"stem":4,"statement":"No período “Dizem que a tristeza dessa hora está nas entranhas da gente, infiltrada nas nossas menores porções há milênios.” (segundo parágrafo), caso a forma verbal “há” fosse substituída por fazem, a correção gramatical do texto seria preservada, mas seu nível de formalidade seria alterado.","answer":"E","source":{"slug":"PREF_SAO_CRISTOVAO_SE_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Na indicação de tempo decorrido, tanto haver quanto fazer são impessoais: não têm sujeito e ficam invariavelmente na terceira pessoa do singular. Faz milênios é o que a norma admite; fazem milênios é justamente o desvio que a banca oferece. Logo, a correção gramatical não seria preservada, e a única metade verdadeira do item é a que fala em mudança de registro.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"substituída por fazem","corrected_statement":"No período “Dizem que a tristeza dessa hora está nas entranhas da gente, infiltrada nas nossas menores porções há milênios.” (segundo parágrafo), caso a forma verbal “há” fosse substituída por faz, a correção gramatical do texto seria preservada, mas seu nível de formalidade seria alterado.","concept":"Fazer e haver de tempo decorrido são impessoais","citation":null,"trap_note":"Sempre que o item trocar há por fazem, ou por outra forma no plural, o item já está decidido: verbo de tempo decorrido não concorda com a expressão de tempo, que é objeto e não sujeito. A promessa de correção mantida é o que a banca usa para esconder o desvio de concordância."}},{"id":"cd5130ada93e","number":7,"stem":5,"statement":"O emprego da forma “você” (sétimo período) está inadequado ao nível de formalidade do texto.","answer":"E","source":{"slug":"FUB_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"O texto não é de registro formal alto: é um ensaio de tom pessoal, que se escreve em primeira pessoa do plural, usa a gente e fala diretamente com quem lê. Nesse ambiente, o você do sétimo período não destoa de nada — ele é a própria estratégia do autor, que coloca o leitor dentro da cena no exato instante da leitura para provar que há palhaços trabalhando enquanto se lê. O tratamento é adequado ao nível de formalidade do texto, e é o item que inverte esse juízo.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"está inadequado ao nível de formalidade do texto","corrected_statement":"O emprego da forma “você” (sétimo período) está adequado ao nível de formalidade do texto.","concept":"Adequação se mede pelo próprio texto, não por uma escala abstrata","citation":null,"trap_note":"Adequação é relação, não propriedade. Antes de julgar se uma palavra é formal demais ou informal demais, estabeleça o registro do texto inteiro: se o autor já usa a gente, você e primeira pessoa, mais uma marca coloquial é coerência, não deslize. O item que condena um traço isolado sem que o resto do texto o desminta costuma ser errado."}},{"id":"e92fd99be00d","number":14,"stem":6,"statement":"O nível de formalidade do texto seria alterado caso a expressão “faz de você” (ℓ.10) fosse substituída por lhe tornam, mas os sentidos originais e a correção gramatical do texto seriam mantidos.","answer":"E","source":{"slug":"SLU_DF_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"Tornar, no sentido de fazer que alguém passe a ser algo, é transitivo direto e pede pronome oblíquo o, a, os, as, não lhe: diz-se torna você ou o torna, nunca lhe torna. A proposta ainda troca o singular faz pelo plural tornam, rompendo a concordância com o sujeito do período. Com duas falhas de correção, a única parte verdadeira do item é a mudança de registro.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"os sentidos originais e a correção gramatical do texto seriam mantidos","corrected_statement":"O nível de formalidade do texto seria alterado caso a expressão “faz de você” (ℓ.10) fosse substituída por lhe tornam, e nem os sentidos originais nem a correção gramatical do texto seriam mantidos.","concept":"Lhe só substitui objeto indireto","citation":null,"trap_note":"Lhe é sempre objeto indireto. Verbo transitivo direto — tornar, fazer, ver, chamar, deixar — não aceita lhe, e a troca de o por lhe é um dos erros que a banca planta dentro de propostas de reescrita que prometem manter a correção. Confira também o número do verbo proposto contra o do verbo original."}},{"id":"8ca6548aea46","number":4,"stem":7,"statement":"A substituição da expressão “e olha que eu moro bem no meio das montanhas” (R. 18 e 19) por embora eu more entre montanhas manteria a coerência do trecho no qual se insere, mas alteraria seu nível de formalidade.","answer":"C","source":{"slug":"STM_17_ANALISTA_TECNICO","ano":2017},"explanation":{"verdict_reason":"E olha que introduz, na fala espontânea, uma ressalva que contraria a expectativa criada pelo que se acabou de dizer — é exatamente o valor concessivo que embora expressa na escrita formal. A troca preserva a articulação das ideias, e portanto a coerência do trecho, mas substitui um marcador conversacional, com verbo esvaziado e intensificador bem, por uma conjunção subordinativa que pede subjuntivo. Muda o registro, não a lógica.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Marcador conversacional × conjunção concessiva: mesmo valor, registros diferentes","citation":null,"trap_note":"Item de adequação costuma propor uma troca e afirmar duas coisas ao mesmo tempo: o sentido se mantém e a formalidade muda. Julgue as duas separadamente. Aqui a relação lógica é a mesma (concessão) e só o registro muda, que é a configuração típica do item certo."}},{"id":"6ab4aab603ee","number":22,"stem":8,"statement":"As expressões “porcarias”, no segundo quadrinho, e “Não tem jeito”, no último quadrinho, são típicas da modalidade oral, e seu emprego é adequado ao nível de formalidade do gênero tirinha.","answer":"C","source":{"slug":"PM_AL_17_SOLDADO","ano":2017},"explanation":{"verdict_reason":"Porcarias e Não tem jeito pertencem à fala cotidiana: a primeira é avaliação depreciativa de registro coloquial, a segunda é construção com tem existencial, que a escrita formal substituiria por não há solução. A tirinha, porém, encena diálogo entre personagens e busca justamente o efeito de conversa espontânea, de modo que o coloquialismo é o registro previsto pelo gênero. Adequação se afere contra o gênero, e não contra a norma culta escrita.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Registro coloquial adequado ao gênero tirinha","citation":null,"trap_note":"Em tirinha, história em quadrinhos, chat, entrevista transcrita e diálogo de crônica, a marca de oralidade é exigência do gênero. O item que chama essas expressões de típicas da modalidade oral e adequadas ao gênero é quase sempre certo; o que as chama de inadequadas ou de erro é quase sempre errado."}}]}