{"subject_id":"3a3cc48d0099812ab14cc725a25217d7","topico":"Gêneros: editorial, notícia, artigo de opinião, crônica, carta, relatório","stems":["Linguagem Simples é o nome dado no Brasil a um conjunto de técnicas de redação e de design da informação usadas para produzir textos claros para o público-alvo das comunicações oficiais. Quando falamos em “público-alvo”, estamos tratando especificamente da parcela da população a quem a informação se destina. Uma pessoa pode, por exemplo, redigir um texto para um site de câmara municipal com o objetivo de que seja compreendido por cidadãos com ensino médio completo; um folheto sobre malária para uma população ribeirinha de baixa escolaridade; ou, ainda, um estudo legislativo para embasar o trabalho de um deputado. Em qualquer dessas situações, tanto o público como a instituição vão se beneficiar do uso da Linguagem Simples. Embora no Brasil o termo “Linguagem Simples” tenha prevalecido, o mote da técnica não é exatamente “quanto mais simples, melhor”, mas “quanto mais claro, melhor”. Tendo-se em mente que a clareza, e não a simplicidade, é a meta última da técnica, é possível e desejável usá-la até mesmo para redigir um texto técnico para o público especialista em determinado assunto. Em casos como esse, trocar palavras difíceis por outras mais fáceis não será a primeira preocupação. A Linguagem Simples vai muito além da escolha de palavras. A técnica engloba diretrizes relacionadas à arquitetura da informação, à estrutura das frases e ao design, com o objetivo de reduzir o tempo e a dificuldade para o cérebro processar informações. Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens seguintes.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Dinheiro traz felicidade? Engana-se quem pensa que esta é só uma pergunta filosófica de boteco. Muito pelo contrário: quem se debruça para valer sobre a questão são vencedores do Nobel de Economia, o psicólogo israelense Daniel Kahneman e o economista americano Argus Deaton. Kahneman é considerado um dos fundadores da economia comportamental, uma área que se apoia na psicologia para entender quais fatores afetam as decisões financeiras de alguém. Foi por integrar conhecimentos da psicologia à economia que ele recebeu o prêmio da Academia Real de Ciências da Suécia, em 2002. Oito anos depois, Kahneman se juntou a Argus — que receberia o Nobel de Economia em 2015 por seus trabalhos sobre consumo, pobreza e bem-estar social — para tentar responder à grande questão. Eles publicaram um estudo que correlaciona o nível de renda de mil americanos com seu grau de satisfação pessoal e bem-estar emocional, segundo respostas fornecidas em um questionário entre 2008 e 2009. Eles chegaram à seguinte conclusão: quanto mais dinheiro alguém ganha, mais feliz e satisfeita essa pessoa se sente. Só que essa correlação não é tão evidente na faixa de pessoas que ganham entre 60 e 90 mil dólares por ano (entre R$ 5 e 7,5 mil mensais). E, entre aqueles que recebiam valores maiores que estes, mais dinheiro já não significava mais felicidade. O estudo foi amplamente divulgado na época. Mas ele também foi rebatido por Matthew Killingsworth, um pesquisador da Universidade da Pensilvânia que coleta dados sobre felicidade. Ele publicou uma pesquisa, em 2021, sugerindo que a felicidade média aumenta consistentemente com a renda. E então, qual seria a conclusão correta? Para resolver o impasse, Kahneman juntou-se a Killingsworth e Barbara Mellers, também da Universidade da Pensilvânia. Os pesquisadores reanalisaram os dados coletados nos Estados Unidos da América em 2010 e 2021 para entender onde cada estudo deixou a desejar. E assim chegaram a uma conclusão mais sutil: de que pessoas felizes se sentem ainda melhores conforme ganham mais dinheiro; por outro lado, entre pessoas infelizes, o bem-estar para de aumentar quando certo nível de renda é alcançado. No que se refere às características discursivas e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, bem como às ideias nele veiculadas, julgue os itens a seguir.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Texto CG1A1 Duas ideias recentes que considerei fantásticas fizeram-me refletir sobre o conceito de sustentabilidade. A primeira foi de uma entrevista com Don Tapscott, um dos mais respeitados estudiosos do impacto das tecnologias nas empresas e na sociedade, autor e coautor de 14 livros. Na entrevista, ele afirma que a Internet não muda o que aprendemos, mas o modo como aprendemos — e o impacto dessa revolução terá a mesma intensidade que a invenção dos tipos móveis de Gutenberg: “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada”. A segunda ideia é da empresária americana Lisa Ganski, fundadora de várias empresas na Internet. Em sua ousada teoria, ela defende que o futuro dos negócios é o compartilhamento de produtos e serviços. Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas, vão apenas ter acesso a elas. Para que comprar um carro, gastar com seguro e manutenção se você pode alugar o do vizinho? Para que investir em roupas caras para o seu bebê (que espicha rápido) se você pode trocar peças com mamães de filhos já grandinhos? Lisa aposta que, com a ajuda das mídias sociais e da tecnologia, pessoas, serviços e empresas vão encontrar-se com mais facilidade para trocar ou compartilhar. A ideia do consumo compartilhado dirige-se aos bens de consumo de maior ociosidade. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, a média de utilização de um automóvel é de 8%. Os 92% restantes são de ociosidade nos estacionamentos. Então, por que não alugar o carro em vez de comprar? Ganski sugere que sejam, cada vez mais, criados sistemas de locação para alguns bens de consumo de maior ociosidade. Na produção compartilhada, além da redução dos custos de produção por menores encargos trabalhistas, maior eficiência da mão de obra e menor consumo de energia, há em tese uma redução dos impactos ambientais pela redução de resíduos e dispersão destes em áreas distantes umas das outras. Logicamente há também uma maior geração de empregos e melhor distribuição de renda. Segundo esses pensadores, esta pode ser uma nova opção para o empresariado e para a sociedade segundo o moderno conceito de sustentabilidade. O meio ambiente agradece. Em relação ao texto CG1A1, aos seus sentidos e à organização de suas ideias, julgue os itens a seguir.","A principal pesquisa internacional sobre educação, feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que, no período de 2012 a 2022, houve um aumento acentuado no nível de ansiedade em relação à matemática entre os alunos da grande maioria dos 81 países avaliados, especialmente no Brasil. Na média dos países da OCDE e parceiros, 65% dos estudantes têm ansiedade em relação às suas notas em matemática e cerca de 40% dos estudantes se sentem nervosos, tensos ou desamparados ao resolverem problemas matemáticos. No Brasil, esses índices são ainda mais altos: 79,5% e 62,3%, respectivamente. Na maioria dos países houve um aumento nesses índices de ansiedade em relação à matemática em comparação com 2012. Coreia do Sul, Singapura e Tailândia foram os únicos países onde os índices de ansiedade caíram entre 2012 e 2022. Segundo a OCDE, esses resultados são preocupantes. “Isso pode impactar não apenas desempenho, mas sua prontidão para o aprendizado ao longo da vida”, diz o relatório. A cada edição, o PISA escolhe um tema para fazer um aprofundamento — em 2022, o estudo se dedicou a entender como os alunos lidam com estratégias de aprendizado e quais suas posturas em relação à vida. Julgue os itens que se seguem, relativos às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.","Quando eu cheguei à seção onde tinha de votar, achei três mesários e cinco eleitores. Os eleitores falavam do tempo. Contavam os maiores verões que temos tido; um deles opinava que o verão, em si mesmo, não era mau, mas que as febres é que o tornavam detestável. A quanto não ia a amarela? Chegaram mais três eleitores, depois um, depois sete, que, pelo ar, pareciam da mesma casa. Os minutos iam com aquele vagar do costume quando a gente está com pressa. Mais três eleitores. Nove horas e meia. Os conhecidos faziam roda. Uns falavam mal dos gelados, outros tratavam do câmbio. Nove e três quartos. Trinta e cinco eleitores. Alguns almoçados. Os almoçados interpretavam o regulamento eleitoral diferentemente dos que o não eram. Daí algumas conversações particulares à meia voz, dizendo uns que a chamada devia começar às dez horas em ponto, outros que antes. — Meus senhores, vai começar a chamada — disse o presidente da mesa. Eram dez horas menos um minuto. Havia quarenta e sete eleitores. Abriram-se as urnas, que foram mostradas aos eleitores, a fim de que eles vissem que não havia nada dentro. Os cinco mesários já estavam sentados, com os livros, papéis e penas. O presidente fez esta advertência: — Previno aos senhores eleitores que as cédulas que contiverem nomes riscados e substituídos não serão apuradas; é disposição da lei nova. Quis protestar contra a lei nova. Pareceu-me opressiva da liberdade eleitoral. Pois eu escolho um nome, para presidente da República, suponhamos; ou senador, ou deputado que seja; em caminho, ao descer do bonde, acho que o nome não é tão bom como o outro, e não posso entrar numa loja, abrir a cédula e trocar o voto? — Antônio José Pereira — chamava o mesário. — Está na Europa — dizia um eleitor, explicando o silêncio. — Pôncio Pilatos! — Morreu, senhor; está no Credo. Tinha começado a chamada e prosseguia lentamente para não dar lugar a reclamações. Nove décimos dos eleitores não respondiam por isto ou por aquilo. — Padre Diogo Antônio Feijó! — prosseguia o mesário. Pausa. — Padre Diogo Antônio Feijó! Pausa. Eu gemia em silêncio. Consultei o relógio; faltavam sete minutos para as onze, e ainda não começara o meu quarteirão. Quis espairecer, levantei-me, fui até a porta, onde achei dois eleitores, fumando e falando de moças bonitas. Conhecia-os; eram do meu quarteirão. Enfim, começou o meu quarteirão; respirei, mas respirei cedo, porque a lista era quase toda composta de abstencionistas, e os nomes dos ausentes ou mortos gastam mais tempo, pela necessidade de esperar que os donos apareçam. Chegou a minha vez. Votei e corri a almoçar. Relevem a vulgaridade da ação. Tartufo, neste ponto, emendaria o seu próprio autor: “Ah! Pour être électeur, je n’en suis pas moins homme [Ah! Um eleitor, mas nem por isso menos homem].” Acerca das características do texto precedente, bem como das ideias nele veiculadas e de seus aspectos linguísticos, julgue os itens seguintes.","O híbrido tem por finalidade nomear algo ou alguém cuja formação é múltipla, derivada de fontes heterogêneas. Tal termo passa a ser empregado nos estudos da cultura a partir dos deslocamentos e das migrações acentuadas do século XX. Na literatura, com mais propriedade nos estudos pós-coloniais, é abordado por Homi Bhabha, que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de “hibridismo linguístico”. O híbrido constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal em contraposição à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária. Como termo amplamente usado por vários críticos e estudiosos, gera polêmica e controvérsias, atingindo patamares de significação positiva ou negativa de acordo com a nuança que lhe seja empregada. Stelamaris Coser afirma que, ao se reverter “o movimento do centro para a periferia que caracterizou a era colonial e fez das colônias ‘o local dos sincretismos e hibridismos’, os grandes ‘centros globais’ são agora internacionalizados e hibridizados neste novo momento histórico pós-(neo)colonial”. Nesse caso, não se trata de enaltecer ideologicamente os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos e choques que resultam das diferenças, mas, acima de tudo, de perceber o hibridismo que forma a realidade interamericana e a força criativa que dele resulta. Ainda segundo Coser, “uma inevitável transformação cultural é resultante da entrada, circulação e crescente poder dessa multiplicidade de vozes, visões e estilos que renovam e modificam a face da nação”. Igualmente, para Stuart Hall, a ocorrência do hibridismo (cultural, linguístico e literário) permite que o “novo” entre no mundo inscrito pelas forças hegemônicas e as modifique, passando a ser uma condição necessária à modernidade das comunidades construídas entre os impasses de perdas e ganhos sócio-históricos. Em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto precedente, julgue os itens seguintes.","Fábula de um arquiteto A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir portas abertas, em portas; casas exclusivamente portas e teto. O arquiteto: o que abre para o homem (tudo se sanearia desde casas abertas) portas por-onde, jamais portas-contra; por onde, livres: ar luz razão certa. Até que, tantos livres o amedrontando, renegou dar a viver no claro e aberto. Onde vãos de abrir, ele foi amurando opacos de fechar; onde vidro, concreto; até fechar o homem: na capela útero, com confortos de matriz, outra vez feto. Considerando o texto e a imagem da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, obra de Oscar Niemayer, julgue os itens a seguir.","O eucalipto é cortado, e dele se faz o papel. Processo quase alquímico. O inflexível se dobra, o marrom se torna branco, onde cabiam folhas verdes agora cabem ideias maduras. Chegada a obra-prima, alguém trabalha o preenchê-la. E era isso que fascinava tanto o jornalista Pinheiro Júnior — fosse jovem fosse experiente. — Por que arquitetura? Por que arquitetura quando o senhor já havia contribuído tanto com esse talento, com esse dom? — Uma das coisas que mais me atraiu na Última Hora foi a diagramação da UH, a paginação da UH. Enquanto os outros jornais eram jornais duros, feios, a UH era um jornal bonito, era um jornal, inclusive, a cores. Os outros jornais não eram. Arquitetura, em jornalismo, é exatamente a diagramação dos jornais. Com base na leitura e nos sentidos do texto anterior, julgue os itens que se seguem.","Com base no que estabelece o Manual de redação da Presidência da República, julgue os itens que se seguem.","Texto CB3A1-I Ao final do período de revoluções e guerras que caracterizaram a virada do século XVIII para o XIX, os recém-emancipados países da América e os antigos Estados europeus se viram diante da necessidade de criar estruturas de governo, marcando a transição do Antigo Regime ao constitucionalismo e do colonialismo à independência. Os arquitetos da nova ordem se inspiraram em fontes antigas e modernas: de Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) e Políbio (c.200 a.C. – c.118 a.C.) a John Locke (1632 – 1704) e Montesquieu (1689 – 1755). Um dos principais problemas com os quais lideranças e pensadores políticos se confrontaram estava materializado em uma passagem do poeta satírico romano Juvenal (c.55 – c.127), em que se lê: “Quis custodiet ipsos custodes?”, traduzida como “Quem vigia os vigias?” ou “Quem controla os controladores?”. “Uma coisa é teorizar sobre a separação em três poderes, como lemos em Montesquieu. Outra coisa é colocar em prática”, observa a historiadora Monica Duarte Dantas, do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. “Aí surgem os problemas, porque um poder pode tentar assumir as atribuições de outro. Não era possível antever todas as questões que iriam aparecer, até porque havia assuntos que diziam respeito a mais de um poder. Na prática, era preciso definir a quem competia o quê. Essas questões emergiram rapidamente nos séculos XVIII e XIX, quando se tentou colocar em prática a separação de poderes.” Alguém que acompanhasse os trabalhos de elaboração de textos constitucionais no início do século XIX não necessariamente apostaria que, ao final desse período, estaria consolidado um modelo de organização do Estado em que o poder se desdobraria em três partes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, conforme apresentado pelo filósofo francês Montesquieu em O espírito das leis (1748). Havia projetos com quatro, cinco ou até mais poderes. Na França, o filósofo político franco-suíço Benjamin Constant (1767 – 1830) imaginou meia dezena: o Judiciário, o Executivo, dois poderes representativos, correspondentes ao Legislativo — o da opinião (Câmara Baixa) e o da tradição (Câmara Alta) —, e um poder “neutro”, exercido pelo monarca. O revolucionário venezuelano Simon Bolívar (1783 – 1830) chegou a formular a ideia, em 1819, de um “poder moral” que deveria cuidar, sobretudo, de educação. As mesmas preocupações estavam na cabeça dos deputados na primeira Assembleia Constituinte do Brasil, em 1823. Até que, em novembro, o conflito de poderes se concretizou: tropas enviadas pelo imperador Dom Pedro I (1789 – 1834) dissolveram a assembleia. Em março do ano seguinte, quando o imperador outorgou a primeira Constituição brasileira, ela se afastava pouco do projeto elaborado em 1823, mas continha uma diferença crucial: os poderes eram quatro e incluíam um Moderador. Entretanto, só em dois países esse quarto poder chegou a ser formalmente inscrito no texto constitucional, como uma instituição em separado. O Brasil, com o título 5.º da Constituição de 1824, e Portugal, em 1826, com a Carta Constitucional outorgada também por Dom Pedro — em Portugal, IV, e não I —, no breve período de seis dias em que acumulou a coroa de ambos os países. As funções do Poder Moderador, tanto na doutrina de Constant quanto na Constituição brasileira, guardam semelhanças com algumas das funções que hoje cabem às cortes supremas — no Brasil, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de garantir que a atuação dos poderes, seja na formulação de leis, seja na administração pública ou no julgamento de casos, não se choque com as normas constitucionais. Considerando os sentidos e a organização do texto CB3A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nEm relação a aspectos linguísticos e à estruturação do texto CB3A1-I, julgue os itens subsequentes.","Texto CG1A1-I Considerado o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século 20, Anísio Teixeira (1900-1971) foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis, que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos. A marca do pensador Anísio era uma atitude de inquietação permanente diante dos fatos, considerando a verdade não como algo definitivo, mas que se busca continuamente. O mundo em transformação requer um novo tipo de homem, consciente e bem-preparado para resolver seus próprios problemas, acompanhando a tríplice revolução da vida atual: intelectual, pelo incremento das ciências; industrial, pela tecnologia; e social, pela democracia. Essa concepção exige, segundo Anísio, “uma educação em mudança permanente, em permanente reconstrução”. As novas responsabilidades da escola eram, portanto, educar em vez de instruir; formar homens livres em vez de homens dóceis; preparar para um futuro incerto em vez de transmitir um passado claro; e ensinar a viver com mais inteligência, mais tolerância e mais felicidade. Para isso, seria preciso reformar a escola, começando-se por dar a ela uma nova visão da psicologia infantil. O próprio ato de aprender, dizia Anísio, durante muito tempo significou simples memorização; depois seu sentido passou a incluir a compreensão e a expressão do que fora ensinado; por último, envolveu algo mais: ganhar um modo de agir. Só aprendemos quando assimilamos uma coisa de tal jeito que, chegado o momento oportuno, sabemos agir de acordo com o aprendido. Para o pensador, não se aprendem apenas ideias ou fatos, mas também atitudes, ideais e senso crítico — desde que a escola disponha de condições para exercitá-los. Assim, uma criança só pode praticar a bondade em uma escola onde haja condições reais para desenvolver o sentimento. A nova psicologia da aprendizagem obriga a escola a se transformar num local onde se vive, e não em um centro preparatório para a vida. Como não aprendemos tudo o que praticamos, e sim aquilo que nos dá satisfação, o interesse do aluno deve orientar o que ele vai aprender. Portanto, é preciso que ele escolha suas atividades. Para ser eficiente, dizia Anísio, a escola pública para todos deve ser de tempo integral para professores e alunos, como a escola parque, por ele fundada em 1950, em Salvador, que mais tarde inspirou os centros integrados de educação pública (CIEP) do Rio de Janeiro e as demais propostas de escolas de tempo integral que se sucederam. Cuidando da higiene e saúde da criança, bem como da sua preparação para a cidadania, essa escola é apontada como solução para a educação básica no livro Educação não é privilégio. Além de integral, pública, laica e obrigatória, ela deveria ser também municipalizada, para atender aos interesses de cada comunidade. O ensino público deveria ser articulado numa rede até a universidade. Em relação ao texto CG1A1-I, às ideias nele expressas e à sua construção, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1-I Na Índia do século XX, Gandhi usou a roca de fiar para valorizar as práticas e os costumes tradicionais como instrumentos de inclusão social do seu povo, ao proporcionar-lhe realizar um ofício de forma sustentável. Esse uso faz que a roca seja considerada a primeira “tecnologia apropriada” do mundo. No Brasil, o movimento da “tecnologia apropriada” é conhecido como “tecnologia social”. Tecnologia social é entendida como um conjunto de técnicas e metodologias transformadoras, desenvolvidas e(ou) aplicadas na interação com a população e apropriadas por ela, que representam soluções para a inclusão social e para a melhoria das condições de vida. O conceito de tecnologia social remete a uma proposta inovadora de desenvolvimento, considerando uma abordagem ativista de participação coletiva no processo de implantação, organização e desenvolvimento, aliando saber popular, cooperação social e conhecimento técnico-científico. Ela tem como base a disseminação de soluções para problemas voltados a demandas de renda, trabalho, educação, conhecimento, cultura, alimentação, saúde, habitação, recursos hídricos, saneamento básico, energia, ambiente, igualdade de raça e gênero, por exemplo, sendo importante, essencialmente, que essas soluções sejam efetivas, reaplicáveis e que promovam a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida das populações em situação de vulnerabilidade social. Por fim, o conceito de tecnologia social (TS) estabelece quatro dimensões: 1) conhecimento, ciência, tecnologia; 2) participação, cidadania e democracia; 3) educação; 4) relevância social. A respeito das ideias do texto CG1A1-I e de suas características estruturais, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1-I Com altos índices de evasão escolar, baixo engajamento e conteúdos pouco conectados à realidade dos alunos, o ensino médio já era, antes da pandemia de covid-19, a etapa mais desafiadora da educação básica. Com o fechamento das escolas e o distanciamento dos estudantes do convívio educacional, os últimos anos escolares passaram a trazer ainda mais dificuldades a serem enfrentadas — reforçadas pelas desigualdades raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet. Nenhuma avaliação diagnóstica precisou os prejuízos totais da pandemia para a aprendizagem dos alunos, mas há alguns estudos que ajudam a entender melhor o cenário. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apontou que houve piora em todas as séries avaliadas. Segundo a pesquisa amostral, em matemática, o desempenho alcançado no 3.º ano do ensino médio foi de 255,3 pontos na escala de proficiência, inferior aos 261,7 obtidos pelos estudantes ao final do 9.º ano do ensino fundamental no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2019. Em língua portuguesa, os estudantes do 9.º ano apresentaram uma queda de 12 pontos, e os do 3.º ano do ensino médio, de 11 pontos. Após o retorno presencial, estados e municípios ainda têm muito trabalho para identificar os reais prejuízos, dimensioná-los e encontrar caminhos e soluções para que professores e estudantes possam retomar a aprendizagem. Para Suelaine Carneiro, coordenadora de educação na Geledés, organização da sociedade civil que se posiciona em defesa de mulheres e homens negros, “há um consenso de que não foi possível atender todos os alunos” na educação pública. “Os dados indicam um baixo número de participação dos estudantes, somado à impossibilidade de os familiares acompanharem a resolução das tarefas”, afirma. Mas não fica apenas nisso. “Em termos de aprendizagem, os dados também mostram dificuldades no que diz respeito à compreensão e à resolução das tarefas.” De acordo com ela, a situação de alunos negros requer ainda mais atenção. “É preciso prestar atenção nessa condição: a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade de realizar um isolamento dentro de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos suficientes”, contextualiza Suelaine. Agravada pela pandemia, que engrossou o número de trabalhadores desempregados, a questão econômica foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio. “Temos alunos que estão trabalhando no horário de aula, dizendo que precisam ajudar a família, e aos fins de semana assistem às atividades”, relata a professora Lucenir Ferreira, da Escola Estadual Mário Davi Andreazza, em Boa Vista (RR). Lucenir conta que muitos alunos chegam a falar que não conseguem aprender nada e desabafam por sentir que a aprendizagem foi prejudicada, principalmente os que estão em processo de preparação para o vestibular. Apesar dos desafios, Suelaine acredita que os impactos não são irreversíveis, como outros especialistas têm apontado. “Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas, compromisso público com a educação, de forma a desenvolver diferentes ações”, diz ela. FimDoTexto Considerando as informações veiculadas no texto CB1A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nA respeito dos sentidos e dos aspectos tipológicos e coesivos do texto CB1A1-I, julgue os próximos itens.","Considerando a imagem precedente, julgue os itens a seguir.","Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo dirige-se a este porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada. O homem do campo reflete e depois pergunta se então não pode entrar mais tarde. “É possível”, diz o porteiro, “mas agora não”. Uma vez que a porta da lei continua como sempre aberta, e o porteiro se põe de lado, o homem se inclina para o interior através da porta. Quando nota isso, o porteiro ri e diz: “Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição. Mas veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala, porém, existem mais porteiros, cada um mais poderoso que o outro. O camponês não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele. Ele faz muitas tentativas para ser admitido, e cansa o porteiro com os seus pedidos. O homem, que se havia equipado para a viagem com muitas coisas, lança mão de tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Este aceita tudo. Durante todos esses anos, o homem observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos, amaldiçoa em voz alta o acaso infeliz. Antes de morrer, todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia feito ao porteiro. Faz-lhe um aceno para que se aproxime. “O que é que você ainda quer saber?”, pergunta o porteiro. “Você é insaciável.” “Todos aspiram à lei”, diz o homem. “Como se explica que, em tantos anos, ninguém além de mim pediu para entrar?” O porteiro percebe que o homem já está no fim e, para ainda alcançar sua audição em declínio, ele berra: “Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você. Agora eu vou embora e fecho-a”. Com referência às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","Antropólogo, sociólogo, educador, escritor e político brasileiro, a personalidade multifacetada de Darcy Ribeiro torna longa a lista de “fazimentos”, como ele próprio gostava de chamar suas realizações. Graduou-se em ciências sociais, em 1946, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Suas primeiras experiências profissionais foram no Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Em 1956, Darcy organizou e passou a dirigir o Museu do Índio, sediado no Rio de Janeiro. Em 1957, conheceu Anísio Teixeira e passou a ter contato com o universo da educação. Foi coordenador do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, vinculado ao INEP. “Juscelino Kubitschek pediu a Anísio para criar o sistema educacional do Distrito Federal e implementar uma universidade em Brasília”, destaca Murilo Camargo, lembrando que o projeto iniciado em 1962 foi interrompido em 1964, com a ascensão do regime militar, e passou por muitas mudanças de configuração, sobretudo com a reforma universitária de 1968. Com o regime militar, o educador foi exilado para o Uruguai. Em Montevidéu, ajudou na reorganização da Universidade da República do Uruguai e de instituições públicas do continente americano, além da Universidade de Argel, na Argélia. De volta ao Brasil, em 1976, passou a se dedicar à educação pública. Vice-governador de Leonel Brizola, no governo do Rio de Janeiro, implantou os Centros Integrados de Ensino Público (CIEP), projeto pedagógico inspirado nas concepções de Anísio Teixeira e que garantia assistência em tempo integral aos estudantes, com atividades recreativas e culturais para além do ensino formal. Ao longo da vida, o antropólogo escreveu obras sobre etnologia, antropologia, educação, além de romances. Em 1992, Darcy Ribeiro foi eleito para a cadeira n.º 11 da Academia Brasileira de Letras, que ocupou até sua morte, em fevereiro de 1997. Com referência às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1AAA qualquer coisa muito interessante sobre ácido desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre desoxirribonucleico, uma carta que termine com “Muito amor, papai”. Francis Crick descobriu o desenho do DNA e escreveu Estrutura, foi o que ele falou. Antes de despedir-se ainda disse: “Quando chegar em casa, vou te mostrar o modelo”. Não guarde o resto do dinheiro para seus caramelos e, quando chegar, eu mostro a você o mecanismo copiador básico a partir Não sou de choro fácil, mas um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam me comove. Cromossomas me animam, ribossomas me espantam. A divisão celular não me deixa dormir, e olha que eu passarem os aviões, mas isso nunca acontece de madrugada — a noite se guarda toda para o infinito silêncio. uma carabina, mas não sei se vem ao caso. Nenhuma palavra quer ferir outras palavras: nem desoxirribonucleico, nem sinônimos, veja só, ácido desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma coisa, e os do resto das palavras você os canhões. Que coisa mais linda esse ácido despenteado, caramba. Olhei com mais atenção o desenho da estrutura e Julgue os itens a seguir, com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, no qual a autora Matilde Campilho aborda a descoberta, em 1953, da estrutura da molécula do DNA, correalizada pelos cientistas James Watson e Francis Crick."],"questions":[{"id":"b041a58b1916","number":5,"stem":0,"statement":"Segundo o texto, apesar de a Linguagem Simples ir além da mera seleção vocabular, o cuidado com essa seleção varia conforme a complexidade do gênero textual e do público-alvo, indo de importante, passando a secundário, até ser considerado irrelevante.","answer":"E","source":{"slug":"CD_25_NS","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"O texto afirma que, em texto técnico para público especialista, trocar palavras difíceis por outras mais fáceis não será a primeira preocupação — ou seja, deixa de ser prioritária, passando a secundária. Em nenhum ponto se diz que a escolha vocabular se torne irrelevante, e o texto ainda sustenta que a técnica se aplica a qualquer texto, tendo a clareza como meta última. O item conserva a gradação do texto e lhe acrescenta um degrau final que o texto não escreveu.","distortion_type":"escopo_ampliado","distorted_span":"até ser considerado irrelevante","corrected_statement":"Segundo o texto, apesar de a Linguagem Simples ir além da mera seleção vocabular, o cuidado com essa seleção varia conforme a complexidade do gênero textual e do público-alvo, deixando de ser a primeira preocupação em textos técnicos dirigidos a especialistas.","concept":"Deixar de ser prioritário não é tornar-se irrelevante","citation":null,"trap_note":"Escala acrescentada é distorção frequente: o texto diz que algo é menos importante e o item leva a escala até o extremo, nulo ou irrelevante. Volte ao trecho e recupere a expressão exata — não será a primeira preocupação marca ordem de prioridade, não abandono."}},{"id":"c8b61c5c1ed0","number":1,"stem":1,"statement":"Dada a estruturação do texto, é correto considerá-lo um artigo de opinião no qual a autora defende a ideia de que o dinheiro gera felicidade.","answer":"E","source":{"slug":"BDMG_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O texto não sustenta tese própria: expõe o estudo de Kahneman e Deaton, registra a contestação de Killingsworth e apresenta a reanálise conjunta, encerrando com uma conclusão que é dos pesquisadores e é dupla — quem já é feliz melhora com mais renda, quem é infeliz não. Isso é divulgação científica em formato jornalístico, não artigo de opinião, e a conclusão relatada não equivale a defender que dinheiro gera felicidade. A autora organiza vozes alheias; não assume posição.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"um artigo de opinião no qual a autora defende","corrected_statement":"Dada a estruturação do texto, é correto considerá-lo um texto de divulgação científica no qual a autora expõe estudos divergentes sobre a relação entre dinheiro e felicidade.","concept":"Divulgação científica: exposição de vozes × defesa de tese própria","citation":null,"trap_note":"Quando o texto encadeia pesquisa, contestação e nova pesquisa, o autor está mediando um debate alheio. Artigo de opinião exige que a tese seja do articulista e que ele responda por ela. Atribuir ao autor a conclusão de uma fonte é a troca de dono de ideia mais comum em item de gênero."}},{"id":"c79bc3d07fc2","number":5,"stem":2,"statement":"Em relação ao gênero textual, é correto afirmar que o texto é uma crônica descritiva, pois o autor descreve duas ideias sobre economia compartilhada.","answer":"E","source":{"slug":"EMBRAPA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O autor não descreve: avalia e conclui. Chama as ideias de fantásticas, explica a tese de cada pensador, acrescenta dados sobre ociosidade dos automóveis, deduz ganhos ambientais e de renda e fecha com um juízo, o meio ambiente agradece. Essa arquitetura — tese, argumentos, conclusão — é a do artigo de opinião, não a da crônica, que recorta uma cena do cotidiano e a comenta com leveza literária. Errado o gênero e errado o verbo que o justifica.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"o texto é uma crônica descritiva","corrected_statement":"Em relação ao gênero textual, é correto afirmar que o texto é um artigo de opinião, pois o autor comenta e defende duas ideias sobre economia compartilhada.","concept":"Artigo de opinião × crônica: tese sustentada por argumentos","citation":null,"trap_note":"Crônica parte de um episódio concreto do cotidiano e o comenta; artigo de opinião parte de uma questão e a sustenta com argumentos, fechando com posição. Presença de dados, de números e de conclusão avaliativa aponta para o artigo, ainda que o tom seja leve."}},{"id":"36103734f0c6","number":17,"stem":3,"statement":"O texto configura-se como texto jornalístico no qual a autora argumenta a favor da implementação de políticas públicas que melhorem o desempenho dos alunos brasileiros em matemática.","answer":"E","source":{"slug":"INOVERSASUL_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"A primeira metade do item está certa: é texto jornalístico. A segunda não se confirma. O texto relata números do PISA, compara países e períodos e cita o relatório da OCDE dizendo que os resultados são preocupantes — reproduzindo a avaliação da fonte, não a da autora. Em nenhum momento se defende a adoção de políticas públicas: não há proposta, não há verbo de recomendação, não há tese autoral. Informar que um problema existe não é argumentar por sua solução.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"argumenta a favor da implementação de políticas públicas","corrected_statement":"O texto configura-se como texto jornalístico no qual a autora informa os resultados de pesquisa internacional sobre o aumento da ansiedade dos estudantes em relação à matemática.","concept":"Informar × defender: o gênero jornalístico informativo não toma partido","citation":null,"trap_note":"Item de gênero costuma acertar a classificação e errar o verbo que descreve o que o autor faz. Confira separadamente as duas metades: mesmo confirmado o gênero, procure no texto a frase em que o autor recomenda, propõe ou defende. Não achando, o item cai."}},{"id":"e760fdca657f","number":17,"stem":4,"statement":"É correto afirmar que o texto é parte de um conto, em função de sua estrutura narrativa, do desenvolvimento em torno de um único conflito e da abordagem de um fato cotidiano.","answer":"E","source":{"slug":"CPNUJE_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O relato é em primeira pessoa, ancorado em um fato corriqueiro e datado — uma manhã de votação —, e o que o organiza não é um conflito ficcional em desenvolvimento, mas a observação irônica do narrador sobre a espera, a lei nova e os eleitores ausentes, rematada por uma citação humorística. Conto pressupõe enredo ficcional construído em torno de um conflito que se arma e se resolve; aqui não há conflito, há comentário. O texto é crônica.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"o texto é parte de um conto","corrected_statement":"É correto afirmar que o texto é uma crônica, em função de sua estrutura narrativa, do comentário irônico do narrador e da abordagem de um fato cotidiano.","concept":"Crônica × conto: fato cotidiano comentado × conflito ficcional","citation":null,"trap_note":"Fato cotidiano e narrador em primeira pessoa puxam para crônica; conflito armado e resolvido, com personagens construídos, puxa para conto. Quando o item junta as duas justificativas — fato cotidiano e conflito único —, confira se existe mesmo um conflito: quase sempre não existe, e é aí que o item cai."}},{"id":"3c800c2d39fc","number":23,"stem":5,"statement":"No texto, que se classifica, quanto ao gênero, como acadêmico, a autora defende o estilo híbrido por ser ele capaz de gerar encontros entre culturas, não havendo que se falar em pontos negativos trazidos por esses contatos.","answer":"E","source":{"slug":"INOVERSASUL_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O texto se antecipa exatamente à leitura que o item propõe: diz que o termo gera polêmica e controvérsias, atingindo significação positiva ou negativa, e afirma que não se trata de enaltecer ideologicamente os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos e choques que resultam das diferenças. Os pontos negativos, portanto, estão nomeados no próprio texto. O item os declara inexistentes, e é essa negação absoluta que o derruba, não a classificação do texto como acadêmico.","distortion_type":"generalizacao","distorted_span":"não havendo que se falar em pontos negativos trazidos por esses contatos","corrected_statement":"No texto, que se classifica, quanto ao gênero, como acadêmico, a autora reconhece a força criativa que resulta do hibridismo sem anular os conflitos e choques decorrentes das diferenças.","concept":"O texto que já ressalvou os conflitos não pode ser lido como negação deles","citation":null,"trap_note":"Quando o autor escreve não se trata de enaltecer, tampouco de anular, ele vacinou o texto contra a leitura unilateral — e é justamente essa leitura que o item seguinte vai oferecer. Expressões absolutas como não havendo que se falar, em nenhum aspecto, sem qualquer ressalva quase nunca traduzem um texto acadêmico, que trabalha por nuanças."}},{"id":"3d5a6aeb2a29","number":3,"stem":6,"statement":"A ausência de pontuação na enumeração presente em “por onde, livres: ar luz razão certa” (primeira estrofe) contraria a norma culta quanto ao emprego dos sinais de pontuação, mas atende à especificidade do gênero textual poético.","answer":"C","source":{"slug":"CAU_BR_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Na enumeração ar luz razão certa faltam as vírgulas que a norma exige entre termos de mesma função sintática. O item não nega esse desvio: afirma que ele existe e que, no texto poético, é aceitável, porque a poesia dispõe de liberdade formal para produzir efeito de sentido — aqui, a sucessão sem pausas imita a passagem franca do ar e da luz pelas portas abertas de que fala o poema. Correção gramatical e adequação ao gênero são critérios distintos, e o item avalia os dois corretamente.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Licença poética: desvio formal justificado pelo gênero","citation":null,"trap_note":"Em texto poético, ausência de pontuação, de maiúscula ou de conector não é erro a corrigir: é recurso. O item certo costuma reconhecer as duas coisas ao mesmo tempo — contraria a norma, atende ao gênero. Desconfie apenas do item que transformar a licença em regra gramatical."}},{"id":"e0cbdc3c416b","number":9,"stem":7,"statement":"O uso dos travessões no início do segundo e do terceiro parágrafos é um dos indicativos de que o gênero textual do fragmento apresentado é entrevista.","answer":"C","source":{"slug":"CAU_BR_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Os travessões abrem as falas de dois interlocutores distintos, e a alternância é a de pergunta e resposta: um pergunta por que arquitetura, o outro responde falando da diagramação da Última Hora. Essa alternância, somada à presença de um jornalista identificado e à reprodução direta da fala do entrevistado, é o que caracteriza a entrevista. O item apresenta o travessão como um dos indicativos, e não como prova isolada, o que também o torna exato.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Travessão de fala e alternância pergunta-resposta como marcas da entrevista","citation":null,"trap_note":"O travessão sozinho indica discurso direto, que ocorre em conto, crônica e romance. O que define entrevista é a alternância regular entre uma pergunta e uma resposta de dois papéis fixos — entrevistador e entrevistado. Repare no item: quando ele diz um dos indicativos, está pedindo apenas compatibilidade, não prova."}},{"id":"79a79d006aba","number":9,"stem":8,"statement":"O padrão ofício, que era comumente utilizado nas comunicações oficiais, foi substituído pelo gênero textual memorando, que é mais genérico no que se refere aos objetivos e mais simplificado no que diz respeito à formatação.","answer":"E","source":{"slug":"SEFIN_FORTALEZA_CE_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"A substituição ocorreu no sentido inverso. A partir da terceira edição do Manual, aviso, ofício e memorando deixaram de ser tratados como espécies distintas e passaram a ser expedidos sob uma única forma, o padrão ofício, mais genérico quanto à finalidade e mais simples quanto à diagramação. O item conserva a descrição correta do que resultou da mudança e troca de lugar os dois termos, fazendo do memorando o gênero que sobreviveu.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"foi substituído pelo gênero textual memorando","corrected_statement":"O memorando, que era comumente utilizado nas comunicações oficiais, foi substituído pelo padrão ofício, que é mais genérico no que se refere aos objetivos e mais simplificado no que diz respeito à formatação.","concept":"Unificação de aviso, ofício e memorando no padrão ofício","citation":"Manual de Redação da Presidência da República, 3.ª edição (2018)","trap_note":"Em item sobre o Manual de Redação, a informação mais cobrada é a unificação: três expedientes viraram um, e o que permanece é o ofício. Sempre que o enunciado disser que algo foi substituído, leia quem ocupa a posição de substituto — a banca mantém a frase inteira e apenas troca os lados."}},{"id":"9ca1cf7c41a2","number":11,"stem":9,"statement":"Quanto ao gênero textual, é correto classificar o texto como uma resenha, visto que sua estrutura se fundamenta na análise de outros textos.","answer":"E","source":{"slug":"CNMP_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O texto não analisa outros textos: usa-os como fonte. Aristóteles, Montesquieu, Juvenal e Benjamin Constant são citados para reconstituir historicamente como se chegou à divisão em três poderes, e há ainda a fala apurada de uma historiadora, marca de reportagem de divulgação científica. Resenha tem um objeto único, que apresenta e avalia; aqui não há obra examinada nem juízo sobre obra alguma.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"classificar o texto como uma resenha","corrected_statement":"Quanto ao gênero textual, é correto classificar o texto como uma reportagem de divulgação científica, visto que reconstitui historicamente um tema a partir de fontes e de entrevista.","concept":"Citar fontes × resenhar uma obra","citation":null,"trap_note":"Resenha e reportagem citam ambas, mas por razões opostas: a resenha cita a obra que julga, a reportagem cita fontes que sustentam a apuração. Se as obras citadas são muitas e nenhuma é avaliada, não é resenha."}},{"id":"678a990c1783","number":1,"stem":10,"statement":"Por sua natureza híbrida, que combina fatos e opiniões, bem como por referir-se à obra de Anísio Teixeira, o texto pode ser classificado como uma resenha crítica.","answer":"E","source":{"slug":"SEE_PE_22_EDUCACAO_BASICA","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Resenha crítica tem um objeto único e delimitado — uma obra, um filme, um estudo — que ela apresenta e sobre o qual emite juízo de valor fundamentado. Aqui não há obra resenhada: o texto sintetiza o pensamento educacional de Anísio Teixeira ao longo de toda a sua atuação, e a única obra mencionada, Educação não é privilégio, aparece de passagem, sem análise nem avaliação. As opiniões presentes no texto são as de Anísio, relatadas, e não as do autor sobre um livro.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"classificado como uma resenha crítica","corrected_statement":"Por sua natureza expositiva, que apresenta e organiza o pensamento de Anísio Teixeira, o texto pode ser classificado como um texto de divulgação.","concept":"Resenha exige objeto delimitado e juízo de valor do resenhista","citation":null,"trap_note":"Mencionar uma obra não faz resenha. Pergunte se o texto tem um objeto único que apresenta e avalia: sem juízo de valor do autor sobre esse objeto, é exposição ou divulgação, por mais citações que traga."}},{"id":"b696e7d22b20","number":6,"stem":11,"statement":"Quanto ao gênero textual, o texto classifica-se como uma reportagem, pelo seu alto teor informativo.","answer":"E","source":{"slug":"BANCO_DO_NORDESTE_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O texto define um conceito, dá-lhe origem histórica, distingue as denominações tecnologia apropriada e tecnologia social, enumera os campos de aplicação e encerra listando quatro dimensões: é estrutura de exposição conceitual. Falta-lhe tudo o que caracteriza reportagem — fato de atualidade, apuração, fontes entrevistadas, discurso citado, lide. Teor informativo alto é comum a muitos gêneros e não basta para classificar nenhum.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"classifica-se como uma reportagem","corrected_statement":"Quanto ao gênero textual, o texto classifica-se como um texto expositivo, pelo seu alto teor informativo.","concept":"Reportagem exige apuração e fontes; exposição conceitual não é reportagem","citation":null,"trap_note":"Ser informativo não define gênero: verbete, manual, texto didático e reportagem informam. Procure a marca própria da reportagem, que é a voz de terceiros apurada pelo repórter, entre aspas. Texto sem nenhuma fala citada e organizado por definição e classificação é expositivo."}},{"id":"0ca0663155dd","number":9,"stem":12,"statement":"Considera-se o texto um artigo de opinião, porque apresenta a opinião de várias pessoas acerca de um mesmo problema, como maneira de evitar um posicionamento homogêneo a respeito do tema.","answer":"E","source":{"slug":"SEE_PE_22_ESPECIAL_MUSICA","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"A justificativa oferecida pelo item é exatamente o que exclui o gênero alegado. Artigo de opinião veicula a posição de um único autor, que a assina e a defende; um texto que reúne a coordenadora da Geledés, uma professora de Boa Vista e dados de pesquisa da UFJF, sem tomar partido, está apurando e cruzando fontes — é reportagem. Pluralidade de vozes e ausência de posicionamento homogêneo são traços do jornalismo informativo, não do opinativo.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"Considera-se o texto um artigo de opinião","corrected_statement":"Considera-se o texto uma reportagem, porque apresenta a opinião de várias pessoas acerca de um mesmo problema, como maneira de evitar um posicionamento homogêneo a respeito do tema.","concept":"Artigo de opinião: voz única e assumida × reportagem: vozes plurais","citation":null,"trap_note":"Leia a justificativa do item antes do rótulo: quando a razão apresentada contradiz o gênero nomeado, o item está decidido. Várias vozes e nenhuma posição do autor nunca sustentam artigo de opinião, editorial ou carta argumentativa."}},{"id":"a2fecf50415c","number":18,"stem":13,"statement":"A imagem consiste em um texto publicitário que tem por finalidade divulgar o lançamento de um produto.","answer":"C","source":{"slug":"BANRISUL_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"A peça anuncia a chegada do novo cartão do Banrisul com o slogan Livre de complicações, cheio de vantagens: há marca identificada, produto nomeado, verbo de chegada e enumeração de benefícios. Essas são as funções do texto publicitário — promover um bem e persuadir o público a aderir a ele — e o verbo Chegou marca precisamente o lançamento. Imagem também é texto, e se classifica pelo gênero como qualquer outro.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Texto publicitário: marca, produto, slogan e apelo ao consumidor","citation":null,"trap_note":"Em item sobre peça gráfica, identifique três elementos antes de classificar: quem assina, o que se oferece e o que se pede ao leitor. Marca mais produto mais slogan é publicidade; órgão público mais orientação de conduta, sem produto a vender, é campanha institucional."}},{"id":"119a4ed2c123","number":16,"stem":14,"statement":"O texto apresenta características do gênero parábola, pois constitui uma narrativa alegórica que transmite uma mensagem indireta.","answer":"C","source":{"slug":"DPDF_20_ANALISTA","ano":2020},"explanation":{"verdict_reason":"A narrativa é curta, com personagens sem nome próprio — o homem do campo, o porteiro — e uma situação que não se esgota no seu sentido literal: a porta que sempre esteve aberta e estava destinada só a ele vale por uma reflexão sobre o acesso à lei, à justiça, ao que se deseja e não se ousa. Essa transposição sistemática do plano narrado para um plano moral, sem que a lição venha enunciada, é a definição de parábola: narrativa alegórica de mensagem indireta.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Parábola: narrativa alegórica com ensinamento implícito","citation":null,"trap_note":"Parábola e fábula são ambas alegóricas; o que as separa é que a fábula tem animais como personagens e costuma explicitar a moral, e a parábola tem personagens humanos genéricos e deixa a mensagem por conta do leitor. Item que fala em mensagem indireta está descrevendo parábola."}},{"id":"0cc37b0c005c","number":1,"stem":15,"statement":"O texto pode ser enquadrado no gênero textual biografia, uma vez que apresenta fatos particulares de várias fases da vida de Darcy Ribeiro.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"O texto reúne os traços que definem a biografia: um só indivíduo como foco, terceira pessoa, sucessão cronológica marcada por datas e lugares — graduação em 1946, Museu do Índio em 1956, exílio, retorno em 1976, Academia Brasileira de Letras em 1992, morte em 1997 — e a seleção de episódios que explicam a trajetória pública do biografado. Não há enredo ficcional nem tese a defender: há vida narrada a partir de fatos verificáveis. É exatamente o que o item afirma.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Biografia: vida de um indivíduo, em terceira pessoa e ordem cronológica","citation":null,"trap_note":"Para reconhecer biografia, procure três marcas juntas: um único protagonista real, datas encadeadas e terceira pessoa. Se o relato for em primeira pessoa, é autobiografia ou memória; se recortar um episódio para comentá-lo, é crônica ou perfil."}},{"id":"f4fe3c575c37","number":1,"stem":16,"statement":"O texto classifica-se como poema em prosa, dada a predominância de um olhar lírico sobre o tema tratado e da linguagem figurada.","answer":"C","source":{"slug":"STM_17_ANALISTA_TECNICO","ano":2017},"explanation":{"verdict_reason":"O texto não tem versos nem métrica, mas também não tem a finalidade informativa que a prosa comum teria diante do assunto: trata o DNA por imagens e afetos — cromossomas que animam, ribossomas que espantam, o ácido despenteado que é uma coisa mais linda. Esse predomínio do eu lírico e da linguagem figurada sobre um tema científico é o que define o poema em prosa, que é poesia na disposição gráfica da prosa. O item nomeia corretamente o gênero e indica os dois traços que o autorizam.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Poema em prosa: lirismo e figuração sem versificação","citation":null,"trap_note":"Ausência de versos não elimina a poesia. Quando um texto em prosa não informa, não narra uma sequência de fatos e não argumenta, mas concentra imagens, repetições e subjetividade, o gênero a considerar é o poema em prosa — e o item que assim o classifica costuma ser certo."}}]}