{"subject_id":"3a3cc48d00998177818de2d7ff769c23","topico":"Vocabulário em contexto: sentido de palavras e expressões","stems":["A linguagem não é um artefato cultural que aprendemos da maneira como aprendemos a dizer a hora ou como o governo federal está funcionando. Ao contrário, é claramente uma peça da constituição biológica de nosso cérebro. A linguagem é uma habilidade complexa e especializada, que se desenvolve espontaneamente na criança, sem qualquer esforço consciente ou instrução formal, que se manifesta sem que se perceba sua lógica subjacente, que é qualitativamente a mesma em todo indivíduo, e que difere de capacidades mais gerais de processamento de informações ou de comportamento inteligente. Por esses motivos, alguns cientistas cognitivistas descreveram a linguagem como uma faculdade psicológica, um órgão mental, um sistema neural ou um módulo computacional. Mas prefiro o simples e banal termo “instinto”. Ele transmite a ideia de que as pessoas sabem falar mais ou menos da mesma maneira que as aranhas sabem tecer teias. A capacidade de tecer teias não foi inventada por alguma aranha genial não reconhecida e não depende de receber a educação adequada ou de ter aptidão para arquitetura ou negócios imobiliários. As aranhas tecem teias porque têm cérebro de aranha, o que as impele a tecer e lhes dá competência para fazê-lo com sucesso. Pensar a linguagem como um instinto inverte a sabedoria popular, especialmente da forma como foi aceita nos cânones das ciências humanas e sociais. A linguagem não é uma invenção cultural, assim como tampouco a postura ereta o é. Não é uma manifestação da capacidade geral de usar símbolos: uma criança de três anos é um gênio gramatical, mas é bastante incompetente em termos de artes visuais, iconografia religiosa, sinais de trânsito e outros itens básicos do currículo de semiótica. Embora a linguagem seja uma habilidade magnífica exclusiva do Homo sapiens entre as espécies vivas, isso não implica que o estudo dos seres humanos deva ser retirado do campo da biologia, pois existem outras habilidades magníficas exclusivas de uma espécie viva em particular no reino animal. Alguns tipos de morcegos capturam insetos voadores mediante um sonar Doppler. Alguns tipos de aves migratórias viajam milhares de quilômetros comparando as posições das constelações com as horas do dia e épocas do ano. No show de talentos da natureza, somos apenas uma espécie de primatas com nosso próprio espetáculo, um jeito todo especial de comunicar informação. Do ponto de vista do cientista, a complexidade da linguagem é parte de nossa herança biológica inata; não é algo que os pais ensinam aos filhos ou algo que tenha de ser elaborado na escola. O conhecimento tácito de gramática de uma criança em idade pré-escolar é mais sofisticado que o mais volumoso manual de estilo ou o mais moderno sistema de linguagem de computador, e o mesmo se aplica a qualquer ser humano saudável. A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.","Texto CG2A1 O termo “soluções baseadas na natureza” foi cunhado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A ideia é ele ser um conceito guarda-chuva: um único termo que consegue abranger uma grande gama de estratégias, técnicas, ações e atividades que envolvem a natureza para resolver problemas sociais, econômicos e ambientais do mundo atual. Quando falamos especificamente de acesso à água, as florestas aparecem como uma das principais soluções baseadas na natureza para dar segurança aos nossos sistemas de abastecimento. Elas podem trazer benefícios para a sociedade ao mesmo tempo que se apresentam como investimentos economicamente viáveis, a ponto de uma série de pesquisas começar a abordar a vegetação nativa como uma forma de infraestrutura — a infraestrutura natural. Chamamos de “Infraestrutura natural” investimentos e intervenções em conservação, manejo e restauração da vegetação nativa e de florestas. Essas ações não substituem investimentos em infraestrutura convencional, mas se complementam, aumentando os benefícios e gerando maior resiliência onde são implantadas. Atualmente, a maior parte dos investimentos em infraestruturas para o abastecimento de água das cidades é feita em infraestruturas convencionais, como reservatórios, represas e estações de tratamento. Essas obras podem ganhar muito se forem planejadas em sintonia com a infraestrutura natural. Em uma paisagem degradada, ou com solo que sofre processos severos de erosão, uma grande carga de sedimentos — terra e sujeira, por exemplo — acaba indo para os rios e reservatórios, o que aumenta os custos de dragagem e acarreta maior uso de produtos químicos no tratamento da água, além de diminuir a vida útil dos reservatórios. Com a restauração de florestas em paisagens degradadas e em áreas prioritárias para o abastecimento de água, como no entorno de reservatórios, as árvores evitam que grande parte dos sedimentos chegue aos cursos d’água, funcionando como barreiras naturais e gerando economia no uso de produtos químicos e nos custos de energia das estações de tratamento. Isso sem contar os benefícios mais amplos, como recuperação do solo, captura de gases de efeito estufa, que ajuda a mitigar as mudanças climáticas, formação de corredores ecológicos para espécies ameaçadas e aumento da resiliência a impactos de eventos climáticos extremos, como secas ou inundações. Dessa forma, a infraestrutura natural é um investimento inteligente do ponto de vista socioeconômico, que traz retornos no longo prazo e produz bons resultados para toda a sociedade. As empresas de saneamento no país todo só têm a ganhar ao investir na restauração florestal. Com base nas ideias veiculadas no texto CG2A1, julgue os seguintes itens.","Texto CG1A1 Em 2015, o professor Robert Waldinger participou de uma conferência apresentando uma palestra chamada “O que torna uma vida boa? Lições sobre o mais longo estudo sobre felicidade”. O tema se tornou, anos depois, um livro do palestrante sobre o assunto, que entrou na lista dos mais vendidos, segundo o jornal The New York Times. Professor de psiquiatria em Harvard, Waldinger é o quarto pesquisador a dirigir o Estudo sobre Desenvolvimento Adulto, que existe na universidade desde 1938 e está em andamento até hoje. O trabalho é o maior já realizado sobre o tema e monitora questões relativas a bem-estar, desenvolvimento e felicidade. Atualmente, a pesquisa está na segunda geração e dela participam os filhos dos primeiros participantes. O principal achado da pesquisa chama a atenção: a chave para uma vida mais feliz e saudável são os relacionamentos que cultivamos. Boas relações ajudam a reduzir os níveis de estresse e também influenciam a maneira como lidamos com dificuldades e situações desafiadoras. Waldinger afirma que cultivar relacionamentos recíprocos, que contam com apoio mútuo e espaço para crescimento, é o que traz mais felicidade. Por outro lado, passar muito tempo no trabalho é um constante arrependimento dos participantes do estudo. Além desses, há outros fatores que interferem na saúde mental e na sensação de felicidade — e um deles pode ser dinheiro. O pesquisador ressalta que ter muito dinheiro ou fama não tem relação direta com a felicidade. Contudo, a pobreza impacta a satisfação com a vida. Waldinger aponta que, enquanto não se tem as necessidades básicas garantidas, sentir-se feliz e pleno é uma tarefa difícil. Por outro lado, a partir do momento em que necessidades como alimentação, moradia e educação estão garantidas, ganhar mais dinheiro não significa sentir felicidade. É aí que está a importância de cultivar bons relacionamentos. Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1, julgue os itens que se seguem.\n\n\n\nEm relação aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CG1A1, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1 Falar de acesso à Internet no Brasil é, ainda, falar de desigualdade. Embora a digitalização tenha avançado em diversos segmentos — da educação à economia —, cerca de 20% da população brasileira permanece desconectada ou sem condições de usufruir dos recursos digitais. A democratização da Internet é, portanto, um imperativo de inclusão social, desenvolvimento econômico e cidadania. Apesar de o Brasil ter ultrapassado a marca de 80% da população com algum tipo de acesso à Internet, o país ainda apresenta um cenário de profundas desigualdades regionais e sociais no que se refere à qualidade, velocidade e estabilidade da conexão. Os dados da pesquisa TIC Domicílios 2023, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, revelam que 88% da população urbana está conectada, mas esse índice cai para 60% nas áreas rurais. As regiões Norte e Nordeste apresentam baixos indicadores de infraestrutura de conectividade, sendo ainda dependentes de redes móveis instáveis, enquanto o Sudeste concentra a maior parte dos investimentos em fibra óptica e banda larga de alta velocidade. A disparidade segue a lógica de expansão do setor de telecomunicações no país — fortemente orientada pela rentabilidade —, que privilegia centros urbanos e regiões com maior poder aquisitivo. Segundo dados do IBGE de 2022, enquanto quase 90% dos domicílios localizados no Sudeste têm acesso à Internet, os números caem para cerca de 70% no Norte e no Nordeste, com situação mais grave nas áreas rurais. O Brasil enfrenta também um déficit preocupante de letramento digital. Segundo levantamento feito pela ANATEL em 2024, apenas 30% da população brasileira possui habilidades digitais básicas, e menos de 20% atinge um nível intermediário de proficiência em letramento digital. A carência tecnológica forma uma barreira à inserção dessa população no mercado de trabalho e no sistema educacional, além de reforçar a exclusão social. Um ponto preocupante também é que a falta de letramento digital aumenta a vulnerabilidade à desinformação e a fraudes. Em um país marcado por desigualdades históricas, a exclusão digital se soma a outras formas de marginalização. Com base nas ideias veiculadas no texto CB1A1, julgue os itens que se seguem.\n\n\n\nJulgue os itens seguintes, relativos ao vocabulário e a outros aspectos linguísticos do texto CB1A1.","Texto CB1A1 Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente. Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas. Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca. O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada. Com base nas ideias do texto CB1A1, julgue os itens que se seguem.\n\n\n\nJulgue os itens a seguir, referentes a aspectos linguísticos e ao vocabulário do texto CB1A1.","menos que seja explicitamente informado o contrário, considere que todos os programas mencionados estão em configuração-equipamentos mencionados. Considerando a informação como um conceito que coexiste com a comunicação, conseguimos visualizá-la em dois sentidos. O primeiro, estritamente técnico ou tecnológico, diz respeito à informação como quantidade mensurável (dados); o segundo sentido é qualitativo e vinculado ao papel da informação como controle e redundância nos sistemas de comunicação. Aqui, a informação está relacionada à organização, na estrutura e na regulação dentro de sistemas; trata-se da informação como um meio de organizar e estabilizar sistemas, de maneira que a repetição (redundância) assegure a integridade da informação na comunicação. Dito isto, vale destacar o que se tem consolidado ao longo das últimas décadas como tecnologias da informação e da comunicação, em que a captura, a “mineração” e o processamento de dados condensam os fluxos da experiência humana, transformados em capital informativo e vendidos diuturnamente nas e pelas estruturas tecnológicas plataformizadas que abduzem nossa atenção. Nesse percurso, comunicação e informação caminham juntas e compõem o sistema central das tecnologias que, a partir das plataformas, interagem com a humanidade e que são denominadas de “inteligência” artificial primitiva ou generativa. Para muitos, tais tecnologias situam-se em um estágio pós-humano ou anti-humano. A respeito dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1 Entre as décadas de 1890 e 1930, período caracterizado pelo processo de modernização das grandes cidades, observou-se uma das maiores transformações técnicas nas habitações: a sua articulação aos sistemas de infraestrutura urbana. Com a chegada dos serviços de abastecimento de energia e saneamento no interior da moradia, surgiu a necessidade de espaços e práticas específicas para o funcionamento da nova aparelhagem, o que implicava a reorganização dos ambientes e da vida doméstica. Um dos grandes feitos da tecnologia das canalizações foi concentrar e organizar os fluxos de água pura e servida, antes dispersos pelo espaço da cidade, e estabelecer, assim, maior controle sobre a captação e o descarte da água. Simultaneamente à oferta da infraestrutura sanitária, existia uma série de ações deliberadas para a extinção do uso compartilhado e gratuito da água, como a destruição dos chafarizes, para forçar a conexão das residências às redes urbanas, e a proibição do uso dos rios e córregos para banho, lavagem de roupa ou despejo de dejetos. Além dos riscos que ofereciam à saúde pública, essas práticas, comuns até então, passaram a ser consideradas como expressão do atraso civilizacional das grandes cidades do país, obstáculos em seu processo de modernização. Nesse sentido, o cerceamento de determinadas práticas no espaço público respondia ao enquadramento de ordem do sistema de higiene, pelo qual se promovia a casa como lugar privilegiado do domínio sobre o consumo da água e de eliminação dos dejetos. Trata-se do processo que François Béguin, engenheiro de materiais e ex-líder do Grupo de Energia e Meio Ambiente, na França, denomina de “domesticação da circulação dos fluidos”, em referência ao pioneiro sistema urbano de redes nas cidades industriais inglesas do século XIX. Béguin mostra que, embora não tenham sido desenvolvidos para as habitações residenciais, o aparelhamento técnico e as atividades de captação de água, lavagem de roupa, banhos, despejo de água servida etc. passaram a ter lugar nos espaços domésticos. A configuração arquitetônica foi transformada com a instalação de dispositivos e equipamentos, bem como com a formulação de ambientes especiais, como os banheiros. Julgue os itens seguintes, relativos às ideias do texto CG1A1.\n\n\n\nJulgue os itens que se seguem, com base na estruturação linguística do texto CG1A1 e no vocabulário nele empregado.","Novos dados da União Interparlamentar (UIP) e da ONU Mulheres revelam um progresso limitado no alcance da igualdade de gênero na liderança política. A edição de 2025 do mapa Mulheres na política mostra que os homens continuam a superar as mulheres em mais de três vezes nas posições executivas e legislativas em todo o mundo. Globalmente, a presença feminina nos parlamentos subiu apenas 0,3%, alcançando 27,2% em relação ao ano anterior. Já nos ministérios, houve queda de 0,4%. Segundo Sima Bahous, diretora executiva da ONU Mulheres, o progresso não só é lento como há retrocesso em várias partes do mundo. “Trinta anos após a Declaração de Pequim, a promessa de igualdade de gênero na liderança política permanece não cumprida. Não podemos aceitar um mundo onde metade da população seja sistematicamente excluída da tomada de decisões”, frisou. Bahous também lembrou que cotas, reformas eleitorais e vontade política são soluções para desmantelar barreiras sistêmicas. “O tempo das medidas paliativas acabou. É hora de os governos agirem para assegurar que as mulheres tenham um assento igual em todas as mesas onde o poder é exercido”, destacou. A presidente da UIP, Tulia Ackson, classificou o ritmo de avanço como “glacial” e ressaltou a urgência de medidas concretas para garantir representação igualitária. O secretário-geral da UIP, Martin Chungong, defendeu o engajamento ativo de homens como parte da solução. Ainda, o mapa de 2025 mostra que, enquanto as mulheres lideram importantes pastas ligadas a direitos humanos, igualdade de gênero e proteção social, os homens dominam áreas como relações exteriores, orçamento e defesa. Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os seguintes itens.","Texto CG1A1 Em um mundo que corre contra o relógio para descarbonizar a economia e conter o avanço das mudanças climáticas, medir e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) das atividades diretas dos negócios está longe de ser suficiente. Na maioria dos setores, é na cadeia de valor que acontece a maior parte das emissões, ou seja, fora do “muro” das fábricas, dos escritórios e de outros negócios. Isso inclui as operações dos fornecedores, até mesmo os pequenos, e o modo como os clientes usam um produto ou serviço. Fazer o diagnóstico da pegada de carbono de toda a cadeia e agir para reduzi-la está na ordem do dia. Não só porque é a coisa certa a se fazer, mas porque o mundo caminha para exigir das empresas que se responsabilizem pelo que acontece em sua cadeia de valor. O Acordo de Paris e outras iniciativas internacionais reforçaram o compromisso de países e empresas de reduzirem suas emissões para limitar o aquecimento global a uma temperatura de 1,5 °C a 2 °C acima dos níveis pré-industriais até 2100. Além disso, muitos países estão introduzindo regulamentações e padrões de sustentabilidade que exigem uma abordagem mais abrangente para medir emissões de carbono. A União Europeia (UE), por exemplo, estabeleceu uma série de metas e compromissos de redução de emissões para seus Estados-membros. Um dos objetivos é a redução das suas emissões de GEE em pelo menos 40% até 2030, em comparação com os níveis de 1990. Além disso, o impacto ambiental das marcas é cada vez mais considerado pelos consumidores ao redor do mundo. A pesquisa Future Consumer Index, da consultoria Ernest&Young, realizada com 21.000 entrevistados de 27 países, evidencia essa percepção. Entre os brasileiros, por exemplo, 73% se declararam profundamente preocupados com a fragilidade do planeta. A falta de informação, transparência e padronização, no entanto, também continua sendo um desafio mencionado pelos consumidores, que ainda não enxergam o impacto das escolhas que fazem para o meio ambiente quando compram um produto. Dessa forma, a pegada de carbono de um produto torna-se um fator relevante de atenção da indústria. Além da preocupação ambiental e regulatória, esse tema se tornou uma questão de mercado. Entender como as emissões de GEE ganharam destaque na mesa de discussões de presidentes e diretores-executivos é importante para compreender como o tema foi ganhando força nas últimas décadas. De acordo com as ideias veiculadas no texto CG1A1, julgue os itens que se seguem.\n\n\n\nA respeito de aspectos linguísticos do texto CG1A1 e do vocabulário nele empregado, julgue os próximos itens.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Texto CB2A1 Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento — mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante, me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um locaute, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que, obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido, conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E, enquanto tomo café, vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento, ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando: — Não é ninguém, é o padeiro! Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo? “Então você não é ninguém?” Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém... Ele me contou isso sem mágoa nenhuma e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina — e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno. Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque, no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou um artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!” E assobiava pelas escadas. Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto CB2A1, julgue os itens que se seguem.","diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Seja qual for o caminho que nos faça regressar ao princípio, sempre chegaremos à mesma conclusão: que o pacto social estabelece entre os cidadãos uma tal igualdade que todos ficam obrigados às mesmas condições e todos devem gozar dos mesmos direitos. E assim, pela natureza do pacto, todo ato de soberania, isto é, todo autêntico ato de uma vontade geral, obriga ou favorece igualmente todos os cidadãos; de tal modo que o soberano apenas conhece a nação e não distingue ninguém entre aqueles que a compõem. O que é isto, senão um ato de soberania? Não é um acordo entre o superior e o inferior, mas um pacto entre o todo e cada um dos seus membros: pacto legítimo, pois tem por base o contrato social; equitativo, por ser comum a todos; útil, porque só pode ter como finalidade o bem geral; e sólido, uma vez que tem por garantia a força pública e o poder supremo. Julgue os itens a seguir, referentes a aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado.","Quando se fala que o surgimento da escrita não foi apenas a aquisição de mais um modo de expressão, mas também uma revolução, é porque ela mudou toda uma forma de organizar os pensamentos. Na cultura oral, a memória é que determina o conhecimento, portanto só sabemos o que podemos recordar, como pontuou o filósofo e historiador cultural Walter Ong. Dessa forma, o pensamento foi moldado a partir da repetição oral, dos padrões rítmicos ou de alguma forma mnemônica, e de um ritmo mais lento na evolução dos acontecimentos. Quando o suporte sai do corpo da pessoa e vai para a argila, a cerâmica, a pedra, mais tarde para o pergaminho e o papel — suportes que criam a possibilidade de a pessoa retomar a leitura para relembrar ou refletir sobre um acontecimento —, a própria elaboração do pensamento e a transmissão do conhecimento são afetadas. Para além disso, sendo a leitura em suporte escrito uma atividade individualizada, solitária na maioria das vezes, ela modifica a relação de comunicação que se tinha antes na cultura oral, na qual há unidade entre quem fala e quem ouve. O resultado disso teria sido tão impactante que Ong classifica a escrita como uma tecnologia ainda mais extrema que a impressão e os computadores, por exemplo. “A escrita, a impressão e os computadores são todos meios de tecnologizar a palavra. A escrita é, de certo modo, a mais drástica das três tecnologias. Ela iniciou o que a impressão e os computadores apenas continuam, a redução do som dinâmico a um espaço mudo, o afastamento da palavra em relação ao presente vivo, único lugar em que as palavras faladas podem existir. Ao contrário da linguagem natural, oral, a escrita é inteiramente artificial”, escreveu ele. Julgue os itens seguintes, relativos aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto precedente.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Sentimos a dor, mas não a ausência da dor; sentimos a inquietação, mas não a ausência da inquietação; o temor, mas não a segurança. Sentimos o desejo e o anelo, como sentimos a fome e a sede; mas, uma vez satisfeitos, tudo acaba, assim como o bocado que, uma vez engolido, deixa de existir para a nossa sensação. Enquanto possuímos os três maiores bens da vida, saúde, mocidade e liberdade, não temos consciência deles, e só os apreciamos depois de os havermos perdido, porque esses também são bens negativos. Só notamos os dias felizes da nossa vida passada depois de darem lugar aos dias de tristeza. À medida que os nossos prazeres aumentam, tornam-nos cada vez mais insensíveis; o hábito já não é um prazer. Por isso mesmo, a nossa faculdade de sofrer é mais viva; todo hábito suprimido causa um sentimento doloroso. As horas correm tanto mais rápidas quanto mais agradáveis são, tanto mais demoradas quanto mais tristes, porque o gozo não é positivo, diferentemente da dor, cuja presença se faz sentir. O aborrecimento dá-nos a noção do tempo; a distração tira-a. Não se poderia absolutamente imaginar uma grande e viva alegria se esta não sucedesse a uma grande miséria, porque nada há que possa atingir um estado de alegria serena e durável; o mais que se consegue fazer é distrair, satisfazer a vaidade. É por este motivo que todos os poetas são obrigados a colocar os seus heróis em situações cheias de ansiedades e de tormentos, a fim de os livrarem delas: drama e poesia épica só nos mostram homens que lutam, que sofrem mil torturas, e cada romance oferece-nos em espetáculo os espasmos e as convulsões do pobre coração humano. Voltaire, o feliz Voltaire, que tão favorecido foi pela natureza, pensa como eu, quando diz: “A felicidade não passa de um sonho; só a dor é real”. E acrescenta: “Há oitenta anos que o experimento; não sei fazer outra coisa senão resignar-me e dizer a mim mesmo que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas, e os homens, para serem devorados pelos pesares”. Julgue os itens a seguir, referentes às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. A noção de igualdade, à luz da hermenêutica negra, deve levar em consideração as particularidades e desigualdades que a categoria raça carrega, porque, sendo o racismo estrutural e estruturante, a ideia de como a raça afeta as vidas daqueles que interpretam a norma e também daqueles que são afetados por ela se distingue entre os grupos sociais. As pessoas não possuem a mesma experiência social, a depender do seu lugar social, razão pela qual podem interpretar o direito exclusivamente a partir de sua lógica interna. Com base na perspectiva da igualdade como princípio e projeto constitucional, a obra propositadamente intitulada Pensando como um negro: ensaio de hermenêutica jurídica fornece substratos para um raciocínio crítico antirracista na interpretação das normas e aplicação nas relações jurídicas, centralizando a questão a ser discutida e decidida a partir da visão do negro como elemento atuante no caso concreto, na condição de agente ou paciente. A hermenêutica negra, assim, preenche lacuna de interpretação, visto a mesma fonte poder ser interpretada pela ótica do dominante e do dominado, competindo ao Poder Judiciário equilibrar a aplicação da norma positivada na busca da concretização de uma solução justa. Julgue os itens subsequentes, em relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Texto CG1A1 Duas ideias recentes que considerei fantásticas fizeram-me refletir sobre o conceito de sustentabilidade. A primeira foi de uma entrevista com Don Tapscott, um dos mais respeitados estudiosos do impacto das tecnologias nas empresas e na sociedade, autor e coautor de 14 livros. Na entrevista, ele afirma que a Internet não muda o que aprendemos, mas o modo como aprendemos — e o impacto dessa revolução terá a mesma intensidade que a invenção dos tipos móveis de Gutenberg: “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada”. A segunda ideia é da empresária americana Lisa Ganski, fundadora de várias empresas na Internet. Em sua ousada teoria, ela defende que o futuro dos negócios é o compartilhamento de produtos e serviços. Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas, vão apenas ter acesso a elas. Para que comprar um carro, gastar com seguro e manutenção se você pode alugar o do vizinho? Para que investir em roupas caras para o seu bebê (que espicha rápido) se você pode trocar peças com mamães de filhos já grandinhos? Lisa aposta que, com a ajuda das mídias sociais e da tecnologia, pessoas, serviços e empresas vão encontrar-se com mais facilidade para trocar ou compartilhar. A ideia do consumo compartilhado dirige-se aos bens de consumo de maior ociosidade. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, a média de utilização de um automóvel é de 8%. Os 92% restantes são de ociosidade nos estacionamentos. Então, por que não alugar o carro em vez de comprar? Ganski sugere que sejam, cada vez mais, criados sistemas de locação para alguns bens de consumo de maior ociosidade. Na produção compartilhada, além da redução dos custos de produção por menores encargos trabalhistas, maior eficiência da mão de obra e menor consumo de energia, há em tese uma redução dos impactos ambientais pela redução de resíduos e dispersão destes em áreas distantes umas das outras. Logicamente há também uma maior geração de empregos e melhor distribuição de renda. Segundo esses pensadores, esta pode ser uma nova opção para o empresariado e para a sociedade segundo o moderno conceito de sustentabilidade. O meio ambiente agradece. Em relação ao texto CG1A1, aos seus sentidos e à organização de suas ideias, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1 Observando os mineiros trabalharem, você percebe, por um breve instante, como são diferentes os universos habitados por diferentes pessoas. Os subterrâneos onde se escava o carvão são uma espécie de mundo à parte, e é fácil viver toda uma vida sem jamais ouvir falar dele. É provável que a maioria das pessoas até prefira não ouvir falar dele. E, contudo, esse mundo é a contraparte indispensável do nosso mundo da superfície. Praticamente tudo que fazemos, desde tomar um sorvete até atravessar o Atlântico, desde assar um filão de pão até escrever um romance, envolve usar carvão, direta ou indiretamente. Para todas as artes da paz, o carvão é necessário; e, se a guerra irrompe, é ainda mais necessário. Em épocas de revolução, o mineiro precisa continuar trabalhando, do contrário a revolução tem que parar, pois o carvão é essencial tanto para a revolta como para a reação. Seja lá o que for que aconteça na superfície, as pás e picaretas têm que continuar escavando sem trégua — ou fazendo uma pausa de algumas semanas, no máximo. Porém, de modo geral, não temos consciência disso; todos sabemos que “precisamos de carvão”, mas raramente, ou nunca, nos lembramos de tudo o que está envolvido no processo para se obter carvão. Aqui estou eu escrevendo, sentado diante da minha confortável lareira a carvão. De quinze em quinze dias, a carroça de carvão para na porta e uns homens de blusão de couro trazem o carvão para dentro de casa em sacos robustos, cheirando a piche, e o despejam no depósito de carvão embaixo da escada. É só muito raramente, quando faço um esforço mental bem definido, que estabeleço a conexão entre esse carvão e o penoso trabalho realizado lá longe, nas minas. É apenas “carvão”, algo que eu preciso ter, uma coisa escura que chega misteriosamente, vinda de nenhum lugar em especial, como o maná, só que devemos pagar por ele. Seria fácil atravessar de carro todo o norte da Inglaterra sem lembrar, nem uma só vez, que, dezenas de metros abaixo da estrada, os mineiros estão atacando o carvão com suas picaretas. E, contudo, são eles que estão fazendo seu carro andar. O mundo deles lá embaixo, iluminado por suas lâmpadas, é tão necessário para o mundo da superfície, da luz do dia, como a raiz é necessária para a flor. Em relação às ideias do texto CG1A1, julgue os itens que se seguem.\n\n\n\nJulgue os itens subsequentes, relativos a aspectos linguísticos do texto CG1A1.","Texto CG3A1 A crise durou minutos. Fiquei encolhido, trêmulo, com a testa gelada, o corpo retesado, os músculos das costas contraídos e a boca cerrada para não bater os dentes, à espera do calor que as cobertas não traziam. O termômetro marcou 40,2 graus. Os calafrios eram o prenúncio de uma doença que por pouco não me levou desta para outra melhor, como diria minha avó. Tomei um comprimido de dipirona e dormi novamente. Às sete, levantei indisposto, com o corpo moído e as pernas combalidas, para ir a uma reunião na faculdade de medicina. Foi uma luta para não pegar no sono no meio da discussão. No jardim da faculdade, a caminho da rua, achei prudente voltar para casa. Um pouco de repouso me deixaria em condições de ir à penitenciária do estado depois do almoço, para o atendimento aos presos, atividade iniciada nesse presídio após a implosão do Carandiru. Apesar da intenção, não consegui sair. Passei a tarde qual cachorro decrépito, caindo em cima do computador enquanto tentava escrever minha coluna de jornal. Afora a falta de energia, no entanto, nenhum sintoma de gripe, resfriado ou outra enfermidade. À noitinha a febre retornou alta, acompanhada dos mesmos calafrios e de dor nas costas. Tentei fazer o que muitas vezes aconselhei a meus pacientes nessas crises: respirar fundo e relaxar. Não sei onde aprendi recomendação tão inútil para quem não é monge budista nem vive nas montanhas do Tibete. Relaxar, com o corpo tremendo feito vara verde? Na febre alta, as toxinas cravam as garras nos músculos e entorpecem o cérebro. O pensamento fica fragmentado, fugidio, em estado de introspecção. A astenia deixa o corpo avesso aos mínimos esforços. Com base nas ideias veiculadas no texto CG3A1, julgue os seguintes itens.\n\n\n\nJulgue os itens subsequentes, acerca da significação de palavras empregadas no texto CG3A1.","menos que seja explicitamente informado o contrário, diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Dinheiro traz felicidade? Engana-se quem pensa que esta é só uma pergunta filosófica de boteco. Muito pelo contrário: quem se debruça para valer sobre a questão são vencedores do Nobel de Economia, o psicólogo israelense Daniel Kahneman e o economista americano Argus Deaton. Kahneman é considerado um dos fundadores da economia comportamental, uma área que se apoia na psicologia para entender quais fatores afetam as decisões financeiras de alguém. Foi por integrar conhecimentos da psicologia à economia que ele recebeu o prêmio da Academia Real de Ciências da Suécia, em 2002. Oito anos depois, Kahneman se juntou a Argus — que receberia o Nobel de Economia em 2015 por seus trabalhos sobre consumo, pobreza e bem-estar social — para tentar responder à grande questão. Eles publicaram um estudo que correlaciona o nível de renda de mil americanos com seu grau de satisfação pessoal e bem-estar emocional, segundo respostas fornecidas em um questionário entre 2008 e 2009. Eles chegaram à seguinte conclusão: quanto mais dinheiro alguém ganha, mais feliz e satisfeita essa pessoa se sente. Só que essa correlação não é tão evidente na faixa de pessoas que ganham entre 60 e 90 mil dólares por ano (entre R$ 5 e 7,5 mil mensais). E, entre aqueles que recebiam valores maiores que estes, mais dinheiro já não significava mais felicidade. O estudo foi amplamente divulgado na época. Mas ele também foi rebatido por Matthew Killingsworth, um pesquisador da Universidade da Pensilvânia que coleta dados sobre felicidade. Ele publicou uma pesquisa, em 2021, sugerindo que a felicidade média aumenta consistentemente com a renda. E então, qual seria a conclusão correta? Para resolver o impasse, Kahneman juntou-se a Killingsworth e Barbara Mellers, também da Universidade da Pensilvânia. Os pesquisadores reanalisaram os dados coletados nos Estados Unidos da América em 2010 e 2021 para entender onde cada estudo deixou a desejar. E assim chegaram a uma conclusão mais sutil: de que pessoas felizes se sentem ainda melhores conforme ganham mais dinheiro; por outro lado, entre pessoas infelizes, o bem-estar para de aumentar quando certo nível de renda é alcançado. No que se refere às características discursivas e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, bem como às ideias nele veiculadas, julgue os itens a seguir.","Um balanço feito pelo Instituto Sou da Paz e pelo INSPER mostrou que, em 2021, o Distrito Federal registrou a menor taxa de homicídios dos últimos 45 anos, mesmo com o aumento da população. Em Alagoas, os indicadores do mesmo crime caíram 14,8%. De acordo com o Segundo Balanço das Políticas de Gestão para Resultados na Segurança Pública, em São Paulo reduziu-se em 49% o roubo de veículos entre 2014 e 2021. O documento evidencia iniciativas estaduais que representam boas práticas na área de segurança pública. Segundo a diretora executiva do Instituto Sou da Paz, a pesquisa encontrou 11 estados com programas de gestão de resultado. O destaque é o Espírito Santo, que tem uma ação mais longeva e consegue manter um programa central que envolve as polícias com resultados importantes na redução dos homicídios. “São programas que, embora não sejam uma panaceia, conseguem contribuir muito para a integração das polícias, dão uma ferramenta para o secretário de segurança coordenar, dão uma visão de longo prazo para a segurança pública nos estados, o que não é algo trivial”, disse a diretora. “O estabelecimento de diretrizes baseadas em evidências é essencial para a promoção de melhorias na segurança pública dos estados brasileiros”, afirmou um professor do Centro de Gestão e Políticas Públicas do INSPER. Ele acrescentou que o balanço apresentado pelo instituto e pelo Sou da Paz buscou analisar o que funciona para a área, quais estados alcançaram sucesso nos últimos anos e como os gestores podem orientar propostas para conseguir os melhores resultados possíveis. Em relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens a seguir.","Texto CG4A1 Globalmente, as mulheres representam de 8% a 17% da força de trabalho na mineração. O Brasil está na ponta positiva do espectro, com representação média feminina de 17% — ainda que os números sejam mais baixos que os do setor industrial brasileiro em geral, em que esse percentual fica em torno de 25%. Na alta liderança, as mulheres representam 20% dos cargos de chefia e 21% dos conselhos administrativos na mineração. De acordo com uma pesquisa global da McKinsey, além de colocar em prática valores de igualdade e equidade, a diversidade melhora o desempenho operacional. Equipes diversas são mais produtivas, aderindo 11% mais ao cronograma de produção; têm práticas mais seguras, com uma frequência de acidentes 67% menor; e são mais criativas e resilientes. Signatária dos Princípios de Empoderamento da Mulher da ONU, uma mineradora global criou, em 2018, um programa de trainee 100% feminino e, no ano seguinte, realizou seu primeiro processo seletivo exclusivo para mulheres engenheiras, analistas e gestoras. A medida tem impulsionado o índice de participação feminina da empresa, que passou de 13% para 22% entre 2019 e 2022. Há, ainda, um obstáculo anterior, como aponta uma gerente de governança do setor: “A mineração tem muitos cargos em ciências exatas, mas não encontramos muitas universitárias nesses cursos”. De fato, se, por um lado, as brasileiras têm maior grau de escolaridade do que os homens, por outro, elas são minoria nos cursos de STEM (ciências, tecnologia, engenharias e matemática): 10% das universitárias e 28% de homens universitários estão matriculados em graduações nessas áreas. A fim de vencer esse obstáculo, mineradoras globais passaram a oferecer, em parceria com universidades, bolsas de estudos para mulheres nas áreas de engenharia e ciências exatas. Julgue os itens que se seguem, referentes às ideias do texto CG4A1.\n\n\n\nJulgue os itens seguintes, acerca de aspectos linguísticos e do vocabulário empregado no texto CG4A1.","Texto CG5A1 Tudo está interconectado. Na Amazônia, que abrange uma área comparável à dos 48 estados contíguos aos Estados Unidos da América, nenhum detalhe é por acaso. Portanto, não se trata da necessidade de focar uma área específica ou certas espécies. Os ciclos naturais alterados causam a oscilação de um delicado equilíbrio, que afeta os níveis local, regional e até global e que se aproxima cada vez mais de um ponto de não retorno. No cenário atual, isso significa menos de 20 anos. A floresta amazônica produz pelo menos metade de sua própria chuva. Quando chove, as raízes das árvores e demais plantas absorvem a água, que satura a superfície das folhas. Depois, há o processo de evapotranspiração: as árvores transpiram umidade, ou seja, a água que caiu como chuva retorna à atmosfera. Até que chove novamente, e todo o ciclo se reinicia. Esse “rio gigante no céu” fornece água (em forma de chuva) para os países andinos e também ao Uruguai, ao Paraguai, ao centro e ao sul do Brasil e ao norte da Argentina. Em suma, influencia uma região que gera 70% do PIB da América do Sul, de acordo com a The Nature Conservancy, organização não governamental que trabalha em escala global para a conservação do meio ambiente. No entanto, esses padrões de chuva estão ameaçados, tanto na América do Sul quanto na América do Norte. Da mesma forma, flora e fauna estão em perigo. É importante lembrar que a Amazônia é o lar de 10% da biodiversidade mundial. E aqui também temos um ciclo: quando as árvores são cortadas, muitos predadores desaparecem, e o comportamento de pássaros e insetos polinizadores é alterado. Assim, há menos plantas, menos chuva, mais emissões de carbono, mais secas, menos água, desequilíbrio e ameaças à nossa saúde e qualidade de vida. Tudo está conectado. Para toda ação há uma reação. De acordo com as ideias veiculadas no texto CG5A1, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nJulgue os itens que se seguem, relativos ao vocabulário e à estrutura linguística do texto CG5A1.","Julgue os seguintes itens, relativos aos aspectos linguísticos do texto CG2A1.","O setor público enfrenta o desafio particular de oferecer serviços públicos cada vez melhores a uma população gradualmente mais bem informada, mais consciente de seus direitos e com expectativas crescentes quanto ao papel do Estado. Devido aos recursos limitados, desenvolver serviços públicos inovadores tem sido visto crescentemente como fator fundamental para sustentar um alto nível de serviços para cidadãos e negócios, bem como para enfrentar desafios sociais e aprimorar o bem-estar social da população. Diante desse cenário, o discurso científico sobre inovação em compras públicas ganhou maior atenção nas últimas décadas. A União Europeia reconheceu as compras públicas como instrumento de inovação e de provimento de mercados pioneiros para novos produtos, definindo-as como compras de bens e serviços que ainda não existem, que precisam ser aperfeiçoados ou que requerem pesquisa e inovação para atender às necessidades especificadas pelos usuários. As compras públicas representam grande parte da execução da despesa pública. Entre países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a média de gastos públicos representa 12% do GDP (equivalente ao PIB) por ano. No Brasil, anualmente o governo federal gasta, em média, 5% do PIB em compras apenas de bens e serviços. Quando se incluem nos cálculos as despesas efetuadas por estados, municípios e estatais, o percentual chega próximo a 15% do PIB, ou R$ 900 bilhões. Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens que se seguem.","Texto CG1A1-I Investir em educação na primeira infância representa, além de vantagens para o desenvolvimento individual, retorno social e econômico. O economista norte-americano James Heckman, um dos ganhadores do prêmio Nobel na área econômica no ano 2000, conduziu pesquisa que acompanhou, ao longo do tempo, várias crianças com e sem acesso a ensino de qualidade. O objetivo era conferir os impactos da educação no curto, no médio e no longo prazo. “Os resultados desse trabalho mostram que cada dólar investido traz um retorno social de sete dólares”, aponta Karina Fasson, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, organização da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira infância. Ela afirma que “as ações educativas voltadas para o começo da vida têm o poder de minimizar a carga que as demais políticas públicas carregam”. Isso quer dizer que investir em educação na primeira infância é uma estratégia eficaz para reduzir os custos sociais no futuro. Segundo Fasson, quando se pensa em políticas públicas, o retorno é mais significativo na fase pré-escolar que em qualquer outra etapa da vida. “No longo prazo, quem é mais estimulado tem maior aprendizado e maior progressão escolar, e isso tem reflexos na inserção no mercado de trabalho e nos salários, além de favorecer menor envolvimento em situações de vulnerabilidade, como a criminalidade e o uso de drogas, e tem consequências também na saúde das pessoas”, ressalta. Tudo isso, a especialista afirma, não só tem efeito na trajetória educacional, mas também repercute ao longo da vida do indivíduo e impacta a sociedade como um todo. Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nA respeito do vocabulário e da estrutura linguística do texto CG1A1-I, julgue os itens que se seguem.","Texto CG1A1-I A expressão “inteligência artificial” é muito popular, tanto na literatura técnica quanto no imaginário popular. A sociedade se espanta com os prometidos ganhos em bem-estar e produtividade e se apavora com perspectivas apocalípticas relacionadas à inteligência artificial. Em muitos casos, o que se observa é a confusão entre inteligência artificial e toda e qualquer atividade que envolve aparelhos digitais. Muitas inovações recentes creditadas à inteligência artificial decorrem simplesmente da automatização de tarefas cotidianas ou do uso de tecnologias dominadas há algum tempo. É preciso filtrar um pouco os excessos e procurar se ater aos pontos que caracterizam mais fortemente as inteligências artificiais, mesmo que tenhamos uma definição vaga de inteligência artificial. Um agente inteligente, de forma geral, deve ser capaz de representar conhecimento e incerteza; de raciocinar; de tomar decisões; de aprender com experiências e instruções; de se comunicar e interagir com pares e com o mundo. Embora alguém possa imaginar cérebros biológicos artificiais, hoje toda a ação em inteligência artificial está centrada em computadores digitais construídos a partir de silício. Com base nas ideias do texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nJulgue os itens que se seguem, em relação a estruturas linguísticas do texto CG1A1-I.","Texto CG1A1 Em Tratado de medicina legal, Agostinho José de Souza Lima define a perícia médica como toda sindicância promovida por autoridade policial ou judiciária acompanhada de exame e cujos peritos, dada a natureza do exame, são ou devem ser médicos. Disso decorre que o perito médico é a pessoa entendida e experimentada em temas de medicina que, designada pela autoridade competente, deverá esclarecer um fato de natureza médica mais ou menos duradouro. A perícia médico-legal surgiu da necessidade de solução para casos concretos. A princípio, havia apenas alguns vestígios de perícia médica nas legislações primitivas; depois, os indícios da prática ficaram mais evidentes, principalmente na Idade Média, até a atividade definir-se e concretizar-se na Renascença, com a sua instituição oficial no Código Carolino, em 1532. A perícia médico-legal já era tarefa do Estado desde o tempo dos egípcios, conforme consta dos papiros da época. Embora a medicina egípcia estivesse impregnada de magia e divindade, e empregasse, na cura das doenças, os encantamentos, os amuletos e o exorcismo, alguns historiadores veem indícios de perícia no Antigo Egito. Os sacerdotes médicos verificavam, por exemplo, se a morte fora violenta ou natural; a prática do embalsamento exigia a mesma verificação. As leis de Menés, o mais antigo faraó da história, mandavam adiar o castigo das mulheres grávidas, excluindo-as das penas aflitivas, o que implicava a intervenção do perito para o diagnóstico da gravidez. O Código de Hamurabi, uma compilação de leis sumerianas, previa penas severas para os casos de erro médico, o que subtendia a prova do erro. A legislação hebraica, superior às precedentes — porque exigia duas testemunhas para a condenação do suspeito, a responsabilidade das testemunhas e do juiz, a garantia dos tribunais, a publicidade dos debates, a igualdade perante a lei e a ausência de meios de tortura —, mostrava o sentimento de justiça unido à rigidez do dogma religioso. Segundo essa legislação, os conhecimentos médicos deveriam ser aplicados pelo sacerdote, que também exercia a função de médico. Julgue os itens que se seguem, com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1.\n\n\n\nA respeito da estrutura linguística e do vocabulário empregados no texto CG1A1, julgue os próximos itens.","Julgue os itens que se seguem, referentes ao vocabulário e à estrutura linguística do texto CG4A1.","Texto CG2A1 Foi em 1975 que a Organização das Nações Unidas (ONU) começou a celebrar o dia 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres, na busca por evidenciar a discussão sobre a importância da igualdade de gênero, do combate à violência e da garantia dos direitos de meninas e mulheres. Mas a celebração tem suas origens no começo do século XX, em manifestações ligadas aos direitos das mulheres trabalhadoras. A data passou a ser definitivamente estabelecida a partir do dia 8 de março de 1917, com a realização de uma manifestação de operárias por pão e paz, na atual cidade de São Petersburgo, na Rússia. Nove anos antes, em 8 de março de 1908, já havia ocorrido um encontro massivo em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América (EUA), em defesa do sufrágio universal, com a presença de um comitê feminino local para apoiar o voto das mulheres. No Brasil, as mulheres só passaram a exercer o direito ao voto em 1932. As casadas, porém, só o puderam fazer em 1934, e até 1962 elas só podiam trabalhar fora se o marido anuísse. Atualmente, a presença das mulheres na educação brasileira é forte. Hoje, as meninas apresentam, inclusive, maior sucesso na trajetória escolar. Entre a população adulta com mais de 25 anos de idade, 49,5% das mulheres e 45% dos homens concluíram o ensino médio, de acordo com dados da PNAD Contínua 2018. No ensino superior, elas compõem 55% das matrículas de graduação. Na docência, esse fato se repete: elas também são maioria. Ainda assim, nem tudo é um mar de rosas. Conforme as mulheres vão progredindo na carreira acadêmica, por exemplo, esse cenário muda. No Brasil, apenas um em cada quatro pesquisadores seniores são mulheres. A maternidade e a desigualdade na divisão das tarefas domésticas são alguns dos fatores que dificultam o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal das mulheres — mas não dos homens. Julgue os itens que se seguem, com base nas ideias veiculadas no texto CG2A1.\n\n\n\nJulgue os itens que se seguem, relativos a aspectos linguísticos do texto CG2A1.","Atualmente, a mulher madura enfrenta enormes desafios. Um deles é a carreira. Hoje, no Brasil, há mais de 55 milhões de pessoas com 50 anos ou mais de idade, dos quais a maioria são mulheres. Nessa fase da vida, boa parte das pessoas enfrenta dificuldade de ingresso — ou reingresso — no mercado de trabalho. A despeito das políticas afirmativas nas empresas para a população mais madura, há uma lacuna crescente entre a necessidade de recolocação e o apetite das organizações para contratar pessoas pertencentes a esse segmento da sociedade. No caso das mulheres, o cenário é ainda mais desafiador, dado que a renda feminina, ao longo da vida profissional, é historicamente menor que a do homem, o que requer da mulher esforço adicional para o equilíbrio orçamentário e resulta em menor capacidade de poupança no longo prazo. No mundo dos investimentos, o cenário é igualmente crítico. Pesquisa da Associação dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), mostra que atualmente 65% das mulheres com mais de 45 anos de idade não têm nenhum investimento financeiro. Quando pensam sobre aposentadoria, 18% delas desejam se aposentar antes dos 60 anos e a metade, entre 60 e 70 anos. Porém, impressiona o fato de 12% delas acreditarem que, com a aposentadoria, os recursos que as sustentarão virão do trabalho ativo. 65% dessas mulheres depositam as esperanças no INSS. Esses números mostram que a independência financeira da mulher madura está longe de ser alcançada. Na equação em que as variáveis tempo e dinheiro são fundamentais, a escassez da primeira vai obrigatoriamente onerar a segunda. Considerando as ideias, a estrutura linguística e o vocabulário do texto precedente, julgue os próximos itens.","Se houvesse um concurso para eleger a cidade brasileira com mais filhos ilustres, a pequena Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, levaria com folga. Entre os 5.570 municípios brasileiros, difícil encontrar outro interiorano (capital é covardia, ora) que tenha gerado tantas figuras notórias para o país. Talvez Sobral, no Ceará, se aproxime em quantidade (terra do cantor Belchior, do humorista Renato Aragão, do artista plástico Zenon Barreto e do cineasta Luiz Carlos Barreto, o “Barretão”). Mas somente a pacata cidade capixaba viu nascer elenco tão sortido do folclore nacional, a ponto de receber de Vinicius de Moraes o epíteto de “capital secreta”. São cachoeirenses: o cantor e compositor Roberto Carlos; o mais importante cronista brasileiro, Rubem Braga; o compositor Sergio Sampaio; a atriz naturista Luz del Fuego; o produtor musical e diretor Carlos Imperial; o ator Jece Valadão (que foi criado lá, apesar de ter nascido no distrito de Muqui); e a atriz Darlene Glória. Também viveram por lá as irmãs Danuza e Nara Leão. Em relação aos sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.","Um cientista empenhado em pesquisa — no campo da física, por exemplo — pode atacar diretamente o problema que enfrenta. Pode penetrar, de imediato, no cerne da questão, isto é, no cerne de uma estrutura organizada. Com efeito, conta sempre com a existência de uma estrutura de doutrinas científicas já existentes e com uma situação-problema que é reconhecida como problema nessa estrutura. Essa é a razão por que pode entregar a outros a tarefa de adequar ao quadro geral do conhecimento científico a sua contribuição. O filósofo vê-se em posição diversa. Ele não se coloca diante de uma estrutura organizada, mas, antes, em face de algo que semelha um amontoado de ruínas (embora, talvez, haja tesouros ocultos). Não lhe é dado apoiar-se no fato de existir uma situação-problema, geralmente reconhecida como tal, pois não existir algo semelhante é possivelmente o fato geralmente reconhecido. Com efeito, tornou-se agora questão frequente, nos círculos filosóficos, saber se a filosofia chegará a colocar um problema genuíno. Apesar de tudo, há quem acredite que a filosofia possa colocar problemas genuínos acerca das coisas e quem, portanto, ainda tenha a esperança de ver esses problemas discutidos, e afastados aqueles monólogos desalentadores que hoje passam por discussão filosófica. Se, por acaso, se julgam incapazes de aceitar qualquer das orientações existentes, tudo o que lhes resta fazer é começar de novo, desde o princípio. Em relação aos sentidos e aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens subsequentes.","A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB4A1, julgue os itens seguintes.","Julgue os itens que se seguem, referentes a aspectos linguísticos do texto CG1A1.","Texto CB1A2 A expressão racismo ambiental foi criada na década de 80 do século passado pelo Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr., em meio a protestos contra o depósito de resíduos tóxicos no condado de Warren, no estado da Carolina do Norte (EUA), onde a maioria da população era negra. De acordo com a pensadora negra brasileira Tania Pacheco, o racismo ambiental é constituído por injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre etnias e populações mais vulneráveis. Não se configura apenas por meio de ações que tenham uma intenção racista, mas, igualmente, por meio de ações que tenham impacto “racial”, não obstante a intenção que lhes tenha dado origem. No Brasil, nas cidades e nos centros urbanos, o racismo ambiental tem um impacto significativo na população que vive em favelas e periferias, onde historicamente a maioria da população é negra. A falta de acesso a serviços básicos, como água potável e saneamento, de estrutura urbana e de condições de moradia digna afeta a saúde e a qualidade de vida dos moradores e agrava ainda mais os impactos das mudanças climáticas, ocasionando enchentes e deslizamentos. Algumas medidas que podem ser tomadas para diminuir o racismo ambiental incluem a criação de políticas públicas que levem em conta as desigualdades sociais e econômicas, a garantia do direito à participação das comunidades afetadas na tomada de decisão, a promoção da educação ambiental e a valorização do conhecimento tradicional das comunidades. Em relação às ideias veiculadas no texto CB1A2, julgue os itens que se seguem.\n\n\n\nA respeito de aspectos linguísticos do texto CB1A2, julgue os próximos itens.","Democracia é uma palavra resultante da composição dos substantivos gregos demos (povo) e kratos (força, superioridade, poder político). Assim, pode-se dizer que democracia é o regime político em que o povo exerce o poder. Entre os gregos, a palavra povo poderia designar tanto os homens adultos livres, residentes e nascidos na cidade-Estado, como a parte menos elevada da população, a classe não nobre da sociedade, que representava sua maioria. Mulheres não eram consideradas cidadãs e não tinham o direito de participar da vida política da cidade-Estado. Para o jurista Friedrich Müller, o povo deve sempre corresponder à totalidade dos atingidos pelas normas. Hoje, em boa parte das sociedades modernas, o conceito de povo abrange todos os adultos integrados na sociedade, independentemente de seu gênero, sua raça, sua cor e seu credo religioso. Nesse contexto, todas e todos têm direito a igual participação na produção das leis e na eleição para cargos públicos. Acerca das ideias veiculadas no texto anterior e de seus aspectos linguísticos, julgue os itens subsequentes.","Texto CG1A1-I O Estado moderno exerce um papel importante na moldagem da distribuição de renda e do bem-estar entre seus cidadãos, moderando as desigualdades geradas pela economia de mercado. Ele busca esses objetivos por intermédio de várias políticas públicas, como o estabelecimento do arcabouço legal do ambiente de negócios, a regulação da concorrência econômica, a provisão de bens e serviços públicos, a promoção de transferências monetárias às famílias de baixa renda e a arrecadação dos tributos necessários a seu financiamento. Entre as principais funções do Estado, sob a ótica das finanças públicas, está a função redistributiva. Essa função está basicamente associada a ajustamentos no perfil da distribuição de renda, uma vez que as alocações de mercado podem levar a uma situação de desigualdade não apoiada pelos anseios gerais da população. Nesse caso, o equilíbrio de mercado pode passar a gerar conflitos e a interferir no funcionamento da própria sociedade. Um importante instrumento à disposição do Estado para exercer sua função distributiva é, naturalmente, o sistema tributário. Por meio dele, o governo pode ajustar a renda dos cidadãos, taxando mais algumas rendas e menos outras, de forma a atingir uma distribuição final mais equitativa. Um sistema tributário progressivo é aquele no qual os impostos aumentam mais que proporcionalmente com o aumento da renda dos contribuintes. O sistema regressivo ocorre quando o pagamento dos impostos aumenta menos que proporcionalmente com a renda dos contribuintes e proporcional (ou neutro) quando os impostos aumentam proporcionalmente com a renda. O sistema de impostos progressivo tende a reduzir a desigualdade de renda entre os cidadãos. No contexto do sistema tributário de qualquer país, o tributo que melhor possibilita a aplicação do princípio da progressividade é o imposto de renda da pessoa física (IRPF). O IRPF brasileiro apresenta elevada progressividade em termos de desvio da proporcionalidade e moderada capacidade redistributiva, em função da baixa representatividade da arrecadação frente à renda bruta total do país. A progressividade do tributo brasileiro advém essencialmente da estrutura de alíquotas, sendo que a estrutura das deduções do rendimento bruto é proporcional e, portanto, neutra em termos de progressividade. Considerando os sentidos do texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1-I Em uma de suas últimas entrevistas, o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) relatou que havia fugido do hospital onde se submetia a tratamento contra um câncer, para terminar o livro que considerava o coroamento de sua obra: O povo brasileiro, publicado em 1995. Na mesma entrevista, reconhecia ser um homem de “muitas peles”: foi etnólogo indigenista, antropólogo, educador, gestor público, político militante e romancista. Entretanto, dizia ter fracassado em sua missão de tornar o Brasil aquilo que “poderia ser”. “Darcy Ribeiro é uma figura fascinante e um dos autores latino-americanos que projetaram mais futuros. Em alguns dos textos, ele parece comentar em voz alta as alternativas, utópicas e distópicas, para o Brasil e a América Latina”, observa o sociólogo Fabrício Pereira da Silva. “Este é um momento excelente para reexaminar suas ideias, suas utopias e seus projetos.” Sua carreira de educador teve início na Escola Brasileira de Administração Pública, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde, durante dois anos, ensinou etnologia brasileira. Na mesma época, participou da fundação do Museu do Índio, em 1953, e, dois anos mais tarde, da criação do primeiro curso de pós-graduação em antropologia cultural no Brasil. Ao deixar o Serviço de Proteção aos Índios, lecionou na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesse período, desenvolveu trabalhos com o pedagogo Anísio Teixeira (1900-1971), uma das principais referências em educação no Brasil e defensor do ensino básico integral. Sua influência perduraria por toda a trajetória de Darcy Ribeiro e se concretizaria no projeto dos centros integrados de educação pública (CIEP), escolas de tempo integral criadas no Rio de Janeiro nos anos 80 do século passado. A crítica ao colonialismo, a análise dos povos latino-americanos e a valorização do ponto de vista indígena fazem da obra de Darcy Ribeiro uma fonte de inspiração para pesquisadores do campo de estudos pós-coloniais e decoloniais, de acordo com Pereira da Silva. “São releituras e apropriações, porque, quando ele publicou, esses termos não eram usados. A tendência ao evolucionismo e ao eurocentrismo de seus primeiros anos deu lugar, no exílio, a uma visão mais diversificada, em que a América Latina aparece como um polo civilizacional”, afirma. Apesar de ter sido reitor, fundador e reformador de universidades, Darcy viveu a maior parte de sua carreira fora de instituições universitárias brasileiras. Entretanto, jamais deixou de refletir sobre seu projeto para o ensino superior. Publicou livros como A universidade necessária e La universidad latinoamericana, em que expôs seu projeto baseado em interdisciplinaridade, investimento em pesquisa científica avançada, compromisso social e participação do corpo discente na tomada de decisões. A respeito das ideias do texto CB1A1-I, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1 Muitas regiões do mundo, inclusive o Brasil, estão vivendo o chamado “paradoxo verde”, expressão cunhada pelo economista alemão Hans-Werner Sinn (2008) para se referir a como políticas climáticas mais restritivas podem exercer pressão crescente sobre os preços de energia e ter efeitos indesejáveis, como incentivar a antecipação da extração e produção de combustíveis fósseis, acelerando, portanto, as mudanças climáticas. Um aspecto crucial é a necessidade de acordos internacionais que mantenham de maneira eficaz e justa grandes quantidades remanescentes de combustíveis fósseis no solo. O estudo recente de Welsby, publicado na revista Nature em 2021, mostra que a produção existente de carvão, petróleo e gás deve ser descontinuada. Mesmo quando governos não controlam diretamente a produção, suas leis, políticas e acordos podem definir, em grande medida, quanto é extraído e produzido. O BOGA (Beyond Oil and Gas Alliance) é um exemplo recente de acordo internacional que pode redefinir o futuro do setor de petróleo e gás (O&G – oil and gas). Emissões evitadas hoje tornam menos arriscada a necessidade de medidas drásticas, ainda não suficientemente desenvolvidas, como projetos de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) e de tecnologias de emissões negativas (NET), comumente citados em anúncios de empresas do setor de O&G. Ademais, quanto mais cedo sofrermos os impactos das mudanças climáticas, mais cedo e por mais tempo teremos impactos físicos que levam a danos sociais e econômicos. Nesse sentido, emissões evitadas hoje valem mais do que emissões evitadas no futuro; mais do que metas de emissão zero em 2050, são necessárias ações imediatas nos próximos anos, para reduzir rapidamente as emissões de gases do efeito estufa. No futuro, grandes nomes da indústria de O&G podem ser conhecidos como aqueles que negligenciaram a ciência e não enfrentaram o desafio da emergência climática quando ainda tinham tempo. Por outro lado, podem aproveitar a já estreita janela de oportunidade para liderar uma nova economia cada vez mais eficiente, interconectada e limpa. Considerando as ideias veiculadas pelo texto CB1A1, julgue os itens a seguir.","Texto CB3A1-I A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que institui a Política Nacional de Linguagem Simples nos órgãos e nas entidades da administração pública direta e indireta. Os objetivos da política incluem possibilitar que as pessoas consigam encontrar, entender e usar facilmente as informações publicadas por órgãos e entidades, reduzir os custos administrativos e o tempo gasto com atividades de atendimento ao cidadão, e facilitar a participação e o controle da gestão pública pela população. O texto aprovado é substitutivo ao Projeto de Lei n.º 6.256/2019. A proposta conceitua linguagem simples como o conjunto de técnicas para transmitir informações de maneira clara e objetiva, como redigir as frases em ordem direta, preferencialmente em voz ativa, usar frases curtas, evitar redundâncias e palavras desnecessárias e estrangeiras, entre outras. Essas técnicas deverão ser observadas na redação de textos destinados ao cidadão. “Em nosso substitutivo, sugerimos mudanças no texto original para que constassem todas as técnicas, e não apenas algumas, referentes à redação em linguagem simples”, explicou o relator. “Também deixamos clara a intenção de que a linguagem simples seja adotada especificamente nas comunicações para o cidadão, por intermédio de sites, jornais impressos, aplicativos e publicidade, não atingindo, portanto, todos os atos da administração pública, como pretendia o projeto original”, completou. Em relação ao texto CB3A1-I e seus sentidos, julgue os itens a seguir.","Fábula de um arquiteto A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir portas abertas, em portas; casas exclusivamente portas e teto. O arquiteto: o que abre para o homem (tudo se sanearia desde casas abertas) portas por-onde, jamais portas-contra; por onde, livres: ar luz razão certa. Até que, tantos livres o amedrontando, renegou dar a viver no claro e aberto. Onde vãos de abrir, ele foi amurando opacos de fechar; onde vidro, concreto; até fechar o homem: na capela útero, com confortos de matriz, outra vez feto. Considerando o texto e a imagem da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, obra de Oscar Niemayer, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1 Hoje, a crise hídrica é política — o que significa dizer não inevitável ou necessária, nem além da nossa capacidade de consertá-la — e, logo, opcional, na prática. Esse é um dos motivos para ser, não obstante, terrível como parábola climática: um recurso abundante torna-se escasso pela falta de infraestrutura, pela poluição e pela urbanização e desenvolvimento descuidados. A crise de abastecimento de água não é inevitável, mas presenciamos uma, de um modo ou de outro, e não estamos fazendo muita coisa para resolvê-la. Algumas cidades perdem mais água por vazamentos do que a que é entregue nas casas: mesmo nos Estados Unidos da América (EUA), vazamentos e roubos respondem por uma perda estimada de 16% da água doce; no Brasil, a estimativa é de 40%. Em ambos os casos, assim como por toda parte, a escassez se desenrola tão patentemente sobre o pano de fundo das desigualdades entre pobres e ricos que o drama resultante da competição pelo recurso dificilmente pode ser chamado, de fato, de competição; o jogo está tão arranjado que a escassez de água mais parece um instrumento para aprofundar a desigualdade. O resultado global é que pelo menos 2,1 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável segura, e 4,5 bilhões não dispõem de saneamento. Com base nas ideias veiculadas no texto CB1A1, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nEm relação a aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue os próximos itens.","O eucalipto é cortado, e dele se faz o papel. Processo quase alquímico. O inflexível se dobra, o marrom se torna branco, onde cabiam folhas verdes agora cabem ideias maduras. Chegada a obra-prima, alguém trabalha o preenchê-la. E era isso que fascinava tanto o jornalista Pinheiro Júnior — fosse jovem fosse experiente. — Por que arquitetura? Por que arquitetura quando o senhor já havia contribuído tanto com esse talento, com esse dom? — Uma das coisas que mais me atraiu na Última Hora foi a diagramação da UH, a paginação da UH. Enquanto os outros jornais eram jornais duros, feios, a UH era um jornal bonito, era um jornal, inclusive, a cores. Os outros jornais não eram. Arquitetura, em jornalismo, é exatamente a diagramação dos jornais. Com base na leitura e nos sentidos do texto anterior, julgue os itens que se seguem.","Texto CB1A1-I Em uma de suas últimas entrevistas, o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) relatou que havia fugido do hospital onde se submetia a tratamento contra um câncer, para terminar o livro que considerava o coroamento de sua obra: O povo brasileiro, publicado em 1995. Na mesma entrevista, reconhecia ser um homem de “muitas peles”: foi etnólogo indigenista, antropólogo, educador, gestor público, político militante e romancista. Entretanto, dizia ter fracassado em sua missão de tornar o Brasil aquilo que “poderia ser”. “Darcy Ribeiro é uma figura fascinante e um dos autores latino-americanos que projetaram mais futuros. Em alguns dos textos, ele parece comentar em voz alta as alternativas, utópicas e distópicas, para o Brasil e a América Latina”, observa o sociólogo Fabrício Pereira da Silva. “Este é um momento excelente para reexaminar suas ideias, suas utopias e seus projetos.” Sua carreira de educador teve início na Escola Brasileira de Administração Pública, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde, durante dois anos, ensinou etnologia brasileira. Na mesma época, participou da fundação do Museu do Índio, em 1953, e, dois anos mais tarde, da criação do primeiro curso de pós-graduação em antropologia cultural no Brasil. Ao deixar o Serviço de Proteção aos Índios, lecionou na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesse período, desenvolveu trabalhos com o pedagogo Anísio Teixeira (1900-1971), uma das principais referências em educação no Brasil e defensor do ensino básico integral. Sua influência perduraria por toda a trajetória de Darcy Ribeiro e se concretizaria no projeto dos centros integrados de educação pública (CIEP), escolas de tempo integral criadas no Rio de Janeiro nos anos 80 do século passado. A crítica ao colonialismo, a análise dos povos latino-americanos e a valorização do ponto de vista indígena fazem da obra de Darcy Ribeiro uma fonte de inspiração para pesquisadores do campo de estudos pós-coloniais e decoloniais, de acordo com Pereira da Silva. “São releituras e apropriações, porque, quando ele publicou, esses termos não eram usados. A tendência ao evolucionismo e ao eurocentrismo de seus primeiros anos deu lugar, no exílio, a uma visão mais diversificada, em que a América Latina aparece como um polo civilizacional”, afirma. Apesar de ter sido reitor, fundador e reformador de universidades, Darcy viveu a maior parte de sua carreira fora de instituições universitárias brasileiras. Entretanto, jamais deixou de refletir sobre seu projeto para o ensino superior. Publicou livros como A universidade necessária e La universidad latinoamericana, em que expôs seu projeto baseado em interdisciplinaridade, investimento em pesquisa científica avançada, compromisso social e participação do corpo discente na tomada de decisões. A respeito das ideias do texto CB1A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nEm relação a aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue os próximos itens.","Texto CB3A1-I Ao final do período de revoluções e guerras que caracterizaram a virada do século XVIII para o XIX, os recém-emancipados países da América e os antigos Estados europeus se viram diante da necessidade de criar estruturas de governo, marcando a transição do Antigo Regime ao constitucionalismo e do colonialismo à independência. Os arquitetos da nova ordem se inspiraram em fontes antigas e modernas: de Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) e Políbio (c.200 a.C. – c.118 a.C.) a John Locke (1632 – 1704) e Montesquieu (1689 – 1755). Um dos principais problemas com os quais lideranças e pensadores políticos se confrontaram estava materializado em uma passagem do poeta satírico romano Juvenal (c.55 – c.127), em que se lê: “Quis custodiet ipsos custodes?”, traduzida como “Quem vigia os vigias?” ou “Quem controla os controladores?”. “Uma coisa é teorizar sobre a separação em três poderes, como lemos em Montesquieu. Outra coisa é colocar em prática”, observa a historiadora Monica Duarte Dantas, do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. “Aí surgem os problemas, porque um poder pode tentar assumir as atribuições de outro. Não era possível antever todas as questões que iriam aparecer, até porque havia assuntos que diziam respeito a mais de um poder. Na prática, era preciso definir a quem competia o quê. Essas questões emergiram rapidamente nos séculos XVIII e XIX, quando se tentou colocar em prática a separação de poderes.” Alguém que acompanhasse os trabalhos de elaboração de textos constitucionais no início do século XIX não necessariamente apostaria que, ao final desse período, estaria consolidado um modelo de organização do Estado em que o poder se desdobraria em três partes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, conforme apresentado pelo filósofo francês Montesquieu em O espírito das leis (1748). Havia projetos com quatro, cinco ou até mais poderes. Na França, o filósofo político franco-suíço Benjamin Constant (1767 – 1830) imaginou meia dezena: o Judiciário, o Executivo, dois poderes representativos, correspondentes ao Legislativo — o da opinião (Câmara Baixa) e o da tradição (Câmara Alta) —, e um poder “neutro”, exercido pelo monarca. O revolucionário venezuelano Simon Bolívar (1783 – 1830) chegou a formular a ideia, em 1819, de um “poder moral” que deveria cuidar, sobretudo, de educação. As mesmas preocupações estavam na cabeça dos deputados na primeira Assembleia Constituinte do Brasil, em 1823. Até que, em novembro, o conflito de poderes se concretizou: tropas enviadas pelo imperador Dom Pedro I (1789 – 1834) dissolveram a assembleia. Em março do ano seguinte, quando o imperador outorgou a primeira Constituição brasileira, ela se afastava pouco do projeto elaborado em 1823, mas continha uma diferença crucial: os poderes eram quatro e incluíam um Moderador. Entretanto, só em dois países esse quarto poder chegou a ser formalmente inscrito no texto constitucional, como uma instituição em separado. O Brasil, com o título 5.º da Constituição de 1824, e Portugal, em 1826, com a Carta Constitucional outorgada também por Dom Pedro — em Portugal, IV, e não I —, no breve período de seis dias em que acumulou a coroa de ambos os países. As funções do Poder Moderador, tanto na doutrina de Constant quanto na Constituição brasileira, guardam semelhanças com algumas das funções que hoje cabem às cortes supremas — no Brasil, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de garantir que a atuação dos poderes, seja na formulação de leis, seja na administração pública ou no julgamento de casos, não se choque com as normas constitucionais. Considerando os sentidos e a organização do texto CB3A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nEm relação a aspectos linguísticos e à estruturação do texto CB3A1-I, julgue os itens subsequentes.","Texto CB1A1-I Os pais pediram que o menino fosse dormir cedo para que pudesse acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passaria se ele não se deitasse. O que seria, francamente, um problemão — e para o mundo todo. Se o ano não virasse, tudo o que estava para acontecer a partir da meia-noite bruscamente ficaria retido nas malas, nos pacotes, na escuridão. Por respeito à humanidade, o garoto acatou. Quer dizer, mais ou menos — ficaria na cama de olhos fechados, igual quando brincava de morto, mas dormir mesmo não dormiria. Só estando acordado seria possível devassar de vez o mistério da passagem do ano. Os adultos mentem muito, sabia. Até mesmo sua mãe, que lhe pede não mentir nunca, inventava histórias quando ele perguntava “como era a cara do ano velho e do ano novo”. Sempre lhe respondiam, com sorrisos enigmáticos que não esclarecem nada, que tudo dependia da sua maneira de olhar. Mas olhar o quê? O ano velho indo embora tal qual um balão, “subindo, perdendo gás, perdendo gás, até acabar muito chocho”? Ou a chegada do novo, que descia de paraquedas na praça General Osório, trazendo uma mochila munida de “talco, escova de dentes e pombas”, para soltar em sinal de paz e alegria? Pouca coisa fazia sentido naquela cabeça de menino. Confinado em seu quarto, correu para a janela depois do beijo materno de boa noite e ali ficou, vigia do réveillon. Era preciso guardar o céu, pois com certeza “o ano passa no ar”. Mas o que faria, então, tanta gente na rua, tanto carro buzinando, sem ninguém olhando para cima? Já estavam, decerto, acostumados. “É ruim, ficar acostumado: não se vê mais nada, as coisas vão se apagando”, concluiu a criança da crônica de Drummond. Ninguém ia perceber a passagem do ano. Desiludido, o menino pegou no sono e acordou no chão, apavorado com o estrondo da virada. Foi correndo para a sala, onde os adultos, falando um pouco arrastado, tinham perdido o jeito comum, o jeito diurno. “Ele passou?”, quis saber. Carinhosa, a mãe levou-o de volta para o quarto, encostou o rosto em seu rosto e rogou-lhe que dormisse outra vez. O ano passara sem que ele o visse. Bem que sua mãe tinha alertado: só dependia da maneira de olhar... e ele não acertara com a maneira. Julgue os itens que se seguem, a respeito das ideias e estruturas linguísticas do texto CB1A1-I.\n\n\n\nConsiderando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue os próximos itens.","Texto CB1A1-II Em 23/3/2023, o presidente da PETROBRAS, Jean Paul Prates, afirmou à imprensa que a companhia não deve praticar o preço de paridade internacional (PPI). “Se lá fora o preço do petróleo diminuiu, entendo que diminuiu também em termos de insumos para as refinarias, logo isso tem de refletir no preço para o consumidor final. Não é necessário que o preço do combustível esteja amarrado ao preço do importador, que é o nosso principal concorrente. Ao contrário. Paridade de importação não é preço que a companhia deve praticar.” Prates disse que, em sua gestão como presidente da estatal, não haverá o “dogma do preço de paridade internacional (PPI)”, abrindo espaço para a negociação de preços que levem em consideração o cenário econômico nacional. Instituída em 2016, a política do PPI prevê que a PETROBRAS alinhe os valores que cobra das distribuidoras pelo combustível ao que é cobrado pelas importadoras que trazem o petróleo refinado em forma de diesel e gasolina para o Brasil. Questionado se haverá redução no preço da gasolina, Jean Paul Prates disse que as equipes estão avaliando o mercado sobre possíveis oscilações no preço do combustível. “A gente está avaliando a referência internacional e o mercado brasileiro. Essa é a nossa política agora. O mercado nacional é composto pelo que é produzido aqui com o produto importado. Sempre que a gente puder ter o preço mais barato para vender para o nosso cliente, para o nosso consumidor brasileiro, a gente vai fazer isso”, concluiu. O presidente da companhia também garantiu que a venda dos ativos do Polo Bahia Terra, em negociação entre a PETROBRAS e um consórcio formado por PetroReconcavo e Eneva, está sendo reavaliada sob uma nova ótica e que nada está decidido. Segundo ele, “o que está assinado será cumprido; o que não está assinado será revisto”. Em relação às ideias do texto CB1A1-II, julgue os próximos itens.","Texto CG2A1-I Até você terminar de ler este parágrafo, mais um acidente de trabalho será notificado no Brasil. Em menos de quatro horas, mais uma pessoa morrerá em decorrência de um desses acidentes. Segundo dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab), que consideram apenas registros envolvendo pessoas com carteira assinada, os acidentes e as mortes, no Brasil, cresceram nos últimos dois anos. Em 2020, foram 446.881 acidentes de trabalho notificados; em 2021, o número subiu 37%, alcançando 612.920 notificações. Em 2020, 1.866 pessoas morreram nessas ocorrências; no ano passado, foram 2.538 mortes, um aumento de 36%. Na avaliação do ministro Alberto Balazeiro, as situações de precarização do trabalho tendem a gerar mais acidentes, e estudos mostram que trabalhadores terceirizados estão mais suscetíveis a condições de risco e à falta de políticas adequadas de prevenção. “Além disso, situações de crise levam empregadores a, inadvertidamente, esquecer ou não investir em medidas de proteção coletiva e eliminação de riscos”, assinala. Por ano, os acidentes de trabalho representam perdas financeiras na média de R$ 13 bilhões. O montante considera valores pagos pelo INSS em benefícios de natureza acidentária. Além disso, mais de 46 mil dias de trabalho são perdidos, contabilizando-se todos aqueles em que as pessoas não trabalharam em razão de afastamentos previdenciários acidentários. Em relação às ideias do texto CG2A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nA respeito de aspectos linguísticos do texto CG2A1-I, julgue os próximos itens.","Texto CB1A1 Muitas regiões do mundo, inclusive o Brasil, estão vivendo o chamado “paradoxo verde”, expressão cunhada pelo economista alemão Hans-Werner Sinn (2008) para se referir a como políticas climáticas mais restritivas podem exercer pressão crescente sobre os preços de energia e ter efeitos indesejáveis, como incentivar a antecipação da extração e produção de combustíveis fósseis, acelerando, portanto, as mudanças climáticas. Um aspecto crucial é a necessidade de acordos internacionais que mantenham de maneira eficaz e justa grandes quantidades remanescentes de combustíveis fósseis no solo. O estudo recente de Welsby, publicado na revista Nature em 2021, mostra que a produção existente de carvão, petróleo e gás deve ser descontinuada. Mesmo quando governos não controlam diretamente a produção, suas leis, políticas e acordos podem definir, em grande medida, quanto é extraído e produzido. O BOGA (Beyond Oil and Gas Alliance) é um exemplo recente de acordo internacional que pode redefinir o futuro do setor de petróleo e gás (O&G – oil and gas). Emissões evitadas hoje tornam menos arriscada a necessidade de medidas drásticas, ainda não suficientemente desenvolvidas, como projetos de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) e de tecnologias de emissões negativas (NET), comumente citados em anúncios de empresas do setor de O&G. Ademais, quanto mais cedo sofrermos os impactos das mudanças climáticas, mais cedo e por mais tempo teremos impactos físicos que levam a danos sociais e econômicos. Nesse sentido, emissões evitadas hoje valem mais do que emissões evitadas no futuro; mais do que metas de emissão zero em 2050, são necessárias ações imediatas nos próximos anos, para reduzir rapidamente as emissões de gases do efeito estufa. No futuro, grandes nomes da indústria de O&G podem ser conhecidos como aqueles que negligenciaram a ciência e não enfrentaram o desafio da emergência climática quando ainda tinham tempo. Por outro lado, podem aproveitar a já estreita janela de oportunidade para liderar uma nova economia cada vez mais eficiente, interconectada e limpa. Considerando as ideias veiculadas pelo texto CB1A1, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nNo que se refere à significação de palavras empregadas no texto CB1A1, julgue os itens subsequentes.","Texto CG1A1-I A apropriação colonial das terras indígenas muitas vezes se iniciava com alguma alegação genérica de que os povos forrageadores viviam em um estado de natureza — o que significava que eram considerados parte da terra, mas sem nenhum direito a sua propriedade. A base para o desalojamento, por sua vez, tinha como premissa a ideia de que os habitantes daquelas terras não trabalhavam. Esse argumento remonta ao Segundo tratado sobre o governo (1690), de John Locke, em que o autor defendia que os direitos de propriedade decorrem necessariamente do trabalho. Ao trabalhar a terra, o indivíduo “mistura seu trabalho” a ela; nesse sentido, a terra se torna, de certo modo, uma extensão do indivíduo. Os nativos preguiçosos, segundo os discípulos de Locke, não faziam isso. Não eram, segundo os lockianos, “proprietários de terras que faziam melhorias”; apenas as usavam para atender às suas necessidades básicas com o mínimo de esforço. James Tully, uma autoridade em direitos indígenas, aponta as implicações históricas desse pensamento: considera-se vaga a terra usada para a caça e a coleta e, “se os povos aborígenes tentam submeter os europeus a suas leis e costumes ou defender os territórios que durante milhares de anos tinham erroneamente pensado serem seus, então são eles que violam o direito natural e podem ser punidos ou ‘destruídos’ como animais selvagens”. Da mesma forma, o estereótipo do nativo indolente e despreocupado, levando uma vida sem ambições materiais, foi utilizado por milhares de conquistadores, administradores de latifúndios e funcionários coloniais europeus na Ásia, na África, na América Latina e na Oceania como pretexto para obrigar os povos nativos ao trabalho, com meios que iam desde a escravização pura e simples ao pagamento de taxas punitivas, corveias e servidão por dívida. Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nConsiderando as estruturas morfossintáticas e os aspectos semânticos do texto CG1A1-I, julgue os seguintes itens.","Texto CB3A1-II Foi só a OpenAI lançar, em novembro de 2022, o ChatGPT, a versão 3.5 conversacional e acessível a todos, para que os especialistas em comunicação, matemática, computação, lógica, linguística, tecnologia da informação etc. começassem a se preocupar com os danos da inteligência artificial (IA) generativa. Essa diz respeito a um dos tipos da IA de nível narrow, ou seja, compartimentada e (ainda) limitada. Apesar do cipoal de estudos e opiniões apresentados sobre a inovação tecnológica baseada em dados inseridos na sociedade das plataformas, até hoje vemos lives em que moderadores perguntam o que é e como funciona o ChatGPT. Vale destacar: por “dados”, devemos considerar informações obtidas de determinado período no passado, com o intuito de prever efeitos no futuro. Obviamente, internautas que estão a par do que se trata e já experimentaram ao menos uma pergunta ao robô simpático em eterno plantão torcem o nariz, pois já sabem o básico: querem mais. Eles sabem, inclusive, que somos cada vez mais usados pelas máquinas e constatam que é imprescindível aguçar e explorar ao máximo a intencionalidade em face da IA. Como isso é possível? Ao fazer perguntas de elevada qualidade — preferencialmente, advindas de um pensamento crítico — no proveito de se produzir um bom objeto de análise. Ainda, fazê-lo de forma contextualizada, sinalizando-se para qual finalidade, determinado público etc., de modo a obter respostas mais refinadas em tempo real. Em relação às ideias do texto CB3A1-II, julgue os seguintes itens.","Texto CB3A1-II Foi só a OpenAI lançar, em novembro de 2022, o ChatGPT, a versão 3.5 conversacional e acessível a todos, para que os especialistas em comunicação, matemática, computação, lógica, linguística, tecnologia da informação etc. começassem a se preocupar com os danos da inteligência artificial (IA) generativa. Essa diz respeito a um dos tipos da IA de nível narrow, ou seja, compartimentada e (ainda) limitada. Apesar do cipoal de estudos e opiniões apresentados sobre a inovação tecnológica baseada em dados inseridos na sociedade das plataformas, até hoje vemos lives em que moderadores perguntam o que é e como funciona o ChatGPT. Vale destacar: por “dados”, devemos considerar informações obtidas de determinado período no passado, com o intuito de prever efeitos no futuro. Obviamente, internautas que estão a par do que se trata e já experimentaram ao menos uma pergunta ao robô simpático em eterno plantão torcem o nariz, pois já sabem o básico: querem mais. Eles sabem, inclusive, que somos cada vez mais usados pelas máquinas e constatam que é imprescindível aguçar e explorar ao máximo a intencionalidade em face da IA. Como isso é possível? Ao fazer perguntas de elevada qualidade — preferencialmente, advindas de um pensamento crítico — no proveito de se produzir um bom objeto de análise. Ainda, fazê-lo de forma contextualizada, sinalizando-se para qual finalidade, determinado público etc., de modo a obter respostas mais refinadas em tempo real. Em relação às ideias do texto CB3A1-II, julgue os seguintes itens.\n\n\n\nA respeito de aspectos gramaticais do texto CB3A1-II, julgue os itens subsequentes.","Texto CB1A1-II O conceito de civilização não pode ser precisamente definido, não apenas por ser um processo evolucionário, mas também por ter se manifestado de formas muito diferentes através dos tempos. Entre as civilizações antigas, havia múltiplas diferenças nas crenças religiosas, nos costumes sociais, nas formas de governo e na criação artística. Contudo, uma faceta de fundamental importância para todas elas era a tecnologia, que, em sentido mais amplo, pode significar a aplicação do conhecimento para finalidades práticas. Hoje, a tecnologia é, na prática, sinônimo de ciência aplicada, mas as tecnologias básicas — tais como agricultura, construção, cerâmica, tecidos — foram originalmente empíricas e transmitidas de uma geração para outra, enquanto a ciência, no sentido de pesquisa sistemática das leis do universo, é um fenômeno relativamente recente. A tecnologia foi fundamental, já que proporcionava os recursos necessários para sociedades organizadas, e essas sociedades tornaram possíveis não apenas a divisão do trabalho — por exemplo, entre trabalhadores da terra, oleiros, marinheiros e similares —, como também um ambiente no qual puderam florescer as artes em geral, não necessárias à vida no dia a dia. A maioria dessas artes dependia de alguma espécie de suporte tecnológico: o escultor requeria ferramentas, o escritor necessitava de tinta e de papiro (ou papel, mais tarde), o dramaturgo precisava de teatros especialmente construídos. Julgue os itens seguintes com base nas ideias do texto CB1A1-II.\n\n\n\nJulgue os itens a seguir, referentes a aspectos gramaticais do texto CB1A1-II.","Texto CG1A1-I A linguagem usada para descrever os alimentos que comemos pode ter um grande efeito em como os percebemos: orgânicos, artesanais, caseiros e selecionados soam um pouco mais tentadores que os prosaicos enlatados ou reidratados. Outro adjetivo que pode abrir nosso apetite é natural, enquanto tendemos a associar processado a produtos com uma longa lista de ingredientes impronunciáveis. Mas, no que diz respeito à nossa saúde, será que o natural é sempre melhor do que o processado? Na verdade, o fato de um alimento estar in natura não significa automaticamente que ele é saudável. Alimentos naturais podem conter toxinas, e um processamento mínimo pode torná-los mais seguros. O feijão, por exemplo, contém lectinas, que podem causar vômitos e diarreia. Elas são eliminadas quando os grãos ficam de molho durante horas e depois são cozidos na água fervente. O processamento também torna seguro o consumo de leite de vaca. O leite é pasteurizado desde o fim do século 19, para matar bactérias nocivas à saúde humana. Antes disso, era distribuído localmente, porque não havia uma boa refrigeração nas casas. As vacas eram ordenhadas todos os dias, e as pessoas levavam leite para vender nos bairros, mas as cidades ficaram maiores, o leite ficou mais distante e demorou mais para chegar ao consumidor, o que favorecia a multiplicação dos patógenos. As evidências crescentes de que alguns organismos presentes no leite pudessem ser prejudiciais à saúde levaram ao desenvolvimento de dispositivos para aquecimento do líquido e à invenção da pasteurização, que logo foi adotada na Europa e, mais tarde, nos Estados Unidos da América. O processamento também pode ajudar a preservar os alimentos e torná-los mais acessíveis. A fermentação faz com que o queijo se mantenha estável por mais tempo e, em alguns casos, reduz a quantidade de lactose, tornando-o mais digerível para quem tem uma intolerância leve à presença desse tipo de açúcar. No passado, o processamento dos alimentos era feito principalmente para aumentar sua vida útil. Por muito tempo, conservar os alimentos com a adição de ingredientes como açúcar ou sal foi essencial para as pessoas sobreviverem ao inverno. O processamento nos permitiu estar onde estamos hoje, pois evitou que passássemos fome. Muitos alimentos devem ser processados para ser consumidos, como o pão. Não poderíamos sobreviver apenas com grãos. O processamento permite que vitaminas e minerais, como vitamina D, cálcio e ácido fólico, sejam adicionados a certos alimentos processados, incluindo-se pães e cereais. Iniciativas como essas ajudaram a reduzir várias deficiências de nutrientes entre a população em geral — mas não tornaram necessariamente a comida nutricionalmente equilibrada. É preciso observar que alguns alimentos ultraprocessados podem estar associados a consequências indesejadas para a saúde, mas nem todos os alimentos processados são ruins. Os legumes e verduras congelados, o leite pasteurizado e a batata cozida, por exemplo, podem ser melhores para nós do que seus equivalentes não processados. Mas aqui está o segredo: todos esses alimentos também se parecem muito com sua forma natural, e é isso que precisamos ter em mente. Sempre que formos capazes de reconhecer que um alimento processado está próximo da sua forma natural, incluí-lo em nossa dieta pode até ser benéfico para nós. Em relação ao texto CG1A1-I e aos sentidos nele expressos, julgue os itens que se seguem.","É notável que todo o percurso filosófico desenvolvido por Karl Popper trouxe grandes contribuições para a epistemologia da primeira metade do século XX, bem como críticas ao positivismo lógico, pensamento que era considerado na época como imperioso. Nas páginas das obras do filósofo austríaco, constata-se não só seu incômodo perante os problemas da indução e do verificacionismo, mas também a preocupação epistemológica, ética, social e política, isto é, formas de verificar e observar — empirismo — os objetos na natureza de modo racional. Essas questões pressupõem não somente seu modo de compreender e tentar solucionar problemas filosóficos, mas também o que foi enfatizado diversas vezes em seus escritos, que é esta a proposta da busca de um mundo melhor: a defesa de uma sociedade aberta, crítica e libertária. De início, vale considerar a análise da tolerância como fundamento do método falseacionista, do racionalismo crítico e da prática política no pensamento de Karl Popper. No que se refere às ideias e a aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os itens a seguir.","Texto 1A1 A obrigatoriedade do fornecimento do DNA e a submissão daqueles ainda não condenados e em liberdade condicional à entrega de seu material genético foram assuntos bastante discutidos no cenário estadunidense. A grande abrangência dos crimes que autorizam a extração do DNA assim como a permanência da informação por tempo indeterminado no índice também são questões controversas. O foco é a privacidade e a intimidade do indivíduo. Prevê a Constituição estadunidense direito à inviolabilidade da intimidade e da privacidade da pessoa, de modo a obstar buscas e apreensões desarrazoadas e sem mandados pelo Estado. O propósito básico da quarta emenda constitucional estadunidense é proteger a privacidade e a segurança dos indivíduos contra invasões arbitrárias de autoridades governamentais. Assim, para surtir efeito, um mandado de busca e apreensão deve ser motivado por uma causa provável (suspeita individualizada da prática de um delito) e deferido, antes da execução, por um juiz imparcial. A coleta de sangue ou outro material biológico deve atender aos ditames da quarta emenda (procedida mediante mandado/decisão motivada), sob pena de ilegalidade. Ocorre que, para a inclusão do DNA no banco de dados nacional, nem sempre há suspeita individualizada da prática de crime: a coleta ocorre quando o sujeito já foi condenado, está detido ou está sendo processado por algum crime, mas o material será armazenado em banco de dados para esclarecer crimes futuros e não será necessariamente utilizado para o esclarecimento do crime atual — diferentemente, por exemplo, de um mandado de busca e apreensão com o fim de apreender drogas, em que há suspeita individualizada da existência de entorpecentes e de que o sujeito pratica mercancia, ocasião em que se expede mandado. Então, para a coleta de sangue ou outro material biológico pelo Estado não representar uma ofensa a esse direito constitucional — que proíbe buscas e apreensões desarrazoadas —, é necessária a existência de uma necessidade especial ou um interesse do Estado predominante ao interesse do jurisdicionado. Essas são as exceções reconhecidas pela Corte Suprema estadunidense para que haja busca e apreensão sem mandado: quando houver uma razão especial, além da normal necessidade da aplicação da lei, ou quando os interesses do Estado superarem os do particular. Em relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto 1A1, julgue os itens que se seguem.","Texto CG1A1-I Entre 2016 e 2020, 35 mil crianças e adolescentes de 0 a 19 anos de idade foram mortos de forma violenta no Brasil — uma média de 7 mil por ano. Além disso, de 2017 a 2020, 180 mil sofreram violência sexual — uma média de 45 mil por ano. É o que revela o documento Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Segundo o documento, a violência se dá de forma diferente de acordo com a idade da vítima. Crianças morrem, com frequência, em decorrência da violência doméstica, perpetrada por um agressor conhecido. O mesmo vale para a violência sexual contra elas, cometida dentro de casa, por pessoas próximas. Já os adolescentes morrem, majoritariamente, fora de casa, vítimas da violência armada urbana e do racismo. Conforme os dados constantes no referido documento, a maioria das vítimas de mortes violentas é adolescente. Das 35 mil mortes violentas de pessoas com idade até 19 anos identificadas entre 2016 e 2020, mais de 31 mil tinham idade entre 15 e 19 anos. A violência letal, nos estados com dados disponíveis para a série histórica, teve um pico entre 2016 e 2017, e vem caindo, voltando aos patamares dos anos anteriores. Ao mesmo tempo, o número de crianças de até 4 anos de idade vítimas de violência letal aumenta, o que traz um sinal de alerta. “A violência contra a criança acontece, principalmente, em casa. A violência contra adolescentes acontece na rua, com foco em meninos negros. Embora sejam fenômenos complementares e simultâneos, é crucial entendê-los também em suas diferenças, para desenhar políticas públicas efetivas de prevenção e resposta às violências”, afirma Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil. Os dados publicados no panorama foram obtidos pelo FBSP, por meio da Lei de Acesso à Informação. Foram solicitados a cada estado brasileiro os dados de boletins de ocorrência dos últimos cinco anos, referentes a mortes violentas intencionais (homicídio doloso; feminicídio; latrocínio; lesão corporal seguida de morte; e mortes decorrentes de intervenção policial) e violência sexual (estupros e estupros de vulneráveis) contra crianças e adolescentes. Essas informações não são sistematicamente reunidas e padronizadas, tratando-se, portanto, de uma análise inédita e essencial para a prevenção e a resposta à violência contra meninas e meninos. Em relação às ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue os itens que se seguem.\n\n\n\nA respeito de aspectos gramaticais e semânticos do texto CG1A1-I, julgue os itens subsequentes.","Texto CB1A1-I Com altos índices de evasão escolar, baixo engajamento e conteúdos pouco conectados à realidade dos alunos, o ensino médio já era, antes da pandemia de covid-19, a etapa mais desafiadora da educação básica. Com o fechamento das escolas e o distanciamento dos estudantes do convívio educacional, os últimos anos escolares passaram a trazer ainda mais dificuldades a serem enfrentadas — reforçadas pelas desigualdades raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet. Nenhuma avaliação diagnóstica precisou os prejuízos totais da pandemia para a aprendizagem dos alunos, mas há alguns estudos que ajudam a entender melhor o cenário. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apontou que houve piora em todas as séries avaliadas. Segundo a pesquisa amostral, em matemática, o desempenho alcançado no 3.º ano do ensino médio foi de 255,3 pontos na escala de proficiência, inferior aos 261,7 obtidos pelos estudantes ao final do 9.º ano do ensino fundamental no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2019. Em língua portuguesa, os estudantes do 9.º ano apresentaram uma queda de 12 pontos, e os do 3.º ano do ensino médio, de 11 pontos. Após o retorno presencial, estados e municípios ainda têm muito trabalho para identificar os reais prejuízos, dimensioná-los e encontrar caminhos e soluções para que professores e estudantes possam retomar a aprendizagem. Para Suelaine Carneiro, coordenadora de educação na Geledés, organização da sociedade civil que se posiciona em defesa de mulheres e homens negros, “há um consenso de que não foi possível atender todos os alunos” na educação pública. “Os dados indicam um baixo número de participação dos estudantes, somado à impossibilidade de os familiares acompanharem a resolução das tarefas”, afirma. Mas não fica apenas nisso. “Em termos de aprendizagem, os dados também mostram dificuldades no que diz respeito à compreensão e à resolução das tarefas.” De acordo com ela, a situação de alunos negros requer ainda mais atenção. “É preciso prestar atenção nessa condição: a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade de realizar um isolamento dentro de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos suficientes”, contextualiza Suelaine. Agravada pela pandemia, que engrossou o número de trabalhadores desempregados, a questão econômica foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio. “Temos alunos que estão trabalhando no horário de aula, dizendo que precisam ajudar a família, e aos fins de semana assistem às atividades”, relata a professora Lucenir Ferreira, da Escola Estadual Mário Davi Andreazza, em Boa Vista (RR). Lucenir conta que muitos alunos chegam a falar que não conseguem aprender nada e desabafam por sentir que a aprendizagem foi prejudicada, principalmente os que estão em processo de preparação para o vestibular. Apesar dos desafios, Suelaine acredita que os impactos não são irreversíveis, como outros especialistas têm apontado. “Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas, compromisso público com a educação, de forma a desenvolver diferentes ações”, diz ela. FimDoTexto Considerando as informações veiculadas no texto CB1A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nA respeito dos sentidos e dos aspectos tipológicos e coesivos do texto CB1A1-I, julgue os próximos itens.","Texto CG1A1-I A teoria das causas cerebrais dos transtornos mentais passou gradualmente a ironizar tudo o que se relacionava com a forma de vida do sujeito, compreendida como unidade entre linguagem, desejo e trabalho. As narrativas de sofrimento da comunidade ou dos familiares com quem se vive, a própria versão do paciente, o seu “lugar de fala” diante do transtorno, tornaram-se epifenômenos, acidentes que não alteram a rota do que devemos fazer: correção educacional de pensamentos distorcidos e medicação exata. Quarenta anos depois, acordamos em meio a uma crise global de saúde mental, com elevação de índices de suicídio, medicalização massiva receitada por não psiquiatras e insuficiência de recursos para enfrentar o problema. Esse é o custo de desprezar a cultura como instância geradora de mediações de linguagem necessárias para que enfrentemos o sofrimento antes que ele evolua para a formação de sintomas. Esse é o desserviço dos que imaginam que teatro, literatura, cinema e dança são apenas entretenimento acessório — como se a ampliação e a diversidade de nossa experiência cultural não fossem essenciais para desenvolver capacidade de escuta e habilidades protetivas em saúde mental. Como se eles não nos ensinassem como sofrer e, reciprocamente, como tratar o sofrimento no contexto coletivo e individual do cuidado de si. Acerca das ideias do texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nJulgue os próximos itens, relativos aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CG1A1-I.","Texto CG1A1-I Considerado o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século 20, Anísio Teixeira (1900-1971) foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis, que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos. A marca do pensador Anísio era uma atitude de inquietação permanente diante dos fatos, considerando a verdade não como algo definitivo, mas que se busca continuamente. O mundo em transformação requer um novo tipo de homem, consciente e bem-preparado para resolver seus próprios problemas, acompanhando a tríplice revolução da vida atual: intelectual, pelo incremento das ciências; industrial, pela tecnologia; e social, pela democracia. Essa concepção exige, segundo Anísio, “uma educação em mudança permanente, em permanente reconstrução”. As novas responsabilidades da escola eram, portanto, educar em vez de instruir; formar homens livres em vez de homens dóceis; preparar para um futuro incerto em vez de transmitir um passado claro; e ensinar a viver com mais inteligência, mais tolerância e mais felicidade. Para isso, seria preciso reformar a escola, começando-se por dar a ela uma nova visão da psicologia infantil. O próprio ato de aprender, dizia Anísio, durante muito tempo significou simples memorização; depois seu sentido passou a incluir a compreensão e a expressão do que fora ensinado; por último, envolveu algo mais: ganhar um modo de agir. Só aprendemos quando assimilamos uma coisa de tal jeito que, chegado o momento oportuno, sabemos agir de acordo com o aprendido. Para o pensador, não se aprendem apenas ideias ou fatos, mas também atitudes, ideais e senso crítico — desde que a escola disponha de condições para exercitá-los. Assim, uma criança só pode praticar a bondade em uma escola onde haja condições reais para desenvolver o sentimento. A nova psicologia da aprendizagem obriga a escola a se transformar num local onde se vive, e não em um centro preparatório para a vida. Como não aprendemos tudo o que praticamos, e sim aquilo que nos dá satisfação, o interesse do aluno deve orientar o que ele vai aprender. Portanto, é preciso que ele escolha suas atividades. Para ser eficiente, dizia Anísio, a escola pública para todos deve ser de tempo integral para professores e alunos, como a escola parque, por ele fundada em 1950, em Salvador, que mais tarde inspirou os centros integrados de educação pública (CIEP) do Rio de Janeiro e as demais propostas de escolas de tempo integral que se sucederam. Cuidando da higiene e saúde da criança, bem como da sua preparação para a cidadania, essa escola é apontada como solução para a educação básica no livro Educação não é privilégio. Além de integral, pública, laica e obrigatória, ela deveria ser também municipalizada, para atender aos interesses de cada comunidade. O ensino público deveria ser articulado numa rede até a universidade. Em relação ao texto CG1A1-I, às ideias nele expressas e à sua construção, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nConsiderando aspectos sintáticos e semânticos do texto CG1A1-I, julgue os próximos itens.","Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque — a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras — e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. No que se refere às ideias e a aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1-I Um dos principais motores do avanço da ciência é a curiosidade humana, descompromissada de resultados concretos e livre de qualquer tipo de tutela ou orientação. A produção científica movida simplesmente por essa curiosidade tem sido capaz de abrir novas fronteiras do conhecimento e de, no longo prazo, gerar valor e mais qualidade de vida para o ser humano. O empreendimento científico e tecnológico é, sem dúvida alguma, o principal responsável por tudo que a humanidade construiu ao longo de sua história. Suas realizações estão presentes desde o domínio do fogo até as imensas potencialidades da moderna ciência da informação, passando pela domesticação dos animais, pelo surgimento da agricultura e indústria modernas e, é claro, pela espetacular melhora da qualidade de vida de toda a humanidade no último século. Além da curiosidade humana, outro motor importantíssimo do avanço científico é a necessidade de solução dos problemas que afligem a humanidade. Viver mais tempo e com mais saúde, trabalhar menos e ter mais tempo disponível para o lazer, reduzir as distâncias que separam os seres humanos — por meio de mais canais de comunicação ou de melhores meios de transporte — são alguns dos desafios e aspirações humanas para cuja solução, durante séculos, a ciência e a tecnologia têm contribuído. Apesar dos feitos extraordinários da ciência e dos investimentos públicos em ciência e tecnologia, verifica-se uma espécie de movimento de deslegitimação social do conhecimento científico no mundo todo. Recentemente, Tim Nichols, um reconhecido pesquisador norte-americano, chegou a anunciar a “morte da expertise”, título de seu livro sobre o conhecimento na sociedade atual, no qual ele descreve o sentimento de descrença do cidadão comum no conhecimento técnico e científico e, mais que isso, um certo orgulho da própria ignorância sobre vários temas complexos, especialmente sobre qualquer coisa relativa às políticas públicas. Vários fenômenos sociais recentes, como o movimento antivacina ou mesmo a desconfiança sobre a fatalidade do aquecimento global, apesar de todas as evidências científicas, parecem corroborar a análise de Nichols. A despeito da qualidade de vida ter melhorado nos últimos séculos, em grande medida graças ao avanço científico e tecnológico, a desigualdade vem aumentando no período mais recente. Thomas Piketty evidenciou um crescimento da desigualdade de renda nas últimas décadas em todo o mundo, além de mostrar que, no início deste século, éramos tão desiguais quanto no início do século passado. Esse é um problema mundial, mas é mais agudo em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde ainda abundam problemas crônicos do subdesenvolvimento, que vão desde o acesso à saúde e à educação de qualidade até questões ambientais e urbanas. É, portanto, nesta sociedade desigual, repleta de problemas e onde boa parte da população não compreende o que é um átomo, que a atividade científica e tecnológica precisa se desenvolver e se legitimar. Também é esta sociedade que decidirá, por meio dos seus representantes, o quanto de recursos públicos deverá ser alocado para a empreitada científica e tecnológica. Em relação às ideias do texto CG1A1-I e à sua tipologia, julgue os seguintes itens.\n\n\n\nA respeito de aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue os próximos itens.","Texto CG1A1-I É uma falácia comum supor que mudanças graduais, pequenas, só podem engendrar resultados graduais, incrementais. Mas esse é um raciocínio linear, que parece ser nosso modo padrão de pensar a respeito do mundo. Isso pode decorrer do simples fato de que a maior parte dos fenômenos perceptíveis para os seres humanos, em escalas de tempo e de magnitude habituais e dentro do escopo limitado de nossos sentidos, tende a seguir direções lineares — duas pedras parecem duas vezes mais pesadas que uma; é necessária uma quantidade de comida três vezes maior para alimentar um número três vezes maior de pessoas, e assim por diante. No entanto, fora da esfera das ocupações humanas práticas, a natureza está cheia de fenômenos não lineares. Processos de extrema complexidade podem emergir de regras ou partes enganosamente simples, e pequenas mudanças num fator subjacente a um sistema complexo podem engendrar mudanças radicais e qualitativas em outros fatores que dele dependem. Pense neste exemplo muito simples: imagine que você tenha um bloco de gelo na sua frente e esteja aquecendo-o pouco a pouco. Na maior parte do tempo, o aquecimento por um grau a mais não causa nenhum efeito interessante: a única coisa que você tem e que não tinha um minuto atrás é um bloco de gelo ligeiramente menos gelado. Mas, então, chega-se a 0 °C e, assim que essa temperatura crítica é atingida, você vê uma mudança abrupta, espetacular. A estrutura cristalina do gelo desagrega-se, e, de repente, as moléculas de água começam a escorregar e a fluir livremente umas em torno das outras. Sua água congelada torna-se líquida, graças a um grau crítico de energia térmica. Nesse ponto-chave, mudanças incrementais cessaram de ter efeitos incrementais e precipitaram uma súbita mudança qualitativa chamada transição de fase. No que se refere aos sentidos do texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nEm relação a aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue os itens subsecutivos.","Texto CG2A1-II A Constituição Federal de 1988 (CF) apresentou grandes avanços em relação aos direitos sociais: introduziu instrumentos de democracia direta (plebiscito, referendo e iniciativa popular), instituiu a democracia participativa e abriu a possibilidade de criação de mecanismos de controle social, como, por exemplo, os conselhos de direitos, de políticas e de gestão de políticas sociais específicas. Foi com o retorno do exercício dos direitos civis e políticos que os conselhos como esferas públicas entraram em cena na institucionalidade democrática, como mecanismos institucionais de participação da sociedade civil organizada. A CF criou as condições jurídico-políticas para a criação e a funcionalidade de órgãos de natureza plurirrepresentativa, com função de controle social e de participação social na gestão da coisa pública. Os conselhos de políticas públicas e de direitos constituem, portanto, formas concretas de espaços institucionais de exercício da participação social. Vê-se, assim, que a implementação efetiva dos direitos depende da realização de políticas públicas, cujas linhas gerais estão previstas na CF, assim como da participação popular na formulação das políticas públicas de saúde, assistência social, educação e direitos da criança e do adolescente. Essa participação ocorre por meio dos conselhos respectivos, em especial dos conselhos municipais, que estão mais próximos dos interesses da comunidade. Se, em âmbito nacional, os conselhos de políticas públicas — saúde, educação e outros — foram paulatinamente criados como órgãos de gestão e de monitoramento da gestão das políticas sociais, no campo dos conselhos de direitos e defesa dos direitos humanos, foi somente após a CF, com a institucionalização do Estado Democrático de Direito, que os órgãos de defesa dos direitos humanos ampliaram-se na cena política brasileira. Julgue os itens seguintes, de acordo com as ideias do texto CG2A1-II.\n\n\n\nCom referência às estruturas linguísticas e ao vocabulário empregados no texto CG2A1-II, julgue os itens que se seguem.","Texto CG1A1-II O ordenamento jurídico pátrio, embasado pela Constituição Federal de 1988, apresenta capítulo próprio para a defesa do meio ambiente — algo que nunca havia ocorrido antes na história das constituições brasileiras. O artigo 225 da Carta Magna transmite a ideia da imprescindibilidade de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, criando o dever, tanto para o poder público quanto para a coletividade, de sua preservação. Esse comando é subjacente a todas as relações da República, sejam elas travadas sob a ordem econômico-financeira, sejam elas derivadas da gestão de direitos e garantias individuais e coletivos. Ou seja, tudo deverá passar pelo crivo do meio ambiente sadio e equilibrado para a presente e as futuras gerações. O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, aduziu a interpretação de que o meio ambiente ecologicamente equilibrado inscrito na Carta Cidadã faz parte do rol de cláusulas pétreas, mas, por não estar contido no parágrafo 4.º do artigo 60, é tido como uma cláusula pétrea heterotópica, pela sua posição topográfica em outro capítulo. Diante disso, consagra-se que toda atividade passível de gerar impacto no meio ambiente deverá ser bem discutida, de modo a evitar quaisquer interferências negativas ao equilíbrio ambiental. Além disso, inúmeros princípios foram pulverizados nas legislações esparsas que dão supedâneo ao compromisso inarredável de um meio ambiente livre e contínuo em sua função. Mais recentemente, o legislador ordinário, na esteira da campanha internacional para com os cuidados do meio ambiente e dos animais, acrescentou novos parágrafos ao art. 32 da Lei n.º 9.605/1998 (que dispõe sobre penalidades às ações lesivas ao meio ambiente), por meio da Lei n.º 14.064/2020. Com isso, trouxe o aumento de pena para os atos de maus-tratos, ferimentos, mutilações, entre outros, contra cães e gatos. Uma inovação na matéria, pois confere proteção específica, de forma exclusiva e precisa, a dois animais domesticáveis que fazem parte da convivência de uma grande parcela do povo brasileiro. Primeiramente, é imprescindível analisar tal sanção no que se refere aos animais silvestres, domésticos ou domesticados (da nossa fauna ou de outros países, mas que aqui se encontrem), sem a especificação de nenhuma espécie, nenhum epíteto. Ora, a pena é de detenção, de três meses a um ano, e multa. No entanto, com o parágrafo 1.º-A, há uma rotação inevitável de aumento de pena para tais condutas quando estas forem desferidas contra cães e gatos, e uma sanção de reclusão, de dois anos a cinco anos, multa e proibição da guarda. Certamente, trata-se de situação peculiar e que traz implicâncias de várias searas ao ordenamento jurídico. Com base nas ideias do texto CG1A1-II, julgue os itens seguintes.\n\n\n\nJulgue os seguintes itens, que se referem a aspectos linguísticos do texto CG1A1-II.","Uma das maiores festividades do Brasil! Essa é a Festa Nacional da Uva, o mais dinâmico símbolo de Caxias do Sul e da Serra Gaúcha. O evento comunitário é uma celebração da cultura dos imigrantes italianos, que fizeram da região sua morada. Em cada edição, milhares de pessoas ficam imersas na cultura, gastronomia, diversidade e alegria. No ano de 2022, não foi diferente. Mais de 350 mil pessoas visitaram a festa e se encantaram com as inúmeras atrações que valorizaram a gente e a cultura do lugar, como a vila dos distritos, a praça das cidades, a exposição de uvas, o pavilhão da agroindústria e os mais de 150 artistas regionais. Em termos de gastronomia, além dos restaurantes já existentes nos pavilhões, a vila dos distritos, a praça de alimentação e a praça das doceiras convidavam os visitantes a se deliciarem com opções que iam da típica polenta brustolada até o crepe, bem como com inúmeras opções de doces. A feira multissetorial contou com a presença de mais de 250 expositores de diversos segmentos. O centro de eventos recebeu expositores de vinícolas tradicionais da Serra Gaúcha, além de cervejarias, que também expuseram seus produtos no inédito bier garden, no mirante da festa. Além disso, o centro de eventos recebeu a praça das cidades, atração que reuniu 20 cidades vizinhas para mostrarem um pouco de sua cultura, sua arte, sua história e seus encantos. A tradicional exposição de uvas também aconteceu e foi um sucesso! Mais de 200 expositores apresentaram exemplares de diversas variedades da estrela da festa: a uva. A inovação e a tecnologia estiveram presentes no solo de inovação, atração inédita que trouxe diversas palestras, workshops, desafios e muitas oportunidades de colocar a mão na massa e vislumbrar uma infinidade de possibilidades para o futuro. Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os itens seguintes.","Texto CB1A1-II A palavra “corrupção” tem origem nas palavras latinas corruptio e corrumpere, que indicam algo que foi corrompido, deturpado. Por ela ser um termo polissêmico, entendemos que a sua história conceitual é incerta. É usual o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista, como algo resultante da falta de caráter dos indivíduos. Contudo, tal abordagem não apresenta validade científica, já que moral é um atributo individual, dotado de subjetividade e culturalmente circunscrito. A manifestação de práticas corruptas pode-se dar em ambientes públicos ou privados, a partir de numerosos tipos de ação e em variada magnitude. Em todos os casos, a corrupção sempre se materializa a partir de trocas entre os agentes. Em relação a quem participa da troca corrupta, em situações nas quais há participação de agentes públicos, distinguem-se três tipos de corrupção: a grande corrupção, a corrupção burocrática (a pequena corrupção) e a corrupção legislativa. A primeira normalmente se refere a atos da elite política que cria políticas econômicas que a beneficiem. A segunda tem a ver com atos da burocracia em relação aos superiores hierárquicos ou ao público. A terceira se relaciona à compra de votos dos legisladores. Nas três formas, encontramos algum tipo de pagamento. Isso nos leva a concluir que a corrupção tem uma natureza essencialmente econômica: ela é uma troca socialmente indesejada. Com isso, queremos dizer que, apesar de não se configurar necessariamente como ilegal em todos os seus tipos, ela se configura como um jogo de soma zero entre a sociedade e os participantes do ato corrupto. Com base nas ideias do texto CB1A1-II, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nEm relação a aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue os itens subsequentes.","Texto CG1A1-II A crescente adoção do conceito de tecnologias sociais ocorre concomitantemente com o avanço de dois conceitos que lhe são complementares: economia solidária e capital social. As graves consequências do capitalismo e da globalização, refletidas em altos índices de desemprego, aumento de índices de violência e criminalidade, aprofundamento da pobreza e da degradação ambiental, não podem ser abordadas por projetos paternalistas e compensatórios. Ao contrário, requerem estudos aprofundados sobre um novo tipo de desenvolvimento. O professor Henrique Rattner pontua que, entre os cientistas sociais que se debruçam sobre os fracassos do desenvolvimento e suas causas, em todos os debates travados nos últimos anos, o conceito de capital social tem ocupado espaço crescente. O capital social, segundo Rattner, procura trabalhar com a necessidade gregária, o espírito de cooperação e os valores de apoio mútuo e solidariedade, com base na “eficiência social coletiva”. Capital social, segundo o estudioso John Durston, é o conjunto de normas, instituições e organizações que promovem a confiança, a ajuda recíproca e a cooperação e que incorporam benefícios como redução dos custos de transação, produção de bens públicos e facilitação da constituição de organizações de gestão de bases efetivas, de atores sociais e de sociedades civis saudáveis. Sua importância está na busca de estratégias de superação da pobreza e de integração de setores sociais excluídos. No Brasil, nas últimas décadas, tem havido uma multiplicação de experiências baseadas no conceito de economia solidária. Diferentemente de iniciativas meramente paliativas, como respostas emergenciais a situações de pobreza e miséria, há agora uma interpretação de que essas experiências devam ser uma base para a reconstrução do tecido social. Como diz o pesquisador Luis Inácio Gaiger, elas “constituiriam uma ação geradora de embriões de novas formas de produção e estimuladora de alternativas de vida econômica e social”. No que diz respeito aos sentidos e à estrutura do texto CG1A1-II, julgue os seguintes itens.\n\n\n\nA respeito dos aspectos linguísticos e estruturais do texto CG1A1-II, julgue os itens subsecutivos.","Oh, Deus, meu Deus, que misérias e enganos não experimentei, quando simples criança me propunham vida reta e obediência aos mestres, a fim de mais tarde brilhar no mundo e me ilustrar nas artes da língua, servil instrumento da ambição e da cobiça dos homens. Fui mandado à escola para aprender as primeiras letras, cuja utilidade eu, infeliz, ignorava. Todavia, batiam-me se no estudo me deixava levar pela preguiça. As pessoas grandes louvavam esta severidade. Muitos dos nossos predecessores na vida tinham traçado estas vias dolorosas, por onde éramos obrigados a caminhar, multiplicando os trabalhos e as dores aos filhos de Adão. Encontrei, porém, Senhor, homens que Vos imploravam, e deles aprendi, na medida em que me foi possível, que éreis alguma coisa de grande e que podíeis, apesar de invisível aos sentidos, ouvir-nos e socorrer-nos. Ainda menino, comecei a rezar-Vos como a “meu auxílio e refúgio”, desembaraçando-me das peias da língua para Vos invocar. Embora criança, mas com ardente fervor, pedia-Vos que na escola não fosse açoitado. Quando me não atendíeis — “o que era para meu proveito” —, as pessoas mais velhas e até os meus próprios pais, que, afinal, me não desejavam mal, riam-se dos açoites — o meu maior e mais penoso suplício. Contudo, pecava por negligência, escrevendo, lendo e aprendendo as lições com menos cuidado do que de nós exigiam. Senhor, não era a memória ou a inteligência que me faltavam, pois me dotastes com o suficiente para aquela idade. Mas gostava de jogar, e aqueles que me castigavam procediam de modo idêntico! As ninharias, porém, dos homens chamam-se negócios; e as dos meninos, sendo da mesma natureza, são punidas pelos grandes, sem que ninguém se compadeça da criança, nem do homem, nem de ambos. Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1-II A crescente adoção do conceito de tecnologias sociais ocorre concomitantemente com o avanço de dois conceitos que lhe são complementares: economia solidária e capital social. As graves consequências do capitalismo e da globalização, refletidas em altos índices de desemprego, aumento de índices de violência e criminalidade, aprofundamento da pobreza e da degradação ambiental, não podem ser abordadas por projetos paternalistas e compensatórios. Ao contrário, requerem estudos aprofundados sobre um novo tipo de desenvolvimento. O professor Henrique Rattner pontua que, entre os cientistas sociais que se debruçam sobre os fracassos do desenvolvimento e suas causas, em todos os debates travados nos últimos anos, o conceito de capital social tem ocupado espaço crescente. O capital social, segundo Rattner, procura trabalhar com a necessidade gregária, o espírito de cooperação e os valores de apoio mútuo e solidariedade, com base na “eficiência social coletiva”. Capital social, segundo o estudioso John Durston, é o conjunto de normas, instituições e organizações que promovem a confiança, a ajuda recíproca e a cooperação e que incorporam benefícios como redução dos custos de transação, produção de bens públicos e facilitação da constituição de organizações de gestão de bases efetivas, de atores sociais e de sociedades civis saudáveis. Sua importância está na busca de estratégias de superação da pobreza e de integração de setores sociais excluídos. No Brasil, nas últimas décadas, tem havido uma multiplicação de experiências baseadas no conceito de economia solidária. Diferentemente de iniciativas meramente paliativas, como respostas emergenciais a situações de pobreza e miséria, há agora uma interpretação de que essas experiências devam ser uma base para a reconstrução do tecido social. Como diz o pesquisador Luis Inácio Gaiger, elas “constituiriam uma ação geradora de embriões de novas formas de produção e estimuladora de alternativas de vida econômica e social”. No que diz respeito aos sentidos e à estrutura do texto CG1A1-II, julgue os seguintes itens.\n\n\n\nNo que se refere aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto CG1A1-II, julgue os itens a seguir.","Texto CB2A1-I Assim como cidadania e cultura formam um par integrado de significações, cultura e territorialidade são, de certo modo, sinônimos. A cultura, forma de comunicação do indivíduo e do grupo com o universo, é herança, mas também um reaprendizado das relações profundas entre o ser humano e o seu meio, um resultado obtido por intermédio do próprio processo de viver. Incluindo o processo produtivo e as práticas sociais, a cultura é o que nos dá a consciência de pertencer a um grupo, do qual é o cimento. É por isso que as migrações agridem o indivíduo, roubando-lhe parte do ser, obrigando-o a uma nova e dura adaptação em seu novo lugar. Desterritorialização é frequentemente outra palavra para significar alienação, estranhamento, que são, também, desculturização. Esse processo é, também, o que comanda as migrações, que são, por si sós, processos de desterritorialização e, paralelamente, processos de desculturização. O novo ambiente opera como uma espécie de denotador. Sua relação com o novo morador se manifesta dialeticamente como territorialidade nova e cultura nova, que interferem reciprocamente, mudando paralelamente territorialidade e cultura, e mudando o ser humano. Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue os seguintes itens.","informado o contrário, considere que todos os programas mencionados estão em configuração padrão e que não há restrições de O texto mais célebre de A República é sem dúvida a Alegoria da Caverna, em que Platão, utilizando-se de linguagem alegórica, discute o processo pelo qual o ser humano pode passar da visão habitual que tem das coisas, “a visão das sombras”, unidirecional, condicionada pelos hábitos e preconceitos que adquire ao longo de sua vida, até a visão do Sol, que representa a possibilidade de alcançar o conhecimento da realidade em seu sentido mais elevado e compreendê-la em sua totalidade. A visão do Sol representa não só o alcance da Verdade e, portanto, do conhecimento em sua acepção mais completa, já que o Sol é “a causa de tudo”, mas também, como diz Sócrates na conclusão dessa passagem: “Nos últimos limites do mundo inteligível, aparece-me a ideia do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem se concluir que ela é a causa de tudo o que há de reto e de belo. Acrescento que é preciso vê-la se se quer comportar-se com sabedoria, seja na vida privada, seja na vida pública.”. De acordo com este texto, a possibilidade de um indivíduo tornar-se justo e virtuoso depende de um processo de transformação pelo qual deve passar. Assim, afasta-se das aparências, rompe com as cadeias de preconceitos e condicionamentos e adquire o verdadeiro conhecimento. Tal processo culmina com a visão da forma do Bem, representada pela matéria do Sol. O sábio é aquele que atinge essa percepção. Para Platão, conhecer o Bem significa tornar-se virtuoso. Aquele que conhece a justiça não pode deixar de agir de modo justo. Em relação às ideias, aos sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens subsecutivos.",", será igual a: 1,00 ponto, caso a resposta do candidato esteja em 1,00 ponto negativo, caso a resposta do candidato esteja em","Já dizia Machado de Assis que “De médico e louco todo mundo tem um pouco”. O ditado ficou famoso pelo livro O Alienista, de 1882, que faz um debate sobre a loucura. Uma frase parecida é da nordestina Nise da Silveira, grande admiradora do autor brasileiro: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas”. Nise Magalhães da Silveira ajudou a escrever e revolucionar a história da psiquiatria no Brasil e no mundo. Nascida no ano de 1905 em Maceió – AL, ela ficou conhecida por humanizar o tratamento psiquiátrico e era contrária às formas de tratamento agressivas usadas em sua época, como o eletrochoque. Inspirada em Carl Jung, um dos pais da psiquiatria, Nise foi uma das primeiras mulheres a se formar em medicina no Brasil. Em meados de 1940, ela foi pioneira na terapia ocupacional, método que utiliza atividades recreativas no tratamento de distúrbios psíquicos. A alagoana se destacou por usar a arte como uma forma de expressão e de dar voz aos conflitos internos vivenciados principalmente pelos esquizofrênicos. Em 1956, Nise fundou a Casa das Palmeiras, um passo na direção da luta contra os hospícios, que chegaria a seu ápice com a Lei Antimanicomial, de 2001. A partir do esforço da psiquiatra e de seus pacientes, foi criado o Museu do Inconsciente, aberto até hoje no Rio de Janeiro junto ao Instituto Municipal Nise da Silveira, atual nome do Centro Psiquiátrico de Engenho de Dentro, onde a médica construiu seu projeto. Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os itens subsequentes.","Texto CG1A1-I Uma forte tendência na moderna medicina americana é buscar, na prática médica milenar oriental, explicações para paradigmas existentes no século em que vivemos. Essa medicina entende que o bem-estar mental e o espiritual fazem parte da saúde. Existe uma preocupação especial, nesta prática, com o funcionamento normal do organismo. Esse conceito novo de atuar na preservação da qualidade de vida do paciente vem sendo denominado como medicina de gerenciamento do envelhecimento. O fundamento desta área da medicina baseia-se na ideia de que o paciente pode envelhecer com doenças ou com saúde. Com o avanço da tecnologia e das pesquisas, muitos estudos já consolidaram o que então era apenas uma hipótese: que o corpo humano foi desenvolvido para não adoecer e que, quando há uma falha, ocasionando alguma doença, isso ocorre por motivos que podem, sim, ser evitados. Talvez o que mais tenha corroborado essa afirmação tenha sido a descoberta do radical livre, em 1900. Em 50 anos, se conheceu toda a sua química. Em 1954, pela primeira vez, essas substâncias reativas e tóxicas foram relacionadas a uma doença inexorável, o envelhecimento. O radical livre é um elemento gerado no organismo desde o momento da concepção, e sua produção é contínua, durante toda a nossa existência. Até certa idade, o organismo consegue neutralizar esses elementos, mas chega uma fase em que sua produção excede a sua degradação e sobrepuja a dos mecanismos de defesa naturais (antioxidantes). Ocorre, então, o início das alterações estruturais que culminam na lesão celular. Doenças relacionadas com o envelhecimento estão intimamente associadas com o aumento de radicais livres. A medicina do gerenciamento do envelhecimento preocupa-se em conceituar e promover a saúde de forma diferente. Em vez de aguardar passivamente pelo dano ou pelas doenças, ela atua na vida das pessoas de forma preventiva e preditiva, muito antes que as patologias se manifestem. A proposta consiste em ajustar todos os parâmetros biológicos, metabólicos e hormonais aos mesmos níveis encontrados em um indivíduo de aproximadamente 30 anos – fase em que todos nós atingimos o apogeu de nossa performance e idade a partir da qual começamos a envelhecer. Julgue os itens subsequentes, considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto CG1A1-I.","Texto CG1A1-I Na ótica da saúde pública, pode-se conceituar a política de redução de danos como um conjunto de estratégias que visam minimizar os danos causados pelo uso de diferentes drogas, sem necessariamente exigir a abstinência de seu uso. Vale dizer, enquanto não for possível ou desejável a abstinência, outros agravos à saúde podem ser evitados, como, por exemplo, as doenças infectocontagiosas transmissíveis por via sanguínea, tais quais as hepatites e HIV/AIDS. Na concepção da política de redução de danos, tem-se como pressuposto o fator histórico-cultural do uso de psicotrópicos — uma vez que o uso dessas substâncias é parte indissociável da própria história da humanidade, a pretensão de um mundo livre de drogas não passa de uma quimera. Dentro dessa perspectiva, contemplam-se ações voltadas para as drogas lícitas e ilícitas, e suas intervenções não são de natureza estritamente públicas, delas participando, também, organizações não governamentais e necessariamente, com especial ênfase, o próprio cidadão que usa drogas. Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1-I Em 2015, pesquisadores argentinos anunciaram a descoberta dos fósseis da maior criatura da Terra. Eles estimaram que o dinossauro tivesse 40 metros de comprimento e 20 metros de altura (quando esticava o pescoço). Com 77 toneladas, teria sido tão pesado quanto 14 elefantes africanos e teria tido sete toneladas a mais do que o recordista anterior, o argentinossauro, também localizado na Patagônia. Um mês após o anúncio dos argentinos, paleontólogos brasileiros apresentaram um fóssil resgatado em Presidente Prudente (SP), que afirmaram ser do maior dinossauro do país. O Austroposeidon magnificus, como o chamaram, tinha 25 metros de comprimento e viveu há 70 milhões de anos, segundo os estudiosos. E o Planalto Central abrigou gigantes como esses? Embora escavações nunca tenham sido feitas no Distrito Federal e no Entorno até então, especialistas detectaram indícios de esqueletos de animais extintos e de instrumentos usados por homens das cavernas na região. O ser humano não conviveu com os dinossauros em nenhuma parte do mundo. Os dinossauros foram extintos há milhões de anos, antes do surgimento da humanidade. Mas o primeiro registro da presença humana no Planalto Central coincide com a fase de extinção dos primeiros animais que habitaram a região, bichos grandes e ferozes, como o tigre-dentes-de-sabre. Os homens da caverna também tinham a companhia de outros animais enormes, como o megatério, uma espécie de preguiça, e o gliptodonte, um tatu gigante de até um metro de altura. Por uma faixa de terra onde hoje é a América Central, animais do norte chegaram ao sul. Entre eles, o mastodonte, os cães-urso e os ancestrais dos cavalos, todos antigos moradores do cerrado. Apesar da longa coexistência, não há nenhuma evidência confiável de que o homem tenha caçado os animais gigantes de forma sistemática no território nacional ou mesmo na América do Sul, ao contrário do que ocorreu na América do Norte, onde mamutes e mastodontes eram presas constantes das populações humanas. O desaparecimento da megafauna no território nacional provavelmente não teve relação direta com a chegada do ser humano, como algumas hipóteses para essa extinção sugerem. Os pesquisadores Mark Hubbe e Alex Hubbe acreditam que a extinção dos animais tenha sido desencadeada por uma mudança climática. Na teoria deles, as espécies da megafauna teriam se extinguido gradualmente a partir da última grande glaciação, no fim do período chamado Pleistoceno (há aproximadamente 12 mil anos). Os maiores não teriam vivido além de dez mil anos atrás, e os menores teriam avançado um pouco além da nova era, até quatro mil anos atrás. Com relação às ideias do texto CB1A1-I, julgue os itens que se seguem.\n\n\n\nCom relação aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue os itens que se seguem.","Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB4A1-I, julgue os próximos itens.","Muito tem sido escrito e debatido sobre a afirmativa de que a “Internet é terra de ninguém”. Tal afirmativa não é de hoje, mas ainda alimenta uma sensação de impunidade ou de falsa responsabilidade do que é postado ou compartilhado na Internet e pelas redes sociais. A expressão fakes news, em particular, representa um estrangeirismo que mascara diversos crimes cometidos contra a honra, como injúria, calúnia e difamação. Sob um olhar semântico, dizer “compartilhei fake news de alguém” não carrega qualquer sentimento de culpa, ou se carrega, ela é mínima. Agora, dizer “cometi um crime contra honra” já traz outras implicações, não só de ordem jurídica, mas também de grande responsabilidade pessoal. No que se refere às ideias, aos sentidos e às construções linguísticas do texto precedente, assim como a sua tipologia, julgue os itens a seguir.","Texto CG1A1-II As plantas, os animais domésticos e os produtos deles obtidos (frutas, ervas, carnes, ovos, queijos etc.) pertencem aos mais antigos produtos comercializáveis. A palavra latina para dinheiro, pecunia, deriva da relação com o gado (pecus). Esse comércio é provavelmente tão antigo quanto a divisão do trabalho entre agricultores e criadores de gado. Embora inicialmente o comércio e a distribuição econômica de produtos de colheita fossem geograficamente bem delimitados, eles conduziram a uma difusão cada vez mais ampla das sementes, desenvolvendo-se, então, um número cada vez maior de variações. Sem milênios de constantes contatos entre os povos e sem o trânsito intercontinental, o nosso cardápio teria uma aparência bastante pobre. Das aproximadamente trinta plantas que constituem os recursos de nossa alimentação básica, quase todas têm sua origem fora da Europa e provêm, predominantemente, de regiões que hoje enumeramos entre os países em desenvolvimento. Já que hoje as plantas nutritivas domésticas são cultivadas em praticamente todas as regiões habitadas, a humanidade também poderia alimentar-se, se o comércio de produtos agrários se limitasse a áreas menores, de proporção regional. O transporte de gêneros alimentícios por distâncias maiores se justifica, em primeiro lugar, para prevenir e combater epidemias de fome. Há, sem dúvida, uma série de razões ulteriores em favor do comércio mundial de gêneros alimentícios: a falta de arroz, chá, café, cacau e muitos temperos em nossos supermercados levaria a um significativo empobrecimento da culinária, coisa que não se poderia exigir de ninguém. O comércio internacional com produtos agrícolas aporta, além disso, às nações exportadoras a entrada de divisas, facilitando o pagamento de dívida. E, em muitos lugares, os próprios trabalhadores rurais e pequenos agricultores tiram proveito da venda de seus produtos a nações de alta renda, sobretudo quando ela ocorre segundo os critérios do comércio equitativo. Considerando as ideias e propriedades linguísticas do texto CG1A1-II, julgue os próximos itens.\n\n\n\nAcerca dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto CG1A1-II, julgue os itens que se seguem.","No mundo de hoje, as telecomunicações representam muito mais do que um serviço básico; são um meio de promover o desenvolvimento, melhorar a sociedade e salvar vidas. Isso será ainda mais verdade no mundo de amanhã. A importância das telecomunicações ficou evidente nos dias que se seguiram ao terremoto que devastou o Haiti, em janeiro de 2010. As tecnologias da comunicação foram utilizadas para coordenar a ajuda, otimizar os recursos e fornecer informações sobre as vítimas, das quais se precisava desesperadamente. A União Internacional das Telecomunicações (UIT) e os seus parceiros comerciais forneceram inúmeros terminais satélites e colaboraram no fornecimento de sistemas de comunicação sem fio, facilitando as operações de socorro e limpeza. Saúdo essas iniciativas e, de um modo geral, o trabalho da UIT e de outras entidades que promoveram o acesso à banda larga em zonas rurais e remotas de todo o mundo. Um maior acesso pode significar mais progressos no domínio da realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. A Internet impulsiona a atividade econômica, o comércio e até a educação. A telemedicina está melhorando os cuidados com a saúde, os satélites de observação terrestre são usados para combater as alterações climáticas e as tecnologias ecológicas contribuem para a existência de cidades mais limpas. Ao passo que essas inovações se tornam mais importantes, a necessidade de atenuar o fosso tecnológico é mais urgente. Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1 bem definidas em várias áreas, como mercado de trabalho, opções de lazer e transporte. Mas o que um novo estudo influência nas suas habilidades de localização — e esse efeito varia de país para país. jogo de celular para aferir a habilidade de navegação espacial das pessoas. No game, os jogadores controlam um barco e têm marcados. Eles então têm que seguir o caminho guiados apenas pela memória, passando pelos objetivos invisíveis antes de mil pessoas de 38 países. Além da jogatina, os pesquisadores também aplicaram idade, gênero, nível educacional e local de origem. Os resultados mostraram que pessoas que haviam crescido em áreas rurais ou vilarejos tinha uma taxa de acerto maior. E isso se manteve independentemente de correções de outros fatores, mostraram que há correlação entre as habilidades de navegação das pessoas no jogo e na vida real — como se localizar em uma A diferença entre moradores urbanos e rurais foi maior nos Estados Unidos da América, onde as cidades perpendiculares). Já na Europa, onde as cidades são mais irregulares, a diferença entre pessoas oriundas de zonas O estudo não estabeleceu os motivos por trás do resultado, mas dá para teorizar. Embora as cidades possam as tranquilas zonas rurais, elas estão cheias de elementos e recursos de localização (placas, nomes de ruas, normas de ônibus ou metrô, em que você não precisa memorizar o caminho — somente os pontos inicial e final. Talvez tudo isso, capacidade de se orientar. Já em áreas rurais ou vilarejos, sem essas ajudas, o jeito é aprender na marra mesmo. Com relação às ideias e à tipologia do texto CB1A1, julgue os itens a seguir.\n\n\n\nConsiderando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue os itens que se seguem.","Espinosa atravessou lentamente a rua, olhar no chão, mãos nos bolsos, em direção à praça. O sol ainda brilhava forte na tarde de primavera. Procurou um banco vazio, de frente para o porto, tendo às costas o velho prédio do jornal A Noite. À sombra de um grande fícus, deixou as ideias surgirem anarquicamente. Poucas pessoas considerariam a praça Mauá um lugar adequado à reflexão, exceto ele e os mendigos. No começo era visto com desconfiança, mas aos poucos eles foram se acostumando a sua presença. Nunca frequentou a praça à noite, respeitava a metamorfose produzida pelos frequentadores do Scandinavia Night Club ou da Boite Florida. Enquanto prestava minuciosa atenção ao movimento dos guindastes no porto, deixou o pensamento emaranhar-se livremente em sua própria trama. Formara, havia tempos, a ideia de que momentos de solidão eram propícios à reflexão. Sentado naquele banco, acabara por concluir que isso não se aplicava a si próprio. A forma mais comum como transcorria sua vida mental era a de um fluxo semienlouquecido de imagens acompanhado de diálogos inteiramente fantásticos. Não se julgava capaz de uma reflexão puramente racional, o que, para um policial, era no mínimo embaraçoso. No que concerne aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os itens que se seguem.","Em O processo, a antevisão do inferno em que se transformaria a burocracia moderna, das culpas imputadas, da tortura anônima e da morte que caracterizam os regimes totalitários do século vinte já é um lugar-comum. O trucidamento (literal) de que K. tornou-se um ícone do homicídio político. “A colônia penal” de Kafka transformou-se em realidade pouco depois de sua morte, quando também os temas da aniquilação e dos “vermes”, de sua Metamorfose, adquiriram macabra realidade. A realização concreta de suas premonições, com pormenores de clarividência, está indissociavelmente relacionada às suas fantasias aparentemente desvairadas. Haveria algum sentido em pensar que, de alguma forma, as previsões claramente formuladas na ficção de Kafka, em O processo principalmente, teriam contribuído para que de fato ocorressem? Seria possível que uma profecia articulada de maneira tão impiedosa tivesse outro destino que não a sua realização? As três irmãs de K. e sua Milena morreram em campos de concentração. O judeu da Europa Central que Kafka ironizou e celebrou foi extinto de maneira abominável. Em termos espirituais, existe a possibilidade de Franz Kafka ter sentido seus dons proféticos como uma visitação de culpa, de que a capacidade de antever o tivesse exposto demais às suas emoções. K. torna-se o cúmplice, perplexo, porém quase impaciente, do crime perpetrado contra ele. Coexistem, em todos os suicídios, a apologia e a aquiescência. Como diz o sacerdote, em triste zombaria (seria mesmo zombaria?): “A justiça nada quer de ti. Acolhe-te quando vens e te deixa ir quando partes”. Essa formulação está muito próxima de ser uma definição da vida humana, da liberdade de ser culpado, que é a liberdade concedida ao homem expulso do Paraíso. Quem, senão Kafka, teria sido capaz de dizer isso em tão poucas palavras? Ou se saber condenado por ter sido capaz de fazê-lo? Acerca dos sentidos, das ideias e dos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens a seguir.","Antropólogo, sociólogo, educador, escritor e político brasileiro, a personalidade multifacetada de Darcy Ribeiro torna longa a lista de “fazimentos”, como ele próprio gostava de chamar suas realizações. Graduou-se em ciências sociais, em 1946, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Suas primeiras experiências profissionais foram no Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Em 1956, Darcy organizou e passou a dirigir o Museu do Índio, sediado no Rio de Janeiro. Em 1957, conheceu Anísio Teixeira e passou a ter contato com o universo da educação. Foi coordenador do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, vinculado ao INEP. “Juscelino Kubitschek pediu a Anísio para criar o sistema educacional do Distrito Federal e implementar uma universidade em Brasília”, destaca Murilo Camargo, lembrando que o projeto iniciado em 1962 foi interrompido em 1964, com a ascensão do regime militar, e passou por muitas mudanças de configuração, sobretudo com a reforma universitária de 1968. Com o regime militar, o educador foi exilado para o Uruguai. Em Montevidéu, ajudou na reorganização da Universidade da República do Uruguai e de instituições públicas do continente americano, além da Universidade de Argel, na Argélia. De volta ao Brasil, em 1976, passou a se dedicar à educação pública. Vice-governador de Leonel Brizola, no governo do Rio de Janeiro, implantou os Centros Integrados de Ensino Público (CIEP), projeto pedagógico inspirado nas concepções de Anísio Teixeira e que garantia assistência em tempo integral aos estudantes, com atividades recreativas e culturais para além do ensino formal. Ao longo da vida, o antropólogo escreveu obras sobre etnologia, antropologia, educação, além de romances. Em 1992, Darcy Ribeiro foi eleito para a cadeira n.º 11 da Academia Brasileira de Letras, que ocupou até sua morte, em fevereiro de 1997. Com referência às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.","Quando se fala em palhaço, duas imagens costumam vir logo à cabeça. Palhaço, infelizmente, é aquele de quem muitos têm medo. Ele pega alguém da plateia para ridicularizar, faz grosserias, piadas inconvenientes. Crianças têm medo de palhaços. Filmes de terror exploram impiedosamente nossas fantasias infantis sobre tal figura. Esses palhaços malvados existem em nosso imaginário e, felizmente, são a minoria na realidade. Neste exato instante em que você lê estas palavras, milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais, campos de batalha, campos de refugiados, escutando pessoas, relacionando-se verdadeiramente com elas, buscando, por meio do afeto e do humor, amenizar a dor daqueles que estão passando por situações trágicas e delicadas. Dessa imagem inferimos por que a comédia é uma espécie de tratamento para a tragédia. Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior, mas que faz com ele uma espécie de inversão de sentido. Assim, introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência, de pequenez e arrogância, de pobreza e desencontro, que se mostra como uma repetição insensata sempre. O palhaço é um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela. Primeira lição a tirar disso para a arte da escuta: escutar o outro é escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir. Escutar o que realmente alguém sente ou expressa, e não o que seria mais agradável, adequado ou confortável sentir. Escutar o que realmente está sendo dito e pensado, e não o que nós ou ele deveríamos pensar e dizer. Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os itens a seguir.","Em 1978, recebi o título de doutor honoris causa da Sorbonne. Dei, então, um testemunho pessoal, aproveitando a oportunidade única de autoapreciação que a velha Universidade me abria. Sendo quem sou, jamais a perderia. “Senhoras e senhores: Obrigado. Muito obrigado pelo honroso título que me conferem. Eu me pergunto se o mereci. Talvez sim, não, certamente, por qualquer feito, ou qualidade minha. Sim, como consolidação de meus muitos fracassos. Fracassei como antropólogo no propósito mais generoso que me propus: salvar os índios do Brasil. Sim, simplesmente salvá-los. Isto foi o que quis. Isto é o que tento há trinta anos. Sem êxito. Fracassei também na minha principal meta como Ministro da Educação: a de pôr em marcha um programa educacional que permitisse escolarizar todas as crianças brasileiras. Elas não foram escolarizadas. Menos da metade das nossas crianças completam quatro séries de estudos primários. Fracassei, por igual, nos dois objetivos maiores que me propus como político e como homem do governo: o de realizar a reforma agrária e de pôr sob o controle do Estado o capital estrangeiro de caráter mais aventureiro e voraz. Outro fracasso meu, nosso, que me dói especialmente rememorar neste augusto recinto da Sorbonne foi o de reitor da Universidade de Brasília. Tentamos lá, com o melhor da intelectualidade brasileira, e tentamos em vão, dar à nova capital do Brasil a universidade necessária ao desenvolvimento nacional autônomo. Ousamos ali — e esta foi a maior façanha da minha geração — repensar radicalmente a universidade, como instituição central da civilização, com o objetivo de refazê-la desde as bases. Refazê-la para que, em vez de ser universidade-fruto, reflexo do desenvolvimento social e cultural prévio da sociedade que mantém, fosse uma universidade-semente, destinada a cumprir a função inversa, de promover o desenvolvimento. Nosso propósito era plantar na cidade-capital a sede da consciência crítica brasileira que para lá convocasse todo o saber humano e todo élan revolucionário, para a única missão que realmente importa ao intelectual dos povos que fracassaram na história: a de expressar suas potencialidades por uma civilização própria. O que pedíamos à Universidade de Brasília é que se organizasse para atuar como um acelerador da história, que nos ajudasse a superar o círculo vicioso do subdesenvolvimento, o qual, quanto mais progride, mais gera dependência e subdesenvolvimento. Desses fracassos da minha vida inteira, que são os únicos orgulhos que eu tenho dela, eu me sinto compensado pelo título que a Universidade de Paris VII me confere aqui, agora. Compensado e estimulado a retomar minha luta contra o genocídio e o etnocídio das populações indígenas; e contra todos que querem manter o povo brasileiro atado ao atraso e à dependência. Obrigado. Muito obrigado.” A respeito das ideias, dos aspectos linguísticos e da classificação tipológica do texto anterior, julgue os itens seguintes.","O papel fundante da memória dos mortos para o desenvolvimento da cultura teve algo de acidental, pois o mecanismo poderoso de propagação dos hábitos, das ideias e dos comportamentos dos ancestrais foi o afeto. A lembrança de quem partiu, bem visível nos chimpanzés, que se enlutam quando perdem um ente querido, tornou-se uma marca indelével de nossa espécie. Isso não aconteceu sem contradições, é claro. Com o amor pelos mortos surgiu também o medo deles. Do Egito a Papua-Nova Guiné, em distintos momentos e lugares, floresceram rituais para neutralizar, apaziguar e satisfazer aos espíritos desencarnados. Na Inglaterra medieval, temiam-se tanto os mortos que cadáveres eram mutilados e queimados para se garantir sua permanência nas covas. Entre os Yanomami, a queima dos pertences é uma parte essencial dos rituais fúnebres. A Igreja Católica até hoje considera que os restos mortais dos santos são valiosas relíquias religiosas. A propagação dos memes de entidades espirituais foi, portanto, impulsionada pelos afetos positivos e negativos em relação aos mortos. Foi a memória das técnicas e dos conhecimentos carregados pelos avós e pais falecidos que transformou esse processo em algo adaptativo, um verdadeiro círculo virtuoso simbólico. Não é exagero dizer que o motor essencial da nossa explosão cultural foi a saudade dos mortos. A crença na autoridade divina para orientar decisões humanas levou a um acúmulo acelerado de conhecimentos empíricos sobre o mundo, sob a forma de preceitos, mitos, dogmas, rituais e práticas. Ainda que apoiada em coincidências e superstições de todo tipo, essa crença foi o embrião de nossa racionalidade. Causas e efeitos foram sendo aprendidos pela corroboração ou não da eficácia dos símbolos religiosos. A respeito das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.","Texto CB1A1-II da mistura. Louva-se a tendência brasileira à assimilação do que é significativo e importante das outras culturas. O Brasil na formação da nacionalidade, exaltando o enriquecimento cultural e a ausência de fronteiras de nossa cultura. De nosso Trata-se evidentemente de uma autodescrição da cultura brasileira. Há então todo um culto à mulata, representante por tolerância; do convívio harmônico de culturas que se digladiam em outras partes do mundo. A identidade nacional está No entanto, a decantada mistura brasileira não é indiscriminada, ela é seletiva. Há sistemas que não são aceitos nacional, não há a ideia da mistura das três raças, que hoje se consideram constitutivas da nacionalidade, mas somente dos não era desejável, pois se tratava de escravos. Acerca das ideias e dos sentidos do texto CB1A1-II, julgue os itens a seguir.","Texto CB1A1-III de Fígaro, de Mozart. Aproximando-se o final do espetáculo, o personagem mais importante, Fígaro, faz um que vi, o diretor de cena teve a ideia de acender as luzes da plateia durante o canto de Fígaro, que saiu do palco e Logo atrás de mim, uma senhora furiosa levantou-se. Fez o sinal de “não” nas fuças do pobre cantor ter prestado mais atenção. O tema nuclear de As Bodas de Fígaro é atual: trata-se de desmascarar, denunciar e punir Aquela senhora furiosa revoltou-se antes do tempo e não viu a condenação do conde brutal. Tal modo mais injusto, as mulheres são mantidas em nossas sociedades, é compreensível. Mas indignou-se cedo Indignação: eis o problema. Nunca tive simpatia por essa palavra. Pressupõe cólera e desprezo. Quando estamos droga. Arrebata a alma, enfurece as vísceras, dilata os pulmões e nos faz acreditar na veemência do nosso ódio. A solidão indignada faz grandes discursos interiores contra aquilo que erigimos como inimigo. Serve para dar arquitetamos vinganças e reparações. Depois, o balão murcha, sobrando apenas nossa miserável impotência. duas, ou em um pequeno grupo, a indignação leva ao descontrole. Nervosos, falamos alto e dizemos coisas que, nós que falamos, mas algo que está em nós e que ocupou nosso corpo esvaziado de qualquer poder reflexivo: a Com relação às ideias do texto CB1A1-III, julgue os itens seguintes.\n\n\n\nA respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB1A1-III, julgue os itens subsecutivos.","portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de “alerteza”. E de amor. escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo. complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la — como gostava de estar montada às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. do pensamento alguma coisa que lhe dê vida. Essas dificuldades nós as temos. Mas não falei aprofundada. O que recebi de herança não me chega. Julgue os itens a seguir, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.","aperfeiçoado pelos avanços científicos e tecnológicos que, por sua vez, proporcionaram a reestruturação da produção e a transformando o empregado em simples mercadoria inserta no processo de produção. Nesse contexto, o trabalhador se vê dignidade: o trabalho. A luta dos trabalhadores, portanto, não é mais apenas por condições melhores de subsistência, mas Em face desse cenário, a opinião pública passa a questionar o papel do Estado e das instituições dominantes, no da atividade econômica. A sociedade requer das organizações uma nova configuração da atividade econômica, pautada na ambiente, a fim de minimizar problemas sociais como concentração de renda, precarização das relações de trabalho agravados, entre outros motivos, por propostas que concebem um Estado que seja parco em prestações sociais e no qual a existência, só recorrendo ao Poder Público subsidiariamente, na impossibilidade de autossatisfação de suas necessidades. Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens que se seguem.","decorrente, principalmente, da redução de barreiras ao comércio mundial, da maior velocidade das inovações tem exigido mudanças efetivas na atuação do comércio internacional. passa pela concorrência, visto que é por meio da garantia e da possibilidade de entrar no mercado internacional, se consubstancia a plena expansão das atividades comerciais e se alcança o resultado último dessa interatuação: o preço Defesa da concorrência e defesa comercial são instrumentos à disposição dos Estados para lidar com distintos diferença o efeito que cada instrumento busca neutralizar. A política de defesa da concorrência busca advindas do exercício de poder de mercado. A política de defesa comercial busca proteger a indústria nacional Acerca de aspectos linguísticos do texto precedente e das ideias nele contidas, julgue os itens a seguir.","Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anteriormente apresentado, julgue os itens subsequentes.","Texto CB1A1BBB Com relação aos sentidos do texto CB1A1BBB, em que aparecem as personagens Mafalda (presente apenas no primeiro quadrinho) e Susanita, julgue os seguintes itens.\n\n\n\nA respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB1A1BBB, julgue os próximos itens.","objetivas. Texto CB3A1AAA instituições, de inspetor e bedel — é um dos profissionais mais atuantes na esfera educacional. Ele transita por toda a escola, ser procurado quando há algum problema que precisa ser solucionado rapidamente. Contudo, ele nem sempre é entendem que quem atua nessa função deve apenas controlar os espaços coletivos para impedir a ocorrência de agressões, comportamentos suspeitos e até mesmo revistar armários e mochilas. Esse tipo de controle, além de perigoso — pois os manifestando com mais violência —, contribui para reforçar a desconfiança entre a instituição e os estudantes. E uma relação democráticos, que deveria ser um dos objetivos de todas as escolas. Como qualquer profissional do ambiente escolar, os realizar ações formativas para que eles saibam como interagir com as crianças e os jovens nos diversos espaços (como o Com uma boa formação, eles serão capazes de trazer informações importantes sobre a convivência entre os alunos educacional, juntamente com o diretor e a equipe docente, planeje e execute intervenções. A respeito dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto CB3A1AAA, julgue os próximos itens.","objetivas. ANVISA = Agência Nacional de Vigilância Sanitária; CF = Constituição da República de 1988; OMS = Organização Mundial de Saúde; SUS = Sistema Único de Saúde; TCU = Tribunal de Contas da União. Texto para os itens de 1 a 6 cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das não tem voz. Para muitas pessoas, estar sadio é simplesmente, e ao contrário do que pretende a OMS, não estar doente. Mas Para falar de saúde, precisamos aprender o idioma da saúde. Não é fácil. A própria palavra “saúde”, que usamos babaca até. “É o mais tolo vocábulo em nosso idioma”, disse, com desprezo, o iconoclasta Oscar Wilde. nosso estilo de vida. No começo, lutamos contra a inércia. Mas então vem aquilo que poderíamos chamar de “salto de Passamos a dialogar com nosso corpo e, para nossa surpresa, descobrimos que esse é um diálogo gratificante. Sabem-no bem sensação de bem-estar que se tem depois é algo extraordinário. São as endorfinas? Bem, então são as endorfinas. Se o corpo se voz do corpo grato. No que se refere às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens seguintes.","A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto, julgue os itens que se seguem."],"questions":[{"id":"231080e89afc","number":1,"stem":0,"statement":"A palavra “tácito” (último período do texto) está empregada com o mesmo sentido de inexpressivo.","answer":"E","source":{"slug":"IBAMA_25","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"Tácito é o que existe sem ser dito, o que se sabe sem estar formulado — exatamente a tese do texto, que atribui à criança em idade pré-escolar um conhecimento de gramática não verbalizado. Inexpressivo qualifica o que não tem expressão ou é insignificante, juízo que o período contradiz ao afirmar que esse conhecimento é mais sofisticado que o mais volumoso manual de estilo. As duas palavras tocam a ideia de expressão, mas uma nega a formulação verbal e a outra nega o valor.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está empregada com o mesmo sentido de inexpressivo","corrected_statement":"A palavra “tácito” (último período do texto) está empregada com o mesmo sentido de implícito.","concept":"Tácito (não formulado) × inexpressivo (sem valor)","citation":null,"trap_note":"Negar a expressão verbal não é negar a importância. Tácito, implícito e subentendido dizem que não foi dito; inexpressivo, insignificante e irrelevante dizem que não vale."}},{"id":"dd6b4aea4d30","number":5,"stem":1,"statement":"No texto, a caracterização das “soluções baseadas na natureza” como um “conceito guarda-chuva” baseia-se na ideia de proteção oferecida por essas soluções, implícita no termo “guarda-chuva”.","answer":"E","source":{"slug":"CAU_MG_25","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"O texto define a metáfora no mesmo período em que a usa: conceito guarda-chuva é um único termo que consegue abranger uma grande gama de estratégias, técnicas, ações e atividades. O traço aproveitado da imagem é a cobertura ampla, o que cabe debaixo dele, e não o abrigo contra alguma ameaça. A ideia de proteção existe no objeto guarda-chuva, mas não é a que fundamenta a expressão no texto.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"baseia-se na ideia de proteção oferecida por essas soluções","corrected_statement":"No texto, a caracterização das “soluções baseadas na natureza” como um “conceito guarda-chuva” baseia-se na ideia de abrangência dessas soluções, implícita no termo “guarda-chuva”.","concept":"Metáfora: qual traço do objeto é aproveitado","citation":null,"trap_note":"Toda metáfora aproveita um traço do objeto e descarta os demais. O item errado escolhe um traço verdadeiro do objeto que não é o traço em jogo — e o texto quase sempre explicita qual é, na oração seguinte."}},{"id":"dfe86b5685ee","number":6,"stem":2,"statement":"No quinto parágrafo, a locução verbal “pode ser” denota que os pesquisadores duvidam se o dinheiro interfere ou não na saúde mental e na sensação de felicidade.","answer":"E","source":{"slug":"MP_CE_25_SERVIDOR","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"A locução introduz um fator na enumeração — há outros fatores que interferem na saúde mental e na sensação de felicidade, e um deles pode ser dinheiro —, marcando possibilidade sobre qual seja o fator, não incerteza dos pesquisadores. E o texto em seguida afirma a relação sem hesitar: a pobreza impacta a satisfação com a vida e, garantidas as necessidades básicas, ganhar mais não traz felicidade. Não há dúvida atribuída aos pesquisadores; há uma tese diferenciada sobre em que faixa o dinheiro pesa.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"denota que os pesquisadores duvidam se o dinheiro interfere ou não na saúde mental e na sensação de felicidade","corrected_statement":"No quinto parágrafo, a locução verbal “pode ser” denota que o dinheiro é um dos fatores possíveis entre os que interferem na saúde mental e na sensação de felicidade.","concept":"Modal de possibilidade não é modal de dúvida do enunciador","citation":null,"trap_note":"Poder marca possibilidade; duvidar é atitude de alguém. O item transforma um verbo modal em estado psicológico dos pesquisadores — leia os períodos seguintes, que costumam afirmar justamente aquilo que o item diz estar em suspenso."}},{"id":"7af1e5e4dff8","number":8,"stem":3,"statement":"No primeiro período do texto, a palavra “ainda” exprime uma circunstância temporal.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_25","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"Em Falar de acesso à Internet no Brasil é, ainda, falar de desigualdade, o advérbio situa a afirmação no tempo: até o momento presente, apesar do que já se avançou, a desigualdade persiste. É o valor de continuidade temporal, confirmado pelo período seguinte, que contrapõe o avanço da digitalização à parcela que permanece desconectada. Ainda também pode valer intensidade ou concessão, mas não é o caso aqui.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Ainda com valor de continuidade temporal","citation":null,"trap_note":"Ainda tem três valores em prova: tempo (até agora), intensidade (ainda melhor) e concessão (ainda que). Quem decide é a posição e o que se pode opor à afirmação."}},{"id":"e8bc0625a548","number":9,"stem":4,"statement":"No trecho “já não é mais a mesma pessoa” (terceiro período do primeiro parágrafo), a omissão da palavra “já” — não é mais a mesma pessoa — ou da palavra “mais” — já não é a mesma pessoa — não prejudicaria a coerência das ideias do texto.","answer":"C","source":{"slug":"TCU_25_TEFC","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"Em já não é mais a mesma pessoa, já e mais reforçam a mesma informação: a mudança de estado em relação a um momento anterior. Um basta para veicular essa ideia, e por isso qualquer das duas supressões deixa a frase gramatical e compatível com a tese do parágrafo, segundo a qual quem usou a roupa de outrora não é hoje o mesmo. O item não afirma identidade absoluta de sentido, e sim que a coerência não seria prejudicada.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Reforço redundante: supressão que não afeta a coerência","citation":null,"trap_note":"Distinga o que o item promete. Coerência mantida é exigência mais branda que sentidos preservados: elementos de reforço podem cair sem quebrar a coerência ainda que a ênfase diminua."}},{"id":"4f14ae1e0260","number":9,"stem":5,"statement":"O significado do vocábulo “diuturnamente” alude ao período diurno, logo se depreende da leitura do primeiro período do segundo parágrafo que a venda dos fluxos de experiência acontece especificamente de dia.","answer":"E","source":{"slug":"TELEBRAS_25","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"Diuturno não é diurno: significa o que dura muito tempo, o que se dá continuamente, dia e noite. O texto diz que os fluxos da experiência humana são vendidos diuturnamente nas estruturas plataformizadas, isto é, ininterruptamente. A conclusão do item repousa inteiramente na confusão com o período diurno e, desfeita ela, cai também a restrição de que a venda ocorreria só de dia.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"alude ao período diurno, logo se depreende da leitura do primeiro período do segundo parágrafo que a venda dos fluxos de experiência acontece especificamente de dia","corrected_statement":"O significado do vocábulo “diuturnamente” alude à continuidade, logo se depreende da leitura do primeiro período do segundo parágrafo que a venda dos fluxos de experiência acontece ininterruptamente.","concept":"Diuturno (contínuo) × diurno (do dia)","citation":null,"trap_note":"Quando o item constrói uma conclusão sobre a glosa que ele mesmo propôs, ataque a glosa: derrubada a premissa lexical, a conclusão cai junto. Diuturno, matutino, vespertino e diurno não formam família."}},{"id":"6d5c87b1fece","number":10,"stem":2,"statement":"O vocábulo “achado” (primeiro período do terceiro parágrafo) tem o mesmo sentido de descoberta.","answer":"C","source":{"slug":"MP_CE_25_SERVIDOR","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"Achado, como substantivo, designa aquilo que se achou — e, na linguagem da pesquisa, o resultado encontrado por um estudo. O texto fala no principal achado da pesquisa e passa a enunciar a conclusão sobre os relacionamentos. Descoberta ocupa o mesmo lugar nesse registro.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Achado como resultado de pesquisa","citation":null,"trap_note":"Particípio substantivado guarda o sentido do verbo de origem. Achado, dito, feito, escrito e achados de exame nomeiam o produto da ação, e a glosa correta costuma ser o substantivo abstrato correspondente."}},{"id":"5bc140ce1852","number":10,"stem":3,"statement":"Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência das ideias do texto caso se substituísse o verbo “usufruir” (segundo período do primeiro parágrafo) por desfrutar.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_25","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"Usufruir e desfrutar compartilham a acepção de gozar de algo, tirar proveito, e compartilham também a regência: ambos admitem complemento com a preposição de. Como o texto traz usufruir dos recursos digitais, a troca produz desfrutar dos recursos digitais, sequência correta e coerente com a ideia de acesso efetivo. O item pede correção e coerência, e as duas se sustentam.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Sinonímia com regência compatível","citation":null,"trap_note":"Troca de verbo só sobrevive se a preposição do texto continuar cabendo. Antes de aceitar, releia o encontro do verbo novo com o complemento que já estava lá."}},{"id":"14e12206d0a3","number":13,"stem":4,"statement":"A palavra “incólume” (último período do segundo parágrafo) está empregada com o mesmo sentido de inalterado.","answer":"C","source":{"slug":"TCU_25_TEFC","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"O próprio período glosa o adjetivo: nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas. Incólume é o que atravessa algo sem sofrer dano nem alteração, e a oração seguinte explicita que o que está em jogo ali são as transformações. Inalterado recobre esse valor no contexto.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Incólume: que sai sem alteração nem dano","citation":null,"trap_note":"Quando a frase traz um aposto ou uma oração explicativa logo depois da palavra, ela é a glosa autorizada pelo texto. Compare a opção oferecida com essa glosa, não com o dicionário."}},{"id":"2b4a43015414","number":13,"stem":3,"statement":"A palavra “disparidade” (primeiro período do terceiro parágrafo) está empregada no texto com o mesmo sentido de assimetria.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_25","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"Disparidade é a falta de paridade, a diferença entre partes que deveriam equivaler-se; assimetria é a falta de simetria, a desproporção entre lados. No contexto, o texto trata da distribuição desigual de investimentos e de qualidade de conexão entre regiões, e os dois termos nomeiam essa mesma desproporção. A glosa não introduz nenhum traço que o texto não sustente.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Disparidade = assimetria: desproporção entre partes","citation":null,"trap_note":"Dois termos formados por negação do mesmo tipo de ideia — paridade e simetria — convergem quando o contexto trata de distribuição. A equivalência falha quando um deles carrega juízo de valor que o outro não tem."}},{"id":"2e1147492bae","number":15,"stem":6,"statement":"A palavra “referência” (segundo período do terceiro parágrafo) é empregada no texto com o sentido de alusão.","answer":"C","source":{"slug":"CAU_MG_25","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"No trecho, a expressão denominada domesticação da circulação dos fluidos é dita em referência ao pioneiro sistema urbano de redes das cidades inglesas, ou seja, remetendo a ele sem o descrever. Alusão é justamente a menção indireta a algo que se evoca. Referência tem outras acepções — a fonte citada, o padrão de comparação, o atestado —, mas nenhuma delas cabe na construção em referência a.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Referência como menção que remete a algo","citation":null,"trap_note":"Palavra polissêmica dentro de locução tem o sentido fixado pela locução. Em referência a, com referência a e fazer referência a só admitem a leitura de menção."}},{"id":"ed0e61c4e422","number":19,"stem":7,"statement":"O vocábulo ‘paliativas’ (segundo período do terceiro parágrafo) poderia ser substituído, sem comprometimento da coerência das ideias do texto, por protelatórias.","answer":"C","source":{"slug":"CD_25_NS","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"A fala citada opõe medidas paliativas a ações efetivas: o tempo das medidas paliativas acabou, é hora de os governos agirem para assegurar assento igual às mulheres. Paliativo é o que alivia sem resolver e, por isso, adia; protelatório é o que serve para adiar. No encadeamento do parágrafo, que denuncia progresso lento e retrocesso, a troca conserva a crítica e a coerência — que é só o que o item promete.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Paliativo e protelatório: adiamento sem solução","citation":null,"trap_note":"Repare no que o enunciado promete: sem comprometimento da coerência é menos que sem alteração de sentido. Quanto mais modesta a promessa, mais fácil ela se sustentar."}},{"id":"25b7f326219d","number":19,"stem":8,"statement":"No primeiro período do último parágrafo, a palavra “relevante” está empregada com o mesmo sentido de notório.","answer":"E","source":{"slug":"TCE_RS_25","ano":2025},"explanation":{"verdict_reason":"Relevante qualifica o que tem importância, o que pesa na decisão — a pegada de carbono torna-se um fator relevante de atenção da indústria. Notório qualifica o que é sabido por todos, público, de conhecimento geral. Um fator pode ser importante sem ser conhecido, e o texto vinha justamente de afirmar que falta informação e transparência ao consumidor, o que exclui a leitura de notoriedade.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está empregada com o mesmo sentido de notório","corrected_statement":"No primeiro período do último parágrafo, a palavra “relevante” está empregada com o mesmo sentido de importante.","concept":"Relevante (importante) × notório (sabido por todos)","citation":null,"trap_note":"Importância e divulgação são eixos distintos. Relevante, significativo e crucial medem peso; notório, patente e manifesto medem visibilidade."}},{"id":"1c7171bd5e1b","number":1,"stem":9,"statement":"Infere-se do primeiro período do texto, pela sequência das ações enumeradas, um único sentido para a palavra “abluções”: o de orações.","answer":"E","source":{"slug":"PREF_CACHOEIRO_24_ADM","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Ablução é a lavagem do corpo, o ato de asseio que pode ou não ter caráter ritual — nunca a reza em si. A enumeração do primeiro período é uma sequência de gestos matinais domésticos: levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo, abro a porta. É essa vizinhança que fixa a leitura da higiene pessoal e exclui a de orações.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"um único sentido para a palavra “abluções”: o de orações","corrected_statement":"Infere-se do primeiro período do texto, pela sequência das ações enumeradas, um único sentido para a palavra “abluções”: o de lavagens do corpo.","concept":"Ablução: lavagem, não oração","citation":null,"trap_note":"Palavra com aura religiosa nem sempre nomeia o ato religioso. A enumeração em que ela aparece é o teste: gestos da mesma espécie a puxam para o sentido mais concreto."}},{"id":"c209ad523aa5","number":1,"stem":10,"statement":"Conclui-se da leitura do último período do texto que, consoante às ideias apresentadas, a palavra “pacto” tem o mesmo significado de “acordo”.","answer":"E","source":{"slug":"INOVERSASUL_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O último período opõe explicitamente os dois termos: não é um acordo entre o superior e o inferior, mas um pacto entre o todo e cada um dos seus membros. O texto reserva acordo para o ajuste entre partes desiguais e pacto para o compromisso do corpo político com cada cidadão, fundado no contrato social e igual para todos. Onde o autor constrói uma oposição, não se pode afirmar identidade de significado.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"a palavra “pacto” tem o mesmo significado de “acordo”","corrected_statement":"Conclui-se da leitura do último período do texto que, consoante às ideias apresentadas, a palavra “pacto” opõe-se, no texto, ao significado de “acordo”.","concept":"Termos que o texto opõe não são sinônimos no texto","citation":null,"trap_note":"Dois termos podem ser sinônimos na língua e antônimos no texto. Quando o autor escreve não é X, mas Y, ele suspendeu a sinonímia — e o item que a restabelece está errado."}},{"id":"eb571c7bc7da","number":2,"stem":11,"statement":"O vocábulo “mnemônica” (último período do primeiro parágrafo) está empregado no sentido de prolongada.","answer":"E","source":{"slug":"MP_GO_24_SERVIDOR","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Mnemônico é o que diz respeito à memória ou auxilia a memorização, do grego mneme. O período afirma que o pensamento da cultura oral foi moldado pela repetição, pelos padrões rítmicos ou por alguma forma mnemônica — recursos que ajudam a recordar, retomando a tese de que na oralidade só se sabe o que se pode recordar. Prolongada não é sentido do termo e desfaz a ligação com a memória, que é o eixo do parágrafo.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está empregado no sentido de prolongada","corrected_statement":"O vocábulo “mnemônica” (último período do primeiro parágrafo) está empregado no sentido de que auxilia a memorização.","concept":"Mnemônico: relativo à memória","citation":null,"trap_note":"Palavra de radical grego ou latino raro se resolve pelo radical, não pela vizinhança sonora. Confirme depois com o tema do parágrafo, que quase sempre repete a ideia do radical em português corrente."}},{"id":"b8050c29a682","number":3,"stem":12,"statement":"No terceiro período, a palavra “negativos” está empregada com o sentido de contraproducentes.","answer":"E","source":{"slug":"FUNPRESP_24_EXE","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Todo o texto sustenta uma tese sobre a percepção: sentimos a dor, não a ausência de dor; saúde, mocidade e liberdade são bens negativos porque não se fazem sentir enquanto se têm. Negativo, ali, é termo técnico do argumento e significa não positivo, desprovido de manifestação sensível. Contraproducente qualificaria esses bens como produtores de efeito contrário ao desejado, juízo que o texto em nenhum momento faz — ele os chama de os três maiores bens da vida.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está empregada com o sentido de contraproducentes","corrected_statement":"No terceiro período, a palavra “negativos” está empregada com o sentido de não perceptíveis enquanto presentes.","concept":"Negativo como não manifesto, não como nocivo","citation":null,"trap_note":"Quando o autor usa uma palavra comum como termo de sua argumentação, a definição válida é a que ele mesmo construiu nos períodos vizinhos, e não a do uso corrente."}},{"id":"55a331cb17f5","number":3,"stem":13,"statement":"No último parágrafo, o vocábulo “competindo” está empregado com sentido equivalente ao de cabendo.","answer":"C","source":{"slug":"TRT10_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Competir, com complemento introduzido por a, significa caber, ser da atribuição de alguém — e é assim que o texto diz competindo ao Poder Judiciário equilibrar a aplicação da norma. Cabendo ocupa o mesmo lugar e mantém a mesma regência, com o mesmo a do complemento. A acepção de disputar, que o verbo também tem, exige outra construção (competir com alguém por algo) e não é ativada aqui.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Competir a alguém: caber, incumbir","citation":null,"trap_note":"O mesmo verbo muda de sentido conforme a preposição: competir a é caber; competir com é disputar. A preposição que está no texto seleciona a acepção antes de qualquer dicionário."}},{"id":"0266ff5ab0db","number":4,"stem":14,"statement":"O vocábulo “ousada” (segundo período do segundo parágrafo) é empregado no texto como sinônimo de arriscada ou perigosa.","answer":"E","source":{"slug":"EMBRAPA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O autor abre o texto dizendo que considerou fantásticas as duas ideias de que vai tratar, e é dentro desse elogio que chama de ousada a teoria de Lisa Ganski: ousada, ali, é audaciosa, inovadora, que rompe com o esperado. Arriscada e perigosa introduzem a previsão de dano, juízo negativo que o texto não faz em momento algum — ao contrário, ele conclui que o meio ambiente agradece. A acepção de risco existe no adjetivo, mas não é a selecionada pelo contexto.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"é empregado no texto como sinônimo de arriscada ou perigosa","corrected_statement":"O vocábulo “ousada” (segundo período do segundo parágrafo) é empregado no texto como sinônimo de audaciosa ou inovadora.","concept":"Ousado: audacioso, não necessariamente arriscado","citation":null,"trap_note":"Adjetivo de dupla carga — ousado, ambicioso, agressivo, radical — muda de sinal conforme a avaliação que o texto faz. Ache o juízo do autor antes de escolher entre a leitura elogiosa e a crítica."}},{"id":"c558bbb53333","number":5,"stem":15,"statement":"No texto, o vocábulo “irrompe” (sexto período do primeiro parágrafo) está empregado com o mesmo sentido de desponta.","answer":"C","source":{"slug":"ANM_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Irromper é surgir de repente, manifestar-se com ímpeto — e o texto usa o verbo para a guerra que começa: se a guerra irrompe, o carvão é ainda mais necessário. Despontar é começar a aparecer, dar os primeiros sinais de existência. No contexto de um acontecimento que passa a existir, as duas formas descrevem o mesmo surgimento, e o item pede o sentido com que o vocábulo está empregado, não a intensidade com que aparece.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Irromper: surgir, manifestar-se","citation":null,"trap_note":"Glosa com verbo de mesma acepção e menor intensidade costuma ser aceita pela banca. O que ela rejeita é a glosa que muda o tipo de processo — surgir, terminar, prolongar-se."}},{"id":"883deb6524ef","number":6,"stem":16,"statement":"No último período do texto, “astenia” significa tontura.","answer":"E","source":{"slug":"PREF_CACHOEIRO_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Astenia é falta de força, fraqueza orgânica, e o próprio período explicita o efeito: a astenia deixa o corpo avesso aos mínimos esforços. Tontura é perturbação do equilíbrio, sensação de vertigem, que nada tem a ver com a incapacidade de esforço descrita ali. O narrador vinha justamente enumerando a falta de energia e o corpo moído.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"“astenia” significa tontura","corrected_statement":"No último período do texto, “astenia” significa fraqueza.","concept":"Astenia: ausência de força","citation":null,"trap_note":"Termo médico se decompõe: astenia é a-sthenos, sem força; anosmia, sem olfato; afasia, sem fala. A glosa que descreve outro sintoma do mesmo quadro clínico não serve — a banca conta com a associação frouxa."}},{"id":"3551bd35d83e","number":6,"stem":17,"statement":"O verbo debruçar, conforme empregado no terceiro período do primeiro parágrafo, significa inclinar-se ou tornar-se propenso a realizar algo.","answer":"E","source":{"slug":"BDMG_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Debruçar-se sobre uma questão é dedicar-se a estudá-la com atenção, e é o que o texto diz de Kahneman e Deaton, que se debruçam para valer sobre a pergunta. As duas glosas oferecidas falham: inclinar-se é o sentido físico, que exige corpo e apoio material, e tornar-se propenso é disposição para agir, não investigação. O contexto é de pesquisa premiada com o Nobel, e o complemento é uma questão, não um parapeito nem uma escolha.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"significa inclinar-se ou tornar-se propenso a realizar algo","corrected_statement":"O verbo debruçar, conforme empregado no terceiro período do primeiro parágrafo, significa dedicar-se ao estudo de algo.","concept":"Debruçar-se sobre: dedicar-se ao exame de","citation":null,"trap_note":"Verbo pronominal com preposição fixa tem sentido próprio, distinto do verbo literal. Debruçar-se sobre, voltar-se para e ater-se a só se leem como unidade."}},{"id":"96214ff24629","number":6,"stem":18,"statement":"A coerência das ideias do terceiro período do segundo parágrafo seria mantida caso o termo “longeva” fosse substituído por distante.","answer":"E","source":{"slug":"PREF_CACHOEIRO_24_GUARDA","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Longevo é o que dura muito tempo, e o texto destaca o Espírito Santo por ter uma ação mais longeva, isto é, mais antiga e continuada — leitura confirmada logo adiante, quando se fala em manter um programa central e em visão de longo prazo. Distante situa algo afastado no tempo ou no espaço e nada diz sobre duração: uma ação distante poderia ter sido brevíssima e já encerrada. A troca não conservaria o encadeamento das ideias.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"seria mantida caso o termo “longeva” fosse substituído por distante","corrected_statement":"A coerência das ideias do terceiro período do segundo parágrafo seria mantida caso o termo “longeva” fosse substituído por duradoura.","concept":"Duração × localização no tempo","citation":null,"trap_note":"Adjetivo temporal pode medir duração (longevo, duradouro, perene) ou posição (antigo, remoto, distante, recente). A banca troca um pelo outro porque ambos soam a tempo."}},{"id":"cafda1385f3a","number":6,"stem":19,"statement":"A substituição de “ainda” (primeiro período do quarto parágrafo) por porém preservaria a correção gramatical do texto sem prejudicar a coerência de suas ideias, apesar de os referidos termos terem sentidos distintos.","answer":"C","source":{"slug":"ANM_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O próprio item admite a perda: diz que os termos têm sentidos distintos e promete apenas correção gramatical e coerência. Em Há, ainda, um obstáculo anterior, o ainda acrescenta mais um obstáculo à lista; porém, entre vírgulas na mesma posição, opõe o obstáculo ao que se vinha dizendo. A frase resultante é gramatical e faz sentido no encadeamento — o parágrafo anterior narrava avanços —, e é só isso que o item afirma.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Adição × oposição: troca que preserva a correção e muda o valor","citation":null,"trap_note":"Item que concede a perda costuma ser certo. Quando o enunciado já diz que o sentido muda, resta conferir só o que ele promete manter — normalmente a gramática, que é a parte barata de verificar."}},{"id":"0f09bdc7d34b","number":7,"stem":16,"statement":"O vocábulo “prenúncio” (segundo período do segundo parágrafo) está empregado com o mesmo sentido de sinal.","answer":"C","source":{"slug":"PREF_CACHOEIRO_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Prenúncio é o que anuncia antecipadamente algo que virá, e o texto diz que os calafrios eram o prenúncio de uma doença que quase o levou. Sinal, no contexto de sintoma que antecede a manifestação plena, ocupa exatamente esse lugar: aquilo que indica a doença antes dela. A construção não muda, pois ambos pedem complemento com de.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Prenúncio: indício antecipador","citation":null,"trap_note":"A glosa mais genérica costuma ser aceita quando contém o traço essencial do termo. Sinal é mais amplo que prenúncio, mas o contexto de antecedência já estava dado pelo período."}},{"id":"6782e8665c5c","number":7,"stem":20,"statement":"No contexto em que é empregada, a palavra “contíguos” (segundo período do primeiro parágrafo) tem o sentido de em conjunto.","answer":"E","source":{"slug":"TRF6_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Contíguo é o que está imediatamente ao lado, que faz limite — no trecho, os 48 estados contíguos são os que formam bloco territorial contínuo, por oposição aos que ficam separados. Em conjunto é locução adverbial e informa que algo se faz em bloco, conjuntamente; não qualifica os estados, apenas modificaria o modo da comparação. A palavra do texto descreve a posição dos estados entre si, e não o modo de tomá-los.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"tem o sentido de em conjunto","corrected_statement":"No contexto em que é empregada, a palavra “contíguos” (segundo período do primeiro parágrafo) tem o sentido de adjacentes.","concept":"Contíguo: que faz limite, adjacente","citation":null,"trap_note":"Confira a classe da glosa: adjetivo se troca por adjetivo. Quando a banca oferece uma locução adverbial no lugar de um adjetivo, a construção já não é a mesma, ainda antes da discussão de sentido."}},{"id":"d119a6329ae2","number":7,"stem":21,"statement":"No último período do nono parágrafo, o deslocamento do vocábulo “certa” para logo após “ousadia” alteraria o sentido do termo deslocado, bem como a classe de palavras a que ele pertence.","answer":"C","source":{"slug":"EMBRAPA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Antes do substantivo, certa é pronome indefinido e quantifica de modo vago: certa ousadia é alguma ousadia, uma dose não determinada dela. Posposto, o mesmo vocábulo passa a adjetivo e qualifica: ousadia certa é a ousadia acertada, adequada. Mudam, portanto, as duas coisas que o item afirma — a classe da palavra e o sentido que ela veicula.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Certa anteposta (indefinido) × posposta (adjetivo)","citation":null,"trap_note":"Um grupo fechado de palavras muda de classe e de valor conforme a posição: certo, mesmo, próprio, grande, simples, novo, único. Anteposta quantifica ou avalia; posposta classifica."}},{"id":"00ad91a3e345","number":7,"stem":22,"statement":"A forma verbal “requerem” (segundo período do segundo parágrafo) está empregada no texto com o sentido de demandam, necessitam de.","answer":"C","source":{"slug":"TCE_AC_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O texto define as compras públicas inovadoras como as de bens que precisam ser aperfeiçoados ou que requerem pesquisa e inovação para atender às necessidades dos usuários. Requerer, aqui, não é pedir formalmente nem reclamar em juízo: é exigir como condição, demandar. Demandam e necessitam de cobrem exatamente essa acepção, e a regência do segundo elemento vem corrigida com a preposição.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Requerer: exigir como condição","citation":null,"trap_note":"Quando a glosa vem com preposição colada — necessitam de —, a banca já acertou a regência. Desconfie mais da glosa que troca o verbo e mantém o complemento sem ajuste."}},{"id":"f78e0cc826b7","number":8,"stem":19,"statement":"Pelo emprego da palavra “resilientes” (final do segundo parágrafo), entende-se que equipes diversas têm a capacidade de se recuperar facilmente ou de se adaptar às mudanças.","answer":"C","source":{"slug":"ANM_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Resiliente, no uso corrente e no técnico, designa quem se recupera do impacto ou se ajusta a condições novas. O texto lista propriedades das equipes diversas — mais produtivas, mais seguras, mais criativas e resilientes —, de modo que o adjetivo qualifica a equipe como capaz de recuperar-se e de adaptar-se. A paráfrase do item apenas desdobra as duas faces reconhecidas do termo.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Resiliência: recuperação e adaptação","citation":null,"trap_note":"Glosa com ou entre duas acepções vizinhas quase sempre é certa: basta que uma delas caiba no contexto. O perigoso é a glosa única e estreita."}},{"id":"1624eac98434","number":9,"stem":23,"statement":"A forma verbal ‘minimizar’ (segundo período do segundo parágrafo) está empregada no texto com o sentido de subestimar.","answer":"E","source":{"slug":"SEMED_ARACAJU_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Minimizar, no trecho, é reduzir efetivamente: as ações educativas na primeira infância têm o poder de minimizar a carga que as demais políticas públicas carregam, e o período seguinte confirma a leitura ao falar em reduzir os custos sociais no futuro. Subestimar é avaliar abaixo do que vale, operação de julgamento que não altera a coisa avaliada. A carga diminui de fato; ninguém a está avaliando por baixo.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está empregada no texto com o sentido de subestimar","corrected_statement":"A forma verbal ‘minimizar’ (segundo período do segundo parágrafo) está empregada no texto com o sentido de reduzir.","concept":"Minimizar (reduzir de fato) × subestimar (avaliar por baixo)","citation":null,"trap_note":"Separe verbo de ação de verbo de avaliação. Minimizar, atenuar e mitigar mudam a coisa; subestimar, menosprezar e desconsiderar mudam o juízo sobre ela."}},{"id":"90e2b78b3cf9","number":9,"stem":24,"statement":"No texto, a palavra “creditadas” (último período do primeiro parágrafo) tem o mesmo sentido de atribuídas.","answer":"C","source":{"slug":"PREF_CACHOEIRO_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Creditar algo a alguém é lançar na conta de, atribuir a autoria ou a origem. O texto fala em inovações recentes creditadas à inteligência artificial que, na verdade, decorrem da automatização de tarefas — ou seja, foram atribuídas a ela indevidamente. Atribuídas mantém o valor e a mesma regência com a preposição a, já presente na contração à.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Creditar a: atribuir a origem","citation":null,"trap_note":"Verbo de origem contábil usado em sentido figurado guarda a estrutura de origem: creditar a, debitar a, imputar a. Se a glosa mantém a mesma preposição, a troca costuma passar."}},{"id":"4e8e16d58e94","number":9,"stem":25,"statement":"A correção e o sentido do texto seriam mantidos caso a expressão “mais ou menos” (segundo período do primeiro parágrafo) fosse substituída por comedidamente.","answer":"E","source":{"slug":"MPS_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Em um fato de natureza médica mais ou menos duradouro, a locução gradua o adjetivo: o fato é duradouro em maior ou menor grau, com duração aproximada. Comedidamente é advérbio de modo, indica moderação no agir e não serve para graduar adjetivo — um fato comedidamente duradouro não diz coisa alguma. A troca quebra a construção e substitui a ideia de aproximação pela de moderação.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"fosse substituída por comedidamente","corrected_statement":"A correção e o sentido do texto seriam mantidos caso a expressão “mais ou menos” (segundo período do primeiro parágrafo) fosse substituída por aproximadamente.","concept":"Locução graduadora de adjetivo × advérbio de modo","citation":null,"trap_note":"Antes de julgar o sentido, veja o que a expressão modifica. Palavra que gradua adjetivo (mais ou menos, bastante, algo) não se troca por advérbio de modo, que modifica verbo."}},{"id":"89ad6dd963e0","number":10,"stem":26,"statement":"O sentido do termo “latência” (segundo período do segundo parágrafo), no contexto em que se insere, corresponde a estado daquilo que se encontra oculto, não manifesto.","answer":"C","source":{"slug":"TRF6_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Latência vem de latere, estar escondido, e designa a condição do que existe mas ainda não se manifesta — daí latente, oculto, não aparente. A glosa do item reproduz exatamente esse conteúdo, sem lhe acrescentar a ideia de demora nem a de inexistência. O termo afirma a presença do fenômeno e nega apenas sua manifestação.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Latência: existente, porém não manifesto","citation":null,"trap_note":"Latente não é lento nem inexistente. Guarde o par: o que está latente existe e não aparece; o que é patente existe e aparece."}},{"id":"7022230999a3","number":10,"stem":27,"statement":"No segundo período do terceiro parágrafo, a forma verbal “anuísse” tem o mesmo sentido de assentisse.","answer":"C","source":{"slug":"MP_TO_24_SERVIDOR","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Anuir é concordar, dar consentimento; assentir é exatamente o mesmo ato de aquiescer. O texto diz que, até 1962, as mulheres casadas só podiam trabalhar fora se o marido anuísse, e a troca por assentisse mantém o mesmo verbo de consentimento, no mesmo tempo e modo, sem complemento que precise de ajuste. A equivalência vale aqui porque os dois verbos aparecem sem objeto, construção em que ambos se comportam do mesmo modo.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Anuir = assentir: consentir","citation":null,"trap_note":"Verbos de consentimento — anuir, assentir, aquiescer, consentir — permutam bem quando vêm sem complemento. Com complemento, cada um pede sua preposição, e é aí que a troca costuma quebrar."}},{"id":"9246be1c31c3","number":11,"stem":28,"statement":"O sentido da palavra “onerar” (último período do texto) é, no contexto em que se insere, o mesmo de potencializar.","answer":"E","source":{"slug":"FUNPRESP_24_EXE","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Onerar é impor ônus, sobrecarregar, tornar mais custoso. No fecho do texto, a escassez de tempo vai onerar o dinheiro: quem começa tarde a poupar precisa aportar mais, isto é, o custo sobe. Potencializar é ampliar a força ou o rendimento de algo, leitura positiva que inverteria a conclusão do autor sobre a mulher madura que poupa menos e tarde.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"o mesmo de potencializar","corrected_statement":"O sentido da palavra “onerar” (último período do texto) é, no contexto em que se insere, o mesmo de sobrecarregar.","concept":"Onerar: impor ônus, encarecer","citation":null,"trap_note":"Duas palavras podem descrever aumento e ainda assim não se equivaler: onerar aumenta o peso suportado, potencializar aumenta a capacidade. Confira o sinal — vantagem ou prejuízo — que o contexto atribui ao aumento."}},{"id":"8234e9607684","number":12,"stem":29,"statement":"No primeiro período do texto, a forma verbal “levaria” poderia ser substituída por ganharia, sem prejuízo dos sentidos do texto.","answer":"C","source":{"slug":"PREF_CACHOEIRO_24_ADM","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O período é hipotético: se houvesse um concurso, Cachoeiro de Itapemirim levaria com folga. Levar, aqui, está na acepção coloquial de vencer, abocanhar o prêmio, e ganharia ocupa o mesmo lugar sintático com o mesmo valor, inclusive mantendo o adjunto com folga. Nenhum dos outros sentidos de levar — transportar, conduzir — é ativado pelo contexto de disputa.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Levar no sentido de vencer uma disputa","citation":null,"trap_note":"Verbo de sentido amplo se fixa pelo cenário montado na oração anterior. Havendo concurso, prêmio ou disputa, levar é ganhar; havendo percurso, é conduzir."}},{"id":"1377d46c218f","number":14,"stem":30,"statement":"No primeiro parágrafo, o emprego do vocábulo “sempre” confere um tom categórico ao terceiro período.","answer":"C","source":{"slug":"INOVERSASUL_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O terceiro período afirma que o cientista conta sempre com a existência de uma estrutura de doutrinas já existentes. O advérbio sempre universaliza a afirmação: não em geral, não com frequência, mas em todos os casos. Essa totalização é exatamente o que se chama tom categórico.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Advérbio de totalidade e força assertiva","citation":null,"trap_note":"Palavra pequena carrega valor argumentativo: sempre, nunca, todo e apenas fecham a afirmação; talvez, geralmente e certa a abrem. O item de vocabulário costuma perguntar por esse efeito, não pelo significado."}},{"id":"748275960e40","number":15,"stem":31,"statement":"O vocábulo ‘prestimoso’ (primeiro período do quarto parágrafo) foi empregado no texto com o sentido de que tem utilidade.","answer":"C","source":{"slug":"CPNUJE_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Prestimoso deriva de préstimo, que é utilidade, serventia, e qualifica quem ou o que presta serviço, é útil e prestativo. A glosa do item — que tem utilidade — reproduz o núcleo da palavra sem lhe acrescentar traço nenhum. Note que o item não afirma identidade com um sinônimo, e sim o sentido com que o vocábulo foi empregado.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Prestimoso: útil, que presta serviço","citation":null,"trap_note":"Antes de procurar a palavra no contexto, desmonte o derivado: prestimoso vem de préstimo, pressuroso vem de pressa, presunçoso vem de presunção. Formas próximas na grafia, radicais diferentes."}},{"id":"4aedee56a31e","number":19,"stem":32,"statement":"A expressão “em tese” (primeiro período do quarto parágrafo) poderia ser substituída por a princípio, sem prejuízo dos sentidos e da correção gramatical do texto.","answer":"E","source":{"slug":"EMBRAPA_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Em tese significa teoricamente, no plano da hipótese, em oposição ao que de fato ocorre — e é assim que o texto ressalva a redução dos impactos ambientais atribuída à produção compartilhada. A princípio, na norma, é locução de tempo: no início, de saída. A locução que corresponde ao valor hipotético é em princípio, e a permuta oferecida troca uma ressalva sobre a validade teórica por uma indicação de momento inicial.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"poderia ser substituída por a princípio","corrected_statement":"A expressão “em tese” (primeiro período do quarto parágrafo) poderia ser substituída por em princípio, sem prejuízo dos sentidos e da correção gramatical do texto.","concept":"Em princípio (teoricamente) × a princípio (inicialmente)","citation":null,"trap_note":"Par de locuções que só diferem na preposição e mudam de valor: em princípio é teoricamente; a princípio é no começo. Em tese equivale ao primeiro, nunca ao segundo."}},{"id":"5d71ded51715","number":19,"stem":30,"statement":"No primeiro período do último parágrafo, a expressão “passam por” está empregada com o mesmo sentido de perpassam.","answer":"E","source":{"slug":"INOVERSASUL_24","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"Em monólogos desalentadores que hoje passam por discussão filosófica, passar por é a locução que significa ser tomado por, fazer as vezes de — o autor diz que aqueles monólogos se apresentam como discussão sem o ser. Perpassar é outro verbo: atravessar, percorrer de ponta a ponta. A semelhança é apenas gráfica, e a troca inverteria a crítica em mera descrição de algo que atravessa a discussão.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está empregada com o mesmo sentido de perpassam","corrected_statement":"No primeiro período do último parágrafo, a expressão “passam por” está empregada com o mesmo sentido de fazem as vezes de.","concept":"Passar por (ser tomado por) × perpassar (atravessar)","citation":null,"trap_note":"Verbo com preposição forma uma unidade de sentido própria. Passar por, dar por, ficar por e contar com não significam o que suas partes significam, e o quase homógrafo oferecido raramente é parente semântico."}},{"id":"3122d1a26cb0","number":19,"stem":33,"statement":"O vocábulo “implacável” (primeiro período do segundo parágrafo) tem o mesmo sentido de inexorável.","answer":"C","source":{"slug":"FNDE_24_PSS","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O texto diz que as injustiças recaem de forma implacável sobre populações vulneráveis. Implacável é o que não se aplaca, não cede a súplica; inexorável é o que não se deixa dobrar por rogo e por isso é inevitável. No contexto, ambos qualificam o mesmo modo de recair: sem trégua e sem possibilidade de abrandamento.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Implacável = inexorável: o que não se abranda","citation":null,"trap_note":"Dois adjetivos de origem diferente podem convergir na mesma acepção contextual. Quando a glosa é mais formal que a palavra do texto, isso não invalida a equivalência — registro alto não é mudança de sentido."}},{"id":"b49e76520d44","number":21,"stem":34,"statement":"Segundo o texto, a palavra “democracia”, que é originária da língua grega, foi formada por dois substantivos.","answer":"C","source":{"slug":"PREF_CACHOEIRO_24_ADM","ano":2024},"explanation":{"verdict_reason":"O primeiro período do texto afirma que democracia resulta da composição dos substantivos gregos demos e kratos, e ainda traduz os dois: povo e força, superioridade, poder político. O item apenas repete essa informação explícita, incluindo a classe gramatical que o próprio texto atribui aos elementos.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Composição: dois radicais nominais de origem grega","citation":null,"trap_note":"Item sobre étimo se resolve dentro do texto quando o texto traz a origem. Não recorra ao que você sabe de fora: o enunciado diz segundo o texto, e é a informação de lá que vale."}},{"id":"ed6d2b69cab8","number":2,"stem":35,"statement":"Considerada a perspectiva argumentativa do autor, é correto afirmar que o termo “equilíbrio” (terceiro período do segundo parágrafo) é empregado no texto com conotação negativa.","answer":"C","source":{"slug":"SEFIN_FORTALEZA_CE_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Equilíbrio é palavra de carga normalmente positiva, mas o período a insere em cadeia negativa: as alocações de mercado podem levar a desigualdade não apoiada pelos anseios da população e, nesse caso, o equilíbrio de mercado pode passar a gerar conflitos e a interferir no funcionamento da própria sociedade. O termo designa ali o estado que o Estado precisa corrigir por meio da função redistributiva. É o texto, e não a palavra, que atribui o valor.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Conotação atribuída pelo contexto argumentativo","citation":null,"trap_note":"Conotação não é propriedade fixa da palavra. Quando o enunciado manda considerar a perspectiva argumentativa do autor, o que decide é o papel do termo na tese — mesmo uma palavra de prestígio pode figurar como problema."}},{"id":"1914d32b46af","number":2,"stem":36,"statement":"Com o emprego da expressão ‘em voz alta’ (segundo parágrafo), o sociólogo Fabrício Pereira da Silva sugere uma semelhança entre a escrita de Darcy Ribeiro e o discurso falado.","answer":"C","source":{"slug":"SEDUC_RECIFE_23_PROFESSOR","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O sociólogo diz que, em alguns textos, Darcy parece comentar em voz alta as alternativas para o Brasil. A expressão é figurada: não há som em texto escrito, e o que ela evoca é o modo espontâneo e direto de quem pensa falando. Daí a leitura do item — a escrita se assemelha ao discurso falado —, que é a única compatível com o objeto comentado ser um conjunto de textos.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Em voz alta: oralidade atribuída à escrita","citation":null,"trap_note":"Expressão que descreve fala aplicada a texto escrito é sempre figurada. O sentido a procurar é a qualidade da fala que se transfere: espontaneidade, franqueza, informalidade."}},{"id":"b646fb953c2a","number":2,"stem":37,"statement":"No início do texto, a expressão “paradoxo verde” refere-se a ações ecológicas cujos efeitos são contrários aos propósitos que as motivaram.","answer":"C","source":{"slug":"MME_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O próprio período define a expressão cunhada por Hans-Werner Sinn: políticas climáticas mais restritivas podem ter efeitos indesejáveis, como incentivar a antecipação da extração de combustíveis fósseis, acelerando as mudanças climáticas. O paradoxo está em a medida produzir o contrário do que pretendia. A paráfrase do item reproduz essa estrutura sem acrescentar nada.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Paradoxo: efeito contrário ao propósito","citation":null,"trap_note":"Expressão que o texto apresenta como cunhada por alguém vem quase sempre acompanhada de definição na mesma frase. A glosa correta é a que devolve essa definição."}},{"id":"ac299b21d708","number":4,"stem":38,"statement":"Pelo conceito de “linguagem simples” apresentado na proposta, conforme exposto no texto, entende-se que tal linguagem não se confunde com uma linguagem simplista, isto é, superficial, pouco elaborada e pobre de recursos.","answer":"C","source":{"slug":"TBG_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O texto conceitua linguagem simples como um conjunto de técnicas para transmitir informação de maneira clara e objetiva: ordem direta, voz ativa, frases curtas, ausência de redundâncias e de palavras desnecessárias. Trata-se de elaboração deliberada em favor da clareza, e não de pobreza de recursos. Simples e simplista são formações do mesmo radical com valores opostos nesse ponto: o segundo carrega o juízo de superficialidade que o primeiro não implica.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Simples × simplista","citation":null,"trap_note":"O sufixo muda o juízo embutido na palavra: simples e simplista, econômico e economicista, legal e legalista. O primeiro descreve, o segundo desqualifica."}},{"id":"980e6c99ae39","number":5,"stem":39,"statement":"Na segunda estrofe, o significado das expressões “vãos de abrir” e “opacos de fechar” está em consonância com a tensão que estrutura o poema: a transformação do sujeito que abre novos caminhos para o homem em alguém capaz de encerrá-lo por trás de muros confortáveis.","answer":"C","source":{"slug":"CAU_BR_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Na primeira parte do poema, o arquiteto é o que abre para o homem, e portas valem por passagem, ar, luz, razão. Na segunda, amedrontado por tantos livres, ele renegou dar a viver no claro e aberto: onde havia vãos de abrir passou a erguer opacos de fechar, trocando vidro por concreto até encerrar o homem na capela útero, com confortos de matriz. As duas expressões nomeiam os polos dessa inversão, e a leitura do item acompanha o movimento do texto.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Antítese estruturante: abrir × fechar no poema","citation":null,"trap_note":"Em texto poético, o sentido de uma expressão se lê na oposição que sustenta o poema inteiro. Localize o par antitético e o item costuma se resolver sozinho."}},{"id":"79e75e1fb435","number":7,"stem":40,"statement":"O vocábulo “parábola” (segundo período) está sendo usado com o sentido de adágio.","answer":"E","source":{"slug":"MMA_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Parábola é narrativa alegórica que ilustra uma lição por meio de um caso: o texto trata a crise hídrica como parábola climática, isto é, como caso exemplar do que ocorrerá com o clima. Adágio é ditado, máxima breve de sabedoria popular, uma frase feita e não uma narrativa. A crise descrita ao longo do parágrafo é um enredo com causas e desfecho, não uma sentença proverbial.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está sendo usado com o sentido de adágio","corrected_statement":"O vocábulo “parábola” (segundo período) está sendo usado com o sentido de alegoria exemplar.","concept":"Parábola (narrativa exemplar) × adágio (ditado)","citation":null,"trap_note":"Termos do campo do discurso — parábola, adágio, alegoria, metáfora, paródia, epígrafe — não são intercambiáveis. Pergunte se o que está no texto é uma história, uma frase feita ou uma figura."}},{"id":"c0f7d5ded267","number":7,"stem":41,"statement":"No primeiro parágrafo, “inflexível”, “marrom” e “folhas verdes” relacionam-se a “eucalipto”, enquanto “dobra”, “branco” e “ideias maduras” associam-se a “papel”, apontando para as especificidades de seus significados, mas sem descartar a origem comum de ambos os termos — “eucalipto” e “papel”.","answer":"C","source":{"slug":"CAU_BR_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O período monta três transformações paralelas: o inflexível se dobra, o marrom se torna branco, onde cabiam folhas verdes agora cabem ideias maduras. Em cada par, o primeiro termo descreve o eucalipto e o segundo, o papel que dele se faz, distribuição que o item reproduz sem inverter nenhum par. E o processo quase alquímico anunciado na abertura é justamente o que garante a origem comum dos dois estados.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Paralelismo semântico: estado anterior × estado resultante","citation":null,"trap_note":"Em série de pares paralelos, confira a ordem antes de tudo: a banca costuma inverter um único elemento da lista e deixar os demais certos."}},{"id":"2914ef04e405","number":8,"stem":42,"statement":"No primeiro período do segundo parágrafo, o verbo projetar tem o mesmo sentido de planejar.","answer":"C","source":{"slug":"SEDUC_RECIFE_23_PROFESSOR","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Projetar tem, entre outras acepções, a de conceber antecipadamente, traçar um plano para o que ainda não existe. No trecho, Darcy é apontado como um dos autores que projetaram mais futuros, isto é, que mais desenharam cenários por vir para o Brasil e a América Latina. Nessa acepção, planejar recobre o verbo; as demais acepções de projetar — lançar, arremessar, fazer incidir uma imagem — não cabem no contexto e por isso não interferem no julgamento.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Projetar como conceber de antemão","citation":null,"trap_note":"Palavra polissêmica não se julga pelo conjunto das acepções, e sim pela que o contexto seleciona. Basta que a glosa coincida com essa acepção para o item ser certo."}},{"id":"19e8234ac800","number":8,"stem":43,"statement":"O termo “crucial” (último período do quarto parágrafo) é empregado no texto como sinônimo de decisivo, importante.","answer":"C","source":{"slug":"CNMP_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Crucial qualifica o ponto que decide, aquele em que a coisa se resolve — o texto diz que a Constituição outorgada se afastava pouco do projeto de 1823, mas continha uma diferença crucial: havia um quarto poder, o Moderador. É a diferença que muda tudo, e decisivo e importante são glosas compatíveis com esse valor no contexto. Note que o item admite dupla glosa, e basta que ela caiba.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Crucial: que decide a questão","citation":null,"trap_note":"Palavra de origem figurada — crucial vem de cruz, encruzilhada — costuma vir glosada por par de sinônimos. Confira se o contexto sustenta ao menos o núcleo comum aos dois."}},{"id":"906bd489bb68","number":8,"stem":44,"statement":"O verbo “devassar” (último período do primeiro parágrafo) é empregado com o mesmo sentido de descobrir.","answer":"C","source":{"slug":"SERPRO_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Devassar é penetrar no que está oculto, expor ao conhecimento aquilo que se escondia. O menino quer ficar acordado para devassar de vez o mistério da passagem do ano, ou seja, para desvendá-lo. Descobrir, no sentido de tirar o que cobre e vir a saber, recobre exatamente esse valor no contexto.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Devassar: penetrar o que está oculto","citation":null,"trap_note":"Glosa por palavra mais simples costuma ser aceita: o que a banca cobra não é a equivalência de registro, e sim que a acepção contextual seja a mesma."}},{"id":"2c24833c55ef","number":9,"stem":45,"statement":"Levando-se em consideração a articulação das ideias do primeiro parágrafo, é correto afirmar que a expressão ‘lá fora’ (segundo período) está empregada com o mesmo sentido de internacionalmente.","answer":"C","source":{"slug":"PETROBRAS_23_NM","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"A fala trata do preço de paridade internacional e contrapõe o mercado externo ao consumidor brasileiro: se lá fora o preço do petróleo diminuiu, isso tem de refletir no preço para o consumidor final. Lá fora, nessa articulação, é o exterior, o mercado internacional, e não um lugar físico qualquer. A leitura por internacionalmente é a que o próprio tema do parágrafo impõe.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Dêitico de lugar lido pelo tema do parágrafo","citation":null,"trap_note":"Expressão dêitica — lá fora, aqui dentro, deste lado — só tem sentido no cenário que o texto montou. Identifique os dois polos da oposição e a glosa se impõe."}},{"id":"00ce27a8c6af","number":10,"stem":44,"statement":"A substituição do vocábulo “decerto” (quarto período do terceiro parágrafo) por talvez manteria os sentidos originais e a correção gramatical do texto.","answer":"E","source":{"slug":"SERPRO_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Decerto afirma a convicção do narrador sobre a explicação que dá: as pessoas na rua já estavam, decerto, acostumadas. Talvez faz o contrário, suspende a asserção e a apresenta como hipótese. A construção continuaria gramatical, mas a substituição troca certeza por dúvida, e o item promete manter os sentidos originais.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"por talvez manteria os sentidos originais","corrected_statement":"A substituição do vocábulo “decerto” (quarto período do terceiro parágrafo) por certamente manteria os sentidos originais e a correção gramatical do texto.","concept":"Modalizador de certeza × modalizador de dúvida","citation":null,"trap_note":"Advérbio modalizador é o alvo preferido: decerto, certamente e sem dúvida afirmam; talvez, possivelmente e quiçá hipotetizam. A frase resultante fica impecável, e é só o grau de compromisso do autor que muda."}},{"id":"315667ac8022","number":10,"stem":46,"statement":"No segundo período do segundo parágrafo, o termo “inadvertidamente” é empregado com o sentido de desavisadamente.","answer":"C","source":{"slug":"DATAPREV_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Inadvertido é o que se faz sem advertência, sem que o agente se dê conta. A citação diz que situações de crise levam empregadores a, inadvertidamente, esquecer ou não investir em medidas de proteção, e o advérbio atenua a acusação: o descuido não é deliberado. Desavisadamente carrega a mesma ideia de agir sem perceber, sem estar advertido.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Inadvertidamente: sem se dar conta","citation":null,"trap_note":"Advérbio que atenua a responsabilidade do agente — inadvertidamente, involuntariamente, desavisadamente — permuta bem. A troca que a banca rejeita é a que transforma descuido em intenção."}},{"id":"98daac15f853","number":11,"stem":47,"statement":"No segundo período do primeiro parágrafo, “remanescentes” tem o mesmo sentido de permanentes.","answer":"E","source":{"slug":"MME_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Remanescente é o que resta de um todo já parcialmente consumido: o texto fala em manter no solo grandes quantidades remanescentes de combustíveis fósseis, isto é, as reservas ainda não extraídas. Permanente qualifica o que dura sem fim, o que não cessa — e reservas fósseis são, por definição, finitas e em vias de esgotamento. O texto trata do que sobrou, não do que permanece para sempre.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"“remanescentes” tem o mesmo sentido de permanentes","corrected_statement":"No segundo período do primeiro parágrafo, “remanescentes” tem o mesmo sentido de restantes.","concept":"Remanescente (o que resta) × permanente (o que dura)","citation":null,"trap_note":"Remanescer é restar; permanecer é continuar. A semelhança sonora encobre uma diferença de aspecto: um mede quantidade que sobrou, o outro mede duração."}},{"id":"77fb24e2ffc4","number":11,"stem":48,"statement":"No primeiro período do segundo parágrafo, a palavra “implicações” tem o mesmo sentido de impertinências.","answer":"E","source":{"slug":"TJ_ES_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Implicações são consequências, desdobramentos que decorrem de uma ideia — e o texto diz que Tully aponta as implicações históricas desse pensamento, passando logo em seguida a listar o que dele decorreu: terras consideradas vagas e povos punidos ou destruídos. Impertinências são inconveniências, despropósitos, e trazem um juízo sobre a qualidade do que se disse. A palavra do texto encadeia causa e efeito; a oferecida apenas desqualifica.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"tem o mesmo sentido de impertinências","corrected_statement":"No primeiro período do segundo parágrafo, a palavra “implicações” tem o mesmo sentido de consequências.","concept":"Implicação: o que decorre de uma premissa","citation":null,"trap_note":"Implicação, implicância e impertinência partem do mesmo verbo e divergem por completo. Se o contexto encadeia causa e efeito, o termo está no sentido lógico, e glosa de juízo de valor não serve."}},{"id":"4dd53e7162ee","number":11,"stem":49,"statement":"Pelo trecho “(ainda) limitada” (final do primeiro parágrafo), entende-se que a limitação da IA é algo que ocorre até o momento, com possibilidade de mudança desse cenário.","answer":"C","source":{"slug":"TBG_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Ainda, junto de um adjetivo de estado, marca que a propriedade vale até o momento presente e pode deixar de valer. O autor escreve compartimentada e (ainda) limitada, e os parênteses isolam justamente a ressalva temporal, sinalizando que a limitação da inteligência artificial é provisória. A leitura do item recolhe as duas notas do advérbio nesse uso: vigência atual e abertura para a mudança.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Ainda: estado atual passível de mudança","citation":null,"trap_note":"Parênteses em torno de uma palavra não a tornam acessória: costumam destacar a ressalva que o autor quer que você registre. Leia o que está entre eles como comentário deliberado."}},{"id":"b2cf0ab717a4","number":12,"stem":49,"statement":"Sabendo-se que, segundo o dicionário, a palavra “cipoal” (segundo parágrafo) remete à ideia de algo emaranhado, embaraçado, conclui-se, pelos sentidos do texto, que ela se refere à complexidade dos “estudos” e “opiniões” citados.","answer":"C","source":{"slug":"TBG_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Cipoal designa a mata cerrada de cipós e, em sentido figurado, o emaranhado do qual é difícil sair — sentido que o próprio enunciado fornece. No texto, a palavra vem seguida de de estudos e opiniões apresentados sobre a inovação tecnológica, e o período conclui que, apesar disso, ainda se pergunta o básico sobre o ChatGPT. A imagem transfere para esse conjunto de textos a ideia de emaranhamento, isto é, de complexidade confusa.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Metáfora do emaranhado aplicada ao debate","citation":null,"trap_note":"Quando o enunciado entrega a definição de dicionário, o que resta julgar é apenas a aplicação ao contexto: veja a que sintagma a palavra se liga e se o traço transferido cabe nele."}},{"id":"a5a4560602e0","number":12,"stem":47,"statement":"No segundo período do primeiro parágrafo, “crucial” é empregado com o sentido de fundamental.","answer":"C","source":{"slug":"MME_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Crucial designa o ponto decisivo, aquele de que tudo depende — o texto chama de aspecto crucial a necessidade de acordos internacionais que mantenham os fósseis no solo, apresentando-a como condição do resto. Fundamental nomeia o que serve de base, aquilo sem o qual o restante não se sustenta. No contexto argumentativo, as duas glosas apontam para a mesma coisa: sem isso, nada feito.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Crucial = fundamental: condição decisiva","citation":null,"trap_note":"Adjetivos de importância — crucial, fundamental, essencial, decisivo, primordial — costumam permutar em texto argumentativo. Rejeite a permuta apenas se o texto tiver criado hierarquia entre eles."}},{"id":"1842c8ccc808","number":13,"stem":47,"statement":"No penúltimo período do último parágrafo, “negligenciaram” é sinônimo de refutaram.","answer":"E","source":{"slug":"MME_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Negligenciar é descuidar, deixar de dar a devida atenção — o texto prevê que grandes nomes do setor possam ser lembrados como aqueles que negligenciaram a ciência e não enfrentaram o desafio quando ainda tinham tempo, ou seja, que se omitiram. Refutar é contestar com argumentos, negar a validade de algo, atitude ativa que pressupõe engajamento com aquilo que se rejeita. O texto acusa omissão, não contestação.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"“negligenciaram” é sinônimo de refutaram","corrected_statement":"No penúltimo período do último parágrafo, “negligenciaram” é sinônimo de desprezaram.","concept":"Negligenciar (omitir-se) × refutar (contestar)","citation":null,"trap_note":"Separe omissão de oposição. Negligenciar, descurar e ignorar deixam de agir; refutar, contestar e impugnar agem contra. A banca troca uma pela outra porque ambas soam a rejeição."}},{"id":"ad097179ad7d","number":16,"stem":50,"statement":"Em “explorar ao máximo a intencionalidade em face da IA” (último parágrafo), a expressão “ao máximo” poderia ser substituída por no máximo, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical do texto.","answer":"E","source":{"slug":"TBG_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"Ao máximo é locução intensificadora: explorar ao máximo é explorar no grau mais alto possível. No máximo é locução limitadora, equivalente a quando muito, e fixa um teto — explorar no máximo a intencionalidade diria que não se vai além de certo ponto. O texto defende aguçar e explorar a intencionalidade diante da inteligência artificial, de modo que a troca inverteria o esforço recomendado em limite imposto.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"poderia ser substituída por no máximo","corrected_statement":"Em “explorar ao máximo a intencionalidade em face da IA” (último parágrafo), a expressão “ao máximo” poderia ser substituída por o mais possível, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical do texto.","concept":"Ao máximo (intensidade) × no máximo (limite)","citation":null,"trap_note":"A preposição sozinha vira o sentido da locução: ao máximo intensifica, no máximo limita; ao menos concede, pelo menos afirma o mínimo. Leia a preposição antes da palavra."}},{"id":"1047343da4fd","number":26,"stem":51,"statement":"Nas orações em que ocorrem, os vocábulos “precisamente” (primeiro período do texto) e “especialmente” (último período do texto) significam, respectivamente, de modo preciso e de modo especial, podendo ser deslocados para após o termo que modificam, sem prejuízo gramatical ou interpretativo.","answer":"E","source":{"slug":"INPI_23","ano":2023},"explanation":{"verdict_reason":"O item afirma três coisas ao mesmo tempo, e a última não se sustenta. Em teatros especialmente construídos, o advérbio anteposto forma bloco com o particípio e indica destinação — teatros feitos para aquele fim —, e não o modo de construir; deslocado para depois, fica pendente de complemento e deixa de incidir do mesmo jeito sobre o particípio. Como o enunciado promete ausência de prejuízo gramatical e interpretativo nos dois casos, basta um deles falhar.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"podendo ser deslocados para após o termo que modificam, sem prejuízo gramatical ou interpretativo","corrected_statement":"Nas orações em que ocorrem, os vocábulos “precisamente” (primeiro período do texto) e “especialmente” (último período do texto) significam, respectivamente, de modo preciso e com destinação específica, não podendo ambos ser deslocados para após o termo que modificam sem prejuízo gramatical ou interpretativo.","concept":"Advérbio anteposto ao particípio: destinação, não modo","citation":null,"trap_note":"Item que soma glosa e deslocamento é item de duas perguntas: uma falha derruba as duas. E advérbio anteposto a particípio costuma formar bloco com ele — especialmente construído, recém-criado, mal formulado —, bloco que a posposição desfaz."}},{"id":"1b54570f4984","number":3,"stem":52,"statement":"No primeiro período do primeiro parágrafo, o vocábulo “prosaicos” está empregado com o sentido de comuns, corriqueiros.","answer":"C","source":{"slug":"PREF_SAO_CRISTOVAO_SE_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Prosaico é o que não tem nada de poético nem de extraordinário, o banal do dia a dia. O período opõe orgânicos, artesanais, caseiros e selecionados, que soam tentadores, aos prosaicos enlatados ou reidratados — a oposição é entre o que encanta e o que é comum. Comuns e corriqueiros recobrem a acepção que o contraste seleciona.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Prosaico: banal, sem atrativo","citation":null,"trap_note":"Adjetivo de origem literária — prosaico, épico, lírico, dramático — costuma cair em sentido figurado e corrente. O contraste montado no período diz qual dos dois usos está em jogo."}},{"id":"cbaa04fcf716","number":3,"stem":53,"statement":"No contexto em que aparece, o termo “falseacionista” (último período) pode significar a propriedade de uma ideia, hipótese ou teoria se mostrar falsa.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O método falseacionista de Popper é aquele que submete teorias ao teste capaz de mostrá-las falsas: uma proposição só é científica se puder ser refutada pela experiência. O termo aparece no texto ligado ao racionalismo crítico e à tolerância, contexto em que é essa possibilidade de refutação que está em jogo. O item ainda se resguarda com pode significar, exigindo apenas uma leitura compatível.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Falseacionismo: possibilidade de refutação","citation":null,"trap_note":"Falsear aqui não é falsificar nem mentir: é poder ser mostrado falso. Termo de autor consagrado costuma ser cobrado na acepção técnica que o próprio autor lhe deu."}},{"id":"4822f6ac8f13","number":5,"stem":54,"statement":"Um possível sentido para o vocábulo “desarrazoadas” (primeiro período do quarto parágrafo) é injustas.","answer":"C","source":{"slug":"POLC_AL_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Desarrazoado é o que não se funda em razão, o arbitrário. O texto opõe as buscas e apreensões desarrazoadas às que se fazem mediante mandado motivado por causa provável, de modo que o adjetivo qualifica a medida estatal sem fundamento e, portanto, injusta em relação ao particular. O item ainda se protege ao dizer um possível sentido, o que basta para que uma acepção compatível o torne certo.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Desarrazoado: sem fundamento, arbitrário","citation":null,"trap_note":"Enunciado que pede um possível sentido baixa a exigência: basta uma leitura compatível com o contexto. Enunciado que afirma o mesmo sentido exige coincidência na acepção contextual."}},{"id":"c569b88714d3","number":7,"stem":55,"statement":"A forma verbal “teve” (terceiro período do terceiro parágrafo) veicula, no texto, o mesmo sentido de aconteceu.","answer":"E","source":{"slug":"PC_AL_22_DELEGADO","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Na frase, a violência letal teve um pico entre 2016 e 2017, o verbo ter é transitivo e apresenta o pico como propriedade do sujeito violência letal — equivale a registrou, apresentou. Acontecer é intransitivo e não admite objeto: a violência letal aconteceu um pico não é frase de português. Além de quebrar a construção, a troca faria do pico um fato solto, sem o sujeito a que o texto o atribui.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"veicula, no texto, o mesmo sentido de aconteceu","corrected_statement":"A forma verbal “teve” (terceiro período do terceiro parágrafo) veicula, no texto, o mesmo sentido de registrou.","concept":"Ter (transitivo, atribui ao sujeito) × acontecer (intransitivo)","citation":null,"trap_note":"Antes de discutir sinonímia de verbo, confira a transitividade: se o verbo oferecido não aceita o objeto que está no texto, o item cai sem que se precise entrar no significado."}},{"id":"779557830534","number":7,"stem":56,"statement":"A palavra “reforçadas” (final do primeiro parágrafo) poderia ser substituída por robustecidas, sem alteração do sentido do texto.","answer":"C","source":{"slug":"SEE_PE_22_ESPECIAL_MUSICA","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Reforçadas, dito das dificuldades agravadas pelas desigualdades raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet, significa tornadas mais fortes. Robustecidas é o particípio de robustecer, tornar robusto, e veicula o mesmo aumento de força. Ambos são particípios passivos no mesmo gênero e número, presos ao mesmo termo, de modo que a construção não se altera.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Reforçar = robustecer: tornar mais forte","citation":null,"trap_note":"Substituição de particípio exige coincidência de gênero, número e regência, além do sentido. Conferidas as três, a troca por sinônimo de registro mais formal passa."}},{"id":"6c6eaf13e5dd","number":9,"stem":57,"statement":"No primeiro período do primeiro parágrafo, o termo “ironizar” está empregado com o sentido de relevar.","answer":"E","source":{"slug":"SEDUC_AL_21","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Ironizar é tratar com ironia, desqualificar pelo escárnio — e é o que o texto atribui à teoria das causas cerebrais, que passou a ridicularizar tudo o que dizia respeito à forma de vida do sujeito, reduzindo narrativas e lugar de fala a epifenômenos. Relevar significa perdoar, desculpar, deixar passar sem punir, atitude de complacência que não cabe em uma crítica de desprezo. O texto denuncia um gesto ativo de desqualificação, não uma indulgência.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está empregado com o sentido de relevar","corrected_statement":"No primeiro período do primeiro parágrafo, o termo “ironizar” está empregado com o sentido de ridicularizar.","concept":"Ironizar (escarnecer) × relevar (perdoar)","citation":null,"trap_note":"Desprezar não é perdoar. Relevar é palavra de dupla armadilha: não significa dar relevo nem criticar, e sim desculpar — e quase nunca cabe onde o texto está acusando alguém."}},{"id":"0450d1d4b3fb","number":9,"stem":58,"statement":"O termo “incremento” (primeiro período do segundo parágrafo) poderia ser substituído, sem alteração do sentido original do texto, por desenvolvimento.","answer":"C","source":{"slug":"SEE_PE_22_EDUCACAO_BASICA","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Incremento é aumento, acréscimo, e por extensão o crescimento de algo ao longo do tempo. O texto fala da revolução intelectual pelo incremento das ciências, isto é, pelo avanço acumulado do conhecimento científico. Desenvolvimento, no mesmo lugar, nomeia esse mesmo crescimento progressivo, e a preposição do complemento não muda.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Incremento: crescimento acumulado","citation":null,"trap_note":"Na substituição, além da acepção, confira o que o termo novo arrasta: se a preposição e o artigo do complemento permanecem, o item de troca de substantivo abstrato costuma ser certo."}},{"id":"8951b9556bb2","number":10,"stem":59,"statement":"No trecho “Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham” (segundo parágrafo), a expressão “de súbito” tem o mesmo sentido de de repente.","answer":"C","source":{"slug":"SECONT_ES_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"De súbito é locução adverbial de modo consagrada com o valor de repentinamente, sem transição. O trecho descreve a virada do casal, que de um momento para outro passou a ser exigente e duro, e de repente cabe na mesma posição sintática com o mesmo valor. Não há aqui diferença de registro que impeça a permuta: as duas locuções são correntes na língua escrita.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"De súbito = de repente (locução adverbial de modo)","citation":null,"trap_note":"Locução por locução, com a mesma função e o mesmo registro, é o caso mais seguro de equivalência. A troca perigosa é a que muda a classe da expressão, não a que mantém advérbio como advérbio."}},{"id":"600e8bd05c0f","number":10,"stem":56,"statement":"A expressão “os últimos anos escolares” (segundo período do primeiro parágrafo) refere-se ao ensino médio.","answer":"C","source":{"slug":"SEE_PE_22_ESPECIAL_MUSICA","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O primeiro período estabelece o assunto: o ensino médio já era, antes da pandemia, a etapa mais desafiadora da educação básica. O período seguinte retoma esse mesmo objeto pela expressão os últimos anos escolares, que designa a etapa final da educação básica — e todos os dados citados adiante são do 3.º ano do ensino médio. A expressão não nomeia um período de tempo recente, e sim as séries finais.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Expressão referencial retomando o objeto do parágrafo","citation":null,"trap_note":"Sintagma com anos pode designar séries escolares ou período de tempo. Quem decide é o que o parágrafo vinha tratando, e a retomada quase sempre repete o objeto do período anterior."}},{"id":"72d642481897","number":11,"stem":56,"statement":"A forma verbal “precisou” (primeiro período do segundo parágrafo) poderia ser substituída pela expressão indicou precisamente, sem alteração do sentido e da correção gramatical do texto.","answer":"C","source":{"slug":"SEE_PE_22_ESPECIAL_MUSICA","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Precisar, como verbo transitivo direto, significa determinar com exatidão, delimitar — e é assim que o texto diz que nenhuma avaliação diagnóstica precisou os prejuízos totais da pandemia. A expressão indicou precisamente mantém a transitividade direta, o mesmo objeto e o mesmo conteúdo de determinação exata. A acepção corrente de necessitar exigiria a preposição de e produziria outra frase.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Precisar transitivo direto: determinar com exatidão","citation":null,"trap_note":"A transitividade separa as duas acepções de precisar: sem preposição é determinar, com de é necessitar. Ver o objeto direto no texto já elimina a leitura mais comum."}},{"id":"8df876c9f19a","number":11,"stem":60,"statement":"A forma verbal “corroborar” (último período do quarto parágrafo) tem o mesmo sentido de ratificar.","answer":"C","source":{"slug":"MCOM_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Corroborar é dar força a, confirmar com novo apoio — o texto diz que fenômenos como o movimento antivacina parecem corroborar a análise de Nichols, isto é, reforçam a tese da descrença no conhecimento técnico. Ratificar é confirmar, validar aquilo que já se afirmara. Nessa acepção de confirmação, os dois verbos se equivalem e mantêm a mesma transitividade direta.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Corroborar = ratificar: confirmar","citation":null,"trap_note":"Cuidado com o par ratificar e retificar: o primeiro confirma, o segundo corrige. A banca usa a troca dessas duas formas com frequência, e a diferença é uma letra."}},{"id":"58cf88b44d29","number":13,"stem":61,"statement":"Em “precipitaram uma súbita mudança” (final do último parágrafo), o verbo precipitar está empregado com o mesmo sentido de apressar.","answer":"E","source":{"slug":"ANP_22_PSS","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O argumento do texto é que mudanças graduais deixam de ter efeitos graduais e provocam uma ruptura qualitativa: no ponto crítico, o acréscimo de calor desencadeia a transição de fase. Precipitar, ali, é causar de forma abrupta, dar origem a. Apressar pressupõe um processo que já estava em curso e apenas ganha velocidade — exatamente a leitura linear que o autor chama de falácia logo no primeiro período.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está empregado com o mesmo sentido de apressar","corrected_statement":"Em “precipitaram uma súbita mudança” (final do último parágrafo), o verbo precipitar está empregado com o mesmo sentido de desencadear.","concept":"Precipitar (desencadear abruptamente) × apressar (acelerar o que já corria)","citation":null,"trap_note":"Quando a glosa contraria a tese que o texto defende, ela está errada mesmo sendo uma acepção real do verbo. O contexto seleciona a acepção, e a tese do autor faz parte do contexto."}},{"id":"0a955059326d","number":14,"stem":62,"statement":"No último parágrafo, a substituição do vocábulo “somente” por mormente não prejudicaria a correção nem a coerência do texto, mas o seu sentido original seria alterado.","answer":"C","source":{"slug":"PGE_RJ_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O item só promete correção e coerência, e concede que o sentido mudaria. Em foi somente após a CF que os órgãos de defesa dos direitos humanos ampliaram-se, mormente ocupa a mesma posição de advérbio e produz sequência gramatical e compreensível no encadeamento do parágrafo, que vinha contrapondo dois âmbitos. O valor, esse sim, muda: somente restringe e exclui, mormente destaca como principal sem excluir os demais casos.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Somente (exclusão) × mormente (principalmente)","citation":null,"trap_note":"Mormente não é forma antiga de somente: significa principalmente. O parentesco gráfico é a isca, e o item que admite a mudança de sentido normalmente está certo."}},{"id":"586a09da3f36","number":14,"stem":63,"statement":"No primeiro parágrafo, o vocábulo “subjacente” (terceiro período) indica a forma não explícita como o crivo do meio ambiente sadio e equilibrado para a presente e as futuras gerações está presente em todas as relações da República.","answer":"C","source":{"slug":"PC_AL_22_DELEGADO","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Subjacente é o que está por baixo, o que sustenta sem aparecer na superfície. O texto diz que esse comando é subjacente a todas as relações da República e, no período seguinte, explicita a consequência: tudo deverá passar pelo crivo do meio ambiente sadio. A paráfrase do item — presente em todas as relações de forma não explícita — é exatamente a soma das duas notas do adjetivo: abrangência e implicitude.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Subjacente: presente sem estar explícito","citation":null,"trap_note":"Adjetivos de posição figurada — subjacente, latente, tácito, implícito — afirmam ao mesmo tempo que algo existe e que não está dito. Item que só registra uma das duas notas costuma falhar; o que registra as duas costuma ser certo."}},{"id":"0cfdffaf970d","number":17,"stem":64,"statement":"No final do último parágrafo, o verbo “vislumbrar” tem o mesmo sentido de avistar.","answer":"C","source":{"slug":"BANRISUL_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Vislumbrar é ver de modo indistinto, entrever ao longe, e é o que o texto atribui ao visitante que, no solo de inovação, podia vislumbrar uma infinidade de possibilidades para o futuro. Avistar é ver a distância, e recobre essa mesma percepção de algo que se enxerga sem nitidez plena, aqui aplicada ao que ainda está por vir. O item pede identidade de sentido no contexto, e o contexto é o da percepção do que se anuncia ao longe.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Vislumbrar: entrever ao longe","citation":null,"trap_note":"Verbo de percepção aplicado a objeto abstrato conserva a metáfora da distância. Vislumbrar possibilidades é vê-las como quem avista algo no horizonte — e a glosa que mantém a distância é aceita."}},{"id":"7a25825a4b03","number":18,"stem":65,"statement":"No primeiro parágrafo, o vocábulo “polissêmico” diz respeito à multiplicidade de significados da palavra ‘corrupção’.","answer":"C","source":{"slug":"MPC_SC_22_SERVIDOR","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Polissêmico é o que tem muitos sentidos, e o texto emprega o adjetivo para justificar por que a história conceitual de corrupção é incerta. O período anterior já registrara duas origens latinas e duas ideias, corrompido e deturpado, e os parágrafos seguintes desdobram tipos distintos do fenômeno. A paráfrase do item apenas traduz o termo erudito.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Polissemia: multiplicidade de sentidos de um mesmo termo","citation":null,"trap_note":"Não confunda polissemia com sinonímia nem com ambiguidade: muitos sentidos para uma palavra, muitas palavras para um sentido, e sentido indeciso no contexto, respectivamente."}},{"id":"eb93b416b38c","number":24,"stem":66,"statement":"A forma verbal “pontua” (quarto período do primeiro parágrafo) é empregada como sinônimo de assinalar.","answer":"C","source":{"slug":"BANCO_DO_NORDESTE_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Pontuar, aplicado a quem fala ou escreve, significa destacar um ponto, registrar uma observação — é o que faz o professor Rattner ao apontar o espaço crescente do conceito de capital social nos debates. Assinalar tem exatamente esse valor de marcar, fazer notar. Nenhuma das acepções concretas do verbo, ligadas a pontos ou a pontuação gráfica, é acionada por esse sujeito.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Pontuar: destacar, assinalar em discurso","citation":null,"trap_note":"Verbos de dizer — pontuar, frisar, ressaltar, salientar, observar — permutam com facilidade em texto jornalístico. A diferença entre eles é de ênfase, não de conteúdo."}},{"id":"83d6bcf3b6df","number":26,"stem":67,"statement":"No quarto parágrafo, a palavra ‘proveito’ tem o mesmo sentido de benefício.","answer":"C","source":{"slug":"SEDUC_AL_21","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"O trecho registra que o pedido do menino não era atendido — o que era para meu proveito —, isto é, a recusa é apresentada como algo que lhe fazia bem. Proveito é o ganho, a vantagem que se tira de algo, e benefício ocupa o mesmo lugar nessa acepção. Nada no contexto ativa o sentido de aproveitamento material ou de lucro.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Proveito = benefício: vantagem obtida","citation":null,"trap_note":"Em texto de registro antigo ou traduzido, confie na acepção corrente quando o contexto não exigir outra. A banca só cobra o sentido arcaico quando o próprio período o torna necessário."}},{"id":"e8bc12d07598","number":27,"stem":68,"statement":"A palavra “paliativas” (segundo período do terceiro parágrafo) está empregada com o sentido de protelar uma crise.","answer":"C","source":{"slug":"BANCO_DO_NORDESTE_22","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Paliativo é o que alivia o sintoma sem atacar a causa e, por isso, apenas adia o desfecho. O texto opõe as iniciativas meramente paliativas, definidas ali mesmo como respostas emergenciais a situações de pobreza e miséria, às experiências que serviriam de base para a reconstrução do tecido social. A glosa do item, protelar uma crise, recolhe justamente esse traço de adiamento sem solução.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Paliativo: alivia sem resolver","citation":null,"trap_note":"A glosa pode vir em forma de oração, e não de sinônimo. O que se confere é se o conteúdo descrito coincide com a acepção do texto, não se a expressão caberia no lugar da palavra."}},{"id":"203bd8725816","number":29,"stem":67,"statement":"No quinto parágrafo, a palavra “negligência” está empregada com o mesmo sentido de ignorância.","answer":"E","source":{"slug":"SEDUC_AL_21","ano":2022},"explanation":{"verdict_reason":"Negligência é descuido, falta de zelo no que se deveria fazer — e o texto define o termo na mesma frase: pecava por negligência, escrevendo, lendo e aprendendo as lições com menos cuidado do que se exigia. Ignorância é falta de conhecimento, e o período seguinte a exclui expressamente: não era a memória ou a inteligência que me faltavam. O narrador acusa a si mesmo de desleixo, não de falta de capacidade.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"está empregada com o mesmo sentido de ignorância","corrected_statement":"No quinto parágrafo, a palavra “negligência” está empregada com o mesmo sentido de descuido.","concept":"Negligência (falta de cuidado) × ignorância (falta de saber)","citation":null,"trap_note":"Quando o texto nega expressamente uma explicação, nenhuma glosa pode reintroduzi-la. Aqui a frase seguinte afasta a falta de inteligência, e isso sozinho derruba a glosa por ignorância."}},{"id":"4e355e50a086","number":4,"stem":69,"statement":"Os sentidos do texto permitem afirmar que o termo “desculturização” foi empregado com o sentido de aculturação.","answer":"C","source":{"slug":"IBAMA_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"O texto trata cultura e territorialidade como faces de um mesmo processo e afirma que a desterritorialização significa alienação, estranhamento, que são, também, desculturização. Em seguida mostra o desfecho do processo: o novo ambiente produz territorialidade nova e cultura nova, mudando o ser humano. É exatamente esse movimento de perda da cultura de origem por contato com outro meio que se chama aculturação, e por isso os sentidos do texto autorizam a equivalência.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Desculturização e aculturação como mudança cultural por deslocamento","citation":null,"trap_note":"O enunciado que começa por os sentidos do texto permitem afirmar pede equivalência autorizada pelo texto, não identidade de dicionário. Procure a cadeia de sinônimos que o próprio autor montou."}},{"id":"26b7fc34cd0b","number":4,"stem":70,"statement":"O termo “Alegoria”, empregado no texto precedente, alude à ideia de representação.","answer":"C","source":{"slug":"PETROBRAS_21_NS","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"O texto explica a alegoria enquanto a nomeia: Platão, utilizando-se de linguagem alegórica, discute por imagens o processo de conhecimento, e cada elemento da caverna vale por outra coisa — as sombras pela visão habitual, o Sol pela verdade. Alegoria é justamente a figura em que uma narrativa representa outra realidade, ponto a ponto. Dizer que o termo alude à ideia de representação é registrar essa definição.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Alegoria: narrativa que representa outra coisa","citation":null,"trap_note":"Quando o texto explicita a correspondência entre imagem e ideia — o Sol é isto, a sombra é aquilo —, ele mesmo autoriza a leitura de representação. O item que se limita a nomear a figura tende a ser certo."}},{"id":"8e16c1ebc5d0","number":5,"stem":71,"statement":"O vocábulo “controversas” (primeiro período do último parágrafo) é empregado no texto com o mesmo sentido de condenáveis.","answer":"E","source":{"slug":"TCE_RJ_21_TECNICO","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Controverso é o que suscita controvérsia, aquilo sobre o que não há acordo e que por isso se discute. Condenável já emite o veredito: o que merece reprovação. Chamar algo de controverso é registrar a divergência e suspender o julgamento; a glosa oferecida encerra o debate que a palavra do texto mantém aberto.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"é empregado no texto com o mesmo sentido de condenáveis","corrected_statement":"O vocábulo “controversas” (primeiro período do último parágrafo) é empregado no texto com o mesmo sentido de discutíveis.","concept":"Controverso (disputado) × condenável (reprovado)","citation":null,"trap_note":"Palavra que descreve a existência de divergência não equivale a palavra que toma partido nela. Polêmico, controverso e discutível registram o dissenso; condenável, censurável e reprovável julgam."}},{"id":"aa27595679a5","number":7,"stem":72,"statement":"A palavra “pioneira” (segundo período do terceiro parágrafo) foi empregada no texto com o mesmo sentido de criadora.","answer":"E","source":{"slug":"SESAU_AL_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Pioneiro é quem chega primeiro, quem abre caminho num terreno já existente; criador é quem dá origem à coisa. O texto diz que Nise foi pioneira na terapia ocupacional e, em seguida, define o método de modo impessoal, sem lhe atribuir a invenção — ela o introduziu e difundiu no Brasil em meados de 1940. Ser o primeiro a usar não é ter criado.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"foi empregada no texto com o mesmo sentido de criadora","corrected_statement":"A palavra “pioneira” (segundo período do terceiro parágrafo) foi empregada no texto com o mesmo sentido de precursora.","concept":"Pioneiro (primeiro a adotar) × criador (autor da coisa)","citation":null,"trap_note":"Precedência não é autoria. Pioneiro, precursor e desbravador dizem quem veio antes; criador, inventor e fundador dizem quem fez existir — e o texto raramente autoriza o segundo grupo."}},{"id":"72bb61a05731","number":9,"stem":73,"statement":"No trecho “O fundamento desta área da medicina baseia-se na ideia de que o paciente pode envelhecer com doenças ou com saúde” (segundo parágrafo), o verbo poder foi empregado no sentido de ter capacidade de.","answer":"E","source":{"slug":"SESAU_AL_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"No trecho, poder abre alternativa: o paciente pode envelhecer com doenças ou com saúde, ou seja, os dois desfechos são possíveis, e é disso que a medicina de gerenciamento do envelhecimento se ocupa. Ter capacidade de atribui ao paciente uma aptidão, uma habilidade sua para envelhecer saudável, leitura que a disjunção com ou desmente — ninguém tem a capacidade de envelhecer com doenças. O verbo modaliza o enunciado, não qualifica o sujeito.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"o verbo poder foi empregado no sentido de ter capacidade de","corrected_statement":"No trecho “O fundamento desta área da medicina baseia-se na ideia de que o paciente pode envelhecer com doenças ou com saúde” (segundo parágrafo), o verbo poder foi empregado no sentido de ser possível que.","concept":"Poder de possibilidade × poder de capacidade","citation":null,"trap_note":"Poder tem três valores em prova: possibilidade (pode chover), capacidade (pode levantar o peso) e permissão (pode entrar). A presença de alternativas com ou denuncia a possibilidade, porque capacidade não se distribui entre desfechos opostos."}},{"id":"0586c6ef49ef","number":10,"stem":73,"statement":"No trecho “mas chega uma fase em que sua produção excede a sua degradação e sobrepuja a dos mecanismos de defesa naturais (antioxidantes)” (terceiro parágrafo), o verbo “sobrepujar” foi empregado no texto com o sentido de impedir, interromper.","answer":"E","source":{"slug":"SESAU_AL_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Sobrepujar é exceder, superar, ficar acima de — e o paralelismo do período o confirma: a produção de radicais livres excede a sua degradação e sobrepuja a dos mecanismos de defesa. Os dois verbos coordenados descrevem a mesma relação de superação quantitativa. Impedir e interromper introduziriam bloqueio ou cessação da defesa, quando o texto diz apenas que a produção passa a ser maior do que ela.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"foi empregado no texto com o sentido de impedir, interromper","corrected_statement":"No trecho “mas chega uma fase em que sua produção excede a sua degradação e sobrepuja a dos mecanismos de defesa naturais (antioxidantes)” (terceiro parágrafo), o verbo “sobrepujar” foi empregado no texto com o sentido de superar, exceder.","concept":"Sobrepujar: exceder em quantidade ou força","citation":null,"trap_note":"Em período com verbos coordenados, o primeiro define o segundo: excede e sobrepuja estão no mesmo eixo. Procure o paralelismo antes de aceitar uma glosa que muda o tipo de ação."}},{"id":"e75a900ad981","number":10,"stem":74,"statement":"A palavra “quimera”, empregada no final do primeiro período do segundo parágrafo, significa o mesmo que tolice, bobeira.","answer":"E","source":{"slug":"MJSP_21_PSS","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Quimera designa a fantasia irrealizável, o sonho impossível — e é nesse valor que o texto diz que a pretensão de um mundo livre de drogas não passa de uma quimera, dado que o uso de psicotrópicos é parte indissociável da história humana. Tolice e bobeira julgam a ideia como boba, sem inteligência; quimera a julga como inatingível. O texto qualifica a viabilidade da meta, não a inteligência de quem a formula.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"significa o mesmo que tolice, bobeira","corrected_statement":"A palavra “quimera”, empregada no final do primeiro período do segundo parágrafo, significa o mesmo que utopia, sonho irrealizável.","concept":"Quimera: irrealizável, não tola","citation":null,"trap_note":"Palavra de carga negativa não equivale a qualquer outra palavra negativa. Pergunte em que eixo está a crítica — viabilidade, moral, inteligência, utilidade — e recuse a glosa que muda de eixo."}},{"id":"f95ee2a31867","number":11,"stem":75,"statement":"Em “como algumas hipóteses para essa extinção sugerem” (segundo período do último parágrafo), o verbo sugerir tem o mesmo sentido de propor.","answer":"C","source":{"slug":"ANM_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"No trecho, quem sugere são as hipóteses, não uma pessoa dando conselho: sugerir, aqui, é apresentar como possibilidade a ser considerada, que é o que uma hipótese faz. Propor ocupa esse mesmo lugar no discurso científico — hipóteses propõem explicações. A acepção de insinuar ou aconselhar não é acionada, porque o sujeito do verbo é inanimado.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Sugerir como apresentar hipótese","citation":null,"trap_note":"O sujeito do verbo seleciona a acepção. Com sujeito inanimado — dados, estudos, hipóteses, indícios —, sugerir vale por indicar ou propor, nunca por aconselhar."}},{"id":"f6baf97e3c53","number":11,"stem":76,"statement":"No início do segundo parágrafo, na citação de Sun Tzu, a palavra ‘dissimulação’ está empregada com sentido semelhante ao de hipocrisia.","answer":"C","source":{"slug":"TELEBRAS_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Dissimulação é o ato de ocultar o que se é ou o que se pretende, apresentando aparência diversa da realidade. Hipocrisia é o fingimento de qualidade, sentimento ou intenção que não se tem. As duas palavras convergem no traço que a citação de Sun Tzu explora — a aparência construída para enganar o outro —, e o item se protege ao falar em sentido semelhante, não idêntico.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Dissimulação e hipocrisia: aparência contrária à realidade","citation":null,"trap_note":"Sentido semelhante é exigência menor que mesmo sentido. Quando o enunciado afrouxa a comparação, basta um traço central compartilhado para o item passar."}},{"id":"daf0e59476f9","number":11,"stem":77,"statement":"A palavra “Agora”, no início do último período, introduz no texto um marco temporal, correspondendo, em sentido, a Atualmente.","answer":"E","source":{"slug":"PETROBRAS_21_NS","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"No último período, Agora não situa nada no tempo: abre a contraposição entre dizer compartilhei fake news, que não carrega culpa, e dizer cometi um crime contra a honra, que traz outras implicações. É o Agora de valor adversativo, equivalente a mas, no entanto. Trocá-lo por Atualmente produziria a leitura de que a segunda formulação passou a ter esse efeito nos dias de hoje, informação que o texto não veicula.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"introduz no texto um marco temporal, correspondendo, em sentido, a Atualmente","corrected_statement":"A palavra “Agora”, no início do último período, introduz no texto uma contraposição, correspondendo, em sentido, a No entanto.","concept":"Agora adversativo × agora temporal","citation":null,"trap_note":"Advérbio de tempo em início de período, seguido de vírgula e opondo dois enunciados, costuma ter virado conectivo. Agora, então, já e ainda passam de tempo a articulação sem mudar de forma."}},{"id":"e5d9f1a330da","number":15,"stem":76,"statement":"Em ‘As pessoas conscientes que seguem as insinuações alheias tendem a permanecer indecisas no lugar’ (segundo parágrafo), a palavra ‘alheias’ tem o mesmo sentido de ambíguas.","answer":"E","source":{"slug":"TELEBRAS_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Alheio é o que pertence a outrem, o que vem de outra pessoa — no trecho, as insinuações alheias são as insinuações dos outros, opostas ao que a própria pessoa pensa. Ambíguo é o que admite mais de uma interpretação, propriedade do enunciado e não de sua origem. A frase contrapõe quem segue o que vem de fora a quem decide por si; a glosa oferecida troca a origem da insinuação por uma qualidade dela.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"a palavra ‘alheias’ tem o mesmo sentido de ambíguas","corrected_statement":"Em ‘As pessoas conscientes que seguem as insinuações alheias tendem a permanecer indecisas no lugar’ (segundo parágrafo), a palavra ‘alheias’ tem o mesmo sentido de de outras pessoas.","concept":"Alheio: de outrem","citation":null,"trap_note":"Alheio tem dois usos e nenhum deles é ambíguo: de outra pessoa (bens alheios) e indiferente, distraído (alheio ao que ocorria). Decida pelo que o adjetivo modifica."}},{"id":"24357a9b3289","number":16,"stem":78,"statement":"A palavra “ulteriores” (terceiro período do segundo parágrafo) significa o mesmo que anteriores.","answer":"E","source":{"slug":"PREF_PIRESRIO_GO_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Ulterior é o que vem depois, o posterior — daí o uso corrente de razões ulteriores como razões adicionais, que se acrescentam às já expostas. O texto apresenta primeiro a justificativa principal do transporte de alimentos, prevenir e combater a fome, e então introduz uma série de razões ulteriores em favor do comércio mundial, que vêm em seguida na argumentação. Anteriores inverte a ordem e contraria o encadeamento do parágrafo.","distortion_type":"inversao","distorted_span":"significa o mesmo que anteriores","corrected_statement":"A palavra “ulteriores” (terceiro período do segundo parágrafo) significa o mesmo que posteriores.","concept":"Ulterior: posterior, subsequente","citation":null,"trap_note":"Anterior e ulterior são pares opostos, e a banca conta com a semelhança da terminação. Guarde o eixo: ulterior vem depois, anterior vem antes, e nenhum dos dois significa importante."}},{"id":"5eb746b7ed42","number":20,"stem":79,"statement":"Com a expressão “fosso tecnológico” (último parágrafo), o autor se refere às desigualdades de acesso à tecnologia.","answer":"C","source":{"slug":"TELEBRAS_21","ano":2021},"explanation":{"verdict_reason":"Fosso tecnológico é metáfora, e o sentido de uma metáfora só se lê no trecho que a cerca. O texto vinha de elogiar o trabalho de quem promoveu o acesso à banda larga em zonas rurais e remotas e conclui que atenuar esse fosso é urgente: o fosso é a distância entre quem tem e quem não tem acesso. A paráfrase por desigualdades de acesso à tecnologia apenas desfaz a imagem.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Metáfora lexicalizada: fosso como distância de acesso","citation":null,"trap_note":"Expressão figurada não se resolve pelo dicionário da palavra isolada, e sim pelo tema que o parágrafo estava tratando. Pergunte: distância entre o quê e o quê?"}},{"id":"2c3c620ca93a","number":6,"stem":80,"statement":"No texto, o sentido de “teorizar” (R.33) é equivalente a criar hipóteses.","answer":"C","source":{"slug":"TC_DF_20_ACE","ano":2020},"explanation":{"verdict_reason":"O período opõe o que o estudo fez ao que resta fazer: o estudo não estabeleceu os motivos por trás do resultado, mas dá para teorizar. Teorizar, nessa oposição, é formular explicações não comprovadas para o que se observou — isto é, criar hipóteses. A oposição com estabelecer, que marca o resultado comprovado, é o que fixa a acepção.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Teorizar: formular explicações hipotéticas","citation":null,"trap_note":"Quando o período contrapõe dois verbos, um deles define o outro por exclusão. Ache o par opositivo antes de procurar o sinônimo."}},{"id":"942abd99c036","number":7,"stem":80,"statement":"No último período do texto, a expressão “o jeito é aprender na marra” (R.42) estabelece a ideia de que as pessoas que moram em áreas rurais ou vilarejos aprendem a se orientar enfrentando com coragem as circunstâncias dificultosas.","answer":"C","source":{"slug":"TC_DF_20_ACE","ano":2020},"explanation":{"verdict_reason":"Na marra é locução coloquial que significa à força, por necessidade, sem recurso facilitador. O texto a emprega para contrastar a cidade, cheia de placas, nomes de ruas e linhas de transporte, com as áreas rurais, onde, sem essas ajudas, o jeito é aprender na marra mesmo. A paráfrase do item conserva os dois elementos que a expressão carrega ali: a dificuldade das circunstâncias e o enfrentamento direto delas.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Locução coloquial: à força, sem recursos auxiliares","citation":null,"trap_note":"Expressão idiomática se confere pelo contraste que o período monta, não pelo sentido das palavras soltas. Aqui o contraste com as ajudas da cidade é que define o na marra."}},{"id":"c7e3a078aa78","number":14,"stem":81,"statement":"No segundo período do terceiro parágrafo, o termo “propícios” é sinônimo de favoráveis.","answer":"C","source":{"slug":"DPDF_20_ANALISTA","ano":2020},"explanation":{"verdict_reason":"Propício é o que favorece, o que cria condição boa para algo acontecer. O texto diz que Espinosa formara a ideia de que momentos de solidão eram propícios à reflexão, e favoráveis ocupa o mesmo lugar, com a mesma regência preposicionada. A acepção religiosa mais antiga do adjetivo, ligada a divindade benevolente, não interfere na leitura corrente.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Propício = favorável, com regência em a","citation":null,"trap_note":"Adjetivo que rege complemento com a — propício a, favorável a, avesso a, adequado a — permuta bem entre si. A regência coincidente é parte do teste, não um detalhe."}},{"id":"11d3fd00d5f2","number":21,"stem":82,"statement":"O termo “lugar-comum”, no primeiro período do texto, foi utilizado pelo autor para veicular a ideia de que O processo pode ser compreendido como um tipo de fonte geral de onde é possível tirar argumentos e provas para determinadas questões do século vinte.","answer":"E","source":{"slug":"DPDF_20_ANALISTA","ano":2020},"explanation":{"verdict_reason":"No primeiro período, dizer que a antevisão do inferno burocrático já é um lugar-comum é dizer que essa leitura de O processo se tornou banal, repetida à exaustão. O item oferece a acepção técnica da retórica antiga — o lugar de onde se extraem argumentos —, que é sentido real do termo, mas não o que o contexto seleciona: o advérbio já marca a trajetória de uma leitura que se desgastou pelo uso. A obra não é apresentada como repositório de provas, e sim como interpretação virada em clichê.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"pode ser compreendido como um tipo de fonte geral de onde é possível tirar argumentos e provas para determinadas questões do século vinte","corrected_statement":"O termo “lugar-comum”, no primeiro período do texto, foi utilizado pelo autor para veicular a ideia de que essa leitura de O processo já se tornou banal e repetida em relação a determinadas questões do século vinte.","concept":"Lugar-comum: banalidade, não tópica retórica","citation":null,"trap_note":"A acepção erudita de um termo é isca clássica quando o uso corrente é outro. Pergunte qual das duas o período sustenta — aqui, o já indica desgaste pelo uso, não função argumentativa."}},{"id":"590d898f82bd","number":2,"stem":83,"statement":"O emprego do vocábulo “multifacetada”, no primeiro período do texto, permite concluir que a Darcy Ribeiro se atribui um rol de características variadas relacionadas às atividades por ele desenvolvidas.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"Multifacetado é o que tem muitas faces, muitos aspectos. O período em que o adjetivo aparece abre com a enumeração antropólogo, sociólogo, educador, escritor e político e conclui que essa personalidade torna longa a lista de fazimentos. O texto, portanto, associa o termo a um conjunto variado de características ligadas às atividades exercidas — que é o que o item afirma.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Multifacetado: pluralidade de aspectos","citation":null,"trap_note":"Quando o adjetivo vem imediatamente depois de uma enumeração, a enumeração é a prova de sua leitura. O item que apenas recolhe essa lista costuma ser certo."}},{"id":"2dbfe1ee11b0","number":8,"stem":84,"statement":"No trecho “Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior” (nono período), a forma verbal “destitui” tem o mesmo sentido de desvia.","answer":"E","source":{"slug":"FUB_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"Destituir é privar, despojar, tirar de alguém o que ele tem — e o texto encadeia o verbo com nega: o tratamento nem nega nem retira a existência do pior. Desviar é mudar a direção de algo que continua existindo, ideia que a frase justamente descarta, pois o que o palhaço faz com o pior é inverter-lhe o sentido sem suprimi-lo. Os dois verbos podem aproximar-se em contextos de afastamento, mas aqui o objeto é a existência, e existência não se desvia.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"tem o mesmo sentido de desvia","corrected_statement":"No trecho “Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior” (nono período), a forma verbal “destitui” tem o mesmo sentido de suprime.","concept":"Destituir (privar de) × desviar (mudar a direção)","citation":null,"trap_note":"Quando a glosa é um verbo, cheque o objeto: o complemento do texto tem de aceitar o verbo oferecido. Existência se suprime ou se nega; não se desvia."}},{"id":"679ce47d9330","number":10,"stem":85,"statement":"Com a junção dos vocábulos fruto e semente à palavra universidade, em ‘universidade-fruto’ e ‘universidade-semente’, no sétimo parágrafo do texto, o autor constrói um sentido que fortalece a sua ideia de que a universidade-semente, meio para fomentar desenvolvimento autônomo, deve suplantar a universidade-fruto, produto previsível de um sistema que é, em si, limitante.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"As duas formações opõem-se ponto a ponto no próprio texto: a universidade-fruto é reflexo do desenvolvimento social e cultural prévio da sociedade, e a universidade-semente, destinada a cumprir a função inversa, promove o desenvolvimento. Fruto é o que resulta; semente é o que origina. O item apenas explicita que o autor propõe substituir a primeira pela segunda, e é isso que a defesa da universidade necessária faz no parágrafo.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Composição por justaposição com valor argumentativo","citation":null,"trap_note":"Palavra composta criada pelo autor é argumento condensado. Desfaça a composição, nomeie o traço emprestado — fruto resulta, semente origina — e veja se o texto opõe os dois termos ou os soma."}},{"id":"5fd7e3ebde68","number":12,"stem":86,"statement":"No segundo período do primeiro parágrafo, o vocábulo “indelével” está empregado com o mesmo sentido de permanente.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"Indelével é o que não se pode apagar, e o texto aplica o adjetivo à lembrança de quem partiu, que se tornou marca da espécie. Aquilo que não se apaga é aquilo que permanece: no contexto, indelével e permanente descrevem a mesma propriedade da marca. A glosa não é a definição de dicionário palavra por palavra, mas o valor que o termo assume ali.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Indelével: o que não se apaga, logo permanente","citation":null,"trap_note":"Item de glosa não pede sinônimo perfeito: pede que a palavra oferecida caiba no lugar daquela acepção. Teste devolvendo a glosa à frase do texto e veja se a afirmação continua a mesma."}},{"id":"b61ed65f834d","number":14,"stem":87,"statement":"Na linha 13, o advérbio “inextricavelmente” tem o significado de inexoravelmente.","answer":"E","source":{"slug":"PGM_RR_19_PROCURADOR","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"Inextricável é o que não se pode desenredar, separar ou desatar; o advérbio derivado diz que duas coisas estão unidas de modo indissociável. Inexorável é o que não se deixa comover nem deter, e daí o valor de inevitável. São radicais diferentes — extricare, desembaraçar, e exorare, obter por súplica — e eixos diferentes: um mede a impossibilidade de separar, o outro a impossibilidade de evitar.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"tem o significado de inexoravelmente","corrected_statement":"Na linha 13, o advérbio “inextricavelmente” tem o significado de indissociavelmente.","concept":"Inextricável (inseparável) × inexorável (inevitável)","citation":null,"trap_note":"O par quase homógrafo é o recurso mais barato do tópico. Inextricável, inexorável, inexpugnável e inefável têm o mesmo prefixo de negação e nada mais em comum: separe pelo radical."}},{"id":"7fa0dacf89bf","number":24,"stem":88,"statement":"No período em que aparece, o termo “nuclear” (ℓ.11) tem o mesmo sentido de central.","answer":"C","source":{"slug":"SLU_DF_19","ano":2019},"explanation":{"verdict_reason":"Nuclear, fora do campo da física, qualifica o que está no núcleo, o que é o cerne de algo — e o texto fala no tema nuclear da ópera, isto é, naquele em torno do qual a obra se organiza. Central, no mesmo lugar, veicula a mesma ideia de posição no centro e, por isso, de importância principal. A acepção ligada à energia atômica não tem como se ativar diante de tema.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Nuclear: relativo ao núcleo, central","citation":null,"trap_note":"Termo técnico usado fora de seu campo volta ao sentido do radical. Nuclear é do núcleo, periférico é da periferia, orbital é da órbita — e é esse valor espacial que se transfere para o texto."}},{"id":"d2381573dcb3","number":2,"stem":89,"statement":"Com o emprego do termo “pontapé” (R.5), a autora dá a entender que a língua portuguesa às vezes resiste furiosamente às tentativas de ser domesticada.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_18","ano":2018},"explanation":{"verdict_reason":"O texto personifica a língua portuguesa: não é fácil, não é maleável e reage com um pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento. Pontapé, palavra do campo da agressão física, transfere para a língua a reação violenta de quem se recusa a ser dominado. A leitura do item — resistência furiosa às tentativas de domesticação — recolhe essa personificação e o verbo ousar que a acompanha.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Personificação: reação física atribuída à língua","citation":null,"trap_note":"Substantivo concreto atribuído a ente abstrato é sempre figura. Pergunte que comportamento humano ou animal está sendo emprestado, e a paráfrase costuma ser a tradução desse comportamento."}},{"id":"03fe304e5db4","number":3,"stem":89,"statement":"No período em que aparece, o termo “tirando” (R.8) introduz o modo peculiar como alguns escritores desenvolvem o seu ofício.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_18","ano":2018},"explanation":{"verdict_reason":"Em para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo, o gerúndio não marca tempo nem causa: especifica como se escreve. É o gerúndio de modo, que caracteriza o próprio fazer do escritor a que a autora se refere. O item afirma exatamente isso ao dizer que o termo introduz o modo peculiar de desenvolver o ofício.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Gerúndio com valor de modo","citation":null,"trap_note":"O gerúndio carrega valores distintos — tempo, modo, causa, condição, meio. Teste substituindo por uma oração equivalente: se cabe de tal maneira que, o valor é de modo."}},{"id":"19b2326a4f1f","number":4,"stem":90,"statement":"A palavra “subsidiariamente” (R.23) foi empregada, no texto, com o mesmo sentido de compulsoriamente.","answer":"E","source":{"slug":"PGE_PE_18_SERVIDOR","ano":2018},"explanation":{"verdict_reason":"Subsidiariamente indica atuação de reserva, em segundo plano, que só entra quando a via principal falha — e o próprio texto glosa a palavra logo em seguida: só se recorre ao Poder Público na impossibilidade de autossatisfação das necessidades. Compulsoriamente significa obrigatoriamente, por imposição. São valores opostos no ponto que importa: um condiciona o recurso ao Estado à falta de alternativa, o outro o torna imposto.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"com o mesmo sentido de compulsoriamente","corrected_statement":"A palavra “subsidiariamente” (R.23) foi empregada, no texto, com o mesmo sentido de supletivamente.","concept":"Subsidiário: complementar e de reserva, não obrigatório","citation":null,"trap_note":"Quando o próprio período traz uma explicação logo depois da palavra, ela é a definição que vale. Leia a oração seguinte antes de julgar a glosa oferecida."}},{"id":"b823e1c470c2","number":9,"stem":91,"statement":"Infere-se dos sentidos do texto que o vocábulo “engendrar” (R.10) foi empregado como sinônimo de imaginar, fantasiar. nas sociedades humanas desde o aparecimento das cidades. Isso porque uma das características das primeiras estruturas presença do porto. As primeiras cidades, no sentido moderno, na Mesopotâmia, civilização situada às margens dos rios Tigre e Eufrates. A estrutura desses primeiros agrupamentos por muralhas, onde ficavam os principais locais de culto e as células dos futuros palácios reais; uma espécie e instalações para criação de animais e plantio; e o porto fluvial, espaço destinado à prática do comércio e que era cuja admissão, em regra, era vedada nos muros da cidade. Não se trata, portanto, de uma criação aleatória como mais um elemento de uma forte mudança civilizacional que marcou o contexto do surgimento das cidades e da localiza-se no aumento das possibilidades do agir humano, na diversificação dos papéis sociais e na abertura para de complexidade da sociedade.","answer":"E","source":{"slug":"EMAP_18","ano":2018},"explanation":{"verdict_reason":"Engendrar é gerar, dar origem a, produzir — o verbo nomeia a criação efetiva de algo, e não sua concepção mental. Imaginar e fantasiar situam a ação no plano da representação, de modo que aquilo que se imagina pode não vir a existir. O texto trata de processos que efetivamente produzem efeitos, e nenhum deles se passa na imaginação de alguém.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"foi empregado como sinônimo de imaginar, fantasiar","corrected_statement":"Infere-se dos sentidos do texto que o vocábulo “engendrar” (R.10) foi empregado como sinônimo de gerar, produzir.","concept":"Engendrar: dar origem a, não conceber mentalmente","citation":null,"trap_note":"Verbos de criação dividem-se entre os que produzem no mundo (engendrar, gerar, forjar, urdir) e os que produzem na mente (imaginar, conceber, idealizar). Urdir e engendrar arrastam ainda a ideia de tramar, que também não é fantasiar."}},{"id":"a80c6bf58750","number":15,"stem":92,"statement":"A expressão “para conquistar” (R.11) foi empregada no texto com o mesmo sentido de a fim de que obtenham.","answer":"C","source":{"slug":"FUB_18","ano":2018},"explanation":{"verdict_reason":"Para seguido de infinitivo introduz oração subordinada adverbial final reduzida, e a fim de que seguido de subjuntivo é a forma desenvolvida da mesma relação de finalidade. Conquistar e obter coincidem na acepção de alcançar aquilo que se buscava. Mantidos o valor de finalidade e o sentido do verbo, a equivalência afirmada pelo item se sustenta.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Oração final reduzida × desenvolvida","citation":null,"trap_note":"Reduzida de infinitivo e desenvolvida com subjuntivo são a mesma oração em duas formas. O que muda é a explicitação do sujeito — e é aí, não na conjunção, que a equivalência costuma falhar."}},{"id":"fcdf0c95e00f","number":23,"stem":93,"statement":"O vocábulo “Ora”, no primeiro quadrinho, expressa o estado de impaciência de Susanita.","answer":"C","source":{"slug":"PM_AL_17_SOLDADO","ano":2017},"explanation":{"verdict_reason":"Ora, isolado no início da fala e seguido de pausa, não é advérbio de tempo nem conjunção alternativa: funciona como interjeição, e o valor que carrega é o de contrariedade impaciente diante do que se acabou de ouvir. É a mesma partícula de ora essa e ora bolas. O item não afirma nada além desse valor expressivo.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Ora como interjeição de impaciência","citation":null,"trap_note":"Uma mesma palavra muda de classe conforme a posição e a pontuação. Ora isolado por pausa é interjeição; ora... ora é conjunção alternativa; por ora é locução de tempo."}},{"id":"18f56e0f4afd","number":1,"stem":94,"statement":"A forma verbal “transita” (R.3) foi empregada para transmitir a ideia de que o monitor muda constantemente de função na escola.","answer":"E","source":{"slug":"SEE_16_DF","ano":2016},"explanation":{"verdict_reason":"Transitar é deslocar-se, circular por um espaço, e é nesse valor que o texto diz que o monitor transita por toda a escola — o complemento é um lugar, não um cargo. A leitura do item exigiria que o verbo indicasse passagem de uma função a outra, o que o texto não diz: ele descreve um único profissional que circula pelos ambientes e é procurado quando surge um problema. A troca converte movimento no espaço em alternância de atribuições.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"foi empregada para transmitir a ideia de que o monitor muda constantemente de função na escola","corrected_statement":"A forma verbal “transita” (R.3) foi empregada para transmitir a ideia de que o monitor circula por todos os espaços da escola.","concept":"Transitar por um espaço × mudar de função","citation":null,"trap_note":"O complemento do verbo revela a acepção. Se o que vem depois é lugar, o verbo é de movimento; se é estado ou cargo, é de mudança — e a banca troca um pelo outro sem tocar na frase."}},{"id":"024c6bac961c","number":4,"stem":95,"statement":"A palavra “até” (R.11), que denota o posicionamento do autor frente a um dos usos da palavra “saúde”, pode ser substituída por sobretudo sem que isso prejudique a correção e o sentido original do texto.","answer":"E","source":{"slug":"ANVISA_16","ano":2016},"explanation":{"verdict_reason":"Ali até é palavra denotativa de inclusão: acrescenta ao rol um caso extremo, o que menos se esperaria — a palavra é tola e, no limite, babaca. Sobretudo é palavra de realce que elege um item como o principal e, com isso, rebaixa os demais. Trocar uma pela outra deixa de somar o caso extremo e passa a hierarquizar, além de exigir outra posição na frase; o sentido original não se mantém.","distortion_type":"troca_de_termo","distorted_span":"pode ser substituída por sobretudo","corrected_statement":"A palavra “até” (R.11), que denota o posicionamento do autor frente a um dos usos da palavra “saúde”, pode ser substituída por inclusive sem que isso prejudique a correção e o sentido original do texto.","concept":"Até (inclusão de caso extremo) × sobretudo (realce do principal)","citation":null,"trap_note":"Palavras denotativas não são sinônimas entre si: até e inclusive incluem, sobretudo e principalmente hierarquizam, apenas e só excluem. Nomeie a operação antes de aceitar a permuta."}},{"id":"9d0537fb671f","number":18,"stem":96,"statement":"No texto, o vocábulo “calcada” (R.13) está empregado com o sentido de fundamentada, apoiada.","answer":"C","source":{"slug":"TCU_15_TFCE","ano":2015},"explanation":{"verdict_reason":"Calcar é firmar o pé sobre, e daí, em sentido figurado, assentar algo sobre uma base. O particípio calcada, dito de uma ideia, de uma tese ou de uma prática, indica aquilo em que ela se apoia. Fundamentada e apoiada traduzem essa acepção figurada sem lhe acrescentar traço algum.","distortion_type":"correto","distorted_span":null,"corrected_statement":null,"concept":"Calcado em: assentado sobre uma base","citation":null,"trap_note":"Não confunda calcado (apoiado, de calcar) com calçado nem com o galicismo decalcado (copiado). O sentido figurado de base é o que a prova cobra."}}]}