Básicos · Língua Portuguesa · Tipos e gêneros textuais
Tipos textuais: narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo, injuntivo
Um texto não é de um tipo — tem um dominante e hospeda outros. Itens que afirmam a mera presença de duas tipologias quase sempre são Certo; os que afirmam predominância são onde a banca erra o rótulo.
Altíssima54 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Tipo textual não é assunto, é estrutura. Um texto sobre uma sequência de acontecimentos não é por isso narrativo; um texto que apresenta muitos detalhes não é por isso descritivo. O que define o tipo é a forma das sequências que o compõem: se os enunciados encadeiam fatos que se sucedem, há narração; se atribuem traços a um ser, objeto ou ambiente, há descrição; se definem, explicam e classificam, há exposição; se sustentam uma posição com provas, há argumentação; se mandam o leitor fazer algo, há injunção.
Daí decorre a segunda ideia, que resolve metade dos itens do tópico: nenhum texto é de um tipo só. Um texto tem uma tipologia dominante e hospeda sequências de outras. Um editorial argumentativo abre com um parágrafo que define; uma crônica narrativa se interrompe para descrever o mar; um cartaz expositivo termina em imperativos. Por isso há dois formatos de item, e eles têm dificuldades opostas:
| o item afirma | o que é preciso provar | como costuma sair |
|---|---|---|
| que há no texto elementos de dois tipos | uma sequência de cada | 8 de 9 Certo |
| que um tipo predomina, ou que o texto é de um tipo | que a maior parte das sequências é daquele tipo | 25 de 38 Errado |
Afirmar presença é barato: basta um imperativo para haver injunção, basta uma cadeia de verbos no perfeito com agente para haver narração. Afirmar predominância é caro, e é aí que a banca constrói o item errado — quase sempre tomando o tipo de um trecho pelo tipo do texto, ou nomeando o tipo pelo assunto em vez de pela estrutura.
Como funciona
Os cinco tipos, pelo que os prova
| tipo | pergunta que responde | marcas que o provam |
|---|---|---|
| narrativo | o que aconteceu? | fatos em sucessão, agente, pretérito perfeito/mais-que-perfeito, marcadores temporais |
| descritivo | como é? | verbos de estado e de ligação, pretérito imperfeito, adjetivos e traços sensoriais, tempo suspenso |
| expositivo | o que se sabe sobre isso? | definição, classificação, dados, exemplos, citação de fonte, presente atemporal |
| argumentativo | por que devo concordar? | tese, prova, refutação, conectivos conclusivos, avaliação do enunciador |
| injuntivo | o que devo fazer? | imperativo, infinitivo de comando, futuro do presente normativo, 2.ª pessoa |
A fronteira que mais cai: descrição × exposição
O verbo descrever, no uso corrente, cobre qualquer apresentação de conteúdo — o texto descreve os dados, descreve as opiniões dos especialistas. Na tipologia, não: descrição exige traços perceptíveis. Percentuais, séries históricas, comparações numéricas, depoimentos e definições são exposição. Um parágrafo feito só de números nunca é descritivo. A banca explora essa ambiguidade sistematicamente: traduza o item antes de julgar, e se o que ele quer dizer é apresenta, expõe ou relata, o tipo é o expositivo.
A fronteira seguinte: assunto × estrutura
Falar de mudança não é narrar. Época, transição, processo, evolução, histórico são vocabulário temporal de assunto. Para haver narrativa é preciso haver fato particular, agente e sucessão. Um texto que conceitua a passagem de uma época para outra continua dissertativo; um perfil jornalístico que reúne fatos da vida de alguém continua expositivo, porque organiza a matéria por temas e não por enredo.
Injuntivo × argumentativo
A distinção cabe em uma frase: o injuntivo quer que você faça; o argumentativo quer que você concorde. Sempre que a justificativa do item falar em convencer, persuadir, defender uma ideia ou levar o leitor a pensar de outro modo, o tipo correto é o argumentativo — mesmo que o item tenha escrito injuntivo.
O tempo verbal que engana
Dentro de uma narrativa, quem faz o tempo avançar é o pretérito perfeito. O imperfeito suspende o avanço para caracterizar cenário, personagem e hábito — é o tempo da descrição. Item que apresenta o imperfeito como prova de narração inverte a função do tempo verbal, e essa é a armadilha mais rentável da banca em fragmento literário.
O que decide os itens
Os pares que a banca opõe. Cada linha é a troca que produz um item Errado.
| o texto faz | o item diz | por que cai |
|---|---|---|
| expõe dados, percentuais, séries | descreve | número não é traço perceptível |
| apresenta depoimentos e citações | descreve | discurso alheio é exposição |
| trata de transição, época, processo | narra | tempo como assunto, não como estrutura |
| traça um perfil por temas | narra a vida de um personagem | perfil não tem enredo |
| informa uma data de fundação | faz relato linear da história | um perfeito isolado não instaura narrativa |
| divulga o achado de um estudo | argumenta | hipótese não é tese |
| apresenta o pensamento de um autor | defende esse pensamento | sem adversário não há argumentação |
| relata as próprias ações (texto institucional) | defende uma causa | falar bem de si não é sustentar tese |
| convence o leitor a pensar diferente | instrui o leitor (injuntivo) | injunção age sobre a conduta |
| caracteriza personagem no imperfeito | narra ações | imperfeito descreve |
| cita o argumento que vai refutar | apresenta esse argumento como conteúdo dominante | o autor está do outro lado |
| define um conceito e o explica | descreve | definição é exposição |
A justificativa entrega o item. Quase todo item deste tópico vem em duas partes: o tipo alegado e a razão (porque, já que, uma vez que, o que se evidencia por, haja vista). Confira primeiro se a razão confirma o tipo. Tipo injuntivo justificado por defesa de uma ideia, tipo descritivo justificado por dados empíricos, tipo narrativo justificado por exposição de conceitos: a incoerência interna resolve o item sem que seja preciso reler o texto.
Os quantificadores. Exclusivamente, unicamente, apenas, não se observando, não sendo possível afirmar qual predomina são quase sempre indefensáveis aqui, porque um texto raramente é de um tipo só e porque sempre há um tipo dominante. Item que nega a presença de outro tipo cai com um único trecho em contrário; item que nega a existência de predominância contraria o pressuposto do próprio tópico.
Tipo × gênero. São perguntas diferentes, e a banca as cobra no mesmo item. Crônica, conto, romance e fábula são gêneros apoiados no tipo narrativo; editorial e artigo de opinião, no argumentativo; verbete, manual e relatório, no expositivo e no injuntivo. Confirme os dois separadamente: o item pode acertar o gênero e errar o tipo.
Números que caem
| medida sobre os itens deste tópico | valor |
|---|---|
| itens que afirmam coexistência de dois tipos | 8 de 9 são Certo |
| itens que afirmam predominância ou classificam o texto inteiro | 25 de 38 são Errado |
| rótulo falso mais frequente nos itens errados | narrativo (8) e descritivo (8) |
| troca do nome do tipo como causa do erro | 15 dos 28 itens errados |
| itens sobre a tipologia de um só parágrafo ou período | quase sempre Certo |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Trocar o nome do tipo por um vizinho. É mais da metade dos itens errados (15 de 28). O restante da frase é verdadeiro e só o rótulo está errado: expositivo onde é argumentativo, descritivo onde é expositivo, narrativo onde é dissertativo, argumentativo onde é expositivo. Defesa: isole o rótulo, reconstrua o tipo a partir das sequências dominantes e só então compare — nunca o contrário.
Dar uma característica real como prova do tipo errado. Seis dos vinte e oito. O item recolhe do texto uma marca verdadeira — o pretérito imperfeito, os dados empíricos, a intenção de convencer, os depoimentos — e a apresenta como prova de uma tipologia a que essa marca não pertence. Defesa: leia a justificativa antes do texto; ela costuma pertencer a outro tipo que não o nomeado.
Tomar o tipo de um trecho pelo tipo do texto. Quatro dos vinte e oito. Um parágrafo detalhado, um argumento citado para ser refutado, uma data de fundação, uma sequência de fatos dentro de um perfil: o item promove esse trecho a tipologia dominante. Defesa: pergunte a que serve o trecho. Se a conclusão do texto o retoma com portanto, ele é argumento e o tipo dominante é outro.
Negar em absoluto. Três dos vinte e oito. Exclusivamente descritivo, não se observando trechos opinativos, não sendo possível afirmar qual predomina. Defesa: varra o texto atrás de primeira pessoa, adjetivo avaliativo e fecho conclusivo — um único achado derruba o item.
Erros clássicos
Classificar pelo assunto. Texto sobre uma guerra não é narrativo; texto sobre uma paisagem não é descritivo; texto sobre um procedimento não é injuntivo. O tipo está na forma das sequências, não no tema.
Aceitar descritivo porque o texto é detalhado. Detalhe expositivo é detalhe: dados, classificações, etapas. Descrição pede qualidade sensível.
Confundir citar especialistas com argumentar. Em reportagem, a citação de autoridade é fonte de informação. Só há argumentação quando o próprio texto toma posição e usa a fonte como prova a favor dela.
Tomar frase-moldura por tese. Uma afirmação geral na abertura seguida de um caso que a ilustra é moldura de um texto expositivo. Tese pede sustentação com provas e, em geral, retorno no fecho.
Achar que o imperfeito narra. Ele descreve. O perfeito narra.
Esquecer que o item pode ser modesto. Há no texto elementos característicos de, o texto também apresenta trechos com viés argumentativo, o último parágrafo caracteriza-se como injuntivo. Esses itens pedem pouco e costumam ser Certo. Recusá-los por achar que o texto “é de outro tipo” é responder a uma pergunta que não foi feita.
LidoPraticado