Básicos · Lógica e Estatística · Raciocínio lógico
Modus Ponens/Tollens, silogismos; falácias formais
Uma condicional só corre em dois sentidos — antecedente confirmado entrega o consequente, consequente negado entrega a negação do antecedente. Todo o resto é falácia.
Alta4 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Uma condicional se A, então B é uma promessa estreita. Ela diz que A basta para B. Não diz que A é necessário para B, não diz que B basta para A, e não diz nada sobre o que acontece quando A não ocorre.
Dessa estreiteza saem duas — e apenas duas — inferências legítimas:
| tenho | concluo | nome |
|---|---|---|
| se A então B, e A | B | modus ponens |
| se A então B, e não B | não A | modus tollens |
E saem duas armadilhas com nome próprio, que são a negação das duas linhas acima:
| tenho | não concluo | nome da falácia |
|---|---|---|
| se A então B, e não A | não B | negação do antecedente |
| se A então B, e B | A | afirmação do consequente |
Quem guarda essa tabela de quatro linhas resolve o tópico. Nos quatro itens do corpus, três são exatamente uma dessas duas falácias ou a manipulação errada da negação que elas produzem. O único item Certo é um modus tollens.
O segundo pilar é a contrapositiva: se A então B equivale a se não B então não A. É a única troca de lugar entre antecedente e consequente que preserva a verdade. A recíproca — se B então A — é uma proposição diferente e logicamente independente da original; admitir a original nunca obriga a admitir a recíproca.
Como funciona
O modus tollens quando o antecedente é composto. Se a condicional é se (A e B), então C e você tem não C, o que o modus tollens entrega é a negação da conjunção inteira, não de cada parte:
- não (A e B) ≡ não A ou não B
Para concluir sobre uma das partes é preciso outra premissa que elimine o outro ramo. Foi exatamente assim que o item Certo do corpus foi montado: “Se o responsável fizer sua parte e seus aliados trabalharem duro, vencerão”, mais não venceram, mais os aliados trabalharam duro. A primeira dupla dá o responsável não fez sua parte ou os aliados não trabalharam duro; a terceira premissa derruba o segundo ramo; sobra o primeiro.
E quando o antecedente é disjuntivo. Se a condicional é se (A ou B), então C e você tem não C, o modus tollens nega a disjunção — e negar disjunção derruba as duas parcelas:
- não (A ou B) ≡ não A e não B
As duas equivalências formam o par de De Morgan, e trocar uma pela outra é o erro que decide os itens. Guarde pelo comportamento: o “e” vira “ou” ao ser negado, e o “ou” vira “e”.
| forma | equivale a | quantas parcelas caem |
|---|---|---|
| não (A e B) | não A ou não B | pelo menos uma |
| não (A ou B) | não A e não B | as duas |
Cadeias. Condicionais encadeadas — A→B, B→C, C→D — entregam A→D por silogismo hipotético. O que a cadeia não faz é correr para trás: ter D na mão não devolve A, por mais longa que seja a cadeia.
O que decide os itens
| o item apresenta | julgue assim |
|---|---|
| a negação do consequente | modus tollens: conclusão é a negação do antecedente inteiro |
| a negação do antecedente | não se conclui nada sobre o consequente |
| a afirmação do consequente | não se conclui nada sobre o antecedente |
| a recíproca da condicional dada | proposição independente; não decorre da original |
| a contrapositiva | equivale à original; sempre válida |
| antecedente com e, consequente negado | cai uma das parcelas; é preciso premissa extra para dizer qual |
| antecedente com ou, consequente negado | caem as duas parcelas |
| é possível que… | basta exibir um cenário compatível com as premissas |
Regra de leitura antes de tudo. Escreva a condicional na forma se A então B e marque qual lado o item confirmou e qual lado ele negou. Item que confirma o lado direito ou nega o lado esquerdo não conclui nada — e é aí que a banca coloca a conclusão de aparência plausível.
Como a CEBRASPE derruba você aqui
São 4 itens no tópico: 1 Certo e 3 Errados. A amostra é pequena, e o que ela mostra é homogêneo.
Dois dos três itens errados invertem o sentido da condicional. Num deles a conclusão oferecida é a recíproca pura — “Se em 2025 Felipe se aposentar, então” é correto afirmar que a lei foi revogada ou aprovada, quando a premissa dizia o contrário, que a revogação ou a aprovação levaria à aposentadoria. No outro, a partir de pendência documental (que só garante parecer não favorável) o item conclui “então não será elaborada a comunicação oficial”, negando o antecedente de uma cadeia e seguindo em frente como se tivesse derivado algo. Em ambos, a defesa é mecânica: desenhe a seta e veja se o item a percorreu no sentido em que ela aponta.
O terceiro erra a negação de uma disjunção. A condicional era “Se me dá trabalho excessivo ou suja o meu carro, não levo as mudas”; dado que levo as mudas, o antecedente inteiro cai, e o item afirma que “é falsa apenas uma entre as proposições”. Negar um “ou” derruba as duas parcelas — a restrição a uma só valeria se o conectivo fosse “e”.
O item Certo é um modus tollens completo, com a premissa extra que elimina um dos ramos da conjunção negada. Vale como modelo do que a banca considera uma derivação bem-feita: negação do consequente, De Morgan, eliminação do ramo, conclusão.
Uma promessa do título que o corpus não cumpre. A ementa fala em silogismos, mas nenhum dos 4 itens é um silogismo categórico — não há Todo, Algum ou Nenhum, nem diagramas de conjuntos. Os quatro são de lógica proposicional: condicionais, conjunção, disjunção e negação. As formas categóricas aparecem no tópico vizinho de argumentação, não aqui.
Erros clássicos
Tratar a condicional como bicondicional. Se A então B não é A se e somente se B. Essa confusão gera de uma vez as duas falácias formais, porque é ela que faz a seta parecer de mão dupla.
Confundir recíproca com contrapositiva. Inverter os dois lados é recíproca e não vale. Inverter os dois lados e negar ambos é contrapositiva e sempre vale.
Negar “ou” como se fosse “e”. Diante de não (A ou B), concluir que uma das duas é falsa. São as duas.
Negar “e” como se fosse “ou”. Diante de não (A e B), concluir que as duas são falsas. Só se sabe que pelo menos uma é.
Achar que uma condicional com antecedente falso é falsa. Ela é verdadeira. Uma promessa cujo gatilho não ocorreu não foi quebrada — e isso basta, em vários itens, para validar um argumento sem derivar coisa alguma.
LidoPraticado