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Sinonímia, antonímia, polissemia, ambiguidade
Quando a banca afirma que dois termos são sinônimos, ela quase sempre erra; quando apenas propõe trocar um pelo outro, ela quase sempre acerta — a direção do enunciado vale mais que o par de palavras.
Altíssima24 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Este tópico tem duas formas de item, e elas se comportam de modo oposto. Na primeira, a banca propõe uma operação: a substituição de X por Y preservaria os sentidos do texto. Na segunda, ela afirma uma relação: X e Y são empregados no texto como sinônimos, X é sinônimo de Y, o sentido de X é o mesmo de Y. Parecem a mesma pergunta e não são.
São 24 itens: 12 Certo e 12 Errado. A substituição proposta responde por 15 deles — 63% — e é majoritariamente Certo (10 C, 5 E). A afirmação de relação lexical responde pelos outros 9 e é majoritariamente Errado (2 C, 7 E). E dentro desse segundo grupo há um dado que decide itens sozinho: os seis itens que afirmam sinonímia — com as palavras são sinônimos, é sinônimo de, são empregadas como sinônimas, o sentido é o mesmo de — são seis Errados.
Isso não é coincidência de amostra: é consequência do que cada enunciado promete. Propor uma substituição é uma promessa local — nesta frase, esta palavra cabe. Afirmar sinonímia é uma promessa sobre o par, e para sustentá-la seria preciso que as duas palavras dissessem a mesma coisa ali, o que a banca só afirma quando não é verdade. Sempre que o enunciado declarar sinonímia em vez de propor troca, comece pelo Errado e procure a diferença; ela costuma estar no período, à mão.
A diferença aparece também no tópico irmão. Em Vocabulário em contexto, a glosa (está empregado com o sentido de Y) é 60% dos itens e a substituição, apenas 12%. Aqui a proporção se inverte: a substituição é a forma dominante. Não transponha a expectativa de um tópico para o outro — conte primeiro.
Como funciona
O procedimento é único e vale para as duas formas: devolva a palavra oferecida à frase do texto e leia a frase inteira, com o mesmo complemento, a mesma classe e a mesma tese do autor. O que muda é onde procurar o defeito.
Nos itens de substituição, o defeito é sempre de valor semântico. Dos cinco errados — fruto por idéia, esse impedimento por essa interdição, certas por corretas, eviscerados por com as vísceras expostas, ao máximo por no máximo —, os cinco quebram no sentido e nenhum na regência. É o mesmo resultado medido em Vocabulário em contexto, e o inverso do que acontece em Conectores, onde metade dos itens de substituição errados cai na preposição. A regência aqui serve para confirmar um item que já passou no teste de sentido: difere de vira diferencia-se de porque ambos regem de; representa vira significa porque ambos são transitivos diretos e aceitam o mesmo objeto.
Um cuidado barato, porém, rende: a palavra oferecida vem grafada dentro da assertiva, e a grafia dela também é julgada. O item que propõe idéia promete manter a correção gramatical e oferece uma forma com acento abolido pelo Acordo Ortográfico. Leia a sugestão como texto de prova antes de discutir sentido.
Nos itens que afirmam uma relação, o defeito é de relação, não de palavra. A banca toma dois termos que o texto coordenou e declara que são o mesmo. Mas coordenação é soma, não identidade: suplementado ou substituído apresenta duas alternativas em gradação; objetos de tabu, fontes de mana e impuros, perigosos e repugnantes enumeram três atributos distintos que se acumulam. O teste é o apagamento — risque dois dos termos e veja o que o período deixa de dizer. Se algo se perde, não eram sinônimos.
E as três relações que dão nome ao tópico comparecem de fato, ao contrário do que ocorre em Inferência, onde o eixo do nome decide zero itens. Metade dos 24 itens nomeia explicitamente sinonímia, antonímia, polissemia ou ambiguidade. Vale conhecer como cada uma cai:
- Polissemia aparece do lado fácil. Dada a polissemia do vocábulo homem, seria possível interpretar que os direitos abrangeriam um grupo restrito é Certo porque basta que uma das acepções caiba. Do lado errado, a polissemia vira causa: o texto diz por ela ser um termo polissêmico, a sua história conceitual é incerta, e o item afirma que os dois fatos têm as mesmas causas — apagando que um é causa do outro.
- Antonímia cai por soma. Livre de complicações, cheio de vantagens: as palavras se opõem duas a duas, mas ausência do ruim e abundância do bom apontam para o mesmo lado, e a segunda oração acrescenta em vez de contrariar. Antonímia entre as peças não produz oposição entre os enunciados.
- Ambiguidade, nos dois itens em que aparece, é estrutural, nunca lexical. Uma vez por concordância (novas fontes de energias sustentáveis — o adjetivo pode prender-se a fontes ou a energias, porque os dois viraram plural); outra por locução (chegar ao máximo intensifica, chegar no máximo limita). Pergunte a que termo o modificador se liga, e não o que a palavra significa.
E o texto costuma entregar a resposta. Em cerca de um quarto dos itens, a glosa autorizada está no próprio período ou no seguinte: desinteressada é explicada por sem as regras do mercado e sem os critérios de utilidade; proliferação é seguida de aumentou consideravelmente; cerrada vem com a finalidade para não bater os dentes; eviscerados aparece na série ou não, que exige um estado e o seu contrário. Antes de consultar a memória, leia mais uma oração.
O que decide os itens
A forma do enunciado, medida neste tópico
| forma | total | C | E |
|---|---|---|---|
| substituição proposta (a substituição de X por Y…) | 15 | 10 | 5 |
| afirmação de sinonímia (X é sinônimo de Y, são sinônimos) | 6 | 0 | 6 |
| afirmação sobre polissemia, antonímia ou causa | 3 | 2 | 1 |
A força da promessa — quanto mais modesta, mais fácil de sustentar. Sete itens atenuam a exigência ou admitem uma perda; seis são Certo.
| enunciado | exigência | resultado |
|---|---|---|
| seria coerente com as ideias do texto | só compatibilidade com a tese | C |
| não comprometeria a coerência das ideias | só coerência | C |
| sem prejuízo da coerência do texto | só coerência | C |
| seria possível interpretar que… | basta uma leitura admissível | C |
| haveria prejuízo para o sentido original | admite a perda | C |
| prejudicaria a clareza, por resultar em ambiguidade | admite a perda | C |
| manteria a coerência, visto que têm o mesmo significado | a cláusula final devolve a exigência de identidade | E |
A última linha é a exceção que ensina a regra: a atenuação só protege enquanto o item não reinstala a promessa. Uma oração iniciada por visto que, já que ou pois no fim do enunciado costuma recolocar a exigência inteira — e é por ela que o item cai.
Os pares que já caíram — palavra do texto, oferecida, e o que decide.
| no texto | oferecida | o que decide | |
|---|---|---|---|
| ligado (sempre ligado) | a postos | disponibilidade permanente | C |
| impacto | efeito | consequência, não choque | C |
| tripartite | tripartida | mesmo radical, mesma classe | C |
| representa | significa | mesma transitividade e objeto | C |
| difere | diferencia-se | ambos regem de | C |
| denota | manifesta | dar mostras de, revelar | C |
| equidade (de gênero) | paridade | igualdade de proporção | C |
| aprimorar | aperfeiçoar | melhorar o que já existe | C |
| desinteressada | negligente | sem interesse × descuidada — há prejuízo | C |
| energia | energias | cria ambiguidade de concordância | C |
| fruto | idéia | resultado × projeto (e grafia abolida) | E |
| esse impedimento | essa interdição | impedimento matrimonial × outro instituto | E |
| certas (pospostas) | corretas | garantidas × acertadas | E |
| eviscerados | com as vísceras expostas | sem vísceras × vísceras à mostra | E |
| ao máximo | no máximo | intensidade × limite | E |
| proliferação | grande quantidade | processo × estado | E |
| cerrada | cortada | fechada × seccionada | E |
| perpetuar | potencializar | duração × intensidade | E |
| economia (criativa) | indústria (criativa) | campo × atividades | E |
| autenticamente | deliberadamente | sinceridade × intenção | E |
Eixos que a banca troca — nomeie o eixo antes e depois da substituição.
| eixo | par medido |
|---|---|
| processo × estado | proliferação / grande quantidade |
| duração × intensidade | perpetuar / potencializar |
| resultado × projeto | fruto / idéia |
| garantia × acerto | certas / corretas |
| intensidade × limite | ao máximo / no máximo |
| campo × atividade | economia criativa / indústria criativa |
| sinceridade × intenção | autenticamente / deliberadamente |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Primeiro: a afirmação de sinonímia. Seis itens, seis Errados. A banca escolhe dois termos que o texto coordenou ou aproximou e declara que valem o mesmo. Contra isso há um teste único e rápido: coordenação é soma. Se o ou separa dois destinos (suplementado ou substituído), se a enumeração lista atributos (objetos de tabu, fontes de mana, impuros), se um Mas separa os dois advérbios (deliberadamente × autenticamente), o conectivo está ali para distinguir, não para igualar. Apague dois termos e veja o que se perde.
Segundo: a acepção real que não é a do contexto. Certas é mesmo acertadas — em outro texto; ali é garantidas. Impacto é mesmo choque — em outro texto; ali é consequência. Implicância e denotar têm cada um um uso corrente que não é o do período. A acepção é escolhida pelo contexto, e a tese do autor faz parte do contexto.
Terceiro: o prefixo de privação lido ao contrário. Eviscerados não é com as vísceras expostas: é sem vísceras. A banca oferece a paráfrase que mantém o objeto no lugar e apenas o exibe, contando com a pressa. Sempre que o vocábulo tiver e-, des-, in- ou a- privativo, confirme se a glosa retira ou apenas mostra.
Quarto: a preposição da locução cristalizada. Ao máximo × no máximo, a princípio × em princípio, de 1990 a 1991 × há 1991. Trocar a preposição troca a locução inteira, e a mudança não é de nuance: é de categoria — de intensidade para limite, de tempo para condição.
Duas notas que valem pontos. A primeira: quando o item atenua a promessa — seria coerente, sem prejuízo da coerência, seria possível interpretar — ou admite expressamente uma perda, ele tende a ser Certo; seis dos sete itens assim construídos são gabarito C. É a mesma lei de Reescrita: a banca mente prometendo tudo, não admitindo perdas. A segunda: item que admite uma perda ainda assim precisa ser verificado — a perda anunciada tem de ocorrer de fato. Aqui ela ocorre nos dois casos (desinteressada por negligente destrói o elogio; energias cria mesmo a ambiguidade), e por isso os dois são Certo; em tópicos vizinhos há itens que anunciam prejuízo inexistente e por isso caem.
Erros clássicos
Tratar afirmação de sinonímia como se fosse proposta de substituição. São enunciados de risco oposto: a proposta costuma ser aceita, a afirmação é recusada em seis de seis.
Ler a coordenação como equivalência. Ou, vírgula e e somam termos distintos. Se fossem o mesmo, o autor não teria por que escrever os dois.
Procurar a regência primeiro. Nos cinco itens de substituição errados, a regência não derruba nenhum. Ela confirma, não refuta — o contrário do que vale em Conectores.
Ignorar a grafia da palavra oferecida. Ela está escrita dentro da assertiva e entra no julgamento da correção gramatical.
Achar que ambiguidade é problema de palavra. Nos dois itens do tópico, é de ligação: qual núcleo o adjetivo modifica, que valor a preposição dá à locução.
Aceitar sinonímia que o autor desfez. Onde o texto opõe os termos com Mas, não é X, mas Y ou uma enumeração, a oposição é dele e vale mais que o dicionário.
Parar de ler na palavra em jogo. Em cerca de um quarto dos itens, a oração seguinte define o vocábulo, quantifica-o ou declara a sua finalidade — e resolve o item antes de qualquer esforço de memória.
LidoPraticado