Específicos · Gestão em TI
Governança de dados: papéis (owner × steward × custodian, CDO), catálogo, MDM, DAMA-DMBOK
Catorze itens, e nenhum cita data owner, custodian, CDO, MDM ou catálogo de dados. O que cai é metadado e a fronteira entre governar (definir e cobrar) e gerir (executar) o dado.
Média14 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Comece pela medição, porque ela contraria o título do tópico — e porque são poucos itens, o que obriga a dizer com franqueza o que se sabe e o que não se sabe.
Este tópico tem 14 itens no corpus. É pouco. Dez Certos e quatro Errados não fazem frequência confiável; fazem direção. E a direção contradiz o enunciado do tópico, que promete papéis (owner × steward × custodian, CDO), catálogo, MDM, DAMA-DMBOK. Buscando nos 16.161 itens do corpus inteiro:
- data owner, dono dos dados e proprietário dos dados: zero ocorrências;
- CDO e chief data officer: zero;
- MDM, master data, dados mestres: zero;
- catálogo de dados: zero (as nove ocorrências de “catálogo” são o catálogo do SGBD);
- custodiante: duas ocorrências, nenhuma sobre custódia de dados — uma é informação custodiada na Lei de Acesso à Informação, outra é portabilidade na LGPD;
- steward / mordomo de dados: uma, e é um item deste tópico;
- DAMA / DMBOK: quatro, três delas aqui.
Ou seja: o eixo owner × steward × custodian, que dá nome ao tópico, decide zero itens. O único item de papéis que existe traz a definição literal do DMBOK para steward, e nada mais. Estude o eixo — ele é barato e pode cair —, mas estude-o depois do que realmente cai.
O que realmente cai são duas coisas, e a segunda organiza o assunto:
Metadado, em quatro dos catorze itens — mais do que qualquer outro assunto aqui, e todos os quatro Certos.
A fronteira entre governar e gerir o dado. Governança decide e cobra: define o que é dado de qualidade, quem responde por cada conjunto, quais regras valem, quem pode acessar o quê, e monitora se está sendo cumprido. Gestão executa: modela, carrega, corrige, integra, faz backup, restaura. A governança não toca no dado; ela estabelece a autoridade sobre o dado. Três dos quatro itens errados do tópico caem exatamente nessa linha — e o quarto é uma variação dela.
Uma consequência que resolve item sozinha: governança de dados não é assunto de TI. Quem sabe o que significa “cliente ativo”, qual cadastro é o autoritativo e que nível de erro é tolerável é a área de negócio. A TI provê plataforma e controles. Item que confina a governança ao departamento de TI está errado, e essa é a formulação que o corpus traz.
A metade ética e de privacidade da governança — viés, transparência, responsabilidade sobre decisão automatizada — não está aqui: está na nota de Governança e ética da disciplina de Ciência de Dados, medida contra os seus próprios itens. Não se repete nada disso nesta nota.
Por que se usa (e o que custa)
Governança de dados existe porque, sem ela, cada sistema desenvolve a sua própria verdade: dois relatórios com números diferentes para a mesma pergunta, ninguém com autoridade para dizer qual vale e ninguém a quem cobrar a correção. O ganho é esse: o dado passa a ser tratado como ativo organizacional, com dono declarado, significado único e qualidade exigível.
Custa atrito. Toda decisão sobre dado passa a ter instância, política e prazo, e isso é lento perto de resolver no ajuste direto da base. Custa também papel ocupado por gente do negócio, que já tem outro trabalho — governança sem gente designada vira documento. E há um custo que a banca cobra na forma de item: a tentação de comprar ferramenta em vez de definir responsabilidade. Catálogo, linhagem e qualidade automatizada aplicam a regra; não a criam, e não respondem por ela.
Como funciona
A camada de decisão. Governança de dados se exerce por um conjunto pequeno de instrumentos, em hierarquia:
- Estratégia de dados — o que a organização quer dos seus dados, alinhado ao plano institucional. É o primeiro produto do planejamento da governança.
- Políticas de dados — as regras de nível mais alto, aprovadas pela instância de decisão (conselho ou comitê de dados): quem responde pelo quê, o que é permitido, o que é exigido.
- Padrões, procedimentos e manuais — o detalhamento de como cumprir a política no dia a dia. Estão abaixo da política, não acima.
- Papéis e fóruns — quem decide, quem zela, quem opera; e onde as decisões são tomadas e registradas.
Os papéis, no eixo clássico. Vale memorizar mesmo sem evidência no corpus, porque é a divisão que a literatura usa e que dá sentido às demais:
- Data owner — responde pelo conjunto de dados perante a organização. Decide: aprova acesso, define criticidade, responde por conformidade. É posição de negócio.
- Data steward (mordomo de dados) — zela pelo significado e pela qualidade: define o termo no glossário, escreve as regras de qualidade, acompanha indicadores, trata exceções. A definição do DMBOK é literal e já caiu assim: steward é aquele cujo trabalho é administrar a propriedade de outra pessoa. Ele cuida de dado que não é dele.
- Data custodian (custodiante) — opera e guarda: infraestrutura, acesso técnico, backup, retenção, controles de segurança. Tipicamente TI.
Resumo em três verbos: o owner responde, o steward define, o custodiante guarda.
O DAMA-DMBOK. É o corpo de conhecimento do Data Management Association, organizado em áreas funcionais em torno de um centro, que é a governança de dados — ela não é uma área ao lado das outras; é a que as atravessa. As áreas que o corpus nomeia:
| área | responde por |
|---|---|
| Governança de dados | autoridade e controle compartilhado sobre a gestão do dado; planejar, definir política, supervisionar |
| Armazenamento e operações de dados | o dado armazenado ao longo de todo o ciclo de vida, do planejamento ao descarte |
| Gerenciamento de metadados | coletar, integrar, manter e disponibilizar metadados de fontes diversas |
| Qualidade de dados | definir dimensões, medir, monitorar e promover a melhoria |
As atividades de governança começam por planejar: entender as necessidades estratégicas de dados da organização e desenvolver e manter a estratégia de dados. Esse par de objetivos já caiu com essas palavras.
Metadado. É dado sobre dado: o que o dado é, de onde veio, em que formato está, quando foi atualizado, que regra de negócio o define e a que outros dados se relaciona. Aparece em dois níveis, e os dois estão no corpus:
- técnico — o catálogo do SGBD, que guarda tabelas, colunas, tipos, índices, visões e estatísticas do otimizador, e do qual derivam as visões de dicionário de dados;
- corporativo — o repositório que reúne metadados de várias fontes e dá significado consistente ao ambiente inteiro.
A função, que é a parte que cai: metadado serve para localizar, entender, integrar e rastrear o dado. Por explicitar relacionamentos, é ele que permite enxergar o ambiente de dados como um todo, e não sistema a sistema.
Administração de dados. Na tradição brasileira, é a função corporativa que cuida do dado como ativo da instituição: modelo de dados institucional, padrões de nomenclatura, controle das estruturas de metadados. Fica no nível conceitual e alcança toda a entidade — escopo mais abrangente que o da administração de banco de dados ou da gestão operacional, que trata de bases e sistemas específicos, com foco em desempenho, disponibilidade e integridade física.
O que decide os itens
Governar × gerir — o eixo que decide três dos quatro itens errados.
| governança (decide e cobra) | gestão (executa) |
|---|---|
| definir o que é dado de qualidade | corrigir o registro errado |
| aprovar política e padrão | aplicar o padrão na carga |
| designar responsáveis | operar a base, fazer backup |
| monitorar indicadores | produzir o dado do indicador |
| decidir quem acessa | conceder o acesso na ferramenta |
Teste rápido: sublinhe o verbo. Definir, aprovar, monitorar, responsabilizar, supervisionar são governança. Corrigir, carregar, ajustar, restaurar, integrar são gestão.
Papéis — owner × steward × custodian.
| papel | verbo | pertence a |
|---|---|---|
| data owner | responde e decide | negócio |
| data steward | define significado e zela pela qualidade | negócio, com apoio de TI |
| data custodian | opera, guarda e protege | TI |
Hierarquia normativa — estratégia de dados → política de dados → padrões e procedimentos → manuais. Item que inverte essa ordem, promovendo manual ou padrão a documento principal, está errado.
Dois níveis de metadado — catálogo do SGBD (técnico, objetos do banco) × repositório corporativo (integra fontes, dá significado). Os dois são metadado; o item erra apenas se atribuir a um o escopo do outro.
Administração de dados × administração de banco / gestão operacional — corporativa e conceitual × específica e física. A primeira é a mais abrangente.
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Os 14 itens deste tópico estão explicados, mas quatro itens errados não sustentam percentual: o que segue é direção medida, não frequência. Diga-se também que dois dos catorze nem são de governança de dados — um cobra a prática de gerenciamento de riscos do ITIL 4 e outro, os papéis do Scrum —, o que reduz ainda mais a base.
Confinar a governança, ou dispensá-la — a família que reúne três dos quatro errados. O movimento é sempre negar um elemento constitutivo da governança. “é um processo exclusivo do departamento de TI e não requer a participação de outras áreas da organização” — é o oposto: as decisões que a governança toma são majoritariamente de negócio. “não é essencial, desde que existam ferramentas tecnológicas eficientes”, dito da definição de papéis e responsabilidades — a ferramenta aplica a regra, não assume a responsabilidade por ela; sem responsável designado não há a quem cobrar. “focando nas atividades operacionais de correção de dados”, dito de uma premissa da governança — faz a governança descer ao trabalho que ela supervisiona. Os três se resolvem com a mesma pergunta: o item está tirando da governança a autoridade, o responsável ou o negócio?
Inverter a hierarquia dos documentos — o quarto errado. “O manual de normas e padrões é o principal documento” utilizado para a governança de dados: o instrumento que a sustenta é a política de dados, derivada da estratégia; manuais e padrões detalham como cumpri-la. Quando um item eleger “o principal” de alguma coisa, confira se o eleito não é um artefato derivado.
O que os Certos têm em comum, e é muito útil. Dez dos catorze itens são Certos, e nove deles fazem a mesma coisa: descrevem corretamente uma definição ou um objetivo declarado, com frequência quase literal. A definição de metadado, os objetivos do gerenciamento de metadados “segundo o DAMA-DMBoK”, o escopo da área de armazenamento e operações, as atividades de planejamento da governança, a definição de mordomo de dados, os três papéis do Scrum, o catálogo do SGBD. Neste tópico, item que apenas descreve tende a ser Certo, e item que nega, restringe ou dispensa tende a ser Errado — o prior de modalidade medido nos tópicos de TI vale aqui, com a ressalva de sempre: todos os absolutos presentes nos itens errados (exclusivo, não requer, não é essencial, o principal) são do redator do item, nenhum é da norma.
Onde a atenção deve ir, ainda que não medido. Com quatro itens errados, o que segue é conhecimento do assunto, não estatística: espere troca de nome entre as áreas funcionais do DMBOK (descrição certa, área errada) e confusão entre governança de dados e governança de TI. E, se o eixo de papéis finalmente cair, ele cairá da forma mais barata: atribuir ao custodiante a decisão de acesso que é do owner, ou ao owner a operação que é do custodiante.
Erros clássicos
Achar que governança de dados é da TI. É compartilhada, e as decisões principais são do negócio. Este é o erro mais direto do tópico.
Confundir governar com gerir. Governança define, aprova, monitora e responsabiliza; gestão corrige, carrega e opera. A governança não corrige o dado errado — ela diz quem corrige e cobra que seja corrigido.
Achar que ferramenta substitui papel. Catálogo, linhagem e regra automatizada aplicam a decisão. Quem a toma e por ela responde é uma pessoa designada.
Trocar steward por owner. O mordomo cuida de dado que não é dele: define significado e zela pela qualidade. Quem decide e responde é o owner. Quem guarda a infraestrutura é o custodiante.
Promover o manual a documento principal. A ordem é estratégia, política, padrões, manuais — de cima para baixo.
Reduzir metadado ao catálogo do banco. O catálogo do SGBD é metadado técnico; o metadado corporativo integra fontes e dá significado ao ambiente inteiro.
Inverter administração de dados e administração de banco de dados. A administração de dados é corporativa e conceitual, e portanto mais abrangente; a de banco é específica e física.
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