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Funções do 'que' e do 'se'; pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde)
Pergunte qual função a palavra exerce na própria oração — e desconfie do item que afirma que duas ocorrências de “que” ou de “se” têm a mesma função: de onze que afirmam isso, dez estão errados.
Altíssima55 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Que e se são as duas palavras mais sobrecarregadas do português. Cada uma serve a cinco ou seis funções completamente diferentes, e nenhuma delas muda de forma ao mudar de função — não há gênero, não há número, não há acento que separe um caso do outro. É exatamente por isso que a CEBRASPE volta a elas todo ano: são as únicas palavras da língua em que a classificação depende inteiramente da sintaxe da oração e nada da palavra em si.
Daí a pergunta única que resolve o tópico inteiro, e que você deve fazer antes de ler o que o item propõe:
O que esta palavra está fazendo nesta oração?
Não o que ela poderia ser, nem o que ela costuma ser. O que ela faz ali: retoma um nome? abre uma oração inteira? ocupa a posição de um complemento? não faz nada e só dá ênfase? A resposta a essa pergunta é o gabarito, porque a operação da banca é sempre nomear uma função que a palavra não tem. Ela diz expletivo de um relativo, condicional de uma integrante, reflexivo de um apassivador, sujeito de um objeto direto — e a nomenclatura oferecida é sempre uma das funções legítimas da palavra, só que a errada.
Há uma segunda forma, e a medição mostra que ela é a mais rentável de todas: em vez de classificar uma ocorrência, o item pega duas e afirma que são iguais. “o vocábulo ‘se’ recebe a mesma classificação em ‘se julgam’ e ‘se castigam’”, “o termo ‘que’ exerce a mesma função sintática em suas duas ocorrências”, “tanto em ‘desenvolveu-se’ quanto em ‘Constata-se’, a partícula ‘se’ desempenha a mesma função sintática”. Isso não é coincidência de estilo: o examinador recorta duas ocorrências justamente porque elas são diferentes. Dos onze itens deste tópico que afirmam identidade entre duas ou mais ocorrências, dez estão errados. Quando o item comparar, classifique cada ocorrência separadamente, sozinha, sem olhar a outra — e só depois compare.
O terceiro bloco do assunto são os relativos, e ele tem uma lógica própria: um relativo tem duas obrigações simultâneas — conectar a oração adjetiva ao período e ocupar, dentro dela, uma função sintática. Quem só conecta é conjunção. Todo item de relativo se decide em duas perguntas encadeadas: qual é o antecedente e que função o relativo exerce na adjetiva. A banca erra ora uma, ora outra, ora as duas — e frequentemente acerta a primeira para tornar a segunda plausível.
Como funciona
O que: cinco valores e três testes que os separam.
O teste do o qual separa relativo de tudo o mais: se a troca por o qual, a qual, os quais deixa a frase de pé, é pronome relativo, e existe um substantivo à esquerda que ele retoma. Os juízes que se deparam com o tema → os juízes, os quais se deparam com o tema. Cabe.
O teste do isso separa a integrante: se a oração inteira introduzida pelo que puder ser trocada por isso, o que é conjunção integrante e não retoma coisa alguma. Explicou que aprendera aquilo → explicou isso. Ao ver que ele não ia ajudá-la → ao ver isso. Note a consequência que a prova cobra diretamente: a conjunção integrante não exerce função sintática nenhuma; quem exerce é a oração que ela abre, que funciona como sujeito ou como complemento do verbo anterior.
O teste da supressão isola a expletiva: o que de realce vive na moldura é… que e sai sem deixar buraco. É por isso que as migrações agridem o indivíduo → por isso as migrações agridem o indivíduo. É a esse objetivo que retornam as reflexões → a esse objetivo retornam as reflexões. Se, ao apagar é e que, sobrar um verbo sem sujeito ou sem objeto, o que não era expletivo: era relativo.
Fica ainda o pronome interrogativo, que aparece em pergunta direta ou indireta, equivale a qual ou que coisa e muitas vezes vem colado a um substantivo que ele determina — que interesses estão em jogo?. Ele não retoma nada, e a banca gosta de pô-lo ao lado de um relativo na mesma frase interrogativa para vender a identidade entre os dois.
O se: decida primeiro a classe, só depois a função.
Este é o ponto em que a maioria erra, porque tenta escolher entre as cinco etiquetas de uma vez. São dois passos, e o primeiro é grosseiro:
Primeiro passo — conjunção ou pronome? A conjunção abre uma oração inteira; o pronome fica preso a um verbo, antes ou depois dele. Para avaliar se o impacto da IA será bom ou ruim — há uma oração inteira depois do se, logo é conjunção. Vão se beneficiar da tecnologia — o se está grudado no verbo, logo é pronome.
Segundo passo, se for conjunção — cabe caso? Cabendo, é condicional: se fosse capaz de pensar → caso fosse capaz de pensar. Não cabendo, é integrante, e a oração completa o sentido de um verbo ou nome anterior: não se sabe se são acidentais ou propositais → caso sejam acidentais é absurdo, então é integrante. Duas marcas quase infalíveis de integrante: o se vem depois de um verbo de indagação ou verificação — perguntar, questionar, indagar, saber, avaliar, verificar, analisar — ou abre uma alternativa do tipo se… ou…, que é o desenho da interrogativa indireta.
Segundo passo, se for pronome — três perguntas, nesta ordem:
- O verbo existe sem o pronome, com o mesmo sentido? Se não existe, o se é parte integrante do verbo e não tem função sintática: arrepender-se, queixar-se, revestir-se, dirigir-se, constituir-se, opor-se, desenvolver-se, deparar-se. Não se pode retirá-lo nem classificá-lo como complemento.
- O sujeito está expresso e pratica a ação sobre si mesmo? Cabendo a si mesmo ou um ao outro, é reflexivo (ou recíproco), e ele exerce função: objeto direto ou indireto. Se julgam com o direito de impor o seu amor — eles julgam a si mesmos.
- O verbo é transitivo direto e há, ao lado dele, um sintagma que pode ser sujeito? Então esse sintagma é sujeito paciente, o verbo concorda com ele e o se é apassivador: se castigam os culpados, transferiam-se os privilégios, Constata-se que os textos eram melhores depositários. Se, ao contrário, o verbo é intransitivo, de ligação ou transitivo indireto, não há sujeito paciente possível, o verbo fica obrigatoriamente na terceira pessoa do singular e o se é índice de indeterminação do sujeito: precisa-se de funcionários, se estava de boca entreaberta.
A fronteira interna à pergunta 3 é a mesma que decide os itens de concordância verbal — apassivador faz o verbo concordar com o paciente, índice de indeterminação prende o verbo no singular — e por isso convém resolver os dois tópicos com o mesmo gesto: olhe a regência do verbo antes de olhar a etiqueta.
Os relativos: primeiro o antecedente, depois a função.
O relativo prende-se ao sintagma imediatamente à esquerda, com os determinantes e adjuntos que o acompanham — não ao sujeito do período, não ao nome próprio mais saliente, não à última palavra que por acaso ficou colada ao que. Três marcas ajudam a confirmar:
- A concordância do verbo da adjetiva. Um verbo no singular derruba um antecedente plural sem discussão: em a luta contra os hospícios, que chegaria a seu ápice, quem chegaria ao ápice é a luta, não os hospícios.
- O aposto intercalado é cerca. Havendo travessões ou vírgulas entre o antecedente e o relativo, feche o aposto com o dedo e releia sem ele.
- Sujeito já expresso na oração não é retomado pelo relativo que a introduz. Se Dom Pedro é quem acumulou as coroas, ele é sujeito de acumulou e o antecedente de em que é outro — o breve período de seis dias.
Achado o antecedente, descubra a função desfazendo a adjetiva: reponha o antecedente no lugar do que e veja o que falta. Faltando quem pratica a ação, o relativo é sujeito; faltando o que sofre a ação, é objeto direto. E um mesmo termo nunca acumula a função que exerce na oração principal e a que o relativo exerce na adjetiva — o relativo existe justamente para ocupar o lugar que o antecedente não ocupa ali.
O caso onde. Um em cada cinco itens do tópico gira em torno dele, e todos se decidem com uma pergunta de três palavras: o antecedente é lugar? Onde equivale a em que e só entra onde couber em que com sentido locativo — inclusive locativo figurado (uma fornalha em que se acende a violência) ou institucional (onde as instituições democráticas pretendem assentar a sociedade). Não entra com antecedente de tempo (o momento em que), de documento ou ato (o mandado de busca em que), de evento (a feira que aconteceu) nem onde a preposição regida é outra (pelo qual, do qual, ao qual). E aonde é a mais onde: só com verbos de movimento, que regem a.
O caso cujo. É o único relativo que não concorda com o antecedente: ele concorda em gênero e número com o substantivo possuído, que vem imediatamente depois dele e sem artigo. Em mensagens cujas chamadas são inacreditáveis, o antecedente é mensagens e chamadas é o possuído. Leia sempre como do qual: as mensagens, das quais as chamadas são inacreditáveis — o termo que sobra à esquerda é o antecedente.
O que decide os itens
Os cinco valores de que:
| valor | como se reconhece | função sintática |
|---|---|---|
| pronome relativo | retoma um nome à esquerda; cabe o qual | sujeito, objeto direto, objeto indireto ou adjunto, dentro da adjetiva |
| conjunção integrante | não retoma nada; a oração inteira cabe atrás de isso | nenhuma — quem a exerce é a oração, sujeito ou complemento |
| partícula expletiva (realce) | moldura é… que; apagando é e que a frase se mantém | nenhuma |
| pronome interrogativo | em pergunta direta ou indireta; equivale a qual, que coisa; pode determinar um substantivo | sujeito, objeto ou adjunto adnominal |
| conjunção (comparativa, consecutiva, integrante de locução) | mais… que, tão… que, tanto que | nenhuma |
Os seis valores de se:
| valor | o verbo | função sintática | flexão |
|---|---|---|---|
| conjunção integrante | depois de perguntar, saber, avaliar, verificar, questionar; ou em alternativa se… ou | nenhuma | livre |
| conjunção condicional | cabe caso | nenhuma | livre |
| pronome apassivador | transitivo direto com sintagma que pode ser sujeito paciente | sujeito paciente é o sintagma; o se não é complemento | o verbo concorda com o paciente |
| índice de indeterminação do sujeito | intransitivo, de ligação ou transitivo indireto | não há sujeito | 3.ª pessoa do singular, fixa |
| pronome reflexivo ou recíproco | transitivo, sujeito expresso e agente | objeto direto ou indireto | concorda com o sujeito |
| parte integrante do verbo | verbo pronominal: não existe sem o pronome | nenhuma | concorda com o sujeito |
Os relativos e o que cada um substitui:
| relativo | vale por | exige |
|---|---|---|
| que | o qual, a qual | antecedente nominal expresso; é o mais geral |
| o qual, os quais | que | antecedente nominal; usa-se para desfazer ambiguidade e depois de preposição com mais de uma sílaba |
| quem | o qual (só pessoas) | preposição antes, salvo em foi ele quem |
| cujo, cuja | do qual, da qual | substantivo possuído logo depois, sem artigo; concorda com ele |
| onde | em que, no qual | antecedente que designe lugar |
| aonde | a que, ao qual | verbo de movimento |
| o que | aquilo que | o o é demonstrativo; não admite troca por o qual |
Distinções que a banca opõe:
| × | |
|---|---|
| relativo × integrante | retoma e exerce função × só conecta, e a oração é que exerce a função |
| relativo × expletivo | não pode ser apagado × apaga-se é e que sem prejuízo |
| relativo × interrogativo | retoma um nome × pergunta qual, e frequentemente determina o substantivo seguinte |
| integrante × condicional (se) | cabe isso × cabe caso |
| apassivador × índice de indeterminação | verbo transitivo direto, com sujeito paciente, e concorda × verbo VI, VL ou VTI, singular fixo |
| reflexivo × parte integrante | cabe a si mesmo, e é complemento × o verbo não existe sem o pronome, e não há função |
| reflexivo × apassivador | o sujeito age sobre si × o sujeito sofre a ação e o agente não está expresso |
| onde × em que | só com antecedente de lugar × serve para lugar, tempo, coisa e documento |
| onde × aonde | estar, morar, ocorrer × ir, chegar, dirigir-se |
| cujo × o qual | vem grudado ao possuído, sem artigo × ocupa sozinho a posição do nome |
| antecedente × sujeito da oração | o relativo prende-se ao sintagma à esquerda × o sujeito expresso já ocupa o seu lugar |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Medido sobre os 55 itens deste tópico no corpus: 34 Errado e 21 Certo. Aceitar a classificação oferecida é perder quase dois terços dos itens.
Nomear uma função que a palavra não tem — 15 dos 34 itens errados, 44%. É a operação central e ela nunca oferece um absurdo: a etiqueta proposta é sempre uma das funções legítimas de que ou de se, aplicada à ocorrência errada. “o ‘que’ é um elemento expletivo, empregado apenas para dar realce a ‘Os juízes’” — é relativo e é sujeito de se deparam, e apagá-lo deixaria o verbo sem sujeito. “classifica-se como pronome relativo o vocábulo ‘que’ em ‘Explicou que aprendera aquilo’” — não há nome retomado, e explicou isso mostra a integrante. “o vocábulo ‘se’ exerce a função de pronome reflexivo”, dito de a ideia do consumo compartilhado dirige-se aos bens — uma ideia não se dirige a si mesma, e o complemento preposicionado ainda fecha a porta do apassivador. “o vocábulo ‘que’ desempenha a função sintática de sujeito”, dito de o primeiro erro que comete — quem comete é o príncipe, e o relativo é objeto direto. Defesa: classifique por conta própria, com o teste do o qual, o teste do isso e o teste da supressão, e só depois leia a etiqueta do item.
Afirmar que duas ocorrências são iguais — e este é o achado que mais paga. Onze itens do tópico afirmam identidade entre duas, três ou todas as ocorrências de que ou de se; dez estão errados. “o vocábulo ‘se’ recebe a mesma classificação em ‘se julgam’ e ‘se castigam’” — reflexivo e apassivador. “tanto em ‘desenvolveu-se’ quanto em ‘Constata-se’, a partícula ‘se’ desempenha a mesma função sintática” — parte integrante e apassivador. “nos segmentos ‘que surgiam’ e ‘que ele não ia’, o vocábulo ‘que’ desempenha a mesma função” — relativo e integrante. “o termo ‘que’ exerce a mesma função sintática em suas duas ocorrências” — relativo e interrogativo. “o vocábulo ‘se’, em suas três ocorrências, está empregado como pronome reflexivo” — dois apassivadores e um índice de indeterminação. “o vocábulo ‘se’ classifica-se como pronome, em todas as suas ocorrências” — quase todas são conjunção condicional. O único caso Certo é aquele em que as duas ocorrências são o mesmo verbo pronominal (a pedagogia nova se constitui e a pedagogia nova se opõe). Defesa: o recorte de duas ocorrências é, em si, o sinal. Classifique cada uma isoladamente antes de comparar, e lembre que basta uma diferença para derrubar o item.
Nomear o antecedente errado — 8 dos 34, 24%. A fórmula é “retoma”, “remete a”, “o referente é”, seguida de um substantivo real do texto, e o substantivo oferecido é sempre ou o mais próximo do relativo ou o mais saliente do período. “o vocábulo ‘que’ retoma ‘Dom Pedro’”, quando o antecedente de em que é o breve período de seis dias e Dom Pedro é o sujeito de acumulou. “retoma ‘hospícios’”, quando o singular de chegaria exige a luta. “cujo referente é a palavra ‘rentabilidade’”, quando rentabilidade está dentro de um aposto entre travessões e quem privilegia as regiões é a lógica de expansão. “retoma ‘O preconceito racial’”, quando o antecedente das duas adjetivas coordenadas é o juízo. “o referente do vocábulo ‘cujas’ é ‘chamadas’” — inversão pura: chamadas é o possuído, e o antecedente é mensagens. Defesa: confira primeiro a concordância do verbo da adjetiva, depois feche os apostos com o dedo, depois pergunte quem pratica o que o verbo da adjetiva diz.
Propor uma troca ou uma supressão e prometer que a correção se mantém — 10 dos 34, 29%. Aqui a medição contraria o hábito de outros tópicos de português: a fórmula “manteria a correção gramatical” não é sinal de item errado. São 18 itens de substituição no tópico, e 8 deles são Certo. Nenhum atalho, portanto: refaça a frase com a forma proposta e leia o resultado. Os erros se concentram em dois pontos. O primeiro é a preposição regida: “‘pelo qual’ poderia ser substituída por onde” e “a substituição de ‘em que’ por onde manteria a correção”, dito de o momento em que — onde vale por em que e só com antecedente de lugar. O segundo é a função que o relativo deixa vaga: “o vocábulo ‘que’ fosse substituído por onde”, dito de a Feira que aconteceu no Madison Square Garden — o que é sujeito de aconteceu, e a troca deixaria o verbo sem sujeito, além de duplicar o lugar. Na mesma família estão as substituições impossíveis por razão de estrutura: “por o qual manteria a correção”, dito de o que realmente está sendo dito, em que não há substantivo antecedente; “poderia ser substituída pela expressão no qual”, dito de cujo, que determina o substantivo seguinte. Defesa: antes de aceitar qualquer troca, responda a duas perguntas — a nova forma exige a mesma preposição? e a nova forma ocupa a mesma função sintática?
Suprimir ou acrescentar o se — e a vírgula que ninguém lembra. Três itens propõem mexer no pronome. “Seria mantida a correção gramatical do texto” com a supressão do se de revestem-se de: não se suprime o se que integra o verbo, porque sem ele a regência desaparece. “Estaria mantida a correção gramatical do texto” com o acréscimo de um se a diferir de: verbo transitivo indireto não aceita apassivador, e verbo não pronominal não aceita partícula integrante — o se não teria função possível. E o caso mais fino: “Sem prejuízo da correção gramatical do texto, as palavras ‘é’ e ‘que’ poderiam ser suprimidas”, dito de é para interagir que nos comunicamos — a moldura é mesmo de realce, mas, apagada, para interagir vira oração adverbial anteposta e passa a exigir vírgula. Note o contraste: os dois itens do corpus que propõem a mesma supressão e nomeiam o ajuste necessário (inserir uma vírgula, corrigir maiúsculas) são Certo. Defesa: escreva a frase resultante por inteiro e pontue-a antes de julgar.
Inventar a justificativa da concordância de cujo — 1 item, mas reconhecível de longe. “o que justifica o emprego do feminino singular nesse pronome”, atribuindo a flexão de cuja ao antecedente. Cujo é o único relativo cuja forma não depende do antecedente. Toda vez que um item explicar a flexão de cujo pelo termo da esquerda, a justificativa já nasceu errada.
Erros clássicos
Aceitar que duas ocorrências sejam iguais. Dez de onze itens que afirmam isso estão errados. O examinador recorta duas ocorrências porque elas divergem.
Chamar de expletivo um relativo. Expletivo é o que sai sem deixar buraco. Apague o que e leia o resto: se o verbo seguinte ficar sem sujeito ou sem objeto, o que era relativo.
Chamar de condicional a integrante. Se depois de perguntar, saber, avaliar, questionar, verificar é integrante. Se… ou… é alternativa de pergunta indireta, não hipótese. O teste é a troca por caso: se a frase desanda, não é condição.
Chamar de reflexivo o apassivador. Reflexivo exige que o sujeito pratique a ação sobre si mesmo. Vendem-se casas não é uma casa se vendendo. Cabe a si mesmo? Não cabendo, não é reflexivo.
Classificar o se sem olhar a regência do verbo. Verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação não apassiva — não há objeto direto para virar sujeito. Só isso já elimina metade das etiquetas possíveis.
Dizer que a conjunção integrante exerce função sintática. Ela não exerce nenhuma: quem funciona como sujeito ou complemento é a oração inteira que ela abre. O relativo é o contrário — sempre ocupa um lugar dentro da adjetiva.
Usar onde para tempo, documento ou evento. Onde é em que com antecedente de lugar, e só. O momento em que, o mandado em que, a feira que não aceitam a troca.
Fazer cujo concordar com o antecedente. Concorda com o substantivo possuído, que vem depois dele e nunca leva artigo.
Parar no antecedente. Boa parte dos itens acerta a retomada e mente na segunda metade — na função sintática, na classe, na justificativa. Leia o item até o ponto final.
Pressupor que “manteria a correção gramatical” denuncia item errado. Neste tópico não denuncia: 8 dos 18 itens de substituição são Certo. Reconstrua a frase e julgue a frase.
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