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Básicos · Língua Portuguesa · Tipos e gêneros textuais

Gêneros: editorial, notícia, artigo de opinião, crônica, carta, relatório

Gênero se decide por três perguntas — quem assina, o que o texto faz e de quem é a voz —, e a metade errada do item quase nunca é o rótulo: é o verbo que diz o que o autor defende.

Altíssima17 itens no tópico

A ideia que organiza o assunto

Gênero textual não é rótulo que se decora, é um conjunto de escolhas que respondem a uma situação de comunicação. Quem escreve, para quem, com que finalidade e em que suporte: fixadas essas quatro coisas, o formato quase se deduz. Por isso a pergunta produtiva nunca é “qual é o nome deste texto?”, e sim “o que este texto está fazendo, e quem responde por ele?”.

Três perguntas bastam para quase todos os itens:

  1. Quem assina? Um autor único que se responsabiliza pelo que diz (artigo de opinião, editorial, crônica) ou um mediador que reúne vozes alheias (reportagem, notícia, entrevista)?
  2. O que o texto faz? Informa um fato novo, define um conceito, narra um episódio, sustenta uma tese, avalia uma obra, vende um produto.
  3. Há objeto único a ser julgado? Se sim, pode ser resenha; se as obras citadas são muitas e nenhuma é avaliada, não é.

Nos 17 itens explicados, oito dos onze errados trocam o rótulo do gênero, e a troca vem acompanhada de um segundo erro que é o mais caro: o verbo que diz o que o autor faz. Texto jornalístico no qual a autora argumenta a favor de, artigo de opinião no qual a autora defende que, texto acadêmico em que a autora defende o estilo híbrido. Nesses itens, a classificação está certa ou quase, e o que derruba é a atribuição de tese. Confirmado o gênero, ainda falta metade do item.

Como funciona

O eixo que separa a maioria dos gêneros de prova

gêneroquem assinao que fazmarca que o denuncia
notícia / reportagemjornalista, mediando fontesinforma um fato apuradofalas entre aspas, fontes nomeadas, lide
artigo de opiniãoum autor, que assina a tesesustenta uma posiçãotese única, primeira pessoa, conclusão avaliativa
editoriala instituição, sem assinaturaposiciona o veículovoz institucional, ausência de autor
crônicaum autorcomenta um episódio cotidianofato banal, tom literário, digressão
contoum autornarra ficçãoconflito que se arma e se resolve, personagens construídos
resenhaum autorapresenta e julga uma obraobjeto único, juízo de valor sobre ele
texto expositivo / divulgaçãoum autordefine, classifica, explicadefinição, tipologia, ausência de fontes citadas
biografiaum autornarra a vida de um indivíduo realum protagonista, datas encadeadas, terceira pessoa
entrevistadois papéis fixosalterna pergunta e respostatravessões, turnos regulares
publicidadeuma marcapromove e persuadeproduto, slogan, apelo ao consumidor
parábola / fábulaum autornarra para ensinarnarrativa alegórica, personagens genéricos
poema em prosaum autorconcentra imagens e lirismosem versos, sem informar nem argumentar

Os três pares que a banca realmente cobra

Reportagem × artigo de opinião. Pluralidade de vozes e ausência de posição do autor nunca sustentam artigo de opinião. Quando o item diz é artigo de opinião porque apresenta a opinião de várias pessoas, a própria justificativa o desmente: reunir vozes é o trabalho da reportagem.

Resenha × texto que cita. Resenha e reportagem citam por razões opostas: a resenha cita a obra que julga; a reportagem cita fontes que sustentam a apuração. Mencionar um livro não faz resenha — falta o juízo de valor sobre ele.

Crônica × conto. Fato cotidiano, narrador em primeira pessoa e comentário puxam para crônica; conflito ficcional armado e resolvido puxa para conto. Quando o item junta as duas justificativas, confira se existe mesmo um conflito: quase sempre não existe.

Gênero também governa a norma

O gênero define o que conta como erro. Ausência de pontuação numa enumeração (ar luz razão certa) contraria a norma culta e atende à especificidade do texto poético; coloquialismo em tirinha é exigência do gênero, não deslize. O item certo costuma reconhecer as duas coisas ao mesmo tempo — contraria a norma, cabe no gênero.

O caso normativo: o padrão ofício

No Manual de Redação da Presidência da República, aviso, ofício e memorando deixaram de ser espécies distintas e passaram a ser expedidos sob uma única forma: o padrão ofício, mais genérico quanto à finalidade e mais simples quanto à diagramação. A direção da substituição é a informação cobrada — e é ela que a banca inverte.

O que decide os itens

o item alegao que conferepor que costuma cair
resenha críticahá objeto único avaliado?citar obra não é resenhar
reportagemhá fonte entrevistada, apuração, fato?ser informativo não define gênero
artigo de opiniãoa tese é de quem assina?várias vozes excluem o gênero
crônica descritivao autor comenta um episódio ou sustenta tese?dados e conclusão indicam artigo
contohá conflito que se arma e se resolve?fato cotidiano comentado é crônica
o autor defende quehá verbo de defesa no texto?informar não é argumentar
padrão ofício substituído por memorandoquem sobreviveu à unificação?a seta está invertida
não havendo pontos negativoso texto ressalvou os conflitos?texto acadêmico trabalha por nuanças
até ser considerado irrelevanteo texto disse “não será a primeira preocupação”?prioridade menor não é abandono

A regra de ouro do tópico: leia a justificativa do item antes do rótulo. Quando a razão apresentada contradiz o gênero nomeado — é artigo de opinião porque reúne várias opiniões, é reportagem pelo alto teor informativo —, o item já está decidido.

Como a CEBRASPE derruba você aqui

Dos 17 itens, 11 são Errados, e a distorção é concentrada: troca de termo em 8 deles (73%), além de uma generalização, uma inversão e um escopo ampliado. Não há dispersão a estudar: o tópico tem praticamente um único mecanismo.

Trocar o nome do gênero por um vizinho plausível. Texto expositivo vira reportagem; divulgação científica vira artigo de opinião; reportagem com muitas fontes vira artigo de opinião; reportagem de divulgação histórica vira resenha; síntese do pensamento de um autor vira resenha crítica; crônica de Machado vira conto; artigo de opinião vira crônica descritiva. Em todos, o rótulo oferecido é o vizinho mais próximo, e a justificativa anexada é verdadeira em si — alto teor informativo, natureza híbrida, estrutura narrativa, fatos e opiniões — mas não distingue coisa alguma. Defesa: aplique as três perguntas (quem assina, o que faz, há objeto único) antes de aceitar qualquer nome.

Acertar o gênero e errar a tese. É a forma mais cara, porque a primeira metade do item convence. O texto jornalístico informa os números do PISA, e o item diz que a autora argumenta a favor de políticas públicas; o texto acadêmico é mesmo acadêmico, e o item diz que a autora defende o hibridismo sem falar em pontos negativos, quando o próprio texto escreveu não se trata de enaltecer ideologicamente os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos. Defesa: depois de confirmar o gênero, procure no texto a frase em que o autor recomenda, propõe ou defende. Não achando, o item cai.

Inverter a direção de uma substituição normativa. No item do Manual, a frase inteira está correta e apenas os dois termos trocam de lado. Sempre que o enunciado disser que algo foi substituído por, leia quem ocupa a posição de substituto.

Erros clássicos

Classificar pelo assunto. Educação, ciência ou direito não determinam gênero; determinação vem da situação de comunicação.

Tomar “informativo” por definição de reportagem. Verbete, manual, texto didático e reportagem informam. A marca própria da reportagem é a voz de terceiros apurada pelo repórter.

Achar que ausência de versos elimina poesia. Prosa que não informa, não narra sequência de fatos e não argumenta, mas concentra imagens e subjetividade, é poema em prosa.

Tratar marca de oralidade como erro. Em tirinha, quadrinho, chat e diálogo de crônica, o coloquialismo é previsto pelo gênero.

Achar que travessão define entrevista. Travessão indica discurso direto, que há em conto, crônica e romance. O que define entrevista é a alternância regular entre dois papéis fixos.

Confundir parábola com fábula. A fábula tem animais e costuma explicitar a moral; a parábola tem humanos genéricos e deixa a mensagem implícita.

Esquecer que o autor já ressalvou. Quando o texto escreve não se trata de…, tampouco de…, o item seguinte vai oferecer exatamente a leitura unilateral que essa frase preveniu.

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