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Emprego de hífen (pós-acordo)
Hífen se decide por duas coisas: se o primeiro elemento é prefixo ou palavra, e com que letra o segundo começa. Nos quatro itens do corpus a banca só ofereceu grafias abolidas como válidas.
Altíssima4 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
O hífen não marca pronúncia nem tonicidade: marca que duas unidades se juntaram sem se fundir. Toda a regra pós-Acordo decorre de duas perguntas feitas nessa ordem.
O primeiro elemento é prefixo ou é palavra? Se for palavra com acento próprio — alto, guarda, segunda, bem, mal, vice —, o caso é composição, e o Acordo de 1990 não mexeu nela: o hífen fica. Alto-mar, alto-falante, guarda-chuva, bem-estar, segunda-feira. Se for prefixo — anti, super, auto, co, pós, pré, sub —, o caso é prefixação, e aí sim vale a regra nova, que depende da letra seguinte.
Com que letra o segundo elemento começa? É a pergunta que resolve a prefixação inteira, e ela tem três respostas, não vinte.
O que a reforma de 1990 realmente fez foi estreito e muito cobrado: aboliu o hífen das locuções — dia a dia, fim de semana, cão de guarda — e reorganizou a prefixação em torno da letra inicial. Não criou grafias alternativas. Por isso, quando um item diz que duas formas valem, o candidato deve suspeitar de imediato: quase sempre uma delas é a grafia anterior a 2009.
Como funciona
Prefixo mais palavra — as três respostas
Usa-se hífen quando o segundo elemento começa por h ou pela mesma vogal em que o prefixo termina: anti-herói, super-homem, pós-humano, micro-ondas, anti-inflamatório, contra-almirante.
Não se usa hífen quando o segundo elemento começa por vogal diferente ou por consoante diferente de r e s: autoescola, antiaéreo, coautor, semicírculo, anteprojeto, autocrítica.
Quando o segundo elemento começa por r ou s, não há hífen e a consoante dobra: antirrugas, ultrassom, contrarregra, minissaia, autorretrato.
As exceções que a banca cobra
Prefixos sempre hifenizados, qualquer que seja a letra seguinte: pós, pré, pró quando tônicos e acentuados (pós-graduação, pré-escolar, pró-reitor); ex no sentido de anterioridade (ex-ministro); sem (sem-terra); vice (vice-presidente); recém (recém-nascido); além, aquém, pós e sota/soto também entram nessa lista.
Prefixos que nunca se hifenizam diante de vogal: co, re, pre e pro átonos. Aglutinam-se mesmo quando a vogal é igual — coautor, coobrigação, coordenar, cooperar, reeleger, preestabelecer, proeminente. É o único furo real na regra da vogal igual, e é exatamente por isso que a banca o cobra.
Prefixos terminados em consoante: sub, sob, ab, ad levam hífen diante de r (sub-reitor, ab-rogar) e diante da mesma consoante (sub-base); circum e pan levam hífen diante de vogal, h, m e n (circum-navegação, pan-americano).
Compostos — o que não mudou
Substantivo composto por justaposição mantém o hífen: alto-mar, guarda-roupa, mal-estar, bem-vindo, tenente-coronel, couve-flor. Compostos com bem levam hífen quando o segundo elemento tem vida própria (bem-estar, bem-humorado); com mal, quando o segundo elemento começa por vogal ou h (mal-humorado, mal-estar).
Locuções — o que mudou
Perderam o hífen: dia a dia, fim de semana, sala de jantar, cor de laranja. Sobreviveram por consagração: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.
O que decide os itens
| primeiro elemento | segundo elemento começa por | hífen? | exemplos |
|---|---|---|---|
| prefixo qualquer | h | sim | anti-herói, super-homem, pós-humano, anti-higiênico |
| prefixo qualquer | mesma vogal | sim | micro-ondas, anti-inflamatório, contra-ataque |
| prefixo qualquer | vogal diferente | não | autoescola, antiaéreo, semianalfabeto |
| prefixo qualquer | r ou s | não, dobra-se | antirrugas, ultrassom, minissaia |
| prefixo qualquer | outra consoante | não | semicírculo, autocrítica, anteprojeto |
| co, re, pre, pro átonos | qualquer vogal, inclusive igual | não | coautor, coobrigação, coordenar, reeleger |
| pós, pré, pró tônicos | qualquer letra | sim | pós-graduação, pré-escolar, pró-reitor |
| ex, vice, recém, sem, além | qualquer letra | sim | ex-ministro, vice-rei, recém-casado, sem-terra |
| sub, ab, ad | r, ou a mesma consoante | sim | sub-reitor, ab-rogar, sub-base |
| circum, pan | vogal, h, m, n | sim | circum-navegação, pan-americano |
| palavra com acento próprio (composição) | qualquer | sim | alto-mar, guarda-chuva, bem-estar, segunda-feira |
| locução | qualquer | não, salvo consagradas | dia a dia, fim de semana; mas cor-de-rosa, pé-de-meia |
Regra de bolso — diante de h, sempre hífen; diante de r ou s, nunca hífen e a consoante dobra; diante de vogal igual, hífen, exceto com co, re, pre e pro. Três frases cobrem a maioria absoluta dos casos.
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Nos quatro itens explicados, o gabarito é Errado nas quatro vezes, e sempre pelo mesmo motivo: o item oferece uma grafia proibida como se fosse admitida. “poderia ser grafada como dia-a-dia (…) pois as duas formas são admitidas pela ortografia oficial em vigor”; “poderia ser grafado alternativamente como Co-existem”; “deveria ser grafado sem hífen — altomar”; “podem ser corretamente grafados como duas palavras — pós humano e anti humano”. Não há, neste tópico, um único item que descreva uma grafia correta e peça confirmação. A banca sempre propõe a variante, e a variante é sempre a errada. Defesa imediata: em hífen, a forma impressa no texto é a certa. Isso não substitui a regra — você ainda precisa saber dizer por quê —, mas orienta a suspeita antes mesmo da análise.
As três grafias falsas são sempre de um destes três tipos. A forma anterior a 2009 devolvida como alternativa (dia-a-dia, Co-existem); a aglutinação de um composto que conserva hífen (altomar); a separação do prefixo em palavra autônoma (pós humano). Reconhecer o tipo é reconhecer a regra que o derruba: o Acordo aboliu o hífen das locuções, não o dos compostos; co aglutina-se sempre; prefixo não é vocábulo independente e, diante de h, exige hífen.
A justificativa inventada aparece aqui como em toda a disciplina. “dada a autonomia dos prefixos e do vocábulo humano” e “pois as duas formas são admitidas” são razões de aparência técnica e conteúdo falso. Defesa: teste a justificativa antes da grafia; se o fato alegado não governa hífen, o item já está errado.
Esta seção foi escrita contra apenas quatro itens, todos com gabarito Errado. Quatro de quatro é uma regularidade forte demais para ser ignorada e pequena demais para ser tratada como frequência estável — trate-a como suspeita orientada, nunca como atalho que dispense a regra.
Erros clássicos
Aplicar a regra de prefixação a um composto. Alto-mar não é alto prefixo: é palavra com acento próprio. Classifique antes de aplicar.
Hifenizar coautor, coordenar, coobrigação. Co, re, pre e pro
átonos aglutinam-se sempre, mesmo diante da mesma vogal.
Escrever anti-social e super-mercado. Diante de consoante diferente de
r e s não há hífen; diante de s não há hífen e a consoante dobra: antissocial,
supermercado.
Achar que dia-a-dia sobrevive no substantivo. Não sobrevive em nenhuma
função: o dia a dia e dia a dia escrevem-se igual.
Separar prefixo com espaço. Prefixo não ocorre sozinho, não recebe determinante e não se separa por espaço.
Esquecer que pós, pré e pró acentuados levam hífen sempre. Não importa
a letra seguinte: pós-graduação, pré-escolar, pró-labore.
LidoPraticado