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Regência nominal e preposição com pronome relativo (a que, de que, ao qual)
Substantivo e adjetivo também exigem preposição — e é essa preposição que reaparece na frente do pronome relativo. Desfaça o relativo e você vê qual preposição a frase pedia.
Altíssima26 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Verbo não é o único termo que rege. Substantivos, adjetivos e advérbios também exigem preposição, e exigem uma preposição determinada: acesso a, necessidade de, preocupação com, inferior a, essencial para, relacionado a ou com. Isso é regência nominal, e o mecanismo é idêntico ao da regência verbal — muda apenas quem manda.
O assunto teria pouca vida própria se parasse aí. O que o torna caro na prova é o lugar onde ele reaparece: diante do pronome relativo. Quando uma oração adjetiva retoma um termo, a preposição exigida lá dentro sobe e se prende ao relativo. É por isso que se escreve a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu (porque se concorre a uma eleição) e os elementos de que disponho (porque se dispõe de algo).
Daí sai o único procedimento que resolve um terço dos itens do tópico: desfaça o relativo. Refaça a oração adjetiva como oração independente, pondo o antecedente no lugar do pronome, e veja que preposição o verbo ou o nome de lá pede. Essa é a preposição correta — e ela não é negociável.
o século em que vivemos → vivemos no século. A preposição é obrigatória.
o regime político em que o povo exerce o poder → o povo exerce o poder nesse regime. Sem o em, o que fica sem função.
os desafios para cuja solução a ciência tem contribuído → a ciência tem contribuído para a solução deles.
E como a preposição exigida é a mesma que se funde com o artigo, este tópico desemboca na crase: inferior a mais artigo feminino dá inferior à; chegar a mais artigo dá chegar à conclusão. Regência é sempre a primeira metade da conta.
Como funciona
Um: identifique quem rege. A preposição pertence sempre ao termo que está imediatamente antes dela, não ao mais importante da frase nem ao que o item apontar. Em “não depende de receber a educação ou de ter aptidão”, quem exige o de é depender, não capacidade, que está sete palavras atrás. Em “chegaram a uma conclusão mais sutil: de que pessoas felizes se sentem melhores”, quem exige o de é conclusão, não sentem. Em “a maior velocidade das inovações”, quem exige o de é velocidade, não decorrente.
Dois: para o relativo, desfaça a oração. O teste está acima e é mecânico. Vale nas três formas em que o relativo aparece:
| forma | exemplo | de onde vem a preposição |
|---|---|---|
| preposição + que | o processo de que se nutre a sociedade | nutrir-se de |
| preposição + o qual | a atitude com a qual poderá apreender | apreender com |
| preposição + cujo | desafios para cuja solução contribuíram | contribuir para |
O qual e suas flexões são a forma de recurso: substituem que quando a preposição tem mais de uma sílaba (sobre o qual, perante o qual) e quando é preciso desfazer ambiguidade. Mas não substituem a preposição: trocar de que por os quais deixa a frase sem a preposição que o verbo pedia — e é erro.
Três: separe o que é regido do que é adjunto. Nem toda preposição é exigida. Em “localizada na região noroeste do estado, em área de clima tropical”, nenhum termo exige aquele em: ele introduz um adjunto que, suprimido o em, vira aposto — e a frase continua correta. Já em “explicações para paradigmas existentes no século em que vivemos”, o em é exigido e não pode sair. A diferença é que o segundo está preso a um verbo ou nome; o primeiro, a nada.
Quatro: quando o nome aceita duas, a troca passa. Composto de/por, combinado com/a, combate a/de, dúvida de/sobre, interseção de X com Y. Nesses, o item que propõe a substituição é Certo.
O que decide os itens
Regências nominais que caíram — e as que o item tenta adulterar:
| nome | preposição exigida |
|---|---|
| acesso, direito, obediência, referência | a |
| necessidade, compromisso, conclusão, aptidão, presunção | de |
| preocupação, respeito (no sentido de consideração por), relação | com |
| inferior, superior, anterior, posterior, preferível | a — nunca que, nunca do que |
| essencial, necessário, útil, indispensável | a com substantivo; para com infinitivo |
| relacionado, ligado, vinculado | a ou com |
| composto | de ou por |
| dúvida | de ou sobre |
Pares em que a preposição muda o papel semântico — não só a forma:
| construção | quem faz o quê |
|---|---|
| o respeito dos vizinhos | são os vizinhos que respeitam |
| o respeito aos vizinhos | são os vizinhos que são respeitados |
| o combate à dengue × da dengue | aqui as duas valem: o alvo é o mesmo |
| a defesa do réu | ambíguo: quem defende ou quem é defendido |
Preposição diante do relativo — o que não se pode apagar:
| verbo ou nome | forma correta | o que o item propõe |
|---|---|---|
| viver em | o século em que vivemos | omitir o em |
| exercer o poder em | o regime em que o povo exerce o poder | omitir o em |
| concorrer a | a eleição a que concorreu | omitir o a |
| dispor de | os elementos de que disponho | trocar por os quais |
| passar por | o processo pelo qual deve passar | trocar por porque |
| ter dúvidas de/sobre | das quais têm dúvidas | trocar por sobre as quais — e essa passa |
Onde isso vira crase. Chegar a + artigo feminino = chegaremos à mesma conclusão; combinado a + artigo = combinadas à IA; inferior a + artigo = inferior à do homem. Repare no último: trocar menor que por inferior obriga a mudar também a preposição, e com ela aparece o acento. Um item de regência nominal pode ser, na prática, um item de crase.
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Apontar o regente errado. Quatro itens do tópico dizem quem exige a preposição, e os quatro estão errados — é o padrão mais confiável que este corpus produziu. A fórmula: “o emprego da preposição X (…) deve-se à regência do termo Y”, ou “é exigido pela presença de Y”, com Y escolhido entre os termos de aparência importante da frase e nunca entre os que estão colados à preposição.
“O emprego da preposição de, em ‘de ter aptidão’, deve-se à regência do termo ‘capacidade’” — deve-se a depender. “O emprego da preposição de subsequente aos dois-pontos deve-se à regência da forma verbal ‘sentem’” — deve-se a conclusão. “O emprego da preposição de introduzindo ‘das inovações’ é exigido pela presença de ‘decorrente’” — é exigido por velocidade. E, quando não inventa um termo, inventa um princípio: “justifica-se pelo necessário estabelecimento do paralelismo sintático”, quando o com de “relacionada com a resistência” é pura regência do particípio.
Defesa: leia da preposição para trás, uma palavra de cada vez, e pare na primeira que pudesse pedi-la. Essa é a regente. O termo que o item aponta está quase sempre longe demais para reger coisa alguma.
Mandar apagar a preposição do relativo. “A omissão da preposição ‘em’ manteria os sentidos originais e a correção gramatical”, “a omissão da preposição ‘em’ não prejudicaria a correção”. Some o em e o pronome relativo fica órfão: o verbo já tem o que precisa, e o que deixa de ter função na oração. A mesma proposta aparece Certa quando a preposição é adjunto e não regida — “em área de clima tropical” —, de modo que o teste é obrigatório: desfaça o relativo, refaça a oração, veja se a preposição volta sozinha.
Trocar um relativo por outra classe de palavra. “Caso o trecho ‘pelo qual’ fosse substituído por porque”. Porque é conjunção: não retoma antecedente nenhum e não carrega a preposição de passar por. Da mesma família: de que por os quais, que mantém o pronome e perde a preposição.
Trocar a preposição por uma vizinha plausível. “A substituição da preposição ‘de’ pela preposição a manteria a correção” em compromisso de reduzir; “o termo ‘para’ poderia ser substituído por a” em essenciais para desenvolver; “o termo ‘dos’ fosse substituído por aos” em respeito dos vizinhos. Nos dois primeiros, o nome simplesmente não rege a preposição oferecida. No terceiro, rege — e a frase fica correta, mas passa a dizer outra coisa: o respeito deixa de ser o que os vizinhos dedicam e passa a ser o que recebem. Defesa: quando o item promete correção e sentido, confira os dois; a metade que sobra é onde a armadilha costuma estar.
A metade que passa. Quinze dos 26 itens são Certos, quase todos propondo trocas que o nome de fato admite — composto de/por, combinadas com/à IA, combate à/da dengue, das quais/sobre as quais, interseção da (…) com a, pelo/daquilo que é produzido. Desconfiar de toda proposta de reescrita custa tanto quanto aceitar todas. O que separa é a lista de regências, não a desconfiança.
Erros clássicos
“Inferior que”, “superior do que”. Inferior, superior, anterior, posterior e preferível regem a. E, com artigo feminino depois, sai crase: inferior à do homem, preferível à espera.
Trocar “de que” por “os quais”. O relativo muda; a preposição tem de ir junto: dos quais.
Suprimir a preposição porque a frase “continua se entendendo”. O critério não é compreensão, é função sintática: sem a preposição, o relativo não tem papel na oração que ele introduz.
Achar que “cujo” dispensa preposição. Não dispensa. Quem decide é a regência do termo que vem depois de cujo: para cuja solução, de cujo resultado, a cuja origem.
Esquecer que a preposição carrega sentido. Respeito dos vizinhos e respeito aos vizinhos são as duas corretas e dizem o contrário uma da outra. Em item que promete manter o sentido, é aí que se procura.
Parar a análise na preposição. Ela é só a primeira metade. Combinadas à IA leva acento porque à preposição exigida se soma o artigo de a IA; se a palavra seguinte não aceitasse artigo, a mesma regência produziria um a sem acento.
LidoPraticado