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Concordância verbal: sujeito composto, partitivas, porcentagens, haver/fazer impessoais
Ache o núcleo do sujeito e mande o verbo concordar com ele. Todo item do tópico é uma construção feita para esconder, deslocar ou falsificar esse núcleo.
Altíssima87 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
O verbo concorda com o sujeito. Não há uma segunda regra, e a prova não testa essa. O que ela testa, item após item, é uma coisa só: você consegue achar o núcleo do sujeito?
Porque a regra é trivial e localizar o sujeito não é. A língua tem um repertório de construções que deslocam, escondem ou imitam o sujeito, e a CEBRASPE trabalha dentro desse repertório quase o tempo todo. O sujeito vem depois do verbo (aqui cabe uma reflexão, são necessários os dados). Vem longe do verbo, separado por duas orações encaixadas (novas melhorias na IA, viabilizadas por operações massivas de coleta de dados, aperfeiçoadas ao máximo por grupos digitais, contribuíram…). Vem partido em dois núcleos (o planejamento urbano e a gestão das cidades vêm sendo inseridos). Vem escondido dentro de um coletivo (grande parte das ações tiram proveito). Vem substituído por um número (88% da população está conectada). Ou simplesmente não existe, porque o verbo é impessoal (havia pontos sérios, trata-se do mais ousado dos projetos).
Cada uma dessas construções coloca perto do verbo um substantivo que não é o
sujeito, e o item aponta para ele. É a operação central do tópico: em metade dos
itens errados, o item descreve corretamente a flexão do verbo e atribui essa
flexão ao termo errado. Podem não concorda com distorções, concorda com
as tecnologias. Gozavam não concorda com privilégios, concorda com os ingleses. Ajuda não concorda com efeito estufa, concorda com captura.
Investe não concorda com matriz elétrica brasileira, concorda com a
PETROBRAS, que está três linhas acima. A flexão citada está sempre certa; é o
dono dela que muda.
Há um corolário que resolve sozinho um quinto dos itens: verbo impessoal não
tem sujeito, então não há com o que concordar. Haver no sentido de existir
ou de tempo decorrido, fazer em expressões de tempo, ser em horas e datas,
tratar-se de — nenhum deles tem sujeito, e por isso ficam obrigatoriamente no
singular. Não é concordância facultativa nem concordância com o que vem depois:
é ausência de sujeito.
Como funciona
Pergunte “quem + verbo?” e desconfie da primeira resposta. Três filtros eliminam quase todos os candidatos falsos:
Termo regido de preposição nunca é sujeito. Em as distorções que podem incorporar, em relação às distorções é adjunto. Em tecnologias da informação e da comunicação, da informação e da comunicação são complementos. Em a relação que se estabelece entre nós e os cadáveres expostos tem, os cadáveres expostos está dentro de entre … e …. Nenhum deles pode puxar o verbo.
Objeto e predicativo não são sujeito. Em a carga que as demais políticas públicas carregam, quem carrega são as políticas; a carga é o objeto
retomado pelo que. Em Inúmeros são os benefícios, o sujeito é os benefícios e Inúmeros é predicativo anteposto. Em o percentual era de 58,3%, o sujeito é o percentual e a porcentagem é predicativo.
O relativo que assume o número do antecedente, não do vizinho. Em captura de gases de efeito estufa, que ajuda a mitigar, o antecedente é captura. Em
um significado que vai muito além, é significado, não as indústrias criativas.
Depois confira se o período admite duas concordâncias. Admite, e com frequência, nas cinco construções seguintes — e nelas as duas flexões são corretas:
| construção | exemplo | o que vale |
|---|---|---|
| partitivo e coletivo | grande parte das ações tiram / tira | com o coletivo ou com o especificador |
| porcentagem | 88% da população está / 88% dos habitantes estão | com o número ou com o especificador |
um dos que | uma das coisas que me atraiu / atraíram | com um ou com o antecedente plural |
| sujeito composto posposto | são indissociáveis o conceito e a noção | plural ou com o núcleo mais próximo |
| relativo com antecedente ambíguo | negociação de preços que leve / levem | com o núcleo ou com o especificador |
Só depois olhe para o verbo. Nesse ponto ele já não tem escolha.
O infinitivo tem uma regra própria e a prova a usa: flexiona-se quando tem
sujeito próprio (há o risco de terminarmos, ao ativarem as sociedades) e
fica invariável quando não tem. Trocar terminarmos por terminar não quebra a
correção — apaga o sujeito, e portanto muda o sentido.
O que decide os itens
Os impessoais — o bloco mais rentável do tópico. Não têm sujeito; ficam no singular sempre:
| verbo | quando é impessoal | forma |
|---|---|---|
haver | existir, ocorrer, tempo decorrido | havia pontos sérios, há dez anos — nunca haviam, nunca hajam |
haver em locução | o auxiliar herda a impessoalidade | pode haver, deve haver — nunca podem haver |
fazer | tempo decorrido, clima | faz dez anos, fazia tempos — nunca fazem |
ser | horas, datas, distâncias | eram dez horas, é 1.º de março |
tratar-se de | sempre | trata-se dos projetos — o termo depois de de não é sujeito |
verbo + se índice de indeterminação | verbo intransitivo ou com preposição | precisa-se de funcionários |
Haver × existir × fazer — a troca que a banca mais propõe. Haver e
fazer impessoais não variam; existir e ocorrer são verbos comuns e
concordam com o sujeito. Daí a regra prática que decide todos esses itens:
A substituição de
háporexistirsó mantém a correção se a forma proposta estiver no número do complemento. Há técnicas → existem técnicas (certo); há técnicas → existe técnicas (errado). Há uma série de razões → existe uma série de razões (certo, porque o núcleo ésérie).
E na direção contrária, a substituição de haver ou fazer temporais por uma
forma flexionada sempre prejudica a correção: havia tempos → faziam tempos
e há milhões de anos → fazem milhões de anos são erros, e o item que disser
isso está certo.
Se apassivador × índice de indeterminação:
| se o verbo é | o se é | o verbo |
|---|---|---|
| transitivo direto, com termo que pode virar sujeito | apassivador | concorda: se mantêm a lei e a propriedade, transferiam-se os privilégios |
| intransitivo, de ligação, ou transitivo indireto | índice de indeterminação | singular fixo: trata-se de, precisa-se de |
Sujeito posposto, composto e distante:
| construção | regra |
|---|---|
| sujeito posposto simples | concorda normalmente: cabe uma reflexão, foram solicitados os dados |
| sujeito composto anteposto | plural obrigatório: o planejamento e a gestão vêm sendo inseridos |
| sujeito composto posposto | plural ou com o núcleo mais próximo |
| gêneros diferentes | masculino plural: o aparelhamento técnico e as atividades … tenham sido desenvolvidos |
| sujeito no período anterior | continua governando: Ao contrário, requerem estudos aprofundados |
Concordância com o sentido (silepse) — real e cobrada: todos sabemos
(pessoa), com o autor incluído no todos. E pronomes de tratamento levam o
verbo à terceira pessoa, ainda que se refiram ao interlocutor: Vossa Senhoria
encaminhou.
As regras que não existem e que a prova cita pelo nome: concordância verbal
“com o termo mais próximo”, concordância “facultativa” com o complemento de
haver, concordância “por paralelismo” com o verbo anterior, plural “pela
indeterminação do sujeito” quando o sujeito está expresso. Nenhuma delas é
regra.
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Medido sobre os 87 itens deste tópico no corpus, todos explicados: 46 Errado e 41 Certo.
Atribuir a flexão ao termo errado — 21 dos 46 itens errados, quase metade.
É a operação central e ela tem uma forma fixa: “a forma verbal X está
flexionada no plural porque concorda com o termo Y”, “a flexão de X justifica-se
por sua concordância com Y”, “a concordância passaria a ser estabelecida com o
termo Y”. A flexão descrita está certa; Y é que não governa. E Y nunca é um
termo aleatório: é sempre o substantivo mais próximo do verbo, ou o único
substantivo do período que tem o mesmo número do verbo. Podem incorporar
recebe distorções, que é o objeto; gozavam recebe privilégios, que está
depois de de que; ajuda recebe efeito estufa, que está dentro de gases de efeito estufa; impele e dá recebem cérebro de aranha, quando o sujeito é
o que; tem recebe os cadáveres expostos, que está dentro de entre nós e …; era recebe a porcentagem 58,3%, que é predicativo; investe e promove
recebem matriz elétrica brasileira, que é o último termo do período anterior.
Defesa: nunca confira a flexão contra o termo que o item aponta. Ache o sujeito
por conta própria — perguntando quem pratica a ação e aplicando os três filtros
— e só então compare.
Propor uma flexão e afirmar que a correção se mantém — 11 dos 46. “A
correção gramatical do texto seria mantida caso a forma verbal fosse flexionada
no plural”, “poderia ser substituída por…, sem prejuízo da correção gramatical
do texto”. Quando o sujeito é único e claro, a troca simplesmente quebra a
concordância: os indicadores caíram não vira caiu, 2,1 bilhões de pessoas não têm não vira tem, Os padrões estabelecem não vira impõe, Há técnicas
não vira Existe técnicas, há menos plantas não vira podem haver, Houve uma ampliação não vira Ocorreram, os Estados Unidos da América promulgaram não
vira promulgou. Os dois últimos mostram o cuidado que a operação exige: trocar
haver por ocorrer promove o objeto a sujeito e obriga a acertar o número dele
(Ocorreu uma ampliação), e topônimo plural com artigo — os Estados Unidos —
manda o verbo ao plural, enquanto o mesmo nome sem artigo mandaria ao singular. O
46.º item errado é a variante extrema dessa família: a reescrita que pluraliza
haja em hajam, forma que o verbo impessoal não tem em modo nenhum. Defesa:
refaça a frase com a forma proposta e leia em voz alta só o par sujeito e verbo,
sem o que houver no meio.
Inventar uma regra e citá-la pelo nome — 4 dos 46, e é o truque mais
descarado. “dada a previsão gramatical de concordância com o termo mais
próximo, que, no caso, é o termo ‘prazo’”; “justifica-se por ser facultativa
sua concordância com ‘pontos terrivelmente sérios’”; “por paralelismo com a
forma verbal ‘sugere’, que a antecede”; “justifica-se pela indeterminação do
sujeito da oração”, dito de Existem muitas formas, cujo sujeito está escrito
ali. As quatro invenções soam técnicas e nenhuma é regra da língua. Defesa:
regra nomeada dentro do item é para ser conferida contra o seu domínio. A
concordância com o mais próximo existe, mas para adjetivo diante de
substantivos coordenados e para sujeito composto posposto — nunca para licenciar
um verbo a concordar com um adjunto.
Estender ao segundo termo o que vale para o primeiro — 6 dos 46. “‘têm’
está no plural porque concorda tanto com ‘países’ quanto com ‘Brasil’” — só com
países; como o Brasil é comparação, não segundo núcleo. “‘É’ e ‘seja’
concordam com ‘toda a comunicação’, termo que funciona como sujeito de ambas as
orações” — só seja; o sujeito de É é a oração inteira. “a substituição
manteria a correção sem necessidade de outros ajustes no período” — o plural na
partitiva é lícito, mas o segundo verbo coordenado também teria de ir ao plural.
Defesa: quando o item cobre duas palavras, dois termos ou dois efeitos com uma
justificativa só, confira cada metade isolada; basta uma cair.
Inverter sujeito e predicativo — 2 dos 46, e vale reconhecer a forma.
“‘Inúmeros’, que funciona como sujeito da oração”, em Inúmeros são os benefícios; “‘Que estúpido da minha parte’ funciona como sujeito da oração
‘não ter pensado nisso’”. Nos dois, o item chama de sujeito aquilo que é
predicativo, e de predicativo aquilo que é sujeito. Defesa: em X é/são Y,
sujeito é o termo que o verbo conta, e a oração reduzida de infinitivo é sempre
candidata a sujeito, nunca a predicativo.
Prometer uma alteração de sentido que a troca não produz — 1 dos 46, e é o
espelho de tudo o que vem acima. “A substituição da locução verbal ‘terá
mudado’ pela forma verbal mudou manteria a correção gramatical do texto, mas
alteraria o sentido do período”. A correção de fato se mantém, e é a concessão
que falha: o período anterior já dera o resultado como fato consumado — os
resultados foram decepcionantes —, e não há ali nenhum marco futuro de
referência, de modo que o futuro composto não projeta nada adiante e mudou diz
exatamente a mesma coisa. Defesa: em Português a regra costuma ser a inversa — o
item que admite uma perda quase sempre está certo —, e por isso vale reconhecer
o contraexemplo. Quando o item alega mudança de sentido, procure no contexto o
que sustentaria o tempo ou a flexão original; se nada ali o sustenta, a forma
estava lá por estilo e a troca não custa nada.
E o achado que mais paga: as partitivas quase nunca são a resposta errada.
Dos 15 itens que oferecem a concordância alternativa de um partitivo, coletivo,
porcentagem ou um dos que — grande parte das ações tiram / tira, a maior
parte dos fenômenos tende / tendem, a maioria dos resíduos é descartada / são
descartados, 88% da população está / 88% dos habitantes estão, uma das coisas
que me atraiu / atraíram —, os 12 que se limitam a propor a troca são Certo.
Os três que são Errado falham por um motivo de fora da regra: um manda concordar
com figura, termo que está fora da partitiva; outro afirma que a troca
dispensa ajustar o segundo verbo coordenado; o terceiro manda concordar com uma
porcentagem que é predicativo, não sujeito. Defesa: diante de um partitivo,
presuma que as duas flexões cabem e vá procurar o defeito em outro lugar do
item.
Erros clássicos
Pluralizar haver. Haviam muitas pessoas é o erro mais cobrado da
disciplina. Existencial não tem sujeito; muitas pessoas é objeto direto. E o
mesmo vale para a locução: podem haver problemas é erro, pode haver
problemas é certo.
Trocar haver por existir sem ajustar o número. Existir tem sujeito e
concorda: há problemas vira existem problemas, nunca existe problemas.
Flexionar fazer de tempo. Fazem dez anos é erro; faz dez anos é certo.
Item que afirmar que a troca de há por fazem prejudica a correção está
certo.
Concordar com o termo depois da preposição. A tecnologia da informação e da
comunicação têm é erro: quem manda é a tecnologia. Preposição isola.
Concordar com o mais próximo em vez do sujeito. As projeções de mais longo prazo indica é erro. Não há regra de proximidade para verbo e sujeito.
Deixar um dos que sempre no singular. Um dos autores que projetaram é a
forma usual, porque quem projetou foram os autores. O singular também cabe, mas
concordando com um — nunca com um substantivo de fora da construção.
Esquecer que o sujeito pode estar no período anterior. Ao contrário,
requerem estudos aprofundados: o sujeito é as graves consequências, da frase
anterior. Ponto final não apaga o sujeito.
Ler tratar-se de como verbo com sujeito posposto. Trata-se dos projetos
mais ousados fica no singular para sempre: o termo depois de de é complemento,
e a construção não tem sujeito.
LidoPraticado