Específicos · Ciência de Dados
LLMs e IA generativa: tokens, contexto, temperatura, RLHF, RAG × fine-tuning
Um LLM só prevê o próximo token a partir de pesos congelados. O item se resolve perguntando o que a técnica citada muda: os pesos, o prompt, ou nada.
Alta19 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Um modelo de linguagem de grande escala não consulta nada. Ele recebe uma sequência de tokens, estima a probabilidade do token seguinte, sorteia um, acrescenta-o à sequência e repete. Não há banco de dados por trás, não há verificação, não há busca: há uma função, treinada uma vez, que devolve a continuação mais plausível do que já está escrito.
Quase tudo o que a banca cobra é consequência direta disso.
O conhecimento está congelado nos pesos. Ele entrou no treinamento e parou ali. Fato posterior ao treino, norma interna do órgão, processo de ontem: nada disso existe para o modelo, a menos que alguém coloque o texto dentro do prompt.
Plausível não é verdadeiro. O objetivo otimizado é a continuação provável, não a afirmação verificada. A alucinação, portanto, não é defeito de implementação que mais dados corrijam — é o comportamento esperado de quem otimiza plausibilidade. É por isso que a defesa contra ela é arquitetural (recuperar o texto e mandar o modelo se apoiar nele), não estatística.
Só há três lugares onde se pode intervir. Esta é a pergunta que resolve a maior parte dos itens de ferramenta:
| intervenção | o que muda | quando vale |
|---|---|---|
| treinar ou ajustar (fine-tuning) | os pesos | mudar comportamento, estilo, formato, domínio |
| recuperar e injetar (RAG) | o prompt | trazer fato atual, norma, jurisprudência, com fonte |
| parametrizar a inferência (temperature, top-p) | nada permanente | regular o quanto a saída se afasta do mais provável |
Diante de qualquer item que descreva uma técnica, pergunte o que ela muda. O RAG que exige retreinamento, o ajuste fino que promete rastreabilidade de fonte e a temperatura que melhora a veracidade são os três erros que essa pergunta mata de uma vez.
Um aviso sobre o recorte, porque ele muda como se estuda este tópico: o título do assunto promete tokens, contexto, temperatura, RLHF e RAG × fine-tuning, mas os 19 itens do corpus testam outra coisa. Doze deles perguntam o que é e o que faz a IA generativa. Os números estão na seção O que decide os itens.
Por que se usa (e o que custa)
Ganha-se uma coisa difícil de obter de outro jeito: um único modelo pré-treinado que serve a muitas tarefas sem conjunto rotulado para cada uma. O que antes exigia um classificador treinado por tarefa passa a caber em uma instrução escrita em português. E a interface é linguagem natural, o que dispensa o usuário de conhecer a ferramenta.
Paga-se em quatro moedas, e cada uma delas vira item.
Corte de conhecimento. O que o modelo sabe terminou na data em que o treinamento parou. Manter atualizado por retreino é caro e lento; é justamente esse custo que o RAG existe para evitar.
Ausência de verdade. Não há, dentro do modelo, distinção entre o que ele aprendeu e o que ele está inventando com a mesma fluência. Sem fonte recuperada, não há rastreabilidade: a resposta não sabe de onde veio.
Custo e latência por token. Tudo é contado em tokens — prompt e resposta. Um contexto longo é caro em toda chamada, porque o prompt é reenviado inteiro a cada vez.
Não determinismo. Com temperatura acima de zero, a mesma pergunta produz respostas diferentes. Isso é desejável em redação e indesejável em extração estruturada, e é exatamente o que o parâmetro serve para regular.
Entre os três remédios, a ordem de custo é estável e vale memorizar: prompt é barato e imediato, mas cabe na janela e se repete a cada chamada; RAG é intermediário, mantém o modelo intacto e acrescenta fonte, mas exige índice e depende da qualidade da recuperação; ajuste fino é o mais caro, muda o comportamento de forma durável e volta a envelhecer no dia seguinte.
Como funciona
Tokenização. O texto é quebrado em tokens antes de qualquer coisa. Os tokenizadores modernos são subword: BPE, WordPiece, SentencePiece. Eles aprendem estatisticamente, sobre o corpus, os pedaços que mais se repetem, de modo que uma palavra nunca vista continua representável pela combinação de fragmentos conhecidos — não existe o token desconhecido que trava o vocabulário de palavras inteiras. Duas consequências que a banca cobra: token não é palavra (uma palavra longa vira vários tokens, e um espaço ou sinal de pontuação pode ser um token), e o vocabulário não fica preso a um idioma, porque os fragmentos não vieram de um léxico.
Janela de contexto. É tudo o que o modelo enxerga em uma chamada: instrução, histórico, documentos recuperados e a resposta em construção. Fora dela, nada existe. Daí o fato que mais surpreende quem usa a ferramenta: o modelo não se lembra da conversa anterior — quem reenvia o histórico a cada chamada é a aplicação, e a memória aparente é isso.
Previsão e amostragem. A rede devolve uma pontuação para cada token do vocabulário; a normalização transforma essas pontuações em uma distribuição de probabilidade; e então um token é sorteado. Temperature reescala a distribuição antes do sorteio: baixa concentra a massa nos tokens mais prováveis e aproxima a saída do determinismo; alta achata a curva e amplia a chance de tokens improváveis. Top-k limita o sorteio aos k mais prováveis; top-p (amostragem por núcleo) ao menor conjunto cuja probabilidade acumulada atinge p. Todos são parâmetros de inferência: nenhum toca nos pesos.
Prompt. O conjunto de instruções, contexto e exemplos que condiciona a geração. Sem exemplo é zero-shot; com um, one-shot; com alguns, few-shot. A engenharia de prompt é o ajuste mais barato que existe, porque não persiste nada.
As três etapas do treinamento. Primeiro o pré-treinamento, que é auto-supervisionado sobre texto bruto e não anotado: o rótulo é o próprio token seguinte, o que dispensa anotação humana e é o que permite a escala. Depois o ajuste fino supervisionado, sobre exemplos curados de instrução e resposta. E por fim o alinhamento por feedback humano (RLHF), em que um modelo de recompensa treinado sobre preferências de avaliadores humanos guia o refinamento — é daí que vêm a recusa, o tom e a aderência à instrução. Guarde a ordem: o modelo-base é útil e não é educado; o alinhamento é o que o torna utilizável.
Alucinação. Afirmação fluente, coerente e falsa. Aparece porque o modelo completa a forma da resposta mesmo quando não tem o conteúdo: um número de artigo, um acórdão, uma referência bibliográfica têm formato previsível, e o formato basta para o modelo preenchê-lo.
RAG (retrieval-augmented generation). A pergunta vira consulta a uma base própria — tipicamente busca vetorial sobre trechos previamente indexados; os trechos recuperados são inseridos no prompt; o modelo gera condicionado a eles. As quatro consequências que decidem item: o conhecimento fica atualizável pela base, não pelos pesos; a resposta ganha rastreabilidade, porque o trecho de origem é conhecido; a alucinação factual diminui, porque há texto em que se apoiar; e nada é retreinado, o modelo-base permanece intacto.
Arquitetura. Os LLMs atuais são transformers, e o que importa para este tópico é a consequência de uso: o modelo relaciona posições distantes entre si diretamente, em vez de propagar a informação passo a passo como faz uma rede recorrente, e é isso que torna viável trabalhar com documentos longos. A mecânica da atenção pertence à nota de redes neurais.
Generativo × discriminativo. O discriminativo aprende a condicional p(y|x) — a fronteira que separa as classes — e só sabe classificar. O generativo aprende a conjunta p(x,y), isto é, modela como os próprios dados se distribuem, e por isso pode amostrar dessa distribuição e produzir exemplos novos. A pergunta que separa os dois em qualquer item: o modelo consegue produzir uma amostra nova?
Outras famílias generativas. Nem toda IA generativa é LLM. Para texto, o mecanismo é autorregressivo: um token de cada vez, condicionado aos anteriores. Para imagem, o mecanismo dominante é a difusão, e a direção é o que cai: o processo direto, usado no treinamento, adiciona ruído gaussiano passo a passo até destruir a imagem; a geração percorre o caminho inverso, partindo de ruído puro e removendo ruído até a imagem emergir. Também existem as redes adversárias generativas (gerador contra discriminador) e os autocodificadores variacionais. Todas são aprendizado profundo.
Modelo de base (foundation model). O pré-treinado genérico, em larga escala, feito para servir depois a muitas tarefas por prompt ou por ajuste fino. É a razão pela qual ninguém treina do zero para cada aplicação.
Vocabulário de API de assistentes. Aparece em prova com nomes muito próximos: o assistente é a entidade configurável (modelo, instruções, ferramentas); a thread é a sessão de conversa, que só acumula mensagens; a execução é o assistente aplicado a uma thread; a ferramenta é a função externa que o modelo pode acionar.
O que decide os itens
Antes das distinções, a composição medida do tópico. Ela é contraintuitiva e muda a prioridade de estudo. Sobre os 19 itens:
| o que o item testa | itens |
|---|---|
| o que é e o que faz a IA generativa (definição, capacidade, modalidade) | 12 |
| RAG | 2 |
| tokenização subword | 1 |
| temperature | 1 |
| vocabulário de API de assistentes | 1 |
| ferramenta (Hugging Face, PyTorch × TensorFlow) | 1 |
| papéis da LGPD, sem conteúdo de LLM | 1 |
| janela de contexto | 0 |
| RLHF e alinhamento | 0 |
| definição de alucinação | 0 |
| qualquer número (limite, versão, faixa de parâmetro) | 0 |
Três leituras práticas. Primeira: geração de imagem rende mais itens (3) do que tokens e temperatura somados (2) — difusão e texto-para-imagem não são periferia deste tópico, são o centro dele. Segunda: contexto e RLHF estão no título do assunto e não decidem item nenhum; a única ocorrência da palavra contexto no corpus é o item de LGPD, usando-a no sentido comum. Terceira: não há seção de números nesta nota porque nenhum item do tópico se decide por um.
Onde a mudança acontece — a tabela que resolve mais itens que qualquer outra:
| técnica | muda os pesos? | conhecimento novo? | rastreia a fonte? |
|---|---|---|---|
| engenharia de prompt | não | só o que couber no prompt | não |
| RAG | não | sim, pela base indexada | sim |
| ajuste fino (fine-tuning) | sim | comportamento e formato, não fato atual | não |
| temperature, top-p, top-k | não | não | não |
Parâmetros de inferência:
| parâmetro | faz | não faz |
|---|---|---|
| temperature | reescala a distribuição antes do sorteio; baixa = determinística, alta = diversa | não muda conhecimento, pesos nem veracidade |
| top-k | restringe o sorteio aos k tokens mais prováveis | não é limite de tamanho da resposta |
| top-p | restringe ao menor conjunto que acumula probabilidade p | não é sinônimo de temperature |
| janela de contexto | limita o que o modelo enxerga na chamada | não é memória entre chamadas |
Generativo × discriminativo:
| discriminativo | generativo | |
|---|---|---|
| aprende | p(y | x), a fronteira entre classes | p(x,y), a distribuição conjunta |
| sabe | classificar, prever rótulo | classificar e amostrar |
| produz exemplo novo | não | sim |
| exemplos | regressão logística, SVM, classificadores | LLM, difusão, GAN, autocodificador variacional |
Difusão — a direção é tudo:
| processo direto | processo reverso | |
|---|---|---|
| quando ocorre | treinamento | geração |
| o que faz com o ruído | adiciona gaussiano, passo a passo | remove, passo a passo |
| ponto de partida | imagem real | ruído puro (nunca tela em branco) |
| ponto de chegada | ruído puro | imagem |
Vocabulário de API de assistentes — a troca de nome é o erro típico:
| objeto | é | não é |
|---|---|---|
| assistente | configurado por modelo, instruções e ferramentas | não guarda a conversa |
| thread | a sessão que acumula as mensagens | não é configurada por modelo nem por ferramentas |
| execução | o assistente aplicado a uma thread | não é o histórico |
| ferramenta | função externa que o modelo pode acionar | não é parte dos pesos |
Papéis da LGPD — um item do corpus é decidido só por isto:
| papel | verbo |
|---|---|
| controlador | decide sobre o tratamento, inclusive as finalidades |
| operador | executa o tratamento em nome do controlador |
| encarregado | comunica: canal entre controlador, titulares e ANPD |
Paradigmas de PLN, que a banca empresta um ao outro: regra escrita à mão, léxico e corpus anotado manualmente são vocabulário do PLN simbólico; texto bruto não anotado, previsão do próximo token e pesos são vocabulário de LLM. Nenhum LLM é treinado sobre regras sintáticas explícitas.
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Medido sobre os 19 itens do tópico, dos quais 14 são Certos e 5 são Errados. Cinco itens errados é base pequena: os padrões abaixo aparecem como contagem, não como porcentagem, e o primeiro deles vale mais que todos os outros somados.
A capacidade afirmada quase nunca é o erro. Este é o achado que mais muda o resultado na prova. Dez itens do tópico têm como núcleo um verbo de capacidade — regula, permite, é capaz de, pode, ajuda — e nove deles são Certos; o único Errado desse grupo não erra sobre a capacidade, erra sobre o nome do objeto. São Certos: “O parâmetro temperature em LLM regula a amplitude da diversidade e criatividade nas previsões”; “A inteligência artificial generativa é capaz de criar novos conteúdos e áudios”; “A geração de imagens por meio de descrição de textos, sem a necessidade de inserir outras figuras ou ilustrações, é um dos recursos da inteligência artificial generativa”; “O uso de tokenizadores subword permite que LLMs aprendam palavras fora do vocabulário de treinamento”. A defesa é contraintuitiva e é a principal deste tópico: uma frase que soa a folheto de propaganda não é, por isso, falsa. Não rejeite o item por entusiasmo; procure o erro em outro lugar, e se não houver outro lugar, marque Certo.
Negativa ou exclusividade: dois no corpus, os dois Errados. As únicas ocorrências de não e de exclusivamente em posição decisiva estão nos dois itens errados mais longos: “o aprendizado profundo não conseguiu melhorar o desempenho dos modelos generativos, por isso” — quando é justamente o aprendizado profundo que tornou tratáveis essas distribuições, e os transformadores apresentados como saída são aprendizado profundo; e “treinados exclusivamente com base em regras sintáticas explícitas extraídas de dados linguísticos anotados manualmente” — que descreve o PLN simbólico sob o nome do transformer. A defesa é localizar a palavra e testá-la antes de ler o resto: se o item nega o sucesso de uma técnica e propõe como saída algo que é instância dessa mesma técnica, ele já caiu.
Descrição certa, nome errado — dois dos cinco. “Uma thread representa uma entidade” configurável por modelo, instruções e ferramentas: isso é o assistente; a thread só acumula mensagens. “É atribuição do encarregado de dados tomar decisões referentes ao tratamento de dados pessoais”: quem decide é o controlador; o encarregado é canal de comunicação. Em ambos, a frase inteira está correta menos o substantivo. Leia o nome do objeto por último e confira se a descrição é dele.
A direção do processo. “Aplicação sequencial de ruído gaussiano em uma imagem inicial em branco, consoante o mesmo procedimento do treinamento”: em difusão, adicionar ruído é o treinamento; gerar é remover ruído, partindo de ruído puro. Um item só no corpus, mas a inversão de direção é a distorção mais reaproveitada da banca em todo o edital de TI, e aqui ela tem dois lugares naturais para morar: a difusão e o par RAG × ajuste fino.
O que o corpus não mostra. Nenhum item se decide por janela de contexto, por RLHF, pela definição de alucinação ou por qualquer número. A alucinação é citada uma vez, dentro de um item de RAG, e como premissa correta — não como conceito avaliado. E o par RAG × ajuste fino, que o título do assunto destaca, aparece só pelo lado certo: nos dois itens de RAG, a banca descreveu a técnica corretamente. Continue estudando a distinção — ela é a mais provável de ser cobrada na próxima prova, e não está medida aqui apenas porque ainda não caiu errada.
Erros clássicos
Achar que o modelo busca informação. Ele não abre a internet, não consulta banco e não lê o processo. Se o texto não entrou na janela de contexto, não existe. Toda capacidade de “saber o que aconteceu hoje” vem de uma camada externa que recuperou o texto e o colocou no prompt.
Achar que o RAG retreina o modelo. É o erro inverso do mais comum e vale igual: o RAG não altera um único peso. Ele muda o prompt. Atualizar conhecimento em um sistema RAG é reindexar documentos, não treinar.
Usar ajuste fino para atualizar fatos. O ajuste fino é bom para comportamento, estilo, formato de saída e vocabulário de domínio. Para fato atual, ele é caro, não dá rastreabilidade e envelhece de novo. O que se ajusta é como o modelo responde, não o que ele sabe hoje.
Tratar temperatura como controle de precisão. Temperatura zero deixa a saída determinística, não verdadeira: o modelo repete com firmeza a mesma alucinação. Determinismo e veracidade são eixos distintos.
Confundir token com palavra. O token é a unidade do vocabulário aprendido, e pode ser um fragmento, uma palavra inteira, um espaço ou um sinal. É por isso que o mesmo texto custa números de tokens diferentes em modelos diferentes.
Supor memória entre chamadas. A continuidade da conversa é a aplicação reenviando o histórico. Sem reenvio, cada chamada começa do zero.
Achar que alucinação é bug corrigível por mais dados. É consequência do objetivo — prever a continuação provável. Mais dados reduzem a frequência; o que muda a natureza do problema é ancorar a resposta em texto recuperado.
Dar capacidade de geração a um modelo discriminativo. Quem aprendeu só a fronteira entre classes não tem de onde amostrar. Geração exige a conjunta.
Inverter a difusão. Treinar adiciona ruído; gerar remove. E a geração começa em ruído, nunca em uma imagem em branco.
Tratar transformer como alternativa ao aprendizado profundo. Transformer, GAN, difusão e autocodificador variacional são todos aprendizado profundo. Item que oponha um ao outro construiu uma causalidade que não existe.
LidoPraticado