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Vírgula — proibições: entre sujeito e verbo, verbo e complemento
Ache o verbo e pergunte o que está de cada lado dele. Sujeito, verbo e complemento formam uma cadeia em que nenhuma vírgula entra — e a ordem inversa não abre exceção nenhuma.
Altíssima29 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Este tópico é o avesso do outro: aqui não se pergunta quando a vírgula é obrigatória, e sim onde ela é impossível. E a resposta é sempre a mesma figura.
O predicado é uma cadeia: sujeito → verbo → complemento. Dentro dessa cadeia não entra vírgula, em nenhum ponto, por nenhuma razão.
Não há exceção de extensão — sujeito de dez palavras continua colado ao seu verbo. Não há exceção de ordem — sujeito posposto ao verbo continua sendo sujeito. Não há exceção de forma — o complemento pode ser uma oração inteira e continua sendo complemento. E não há exceção de fôlego: a pausa que o candidato ouve ao ler em voz alta um sujeito longo não existe para a norma.
A única coisa que rompe a cadeia é um termo estranho a ela — um adjunto deslocado, um aposto, uma expressão intercalada. E aí a vírgula não vem sozinha: vem em par, porque precisa marcar onde o intruso entra e onde sai.
Por isso o método é um só, e ele cabe em três movimentos: localize o verbo principal; identifique quem é o sujeito e qual é o complemento, ainda que estejam fora da ordem direta; pergunte se a vírgula proposta cai entre dois elos da cadeia ou nas bordas de algo que não pertence a ela. Caindo entre elos, é proibida. Nas bordas do intruso, é obrigatória — e obrigatória aos pares.
Como funciona
Achar o verbo é achar tudo. O verbo principal divide o período. À esquerda dele está o sujeito, à direita o complemento — salvo quando a ordem se inverte, caso frequente nos itens e tratado adiante. Delimitado o sujeito pela pergunta quem pratica isto?, leia até o verbo sem parar. Se a vírgula proposta cai nesse percurso, acabou o item.
O “que” é a pista mais produtiva do tópico. Boa parte dos itens põe a vírgula logo antes ou logo depois de uma oração iniciada por que, e o teste é mecânico: troque o que e o que vem depois dele por isso. Se a frase se mantém — Acho isso, Saibam isso, Disso decorre isso —, o que é conjunção integrante e abre um complemento ou um sujeito. Complemento e sujeito não se separam do verbo, e a oração integrante não admite nem restrição nem explicação, porque não é adjetiva. Só o que relativo, substituível por o qual, pode vir precedido de vírgula, e apenas quando a adjetiva é explicativa.
A ordem inversa não relaxa nada. Prevê a Constituição estadunidense direito à inviolabilidade; Escreve H. Summer Maine que algumas experiências societárias…; Disso decorre que o perito médico é a pessoa…; foi promulgado na República de Veneza o Estatuto de Veneza. Em todos, o sujeito está depois do verbo, e a leitura de quem procura pausa oferece uma vírgula logo ali. Verbos de dizer e de acontecer — escrever, prever, decorrer, convir, importar, constar, permanecer — atraem essa inversão, e a voz passiva a produz por construção. Passe a frase para a ordem direta antes de julgar: o Estatuto foi promulgado, e a junta proibida salta aos olhos.
Blocos gramaticais são indivisíveis como a cadeia. Conjunção e o verbo que ela introduz (se não se importasse), advérbio de negação e o verbo negado, preposição e o termo regido, os dois elementos de uma locução (logo após, assim como), o par é… que da construção clivada (é dentro desse jogo de interações que…). Nada disso se corta ao meio.
A regência é mais ampla que o verbo. A proibição não vale só para verbo e objeto: vale para nome e complemento nominal, para adjetivo e seu complemento, para predicativo e o termo que o completa. Foi bastante para dar um relevo especial não admite vírgula depois de bastante, porque o trecho iniciado por para completa o predicativo. A pergunta é sempre a mesma: o que vem depois é exigido pelo que vem antes?
Onde a escolha realmente existe. O território facultativo é pequeno, fechado e vale a pena memorizar porque a banca o explora nos dois sentidos: adjunto adverbial curto anteposto; adjunto adverbial posposto; oração adverbial posposta à principal; vírgula antes do “e” entre orações de sujeitos distintos; vírgula antes do “e” que fecha enumeração de membros longos; advérbio de uma palavra destacado por ênfase. Fora dessa lista, a resposta é obrigatória ou proibida — nunca opcional.
Uma vírgula pode mudar o sentido sem quebrar a correção. Certas palavras têm dois valores e o isolamento decide qual vale: Logo após a detecção é locução temporal, Logo, após a detecção é conclusão equivalente a portanto; Permanece, assim, uma empresa estratégica traz um conectivo conclusivo, e Assim permanece uma empresa estratégica traz um advérbio de modo. O mesmo vale para no entanto, então, pois. Item que fala em alteração de sentido sem prejuízo da correção quase sempre explora isso.
O que decide os itens
Proibido — a vírgula cairia dentro da cadeia:
| junta | exemplo do corpus |
|---|---|
| sujeito e verbo | O precursor do que viria a ser um jornal / foi o romano Acta Diurna |
| sujeito oracional e verbo | disseminar a ilusão de perfeição / pode ser prejudicial |
| sujeito posposto e o resto | foi promulgado na República de Veneza / o Estatuto de Veneza |
| verbo e objeto direto | Não acumule / sucata e entulho |
| verbo e oração objetiva | Acho / que não podia ser mais claro; saibam / que essa é a única emergência |
| verbo e sujeito oracional posposto | Disso decorre / que o perito médico é… |
| verbo e complemento preposicionado | respondem / por uma perda estimada; podem emergir / de regras simples |
| verbo e predicativo | tem-se / como pressuposto o fator histórico-cultural |
| predicativo e seu complemento | foi bastante / para dar um relevo especial |
| conjunção e verbo | se não / se importasse |
| verbo e advérbio na posição natural | vemos / claramente que há montanhas |
| termo realçado e o que da clivada | é dentro desse jogo de interações / que a evolução… |
Facultativo — lista fechada:
| estrutura | exemplo do corpus |
|---|---|
| adjunto adverbial curto anteposto | Às sete, levantei indisposto |
| adjunto adverbial posposto | no Rio de Janeiro / junto ao Instituto Municipal |
| oração adverbial final posposta | desembolsou R$ 387,00 / para manter o Poder Judiciário |
| vírgula antes de e com sujeitos distintos | uma tirania desnecessária, e possivelmente isso é o que… |
| vírgula antes do e que fecha enumeração longa | acesso e posse da terra, e acesso a serviços de saúde |
Testes rápidos:
| dúvida | teste |
|---|---|
| o que abre complemento ou adjetiva? | trocar por isso: funcionando, é integrante e não se separa |
| onde termina o sujeito? | perguntar quem pratica isto? e ler até o verbo sem parar |
| é sujeito ou objeto posposto? | passar para a ordem direta e conferir a concordância |
| a vírgula proposta é sozinha ou fecha um par? | procurar outra vírgula adiante; havendo, a nova pode completar o par |
| mudou o sentido ou a correção? | verificar se a palavra isolada tem dois valores (logo, assim, então) |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Vinte e nove itens, dezesseis Certos e treze Errados. A medição é brutalmente uniforme, e em dois sentidos. Primeiro: os vinte e nove enunciados, sem exceção, propõem uma operação sobre a pontuação — inserir, suprimir ou deslocar um sinal — e pedem um julgamento sobre o texto resultante. Não há neste tópico um único item que se limite a nomear a função de uma vírgula já existente. Segundo: os treze errados, também sem exceção, mentem sobre o resultado dessa operação. A defesa é sempre a mesma e não tem alternativa: reescreva a frase com a mudança proposta e leia o que sobrou.
Há ainda um desequilíbrio que vale mais do que qualquer rótulo da taxonomia: vinte e cinco das vinte e nove operações são inserções. Suprimir ou deslocar vírgula aparece em apenas quatro itens do tópico inteiro. Isso muda o método, e a comparação com o tópico irmão está mais adiante.
Seis dos treze vendem como inócua uma vírgula que cai dentro da cadeia. É o grupo mais numeroso e o mais direto. “Seria gramaticalmente correto inserir uma vírgula” depois de tem-se; “a inserção de uma vírgula imediatamente após ‘emergir’ não prejudicaria a correção gramatical”; “a inserção de uma vírgula imediatamente após ‘bastante’ preservaria a correção gramatical e os sentidos”; “a inserção de uma vírgula entre ‘vemos’ e ‘claramente’ manteria a correção gramatical”; “a inserção de uma vírgula entre ‘interações’ e ‘que’ preservaria a correção gramatical”; e a inserção “logo após o vocábulo ‘Isso’”, que é o sujeito do período. Em todos, a vírgula cai entre dois elos: depois do verbo, depois do sujeito, entre o predicativo e o que o completa, no meio da clivada. Nenhuma delas tem justificativa possível, e o enunciado nunca oferece uma: só afirma o resultado. Defesa: ache o verbo, delimite sujeito e complemento, veja onde a vírgula cairia.
Três dos treze fazem o avesso: alegam prejuízo onde há escolha. “Haveria prejuízo da correção gramatical caso se inserisse vírgula após ‘R$ 387,00’”; “a inserção de vírgula imediatamente após ‘cerrada’ prejudicaria a correção gramatical”; “a inserção de vírgula imediatamente após o termo ‘terra’ prejudicaria a correção gramatical do texto visto que o referido sinal separaria indevidamente elementos essenciais da oração”. Nos três, o que segue a posição visada é oração adverbial final posposta ou o último item de uma enumeração longa — território facultativo, e território pequeno o bastante para ser decorado. Repare que o terceiro ainda entrega a justificativa falsa de brinde, invocando elementos essenciais que não estão ali. Quando o enunciado explica por que a vírgula seria proibida, teste a explicação antes de aceitá-la: é frequente que o rótulo seja o erro.
Três dos treze mentem sobre o sentido, não sobre a correção — e este é o grupo que mais cresce. Deslocado “excepcionalmente” de dentro da subordinada para antes do verbo principal, o advérbio muda de escopo: o que era raro deixa de ser o fato e passa a ser a possibilidade de afirmá-lo. Levado “assim” para o início do período e despido das vírgulas, o conectivo conclusivo vira advérbio de modo. E, em “um dos últimos estádios norte-americanos que mantêm sua construção original”, uma vírgula depois de “norte-americanos” converteria a adjetiva restritiva em explicativa: o período deixaria de dizer que o Fenway Park é um dos poucos que conservaram a construção e passaria a afirmar que os estádios norte-americanos, todos eles, a conservam. Nos três, a frase resultante é gramaticalmente impecável, e o item cai por prometer que “os sentidos originais do texto seriam preservados” ou que “não alteraria os sentidos”. Defesa: correção e sentido se verificam separadamente, e a correção intacta não é indício nenhum sobre o sentido. Guarde em especial a vírgula diante do que relativo: ela nunca é neutra, e quando o antecedente vem quantificado — um dos, os últimos, apenas os — é a restrição que sustenta a quantificação, de modo que isolá-la destrói a frase por dentro sem deixar marca de agramaticalidade.
O par pela metade aparece, mas aqui ele não manda — e isso é um resultado, não um detalhe. Apenas dois dos treze itens errados o exploram: a supressão da vírgula depois de “pioneiro”, que abre um aposto fechado pela vírgula anterior a “cuja”; e a vírgula única entre “vemos” e “claramente”, onde só um par poderia isolar o advérbio. No tópico irmão — Vírgula — usos — nove dos dezenove itens errados pedem exatamente que se apague uma vírgula de um par, deixando a sobrevivente entre sujeito e verbo; aqui esse desenho aparece uma vez. A razão é aritmética e foi medida acima: lá se pede que você apague; aqui, em vinte e cinco dos vinte e nove itens, pede-se que você acrescente. A diferença importa para o método: lá a pergunta decisiva é esta vírgula tem uma companheira?; aqui é esta vírgula cai entre dois elos da cadeia?. Quem chega neste tópico caçando pares perde tempo — e quem chega naquele caçando juntas essenciais erra os nove itens de par quebrado.
Vale a contrapartida: em dois itens a vírgula proposta completaria um par já iniciado no texto, e por isso o item que alegava prejuízo era Errado. Antes de julgar uma vírgula proposta, olhe se já existe outra logo adiante.
Onze dos dezesseis Certos apenas confirmam a proibição. “A correção gramatical seria prejudicada caso se inserisse vírgula”, “prejudicaria a correção”, “comprometeria a correção”. São itens diretos, e a estrutura atacada quase sempre é a mesma: cinco deles põem a vírgula na fronteira de uma oração iniciada por que — depois de Acho, de saibam, de decorre, e duas vezes depois de H. Summer Maine — e quatro deles trabalham com o sujeito posposto ao verbo, contando aí a voz passiva de foi promulgado na República de Veneza o Estatuto de Veneza. Se você domina esses dois padrões — o que integrante e a ordem inversa —, domina a maior parte do tópico.
Os cinco Certos restantes moram no território facultativo ou na mudança de sentido: adjunto posposto, vírgula antes de e entre sujeitos distintos, deslocamento de vírgula entre duas posições igualmente válidas, e a vírgula que converte “Logo” de advérbio temporal em conectivo conclusivo. Nenhum deles é sobre proibição; todos são sobre reconhecer que a cadeia não está em jogo.
Erros clássicos
Parar depois de um sujeito longo. É a armadilha mais antiga e continua rendendo. Extensão não autoriza vírgula: O precursor do que viria a ser um jornal é uma única unidade, e a pausa que a leitura pede não existe para a norma.
Achar que o que sempre pode ser precedido de vírgula. Só a adjetiva explicativa admite. Se o que é integrante — substituível por isso —, ele abre complemento ou sujeito, e ali não há nem restrição nem explicação a marcar.
Tratar sujeito posposto como termo acessório. Ele veio depois do verbo, parece adendo e não é. Passe para a ordem direta antes de decidir.
Supor que preposição abre licença. Responder por, emergir de, depender de: a preposição é sinal de que o termo seguinte é exigido, não de que ele possa ser isolado.
Esquecer que a proibição vale também para os dois-pontos. Os fatores incluem: a, b, c separa verbo de complemento exatamente como a vírgula separaria. O sinal muda; a junta proibida é a mesma.
Confundir correção preservada com sentido preservado. Deslocar um advérbio ou um conectivo pode devolver uma frase impecável e outro texto. Verifique as duas coisas em separado, sempre nessa ordem: primeiro a correção, porque é mais rápida e encerra o item sozinha quando falha.
Aceitar a justificativa que o enunciado oferece. Quando o item diz pois seu uso é obrigatório naquele contexto ou visto que separaria indevidamente elementos essenciais, essa é a parte a conferir primeiro. A banca já usou as duas fórmulas em itens Errados.
LidoPraticado