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Assimetria: posição relativa de média, mediana e moda

A assimetria tem o nome do lado da cauda, nunca o do lado da concentração. Nos dois itens do tópico é só isso: massa à esquerda e cauda à direita é assimetria positiva.

Alta2 itens no tópico

A ideia que organiza o assunto

Um conjunto de dados tem um centro, uma dispersão e uma forma. A nota de Médias, mediana e moda trata do centro; a de Dispersão absoluta, do espalhamento. Esta trata da forma, e a forma se resume a uma pergunta: a distribuição é equilibrada em torno do centro, ou pende para um lado?

Toda a dificuldade do assunto está numa convenção de nomenclatura que é contraintuitiva e que a banca explora diretamente:

A assimetria recebe o nome do lado da CAUDA, não do lado da CONCENTRAÇÃO.

A cauda é o lado fino e comprido do desenho, onde há poucas observações espalhadas por muitos valores. A concentração é o lado alto e curto, onde está a massa dos dados. Eles são sempre opostos, e é o primeiro que batiza a distribuição:

Por que a cauda e não a massa? Porque é a cauda que puxa a média. A média é a única das três medidas de posição sensível a valores extremos, então ela sempre se desloca na direção da cauda, enquanto a mediana e a moda ficam perto de onde os dados estão. Daí sai a segunda forma de ler a assimetria — e a que dispensa gráfico:

A média aponta para o lado da cauda.

Se a média está acima da mediana, a cauda está à direita: assimetria positiva. Se está abaixo, a cauda está à esquerda: assimetria negativa.

Este é um tópico com base de evidência mínima: dois itens no corpus. Os dois foram explicados e os dois testam exatamente essa convenção — mas dois itens descrevem dois itens, não um padrão.

Como funciona

As duas rotas, e elas sempre concordam. Um item de assimetria chega por um de dois caminhos, e o corpus tem um de cada:

  1. um gráfico — leia de que lado está a barra alta, conclua que a cauda está do outro lado, e nomeie pela cauda;
  2. três medidas de posição — ordene média, mediana e moda e leia a direção.

A ordenação das três medidas. É o instrumento mais seguro, porque não depende de interpretação visual:

ordemforma
moda < mediana < médiaassimetria positiva (à direita)
média = mediana = modasimétrica
média < mediana < modaassimetria negativa (à esquerda)

A regra de leitura, para não decorar a tabela: a média é a que se mexe, e ela se mexe para o lado da cauda. A moda fica no pico, a mediana entre as duas.

O sinal, sem tabela. O sinal da assimetria é o sinal de média − mediana. Positivo, assimetria positiva; negativo, negativa; zero, simétrica. É o mesmo que a tabela acima diz, em uma subtração.

Coeficiente de Pearson. Quando o item quer um número, é um destes dois, ambos divididos pelo desvio padrão para ficarem adimensionais:

O que importa na prova costuma ser o sinal, não a magnitude — e o sinal já está na subtração do numerador.

Assimetria em histograma de classes crescentes. O caso mais comum: classes em ordem crescente de valor com frequências que caem ao longo do eixo (50, 20, 10, 10, 5, 5, por exemplo). A massa está nas classes baixas, à esquerda, e a cauda se estende para a direita: assimetria positiva. Confirmação numérica imediata: a média desse histograma dá 3.300 e a mediana cai dentro da primeira classe, em torno de 2.000 — média acima da mediana, cauda à direita.

O que a assimetria não diz. Não diz nada sobre dispersão: duas distribuições podem ter a mesma assimetria e desvios padrão muito diferentes. E não é curtose, que é o achatamento, assunto distinto e ausente deste tópico.

O que decide os itens

distinçãoo que decide
Lado da cauda × lado da concentraçãoO nome vem da cauda. Massa à esquerda é assimetria positiva. Inverter isso é o item errado do corpus.
Média × medianaMédia acima da mediana → positiva; abaixo → negativa. O sinal de média − mediana é o sinal da assimetria.
Ordem das três medidasmoda < mediana < média é positiva; média < mediana < moda é negativa.
Justificativa × conclusãoA banca pode descrever o gráfico corretamente e ainda assim rotular ao contrário. A parte do item que decide é o rótulo, não a descrição.
Assimetria × dispersãoForma e espalhamento são independentes. Assimetria forte não implica desvio padrão grande.
Positiva × “boa”Os nomes positiva e negativa são direções, não juízos. Nada no sinal indica qualidade dos dados.

Números que caem

quantidadevalor
Sinal da assimetriasinal de (média − mediana)
Assimetria positivamoda < mediana < média
Distribuição simétricamédia = mediana = moda
Assimetria negativamédia < mediana < moda
Coeficiente de Pearson (1.ª fórmula)(média − moda) / desvio padrão
Coeficiente de Pearson (2.ª fórmula)3 × (média − mediana) / desvio padrão
Assimetria nulacoeficiente igual a 0

Como a CEBRASPE derruba você aqui

Medido sobre os 2 itens do tópico, ambos explicados. Um Certo e um Errado. Com dois itens não há frequência a reportar, nem padrão a generalizar; o que segue descreve os dois, e vale como descrição do que existe.

Os dois itens testam a mesma convenção por rotas opostas, e isso é o tópico inteiro. Um entrega o histograma e pede o rótulo; o outro entrega média, mediana e moda numa tabela e pede o rótulo. Rótulo trocado é a única coisa que o corpus deste tópico cobra.

O item Errado descreve o gráfico corretamente e inverte o nome. O span é assimetria negativa, na frase “O histograma apresenta uma distribuição com assimetria negativa, já que há maior concentração de valores à esquerda da mediana”. Repare no que a banca fez: a justificativa é verdadeira — a concentração está mesmo à esquerda, com frequências 50, 20, 10, 10, 5 e 5 — e a conclusão é o oposto do que ela implica. Concentração à esquerda significa cauda à direita, isto é, assimetria positiva, confirmada por média 3.300 acima de mediana em torno de 2.000. Defesa: quando o item vier no formato “X, já que Y”, julgue X e Y separadamente. Um “já que” correto não valida a afirmação que ele sustenta, e é exatamente essa sensação de coerência que derruba o item.

O item Certo é leitura direta da ordem das três medidas. Média 150, mediana 152, moda 154 — média abaixo da mediana, abaixo da moda: assimetria negativa. Não há pegadinha, e é a confirmação de que quando a tabela traz as três medidas, o item se resolve em uma comparação, sem gráfico e sem fórmula.

O que o título promete e o corpus não cobra. Nenhum dos dois itens pede o coeficiente de assimetria por fórmula, nenhum trata de simetria a partir de box-plot e nenhum aproveita a relação empírica entre as três medidas para estimar uma delas. O tópico, como está medido, é uma convenção de nome.

Erros clássicos

Nomear a assimetria pelo lado da concentração. É o erro central e é o item errado do corpus. O nome vem da cauda.

Aceitar a conclusão porque a justificativa está certa. “Assimetria negativa, já que há concentração à esquerda” tem a segunda metade verdadeira e a primeira falsa.

Achar que média maior que mediana indica assimetria à esquerda. É o contrário: a média persegue a cauda, e a cauda está à direita.

Confundir assimetria com dispersão. Forma e espalhamento são coisas independentes.

Ler “positiva” como elogio. É direção da cauda, não qualidade.

Esquecer que a moda fica no pico. Localizar a moda resolve metade da ordenação sem nenhuma conta.

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