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Proposições: conceito e o que NÃO é proposição
Proposição é o que se julga V ou F como um todo — pergunta citada dentro de uma declarativa não desqualifica nada. Dos 8 itens, os 3 errados trocam um rótulo de classificação.
Alta8 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Este é o tópico que decide se o item chega a ter tabela-verdade. Antes de qualquer conectivo, antes de contar linhas, antes de simbolizar, a lógica proposicional precisa saber o que ela está autorizada a tratar. E o critério é um só:
É proposição aquilo a que se pode atribuir, sem ambiguidade, um e apenas um valor entre verdadeiro e falso.
Daí decorrem os dois cortes que o assunto faz. O primeiro separa proposição de não-proposição: uma pergunta não é verdadeira nem falsa, uma ordem não é verdadeira nem falsa, uma exclamação também não, e um sintagma sem verbo não declara coisa alguma. O segundo separa simples de composta: é composta quando um conectivo liga duas proposições, cada uma com verbo próprio e valor lógico próprio.
O que faz este tópico render é uma precisão que parece escolar e resolve itens reais: o teste se aplica à sentença como um todo, não aos pedaços dentro dela. Uma pergunta citada dentro de uma frase declarativa não transforma a frase em pergunta — quem enuncia não está perguntando nada, está afirmando algo sobre uma pergunta, e esse algo é verdadeiro ou falso. Do mesmo modo, um “tanto… quanto” ligando dois termos dentro de um único predicado não cria duas proposições, por mais que pareça uma conjunção.
A contagem de proposições simples e as tabelas dos conectivos estão na nota de Conectivos e tabelas-verdade; aqui o objeto é anterior a isso — o rótulo. E é exatamente o rótulo que a banca troca: nos três itens errados do corpus, a frase inteira está correta menos uma expressão classificatória.
Como funciona
O teste, em uma pergunta. Ponha a sentença depois de “É verdade que…”. Se a pergunta resultante fizer sentido e admitir sim ou não, é proposição. “É verdade que a pergunta X precisa ser respondida pelos secretários?” — faz sentido, é proposição. “É verdade que pague a conta?” — não faz, não é.
O que não é proposição:
| forma | por quê |
|---|---|
| interrogativa: “Quem chegou?” | pede informação, não afirma |
| imperativa: “Pague a conta.” | ordena, não afirma |
| exclamativa: “Que dia lindo!” | exprime, não afirma |
| sem verbo: “O melhor filme do ano” | não declara nada |
| sentença aberta: “x + 2 = 5” | tem variável livre |
| paradoxo: “Esta frase é falsa.” | não admite valor consistente |
| opinativa de gosto pessoal | não tem valor objetivamente atribuível |
Citação não contamina. Quando uma interrogação, uma exclamação ou um imperativo aparecem entre aspas dentro de uma declarativa, são material citado: objeto de que se fala, não ato de fala de quem enuncia. A sentença que se julga é a de fora, e é ela que precisa ter verbo e valor lógico. Pergunte sempre: quem está falando, e o que essa pessoa afirma?
Sentença aberta. É a expressão com predicado e variáveis livres — “ele voltou”, “x quer ser lembrado por y” —, e ela não tem valor lógico enquanto as variáveis não forem fixadas. Duas operações a transformam em proposição: instanciar (substituir a variável por um indivíduo determinado) ou quantificar (prefixar “todo”, “algum”, “nenhum”). O caminho inverso também cai: permitir que o sujeito e o objeto de cada verbo variem em um conjunto de pessoas converte uma proposição em sentença aberta — os termos fixos viram variáveis e o valor lógico desaparece.
Simples × composta. Composta exige conectivo ligando duas proposições. Duas verificações, nesta ordem:
- cada lado do suposto conectivo tem verbo próprio?
- cada lado pode ser julgado verdadeiro ou falso sozinho?
Se qualquer resposta for não, a proposição é simples.
| parece conectivo e não é | é conectivo de verdade |
|---|---|
| “tanto… quanto” ligando adjuntos ou termos | “e”, “ou”, “mas” ligando orações |
| “assim como”, “bem como” entre termos | “se… então”, “caso”, “quando” |
| oração adjetiva restritiva (“as metodologias que promovem X”) | “como”, “porque”, “pois”, “já que”, “visto que” |
| sujeito ou objeto composto sob um só verbo | “se e somente se” |
| quantificador (“todas as metodologias…”) | negação, que torna a proposição composta sem acrescentar letra |
O caso que mais cai nas duas direções: “Como A, B” é composta — “como” aqui é causal e liga duas orações declarativas. “Todas as X que fazem Y devem ser estudadas” é simples — há um verbo principal, e o “tanto… quanto” lá dentro liga complementos, não orações.
Fechar o valor lógico sem tabela. Vários itens do tópico afirmam um valor “independentemente do valor lógico das demais proposições simples”, e essa frase é um aviso de que existe atalho. Os três que bastam:
- consequente verdadeiro → a condicional é verdadeira;
- antecedente falso → a condicional é verdadeira;
- um membro falso numa conjunção → a conjunção inteira é falsa.
Em todos, o passo prévio é o mesmo e é o que se erra: identificar o conectivo principal, aquele que estrutura a frase inteira. As tabelas completas estão na nota de Conectivos e tabelas-verdade.
Forma × conteúdo. Duas proposições podem ter composições diferentes — uma simples, outra composta — e mesmo assim dizer coisas relacionadas; e podem ter formas parecidas dizendo coisas opostas. A composição não determina o significado, e por isso um item que conceda a diferença de forma e afirme identidade de conteúdo tem de ser julgado pelo conteúdo. As equivalências formais — contrapositiva, P → Q ≡ ~P ∨ Q — estão na nota de Equivalências.
O que decide os itens
| distinção | o que decide |
|---|---|
| A sentença toda × o pedaço citado | Interrogação, ordem ou exclamação entre aspas dentro de uma declarativa são objeto do discurso. Julga-se a declarativa de fora. |
| Conectivo entre orações × entre termos | “tanto… quanto”, “assim como”, “bem como” ligando complementos mantêm a proposição simples. Só há composta se cada lado tiver verbo e valor próprios. |
| “Como”, “pois”, “já que” | São conectivos causais: ligam duas orações e tornam a frase composta. Não confunda com o “como” comparativo. |
| Oração adjetiva × oração coordenada | A relativa restringe o sujeito e não acrescenta proposição. |
| Proposição × sentença aberta | Variável livre = sem valor lógico. Fazer sujeito e objeto variarem num conjunto cria uma sentença aberta a partir de uma proposição. |
| Rótulo × conteúdo da frase | Nos itens errados do corpus, tudo está certo menos a expressão que classifica. Localize a palavra classificatória e teste só ela. |
| Identidade de forma × identidade de sentido | Composições distintas não impedem sentidos próximos, e composições parecidas não garantem sentidos iguais. O conteúdo decide. |
| Conectivo principal × conectivos internos | O atalho de valor lógico só funciona sobre o conectivo que estrutura a frase inteira. |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Medido sobre os 8 itens do tópico, todos explicados. 5 Certo e 3 Errado. A base é pequena: trate os números abaixo como descrição do corpus, não como frequência estável.
Nos três itens errados, o span é uma expressão classificatória curta e o resto
da frase está correto. Os três spans são uma proposição lógica composta,
é uma proposição simples e essas duas proposições expressam a mesma ideia.
Nenhum erro está no conteúdo citado, na pontuação ou na descrição — está na
palavra que rotula. Defesa: leia o item procurando o rótulo, sublinhe-o, e
teste só ele. Toda a extensão restante da frase, que costuma ser longa e
plausível, é cenário.
E o rótulo é trocado nas duas direções, então não há aposta a fazer. Um item chama de composta uma frase de uma só predicação: “Todas as metodologias de ensino que promovem o crescimento do indivíduo tanto academicamente quanto em sua cidadania devem ser estudadas” — um verbo principal, “tanto… quanto” ligando dois adjuntos, relativa restringindo o sujeito; é simples. Outro chama de simples uma frase com duas orações: “Como Cachoeiro do Itapemirim é uma linda cidade, ela possui vários pontos turísticos” — dois sujeitos, dois verbos, um conectivo causal; é composta. Não existe tendência a explorar: conte os verbos de orações declarativas e procure o conectivo que liga orações inteiras.
Identidade de sentido afirmada depois de uma concessão de forma — 1 item. O
span é essas duas proposições expressam a mesma ideia, e o item abre concedendo
que uma é simples e a outra composta. A concessão inicial é verdadeira e serve
para desviar a atenção. O conteúdo é que decide, e ali as duas proposições dizem
o oposto: “Ausência de evidência de um crime não é evidência da ausência do
crime” recusa exatamente a inferência que “Se não há evidência, não há crime”
executa. Quando o item conceder uma diferença e afirmar uma identidade, a parte
que decide é sempre a segunda.
Os itens Certo premiam quem reconhece um atalho, não quem monta tabela. Dois deles trazem a fórmula “independentemente do valor lógico de sua outra proposição simples constituinte”, e os dois são Certo: num, o consequente verdadeiro fecha a condicional; no outro, um membro falso fecha a conjunção. Um terceiro pede se uma bicondicional é tautologia, e ela é — os dois lados são P → Q e ~P ∨ Q, que são equivalentes. Quando o enunciado disser “independentemente do valor lógico de”, procure o atalho: ele está sendo anunciado.
A digitalização apaga símbolos, e o item continua resolvível. Um dos itens Certo chega ao corpus como “S = [P6Q]:[Qw(~P)]”, com condicional, bicondicional e disjunção perdidos na extração. A estrutura ainda se reconstrói pelos colchetes e pela posição da negação. Em item simbólico ilegível, reconstrua pelo formato antes de desistir.
O que o título promete e o corpus não cobra. O tópico se chama “conceito e o que NÃO é proposição”, e nenhum item oferece uma pergunta, uma ordem ou uma exclamação como se fosse proposição. O único item que contém uma interrogação a traz citada dentro de uma declarativa, e a resposta é que é proposição. O corpus cobra a fronteira em outro lugar: sentença aberta (1 item, Certo) e, sobretudo, simples × composta (2 dos 3 itens errados). Estude a lista de não-proposições porque é barata e pode cair; treine a contagem de verbos porque é o que caiu.
Erros clássicos
Recusar a proposição porque há uma pergunta dentro dela. A pergunta citada é objeto. Quem julga é a declarativa que a contém.
Chamar de composta a frase com “tanto… quanto”. Se os dois lados não têm verbo próprio, ligam termos, não proposições.
Achar que “como” é sempre comparativo. Em “Como A, B”, é causal: liga duas orações e a proposição é composta.
Tratar oração adjetiva restritiva como segunda proposição. Ela restringe o sujeito; não declara nada de forma independente.
Contar a negação como proposição nova. Negar não cria proposição — e essa conta, quando se trata de linhas de tabela, está na nota de Conectivos e tabelas-verdade.
Chamar sentença aberta de proposição. Enquanto houver variável livre, não há o que julgar.
Confundir identidade de forma com identidade de sentido. Duas frases podem ter a mesma estrutura e dizer o contrário uma da outra.
Montar tabela quando o item avisa que não precisa. “Independentemente do valor lógico das demais” é o enunciado dizendo que existe um atalho.
LidoPraticado