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Específicos · Ciência de Dados

ML: pipeline, overfitting × underfitting, viés × variância, L1/L2, validação cruzada

Nenhum número sozinho julga um modelo: o que julga é a diferença entre dois. Treino contra teste diagnostica; e, no CRISP-DM, a avaliação técnica ainda tem de passar pela de negócio.

Alta14 itens no tópico

A ideia que organiza o assunto

Um modelo que acerta tudo no conjunto em que foi treinado não provou nada. Ele pode ter aprendido o padrão que se repete — e então acertará também amanhã — ou pode ter decorado o ruído daquela amostra específica, e então errará no primeiro dado novo. Olhando um único número de desempenho, as duas hipóteses são indistinguíveis.

Daí a ideia que torna o tópico inteiro derivável: nada aqui se decide com um número, sempre com dois.

Tudo o mais neste tópico é consequência dessa leitura em par. A validação cruzada existe para produzir o segundo número de forma confiável, sem gastar dados. A regularização existe para puxar um modelo que decorou de volta para o meio. Viés e variância são o nome teórico das duas colunas: viés é o erro de quem simplifica demais, variância é o erro de quem se ajusta demais à amostra que recebeu.

E há um segundo par, que este corpus cobra ainda mais: acertar tecnicamente não é o mesmo que servir ao negócio. É a separação que o CRISP-DM formaliza entre a avaliação técnica feita dentro da modelagem, com métrica de erro, e a fase de avaliação, em que o resultado é confrontado com o objetivo que motivou o projeto. Um modelo com acurácia excelente e sem uso é reprovado na segunda.

O que este tópico realmente cobra. Vale dizer com clareza, porque o título promete outra distribuição. Nos quatorze itens medidos, o CRISP-DM aparece em três, a validação cruzada em três e a definição de superajuste e subajuste em três — juntos, mais de metade do tópico. A regularização L1 e L2 aparece em um. Já viés × variância, que nomeia o tópico, é cobrado em um único item, cujo enunciado está truncado no corpus; e hiperparâmetros, ajuste fino, busca em grade ou aleatória: zero itens. Estude viés e variância porque é a teoria que explica os outros três blocos — não porque a banca os tenha cobrado por esse nome.

Fronteira: qual algoritmo usar — regressão, árvores, SVM, agrupamento — é da nota de Algoritmos; como se mede o acerto, matriz de confusão, precisão, revocação, AUC, é da nota de Métricas.

Por que se usa (e o que custa)

O compromisso central deste tópico tem nome: o dilema viés-variância. Não se reduzem os dois ao mesmo tempo com o mesmo movimento. Aumentar a capacidade do modelo — mais parâmetros, árvore mais profunda, mais graus de polinômio — reduz o viés e aumenta a variância. Reduzir a capacidade — regularizar, podar, simplificar — reduz a variância e aumenta o viés. O erro total é a soma dos dois mais um ruído irredutível, e existe um ponto intermediário em que essa soma é mínima. Todo ajuste deste tópico é a busca desse ponto.

Validação cruzada compra uma estimativa de desempenho muito mais estável, e compra sem sacrificar dados: cada registro serve ao teste uma vez e ao treino nas demais rodadas, o que a torna especialmente valiosa quando a base é pequena. Paga em processamento — são k treinamentos em vez de um — e não corrige o modelo, apenas o mede com honestidade.

Regularização compra estabilidade e capacidade de generalizar, penalizando coeficientes grandes. Paga em viés: o modelo regularizado é deliberadamente pior no treino do que poderia ser, e essa é a intenção.

CRISP-DM compra disciplina e comparabilidade: seis fases nomeadas, iterativas, independentes de ferramenta e de setor, que impedem que o projeto comece pelo modelo e termine sem pergunta. Paga em cerimônia, e paga sobretudo se for lido como sequência rígida — é um ciclo, com retornos previstos de qualquer fase para as anteriores, e não uma esteira.

Como funciona

CRISP-DM — as seis fases. É o modelo de referência para projetos de mineração de dados, e o que a banca cobra é o verbo de cada fase.

  1. Entendimento do negócio. Traduzir o objetivo organizacional em objetivo de mineração de dados, avaliar a situação, montar o plano.
  2. Entendimento dos dados. Coletar os dados iniciais, descrevê-los, explorá-los e verificar sua qualidade. É aqui que se identificam os dados existentes e suas características — e não na preparação.
  3. Preparação dos dados. Selecionar, limpar, construir novos atributos, integrar fontes e formatar. É a fase mais longa, e as transformações escolhidas dependem da técnica que será usada depois, não de uma regra fixa.
  4. Modelagem. Escolher a técnica, montar o desenho de teste, construir o modelo e fazer a sua avaliação técnica, com métricas de erro.
  5. Avaliação. Confrontar o resultado com os objetivos de negócio, revisar todo o processo e decidir os próximos passos: implantar, iterar ou parar.
  6. Implantação. Pôr em produção, planejar monitoramento e manutenção, documentar, encerrar.

O ciclo é iterativo: a avaliação pode devolver o projeto ao entendimento do negócio, e a modelagem pode devolvê-lo à preparação quantas vezes for preciso.

Superajuste e subajuste. Overfitting é o modelo que se ajustou às particularidades e ao ruído do conjunto de treinamento em vez do padrão geral: desempenho alto no treino, significativamente pior em dados novos. Underfitting é o modelo simples demais, ou treinado com informação insuficiente, para captar o padrão que existe: desempenho ruim nos dois conjuntos. Os remédios são opostos e é aí que se perde item:

Viés e variância. Viés é o erro sistemático de um modelo cujas suposições são simples demais para o fenômeno — ele erra na mesma direção sempre, e é a assinatura do subajuste. Variância é a sensibilidade do modelo à amostra de treinamento — treinado em outra amostra, daria resposta bem diferente, e é a assinatura do superajuste. A leitura que a banca já usou em item com gráficos: o modelo mais simples tem o maior viés, não o menor; e o modelo ideal é o de baixo viés e baixa variância, nunca o de viés alto.

Regularização L1 e L2. As duas acrescentam à função de custo uma penalidade sobre a magnitude dos coeficientes, para conter o superajuste. A diferença está no que acontece com os coeficientes irrelevantes:

Validação cruzada. Serve para estimar a generalização, não para treinar melhor. Na retenção simples (holdout), separa-se uma parte para teste; a estimativa resultante depende do sorteio, e outra divisão daria outro número. No k-fold, o conjunto é particionado em k dobras disjuntas e o procedimento roda k vezes, cada rodada usando uma dobra diferente como teste e as demais como treino; a média dos k resultados é a estimativa. Duas consequências que a banca cobra diretamente: cada instância é usada exatamente uma vez como teste e k − 1 vezes como treino — ninguém fica de fora, ninguém é avaliado duas vezes; e a média sobre k partições reduz a variabilidade decorrente da segmentação do conjunto. Variantes: estratificado, que preserva a proporção das classes em cada dobra; leave-one-out, o caso extremo em que k é igual ao número de registros; e, para séries temporais, divisões que respeitam a ordem do tempo, já que sortear embaralharia passado e futuro.

Hiperparâmetros — vocabulário do título ainda não cobrado. Parâmetro é o que o algoritmo aprende dos dados (os coeficientes da regressão, os pesos da rede); hiperparâmetro é o que se fixa antes do treinamento e governa como ele ocorre: o k do k-means, a profundidade máxima da árvore, a taxa de aprendizado, a força da regularização, o número de dobras. Ajustam-se por busca em grade, busca aleatória ou otimização bayesiana, e a busca deve ser avaliada em um conjunto de validação, nunca no de teste — do contrário a estimativa final fica contaminada. Nenhum dos quatorze itens medidos cobra este bloco.

Aceleração por hardware. O treinamento de redes profundas é uma sequência enorme de multiplicações de matrizes, na passagem para a frente e de novo na retropropagação. São operações independentes e repetidas milhares de vezes — o tipo de carga que GPU e TPU, com muitos núcleos paralelos, executam muito mais rápido que a CPU. O que o deep learning reduz é a engenharia manual de atributos, porque as camadas aprendem representações do dado bruto; o pré-processamento continua necessário: normalizar, redimensionar, tokenizar, tratar ausentes, codificar categorias, separar treino, validação e teste.

O que decide os itens

O diagnóstico, pela leitura em par:

desempenho no treinodesempenho em dados novosdiagnósticoo que dizer dele
altosignificativamente pioroverfittingalta variância, baixo viés
baixobaixounderfittingalto viés
altoaltomodelo adequadobaixo viés e baixa variância

Remédios opostos — a banca oferece o de um como se fosse o do outro:

overfittingunderfitting
complexidade do modeloreduziraumentar
quantidade de dadosaumentaraumentar
atributosremover irrelevantesacrescentar informativos
regularizaçãoreforçarafrouxar
treinamentoparada antecipadatreinar por mais tempo
na árvorepodardeixar crescer

L1 × L2 — resolve o item sozinho:

L1 (lasso)L2 (ridge)
penalidadesoma dos valores absolutossoma dos quadrados
efeito no coeficientezeraencolhe sem anular
seleção de variáveissim, automáticanão
modelo resultanteesparsodenso, estabilizado

As seis fases do CRISP-DM e o verbo de cada uma — a banca desloca a atividade uma casa, para a fase vizinha, e mantém o resto da frase certo:

faseo verbo delao que não é dela
entendimento do negóciotraduzir objetivo em problema de mineraçãonão coleta nem descreve dados
entendimento dos dadoscoletar, descrever, explorar, identificar o que existenão limpa nem transforma
preparação dos dadosselecionar, limpar, construir, integrar, formatarnão constrói o modelo
modelagemescolher a técnica, construir o modelo, avaliar tecnicamentenão confronta com o negócio
avaliaçãoconfrontar com os objetivos de negócio, revisar, decidirnão mede acurácia pela primeira vez
implantaçãopôr em produção, monitorar, documentarnão é o fim do ciclo, que é iterativo

Validação cruzada — o que se pode afirmar dela:

afirmaçãovale?
estima a generalização em dado não vistosim — é a razão de existir
expõe overfitting e underfittingsim, pela comparação treino × dobras
reduz a variabilidade da divisão treino-testesim, pela média sobre k partições
cada instância é testada exatamente uma vezsim, no k-fold: as dobras são disjuntas
melhora o modelo em sinão — ela mede, não treina
dobras podem se sobrepornão — isso é bootstrap, com reposição

O verbo e o quantificador do enunciado. Dos quatro itens errados explicados, três carregam uma palavra que fecha alternativas — a única maneira, elimina completamente, todos os dados, independentemente de sua natureza original. Nenhum dos nove itens corretos fecha alternativas desse modo. Vale a distinção fina: “cada instância é utilizada uma única vez para teste” também soa absoluto e é Certo, porque descreve uma propriedade do procedimento, não uma exclusão de alternativas.

Números que caem

fases do CRISP-DM6
ordem das fasesnegócio → dados → preparação → modelagem → avaliação → implantação
treinamentos numa validação k-foldk
vezes que cada instância entra no teste, no k-fold1
vezes que cada instância entra no treino, no k-foldk − 1
valores usuais de k5 ou 10
k do leave-one-outigual ao número de registros
saída da regressão logísticaentre 0 e 1

Como a CEBRASPE derruba você aqui

Medido sobre os treze itens explicados do tópico: nove Certo e quatro Errado. O item restante é errado, mas seu enunciado está truncado no corpus, no ponto em que remetia a três gráficos.

Levar uma vantagem verdadeira ao absoluto — dois dos quatro itens errados, e o padrão mais produtivo do tópico. A banca pega uma propriedade real e fecha a porta com uma palavra: “elimina completamente a necessidade de pré-processamento de dados” — o deep learning reduz a engenharia manual de atributos, não o pré-processamento, que continua indispensável; “é necessário que todos os dados sejam normalizados e transformados em variáveis numéricas, independentemente de sua natureza original” na preparação do CRISP-DM — a normalização é exigida por métodos sensíveis à escala, como k-means, kNN, SVM e redes neurais, e é irrelevante para árvores, de modo que a preparação segue a técnica escolhida e não uma regra universal. Some a estas o “A única maneira de se evitar o underfitting” de um terceiro item: três dos quatro itens errados carregam um absoluto. A defesa é isolar a palavra — completamente, todos, única, independentemente de, sempre — e procurar um único contraexemplo antes de julgar o resto da frase.

Oferecer o remédio trocado entre superajuste e subajuste. “reduzir a quantidade de dados de entrada, pois isso impede que o modelo fique sobrecarregado de informações irrelevantes” — apresentado como forma de evitar o underfitting, quando reduzir a entrada é precisamente o que o provoca. O subajuste se combate no sentido oposto: mais capacidade, mais atributos, mais treinamento, menos regularização. Antes de avaliar a providência, identifique qual dos dois problemas o item nomeou e lembre que as colunas são espelhadas.

Descrever a atividade certa e deslocá-la de fase no CRISP-DM. “Na etapa de preparação de dados do modelo CRISP-DM”, seguido de “ocorre a identificação dos dados existentes, com suas respectivas características” — identificar e descrever é entendimento dos dados, a fase anterior; a preparação trabalha sobre o que já foi identificado. É a mesma engenharia do item, medido em outro tópico, que põe a construção dos modelos na preparação em vez da modelagem. Leia o nome da fase por último, depois de já ter classificado a atividade pelo verbo dela.

O que não derruba, e custa item por excesso de desconfiança. Nove dos treze itens são Certo, e três padrões aparecem entre eles: a lista exemplificativa, aberta por “como, por exemplo” e fechada por “entre outros”, que não precisa ser exaustiva nem homogênea para o item valer; o verbo permissivo — “pode-se utilizar machine learning para…” —, que apenas afirma uma aplicação real e não tem o que exceder; e a limitação assumida, como em “mas não realiza seleção automática de variáveis” a respeito da ridge, que é exatamente o que distingue a L2 da L1 e é a razão de o item ser correto. Enunciado que concede uma limitação raramente é o que a banca usa para mentir.

Erros clássicos

Definir overfitting por um número só. Superajuste é sempre uma diferença entre dois desempenhos. Nem o acerto alto no treinamento sozinho, nem o erro alto em produção sozinho o caracterizam.

Achar que a validação cruzada melhora o modelo. Ela mede. O que muda o modelo é a regularização, a poda, a mudança de complexidade ou o ajuste de hiperparâmetros que ela ajuda a escolher.

Trocar o sinal de viés e complexidade. O modelo mais simples é o de maior viés. Item que chame o modelo simples de “baixo viés”, ou que descreva o modelo ideal como de “alto viés”, inverteu o eixo.

Dar seleção de variáveis à ridge. L1 zera e seleciona; L2 encolhe e não seleciona. Uma palavra para cada, e o item se resolve.

Confundir k-fold com bootstrap. No k-fold as dobras são disjuntas e a amostragem é sem reposição — daí a garantia de uso único no teste. No bootstrap há reposição, e o mesmo registro pode aparecer várias vezes na mesma amostra.

Ajustar hiperparâmetros olhando o conjunto de teste. O teste é gasto uma vez, no fim. A busca se avalia em um conjunto de validação, ou dentro das dobras da validação cruzada; usar o teste para escolher contamina a estimativa final.

Ler o CRISP-DM como esteira. É ciclo, e prevê retorno de qualquer fase às anteriores. Item que o descreva como sequência rígida e irreversível, ou que encerre o projeto na implantação, perdeu a natureza iterativa do modelo.

Confundir as duas avaliações do CRISP-DM. A técnica está dentro da modelagem e mede erro; a fase de avaliação confronta o resultado com o objetivo de negócio e decide se o modelo vai para produção.

Praticar13 itens