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Básicos · Lógica e Estatística · Raciocínio lógico

Conectivos e tabelas-verdade; nº de linhas = 2ⁿ

Conte as proposições simples: negação, advérbio e sujeito composto não contam. O número de linhas é 2 elevado a esse total — e é só isso que 40% dos itens do tópico perguntam.

Alta51 itens no tópico

A ideia que organiza o assunto

Uma proposição composta não tem valor lógico próprio. Ela é uma função dos valores das proposições simples que a formam: dados os valores das partes, o valor do todo está determinado. A tabela-verdade é essa função escrita por extenso — uma linha para cada combinação possível das partes.

Disso decorre tudo o que a prova cobra, em três perguntas nesta ordem:

  1. Quantas proposições simples há na frase? Chame esse número de n.
  2. Quantas linhas tem a tabela? 2ⁿ. Sempre, sem exceção.
  3. Qual conectivo liga o quê? Aí se aplica a tabela do conectivo.

O que precisa ficar claro é que a pergunta que decide mais itens deste tópico é a primeira, e ela não é de lógica: é de leitura. Contar proposições simples é contar quantas declarações independentes existem na frase — cada uma com seu próprio verbo, cada uma capaz de ser verdadeira ou falsa sozinha. Todo o resto é decoração gramatical que não acrescenta linha nenhuma.

E é exatamente aí que a banca trabalha. A negação não acrescenta linha. Dizer “não” sobre uma proposição não cria uma segunda proposição: ~P tem os mesmos dois valores de P, invertidos, na mesma tabela de duas linhas. Advérbios, locuções adverbiais, orações adjetivas restritivas e sujeitos compostos também não acrescentam nada. Quem conta cada “não” e cada “quando” como um item novo dobra a tabela e erra o número — que é precisamente o número que o item oferece.

Como funciona

O que é proposição simples. Uma sentença declarativa, com verbo, à qual se pode atribuer verdadeiro ou falso, e que não contém outra proposição dentro de si. “João pagou” é proposição. “O melhor filme do ano” não é — não declara nada. “Pague a conta!” e “Quem chegou?” também não são: ordem e pergunta não têm valor lógico.

As tabelas dos conectivos. São quatro, e valem sem discussão:

PQP ∧ QP ∨ QP → QP ↔ Q
VVVVVV
VFFVFF
FVFVVF
FFFFVV

Lidas como regra, em vez de decoradas linha a linha:

A negação. ~P inverte o valor de P e nada mais. ~(P ∧ Q) não é ~P ∧ ~Q; ~(P → Q) não é ~P → ~Q. Negar não é trocar o sinal de cada parte.

2ⁿ. Cada proposição simples pode assumir dois valores, independentemente das outras. Com n proposições há 2 × 2 × … × 2 = 2ⁿ combinações, e a tabela tem uma linha para cada uma. Não importa quantos conectivos, quantos parênteses ou quantas negações a fórmula tenha: só o número de letras distintas conta.

A ordem padrão das colunas. Quando o item mostra as três primeiras colunas de uma tabela e pergunta pela última, a ordem é sempre a mesma nesta prova — e é a ordem que se obtém alternando o valor mais à direita a cada linha:

PQR
VVV
VVF
VFV
VFF
FVV
FVF
FFV
FFF

Ou seja: P é VVVVFFFF, Q é VVFFVVFF, R é VFVFVFVF. Nos seis itens deste tópico que exibem a tabela, a ordem é essa nos seis. Decorá-la permite resolver o item mesmo quando a imagem da tabela não aparece.

O que decide os itens

Conta ou não conta como proposição simples — a distinção que decide mais itens do tópico do que todas as outras somadas:

contanão conta
cada oração com verbo próprio e valor lógiconegação: “não”, “nem”, “sem”, “deixou de”
orações coordenadas (“e”, “ou”, “mas”)adjunto adverbial: “nos processos administrativos”, “em público”
antecedente e consequente de uma condicionaloração adjetiva restritiva: “a sociedade que não adota X nunca vencerá”
cada elemento de uma lista de condiçõessujeito ou objeto composto dentro de uma predicação
a proposição encaixada quando há dois verbos independentesquantificador: “todos”, “a maioria”, “algum”

Um caso vale isolado porque cai muito: “João assistiu sem pagar” tem duas proposições simples — “João assistiu” e “João pagou” —, logo 4 linhas. O “sem” é a negação da segunda, não uma terceira proposição.

Marcador linguístico → conectivo. Antes de discutir as letras, confira se o conectivo oferecido está de fato na frase:

na fraseconectivo
e; mas; porém; contudo; além disso; também; tanto… quanto
(mas só quando ligam orações — ligando termos, não há conjunção lógica)
ou; ou… ou (sem exclusividade declarada)
se… então; quando; caso; desde que; sempre que; a condição de
pois; porque; já que; dado que; uma vez que, com a causa no antecedente
logo; portanto; consequentemente; assim, com a causa no antecedente
se e somente se; condição necessária e suficiente; equivale a

Direção da condicional — o erro de direção é mais frequente que o de conectivo:

formafórmula
“Se A, então B”A → B
“A, pois B” / “A, já que B”B → A
“B, logo A”B → A
“A é condição suficiente para B”A → B
“A é condição necessária para B”B → A
“A só se B”A → B
“Basta A para B”A → B

Contrapositiva, recíproca e inversa. Só a primeira é equivalente:

fórmulaequivale a A → B?
contrapositiva~B → ~Asim
recíprocaB → Anão
inversa~A → ~Bnão

Negar uma composta. As três que caem:

proposiçãonegação equivalente
P ∧ Q~P ∨ ~Q
P ∨ Q~P ∧ ~Q
P → QP ∧ ~Q

A negação de uma condicional não é outra condicional. Quem responde “Se não A, então não B” está dando a inversa, não a negação.

Quando cada composta é falsa — atalho para os itens que perguntam em quantas linhas a proposição é verdadeira ou falsa:

formalinhas em que é falsa
condicional A → Bexatamente 1 (A verdadeiro, B falso)
conjunção de n partes2ⁿ − 1
disjunção de n partesexatamente 1 (todas falsas)

Antecedente que é tautologia. “Se gostamos ou não do chefe, então C” tem antecedente A ∨ ~A, que é sempre verdadeiro. Uma condicional com antecedente sempre verdadeiro tem exatamente o valor do consequente — a frase inteira equivale a C.

Números que caem

n proposições simpleslinhas da tabela
12
24
38
416
532
664

E os limiares com que a banca embrulha esses números: “mais de 15” quer dizer 16, ou seja n = 4; “menos de 10” quer dizer 8, ou seja n = 3; “mais de 30” quer dizer 32, ou seja n = 5; “menos de 6” quer dizer 4, ou seja n = 2; “superior a 5” quer dizer pelo menos 8, ou seja n ≥ 3.

Essa tabela traduz o enunciado; ela não decide o item. Nos dois itens do corpus em que “mais de 30” e “menos de 6” aparecem, as duas afirmações são erradas — as tabelas verdadeiras têm 16 e 8 linhas, não 32 e 4. Use o limiar para saber o que o item está afirmando, e a sua própria contagem para saber se aquilo é verdade.

Como a CEBRASPE derruba você aqui

Medido sobre os 50 itens do tópico.

Vinte deles — 40% — perguntam só quantas linhas a tabela tem, e nenhum manda construí-la: mandam contar proposições simples. Representação simbólica responde por 7 itens, tabela exibida por 6, e o resto se divide entre a negação da condicional e a direção da seta.

O título do tópico promete mais conectivo do que o corpus cobra. O bicondicional aparece em 1 dos 50 enunciados, e lá só para ser rejeitado — a frase não era um bicondicional. Nenhum item exige aplicar a tabela do ↔; nenhum menciona disjunção exclusiva; nenhum menciona contradição. A palavra “conectivo” aparece em um único enunciado, e esse item é uma questão de Português sobre “Embora” × “Apesar de”.

Uma proposição simples a mais. É o formato dominante. O item afirma um número exato de linhas e esse número é o dobro do verdadeiro, porque a banca contou como proposição algo que não é: um “não”, um “sem”, uma locução adverbial de abertura, um quantificador. “A tabela-verdade associada à proposição P possui 8 linhas”, dito de “Se não consigo vencê-lo, me juntarei a ele” — duas proposições, 4 linhas; o “não” foi contado. “A tabela-verdade associada à proposição Q tem 8 linhas”, dito de “João assistiu sem pagar” — o “sem” foi contado. Defesa: sublinhe os verbos independentes, conte-os, eleve 2 a esse número e compare. Se o número do item for exatamente o dobro do seu, você achou o erro — mas não conte com o dobro para confirmar a sua conta: de quatro itens que cravam um número errado, três são o dobro e um é o quádruplo (afirma 16 onde a tabela tem 4). Uma proposição a mais é o erro típico; duas a mais acontece.

O número cravado é o alerta — e a desigualdade não é o contrário disso. Dos 9 itens que afirmam um número exato de linhas, 8 são Errado (89%): é o predictor mais forte do tópico, e “a tabela-verdade associada à proposição P possui N linhas” com um numeral seco é uma aposta de que você errou a contagem. A metade tranquilizadora dessa regra, porém, não se sustentou na medição: dos 11 itens que dizem “mais de” ou “menos de”, 6 são Certo e 5 são Errado. A desigualdade não é o arredondamento honesto do valor verdadeiro — é uma questão comum, decidida na conta como qualquer outra. O numeral seco muda a sua expectativa antes de contar; não dispensa ninguém de contar.

Um conectivo que não está na frase. Nos itens de representação simbólica, a manobra é sempre a mesma: a fórmula oferecida traz um conectivo que a sentença não tem. “dado que o transporte de cargas… é econômico” apresentado como uma conjunção, quando “dado que” é condicional. “O monte Roraima e o monte Caburaí são exemplos de formações geológicas…” apresentado como R → (P ∧ Q), quando não há ali condicional alguma. “‘Céu bem azul’ e ‘Dia de muita alegria’ são duas expressões equivalentes” apresentado como P ⇔ Q, quando as duas expressões nem sequer são proposições — não têm verbo nem valor lógico.

E o caso mais sutil, que é o mais frequente: uma frase de uma só predicação oferecida como composta. “A prosperidade de um país é consequência da perfeita associação entre ações sociais e incentivo ao empreendedorismo” apresentada como (Q ∧ R) → P; “A aplicação dos recursos públicos, de forma justa e para o benefício de toda a sociedade, é consequência da ação contínua dos órgãos de controle” apresentada como (P ∧ Q) → R; “A fiscalização federal é imprescindível para manter a qualidade tanto dos alimentos quanto dos medicamentos” apresentada como P ∧ Q. Nas três há um verbo só, e o que parece coordenação de orações é coordenação de termos dentro de um complemento. Defesa: antes de conferir quais letras são quais, conte os verbos independentes e procure na frase o conectivo que a fórmula afirma. Se ele não estiver lá, o item já está errado.

Medido: os 7 itens de representação simbólica são 1 Certo e 6 Errados (86%), e vale olhar o único Certo. Nele a fórmula está correta e o que falha é a validade do argumento — a banca separa “representa corretamente” de “é válido”, e o candidato junta as duas coisas. Representar bem uma premissa falsa continua sendo representar bem.

A direção invertida da condicional. “A, pois B” é B → A, não A → B: o “pois” introduz a causa, e a causa é o antecedente. O mesmo vale para “já que”, “dado que”, “uma vez que” e, do outro lado, para “logo” e “portanto”, que introduzem a conclusão. Item que ofereça a seta apontando para a causa está errado.

Negar as duas partes e chamar isso de negação. “A negação de ‘Se me alimento bem, terei qualidade de vida’ é ‘Se não me alimento bem, não terei qualidade de vida’” — isso é a inversa, e a inversa não é nem a negação nem uma equivalente. A negação de uma condicional é uma conjunção: P ∧ ~Q. Mesma armadilha com “pois”: negar as duas orações não nega o período.

Uma coluna trocada em oito. Nos itens que dão as três primeiras colunas e afirmam a última, a sequência oferecida costuma bater em seis ou sete das oito linhas. Conferir a primeira e a última não basta. São 6 itens (2 C / 4 E), e a ordem padrão das colunas documentada acima decidiu todos os 6 — nenhum caderno do corpus a altera. Defesa: calcule as oito, na ordem padrão, e compare posição a posição — e comece pelas linhas em que o conectivo principal é falso, que são as poucas e as decisivas.

Erros clássicos

Contar o “não”. ~P tem duas linhas, não quatro. Negação inverte valores; não cria proposição.

Contar a locução adverbial de abertura. “Nos processos de justificações administrativas, quando o segurado apresentar testemunhas, a agência fornecerá um servidor” tem duas proposições, não três: a primeira vírgula isola um adjunto, não uma oração.

Achar que “ou” é exclusivo. Na lógica proposicional da prova, é inclusiva: é verdadeira também quando as duas partes são verdadeiras.

Achar que condicional é causalidade. P → Q com P falso é verdadeira, sempre, por mais desconexos que sejam P e Q. A condicional só mente numa linha.

Confundir a recíproca com a contrapositiva. De A → B só se pode passar para ~B → ~A. Todo o resto muda a proposição.

Decompor sujeito composto em duas proposições quando há um só verbo. “As cidades de Recife, Fortaleza e Salvador estão à beira-mar” é uma proposição. Só vira conjunção se cada parte tiver predicação própria.

Aplicar 2ⁿ ao número de conectivos. É ao número de letras distintas. Uma fórmula com sete conectivos e três letras tem 8 linhas.

Praticar50 itens