← tópicos

Básicos · Língua Portuguesa · Coesão textual

Substituição lexical (sinônimos, hiperônimos) e elipse

Na maioria dos itens a relação coesiva existe de verdade — o que a banca erra é o termo que a preenche, e por isso a defesa é repor a palavra na frase e ler, nunca decidir se há retomada ou elipse.

Altíssima19 itens no tópico

A ideia que organiza o assunto

Quase todo mundo chega a este tópico esperando itens de substituição — “poderia ser substituído por Y”. Não é o que a banca faz aqui. Em 19 itens (10 Certo e 9 Errado), apenas 4 propõem uma substituição. Treze — 68% — afirmam que uma relação coesiva já existe no texto: o segmento X retoma o termo Y, há elipse do vocábulo Z, as palavras A, B e C integram uma cadeia coesiva, subentende-se a palavra W, o termo T substitui, por sinonímia, o vocábulo V.

Essa é a forma do tópico, e ela muda a pergunta. Não se pergunta se a troca caberia: pergunta-se qual termo do texto ocupa aquela posição. E é aí que está o dado decisivo. Em cinco dos nove itens errados a relação afirmada existe — o que não existe é o termo oferecido. Há mesmo uma elipse depois de deveriam, mas o verbo omitido é gastar, não tentar. Há mesmo uma cadeia coesiva com prática e atividade, mas instituição não pertence a ela. Essa legislação é mesmo retomável, mas não por o referido compêndio. Há mesmo um termo subentendido depois de o outro, mas não é território.

Daí a única técnica que o tópico pede: reponha o termo oferecido no lugar e leia o período inteiro. Se a frase reconstruída é uma frase normal do português e continua dizendo o que dizia, o item é Certo. Se fica esquisita, sem objeto de comparação ou sem referente, o elo proposto é falso. Do que talvez deveriam gastar funciona; do que talvez deveriam tentar fica sem o que comparar. Convencimento do outro ator social funciona; convencimento do outro território não significa nada. Nunca julgue o elo pela aparência; julgue a frase que ele produz.

Como funciona

São quatro os mecanismos que caem, e cada um tem um teste próprio.

1. Retomada por hiperônimo ou nome genérico. O texto deixa de repetir o nome e usa uma categoria a que o referente pertence: o cientista por Nikola Tesla, atividade por atendimento aos presos, castigo por expiação, nativos abrangendo aborígenes. Esses quatro itens são quatro Certos. O que os sustenta é a ausência de concorrente: não há no trecho outro cientista, outra atividade, outro castigo que dispute a referência, e o artigo definido fecha a remissão. Teste: o termo nomeia uma categoria a que o antecedente pertence, e existe no texto outro candidato dessa mesma categoria? Se não existe, a retomada vale.

O lado errado desse mesmo mecanismo é o mais instrutivo do tópico: o nome genérico oferecido já tem dono no texto. O referido compêndio não retoma a legislação hebraica, porque o único objeto que o parágrafo descreveu como compilação é o Código de Hamurabi. Nações não retoma estados, porque o próprio período opõe aprender com nações com bons sistemas educacionais a aprender com o que dá certo por aqui. Percorra o parágrafo e pergunte a que termo aquele nome se aplica melhor.

2. Elipse. Cinco itens, e o teste é sempre repor e reler. Funciona quando o termo omitido volta ao mesmo lugar sem exigir nenhum outro ajuste: algumas obras… outras [obras] criadas manualmente; [a ideia] primeira foi de uma entrevista com Don Tapscott, confirmada logo adiante por A segunda ideia é da empresária americana. Falha quando a reposição destrói a estrutura, e o sinal mais frequente é a estrutura comparativa: em do que talvez deveriam, o verbo elidido é o que rege o termo comparado (gastar mais tempo), nunca o primeiro verbo do período (tentar).

Há ainda a elipse que a banca inventa ao contrário: afirma que a omissão de um termo prejudicaria a coesão. Essas obras podem ganhar muito se forem planejadas em sintonia com a infraestrutura natural — omitida a cópula, resta se planejadas em sintonia com a infraestrutura natural, oração condicional reduzida de particípio, corrente e correta. O prejuízo anunciado não ocorre, e o item cai.

3. Substituição lexical propriamente dita. Só 4 itens, 2 Certo e 2 Errado. Os dois Certos trocam palavra por palavra do mesmo valor e da mesma classe (ociosidade por inatividade, Obviamente por Sem dúvida, ambos advérbios modalizadores asseverativos). Os dois Errados quebram por motivos diferentes, e essa diferença importa: um quebra no sentido e na referência (essa legislação por o referido compêndio) e o outro na construçãoReduzir esses conflitos por Reduzir-lhes, quando reduzir é transitivo direto e pede Reduzi-los. Aqui, ao contrário do que se mede em Vocabulário em contexto, a construção derruba item sozinho — porque a operação proposta é pronominalizar, e pronome tem caso.

4. Sinonímia afirmada entre dois termos do texto. Mesmo comportamento medido no tópico vizinho: quando a banca declara que duas palavras do texto valem o mesmo, desconfie. Autenticamente e deliberadamente estão nos dois lados de um Mas — o autor rejeita zombar deliberadamente e recomenda ser autenticamente indiferente. Onde o texto opõe, não há sinonímia a recolher. Do mesmo modo, alegação de redundância (a cidadania organizada seria coberta por cidadãos) se testa por apagamento: risque o termo dito supérfluo e veja o que o período deixa de dizer. Aqui se perderia a articulação em partidos e associações, que é justamente o que cidadania organizada acrescenta.

O que decide os itens

A forma do enunciado, medida neste tópico

formatotalCE
afirmação de relação coesiva existente (retoma, há elipse, cadeia coesiva)1376
substituição ou reescrita proposta422
omissão proposta (a omissão de X prejudicaria…)101
item teórico (MRPR)110

Mecanismo, teste e resultado

mecanismoteste que decidecomo caiu
hiperônimo / nome genéricohá outro candidato da mesma categoria no texto?4 de 4 Certo
nome genérico com dono alheioa que termo do parágrafo o nome se aplica melhor?2 de 2 Errado
elipsereponha o termo e releia o período inteiro2 Certo, 3 Errado
elipse em comparativa (do que…)o verbo elidido é o que rege o termo comparadoErrado
substituição por pronometransitividade: direto pede o/a/os/as; indireto pede lhe/lhesErrado
sinonímia afirmada entre termos do textoMas, ou, enumeração separando os dois?Errado
redundância alegadaapague o termo e veja o que se perdeErrado
omissão que “prejudicaria”escreva a versão sem o termo; é português normal?Errado

Pares e elos que já caíram

afirmado pelo itemo que o texto sustenta
o cientista retoma Nikola Teslahiperônimo sem concorrenteC
nativos abrange aborígenesmesmo conjunto, termo mais amploC
atividade retoma atendimento aos presosaposto resumitivoC
castigo substitui expiação por sinonímiamesma punição, outro objetoC
elipse de obras em outras criadasreposição sem ajusteC
elipse de ideia em A primeira foi…confirmada por A segunda ideiaC
fecho retoma a abertura (Tudo está conectado)coesão lexical por repetiçãoC
ociosidadeinatividadeglosado no próprio parágrafo (8% × 92%)C
ObviamenteSem dúvidamodalizadores asseverativosC
omissão de forem prejudicaria a coesãoreduzida de particípio é corretaE
Reduzir esses conflitosReduzir-lhesobjeto direto pede Reduzi-losE
nações refere-se a estadosnações = países estrangeirosE
autenticamente = deliberadamenteopostos pelo MasE
elipse de território após o outroo outro ator socialE
instituição integra a cadeia de perícianome deverbal que rege o referenteE
essa legislaçãoo referido compêndiocompêndio é o Código de HamurabiE
elipse do verbo tentar após deveriamo elidido é gastarE
cidadania organizada é redundanteacrescenta a articulação coletivaE

Recursos de coesão conforme o MRPR — item teórico e Certo: referência, substituição, elipse e conjunção favorecem a coesão e a coerência do texto oficial.

recursoo que faz
referênciaremete a termo já dito (pronome, advérbio, artigo definido)
substituiçãotroca a palavra por outra de mesmo referente (sinônimo, hiperônimo)
elipseomite o termo recuperável pelo contexto
conjunçãoexplicita a relação lógica entre orações e períodos

Como a CEBRASPE derruba você aqui

Primeiro, e de longe o maior: a relação certa com o termo errado. Cinco dos nove itens errados. A elipse existe, mas o verbo é outro; a cadeia existe, mas um elo não pertence a ela; a retomada existe, mas o antecedente é outro. Não gaste tempo julgando se há elipse ou retomada — quase sempre há. Gaste o tempo identificando qual termo do texto a preenche, e confirme repondo-o na frase.

Segundo: o nome genérico que já tem dono. Compêndio e nações são palavras corretas para coisas que estão no texto — apenas não para a coisa que o item diz. A defesa é percorrer o parágrafo inteiro perguntando a quem aquele nome se aplica melhor. Em ambos os casos o próprio período resolve: uma compilação de leis sumerianas aponta para Hamurabi; e, ainda, com o que dá certo por aqui separa as nações estrangeiras dos estados brasileiros.

Terceiro: o prejuízo inventado. A omissão da forma verbal prejudicaria as relações de coesão. Aqui a lei que vale em Reescrita — item que admite uma perda costuma ser Certo — não protege: afirmar um prejuízo é uma afirmação como outra qualquer e precisa ser conferida. Escreva a versão sem o termo e leia. Se o resultado é português corrente, o prejuízo não existe e o item é Errado. Reserve a confiança na atenuação para os enunciados que reduzem a promessa de equivalência (sem prejuízo da coerência, como no item de ociosidade, que é Certo), não para os que anunciam um estrago.

Quarto: a construção na substituição por pronome. É o único ponto do tópico em que a gramática decide antes do sentido. Verbo transitivo direto pede o, a, os, as; só o indireto aceita lhe, lhes. Reduzir algo nunca vira reduzir-lhe.

Uma observação sobre o lado certo. Sete dos treze itens de relação coesiva são Certo, e a maioria deles apenas recolhe o que o texto já fez: um aposto, uma repetição de fecho, um hiperônimo sem concorrente. Quando o item descreve um mecanismo banal e verificável, ele tende a ser Certo; a armadilha mora nos que acrescentam uma finalidade ao mecanismo (como forma de exaltar os entes federados) ou um julgamento (é redundante).

Erros clássicos

Julgar se a relação existe em vez de qual termo a preenche. Em cinco dos nove errados a relação existia; o termo é que não.

Escolher para a elipse a palavra mais repetida do parágrafo. É exatamente o que a banca oferece. Quem manda no termo elidido é o verbo que o rege: pergunte que tipo de complemento aquele verbo admite.

Esquecer a estrutura comparativa. Em mais… do que talvez deveriam, o verbo subentendido é o que rege o termo comparado, não o primeiro do período.

Aceitar pronome oblíquo sem checar transitividade. Lhe é objeto indireto, sempre.

Tomar coordenação por sinonímia. E, ou e a enumeração somam informação. Onde há Mas, há oposição declarada.

Alegar redundância sem apagar. Dois termos coordenados quase sempre carregam conteúdos distintos; o teste é ver o que o período perde sem um deles.

Confiar em que “item que admite perda é Certo”. A lei vale para a promessa de equivalência atenuada, não para a afirmação de um prejuízo — esta se verifica como qualquer outra.

Ignorar o possessivo antes do nome. Em a sua instituição oficial, o referente está dentro do sintagma como complemento; o nome o rege, não o retoma.

Praticar19 itens