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Frequências; histograma, polígono, ogiva, curvas
Os dois itens do tópico são leitura de gráfico, e os dois caem numa conta de uma linha. Nunca aceite a comparação que o item afirma — refaça-a.
Alta2 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Uma distribuição de frequências responde a uma pergunta só: quantas vezes cada valor, ou cada faixa de valores, apareceu? Tudo o que vem depois — histograma, polígono, ogiva, moda, mediana, assimetria — é uma forma de olhar para essa mesma contagem.
A ideia que organiza os itens, no entanto, é mais prática do que conceitual: o gráfico é o enunciado. Num item de frequências, o dado que decide não está no texto, está na figura; e a afirmação do item é quase sempre uma comparação numérica disfarçada de impressão visual — “revela relativo equilíbrio”, “há maior concentração à esquerda”, “a moda é superior a tal valor”. A impressão visual é isca. Cada uma dessas frases se converte numa conta de uma linha, e é a conta que decide.
Por isso o procedimento é sempre o mesmo, e vale como método do tópico inteiro: leia os valores da figura, escreva-os, refaça a comparação que o item afirma e compare o resultado com o que ele diz. Nunca julgue a afirmação olhando o desenho.
A base de evidência, com honestidade. O corpus tem 2 itens neste tópico, os dois Errado, e os dois caem exatamente por esse mecanismo: uma comparação aritmética explícita que não se sustenta quando refeita. Um é sobre um gráfico de barras de esportes preferidos; o outro, sobre um histograma de indenizações pagas. Nenhum dos dois trata de polígono de frequências, de ogiva ou de curvas de distribuição, apesar de o título do tópico prometer os quatro. Dois itens não sustentam percentual nenhum — sustentam apenas registrar que, nas duas vezes em que a banca apareceu aqui, ela apostou que o candidato não faria a conta.
Como funciona
Dado bruto vira tabela de frequências. Para cada categoria ou classe
registra-se a frequência absoluta fi (quantas observações) e a frequência
relativa fi/n (a proporção). Somadas, as absolutas dão n e as relativas dão
- Acumulando na ordem, obtém-se a frequência acumulada, que responde “quantas observações até aqui”.
Os quatro gráficos, e o que cada um mostra.
- Gráfico de barras: uma barra por categoria, barras separadas. Serve a variável qualitativa. A altura é a frequência, e a ordem das categorias é arbitrária.
- Histograma: barras coladas sobre intervalos de classe, para variável quantitativa contínua. A colagem não é estética: significa que o eixo é contínuo e as classes são adjacentes.
- Polígono de frequências: os pontos médios dos topos das barras do histograma ligados por segmentos. Mostra a mesma informação, com a forma da distribuição mais evidente.
- Ogiva: o gráfico das frequências acumuladas. É sempre não decrescente e
termina em
n(ou em 100%). É nela que se leem quantis por interpolação: a mediana é a abscissa correspondente a 50%.
Ler moda, mediana e média num agrupamento. As três respondem a perguntas diferentes e é a confusão entre elas que a banca explora.
- Moda é o valor — ou a classe — de maior frequência. Num histograma, é a classe da barra mais alta, e a moda está dentro dessa classe. Nada a ver com o maior valor da variável: se a barra mais alta é a primeira, a moda está na primeira classe, por mais que a variável chegue longe à direita.
- Mediana é o valor que parte a distribuição ao meio em contagem:
acumule as frequências até passar de
n/2; a mediana está na classe em que isso acontece. - Média é o centro de gravidade, e por isso é a única das três que é arrastada pelos valores extremos.
Forma da distribuição. Quando a concentração está à esquerda e há uma cauda longa à direita, a assimetria é positiva, e vale média > mediana > moda. Espelhando, a assimetria negativa tem cauda à esquerda e média < mediana < moda. A pista visual é a cauda, não o amontoado: o lado para onde a distribuição se estica é o lado que dá nome à assimetria.
O que decide os itens
Qual gráfico para qual variável:
| gráfico | variável | barras | eixo vertical |
|---|---|---|---|
| barras | qualitativa | separadas | frequência da categoria |
| histograma | quantitativa contínua, em classes | coladas | frequência da classe |
| polígono | quantitativa | — | frequência da classe |
| ogiva | quantitativa | — | frequência acumulada, não decrescente |
As três medidas de posição num agrupamento:
| medida | como se acha | o que não é |
|---|---|---|
| moda | classe de maior frequência | não é o maior valor da variável |
| mediana | classe onde a acumulada passa de n/2 | não é o valor central do eixo |
| média | soma de ponto médio × frequência, dividida por n | não é o ponto médio da amplitude |
Assimetria:
| concentração | cauda | ordem das medidas | |
|---|---|---|---|
| positiva (à direita) | à esquerda | à direita | média > mediana > moda |
| simétrica | ao centro | ambos os lados | média = mediana = moda |
| negativa (à esquerda) | à direita | à esquerda | média < mediana < moda |
Frequências:
| soma | |
|---|---|
| frequências absolutas | n |
| frequências relativas | 1, ou 100% |
| última frequência acumulada | n, ou 100% |
Números que caem
Os dois conjuntos de dados que o corpus efetivamente traz, recuperados das figuras dos cadernos:
| gráfico de barras — esportes | votos |
|---|---|
| futebol | 31 |
| voleibol | 29 |
| basquetebol | 27 |
| natação | 25 |
| atletismo | 23 |
| ginástica | 21 |
| tênis | 19 |
| patinação | 17 |
| caratê | 15 |
| handebol | 13 |
| soma dos dois menos votados | 28 |
| histograma — indenizações pagas (R$) | frequência |
|---|---|
| 0 a 2.000 | 50 |
| 2.000 a 4.000 | 20 |
| 4.000 a 6.000 | 10 |
| 6.000 a 8.000 | 10 |
| 8.000 a 10.000 | 5 |
| 10.000 a 12.000 | 5 |
| total | 100 |
| classe modal | 0 a 2.000 |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
São dois itens, os dois explicados, ambos Errado, e ambos pela mesma razão: a comparação que o item declara não sobrevive à aritmética. Dois itens não sustentam percentual, frequência nem afirmação sobre o que “a banca costuma” fazer. Não há padrão a citar; há um método a adotar, e há, no fim desta seção, um movimento conhecido do assunto que o corpus não mediu.
A comparação invertida, escondida atrás de uma impressão. “O gráfico revela relativo equilíbrio entre as preferências dos votantes, pois o número de votos do esporte mais votado é inferior à soma dos votos dos dois menos votados.” A frase tem a forma de uma leitura qualitativa com justificativa técnica, e é a justificativa que falha: 31 contra 13 + 15 = 28. O mais votado supera a soma dos dois menos votados. Note a engenharia do item — a diferença é de três votos, pequena o bastante para que o olho não decida e grande o bastante para que a conta decida. Sempre que um item oferecer um “pois” com números, é o “pois” que se testa.
A medida de posição empurrada para o lado errado do eixo. “A moda da distribuição das indenizações pagas é superior a R$ 6.000.” O histograma tem metade das observações na primeira classe, de 0 a 2.000, que é a classe modal; a moda está lá dentro. R$ 6.000 é um valor plausível de outra coisa — é o limite superior da terceira classe e reaparece, no mesmo bloco de itens, como suposta mediana. A defesa: moda é frequência, não magnitude. Antes de julgar, identifique a barra mais alta; a moda está debaixo dela, por mais à esquerda que ela esteja.
Um terceiro movimento, não medido neste tópico. Ele está no mesmo bloco da SUSEP, mas classificado em Assimetria, e por isso não conta como evidência daqui: outro item afirma assimetria negativa “já que há maior concentração de valores à esquerda da mediana”. Concentração à esquerda com cauda à direita é assimetria positiva. Vale a pena guardar porque completa o padrão do tópico: o item entrega uma observação correta sobre a figura e conclui dela o rótulo trocado.
Erros clássicos
Aceitar a comparação em vez de refazê-la. É o erro que decide os dois itens do corpus. Some, subtraia, compare; leva dez segundos.
Confundir moda com valor máximo. Moda é a barra mais alta, não a barra mais à direita.
Ler a mediana no meio do eixo horizontal. A mediana divide a contagem, não a amplitude. Com metade dos dados na primeira classe, ela cai bem à esquerda do centro do eixo.
Trocar o sentido da assimetria. O nome vem da cauda: cauda à direita, assimetria positiva.
Colar as barras de um gráfico de barras. Categoria não é intervalo. Barras coladas afirmam continuidade do eixo, e isso é histograma.
Esquecer que a ogiva é não decrescente. Qualquer item que descreva uma ogiva descendo está descrevendo outra coisa.
LidoPraticado