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Custo de oportunidade; fronteira de possibilidades de produção

Custo de oportunidade é a melhor alternativa sacrificada. Na FPP cada movimento tem causa única: sobre a curva, custo de oportunidade; de dentro para ela, fim da ociosidade.

Alta2 itens no tópico

A ideia que organiza o assunto

Recursos são finitos e desejos não são. Disso decorre que toda escolha é uma renúncia, e que o custo verdadeiro de qualquer coisa não é o dinheiro que se paga por ela: é a melhor alternativa que se deixou de ter. Um ano de curso custa a mensalidade mais o salário que se deixou de ganhar; uma reserva em caixa custa os juros que renderia aplicada. Economia inteira se constrói sobre essa frase.

A fronteira de possibilidades de produção é o desenho dessa frase para uma economia com dois bens. Ela marca as combinações máximas produzíveis com os recursos e a tecnologia existentes, e divide o plano em três regiões que respondem a três perguntas diferentes:

onde está o pontosignificao que o move dali
sobre a curvaeficiência produtiva: nada sobratrocar um bem pelo outro — custo de oportunidade
dentro da curvaineficiência: fatores ociosos ou mal alocadospôr os recursos para trabalhar
fora da curvainatingível com a dotação e a tecnologia atuaissó crescimento: mais fatores ou nova tecnologia

E é daí que sai a regra que decide os itens deste tópico, porque cada tipo de deslocamento tem exatamente uma causa admissível:

  1. Andar sobre a curva → custo de oportunidade. Nada mais explica.
  2. Vir de dentro para a curva → eliminação de ineficiência ou de desemprego de fatores. Não é avanço tecnológico.
  3. A curva sair do lugar → crescimento: mais fatores, melhor qualificação ou avanço tecnológico. Só aqui a tecnologia entra.

São 2 itens levantados no tópico, ambos do caderno BCB_24 do Banco Central e ambos sobre o mesmo gráfico, e ambos se resolvem por essa lista de três. Dois itens são pouco para afirmar frequência; o que a amostra permite dizer é que a banca perguntou a causa de um deslocamento, e não a definição de custo de oportunidade — e que acertou um e errou o outro justamente na linha 2 da lista.

Como funciona

Por que a fronteira é côncava. Se os fatores fossem igualmente bons para os dois bens, a fronteira seria uma reta e o custo de oportunidade seria constante. Não são: há terra e trabalho mais adequados ao alimento e outros mais adequados ao vestuário. Ao ampliar a produção de vestuário, transferem-se primeiro os recursos menos produtivos em alimento e, depois, os mais produtivos — de modo que cada unidade adicional de vestuário custa cada vez mais alimento. Essa é a lei dos custos de oportunidade crescentes, e é a razão do arqueamento da curva. A inclinação da fronteira em cada ponto é a taxa marginal de transformação, isto é, o próprio custo de oportunidade naquele ponto.

A leitura do gráfico do BACEN, ponto a ponto. O caderno pôs alimento no eixo vertical, vestuário no horizontal, e cinco pontos:

pontoposiçãoo que representa
aacima da curvacombinação inatingível hoje
bsobre a curva, em x1produção eficiente
cdentro da curva, em x1mesma quantidade de vestuário, menos alimento: ineficiente
dmais para dentro aindaineficiência maior
esobre a curva, em x2eficiente, com mais vestuário e menos alimento que b

De b para e anda-se sobre a fronteira: mais vestuário à custa de alimento — custo de oportunidade, e o item é Certo. De c para b vem-se de dentro para a fronteira, com o mesmo vestuário e mais alimento — aproveitam-se recursos que estavam ociosos, com a mesma tecnologia. Avanço tecnológico não faria isso: ele deslocaria a fronteira para fora, tornando alcançável um ponto como a. Por isso o segundo item é Errado.

Custo explícito, implícito e afundado. O custo de oportunidade abrange os desembolsos (custos explícitos) e os sacrifícios sem desembolso (custos implícitos): o salário que o dono da firma deixa de receber em outro emprego, o aluguel do imóvel próprio que a firma ocupa, o rendimento do capital aplicado no negócio. Daí a distinção que a banca cobra: lucro contábil desconta só os custos explícitos; lucro econômico desconta também os implícitos. Lucro econômico zero significa que a firma está exatamente empatando com a melhor alternativa — é o lucro normal. Em sentido oposto, o custo afundado (sunk cost), já incorrido e irrecuperável, não é custo de oportunidade e não deve entrar em decisão nenhuma, porque não há alternativa a que renunciar.

Onde isso encontra o Banco Central. A taxa de juros é o custo de oportunidade de reter moeda: guardar saldo em espécie custa o rendimento do título que se deixou de comprar. É essa frase que sustenta a demanda especulativa por moeda e, por consequência, a inclinação da LM — o mecanismo está na nota de Poupança, investimento e identidades macroeconômicas. No mesmo espírito, o Estado que escolhe entre um parque nacional e equipamento militar está fazendo um movimento sobre a fronteira, e a discussão sobre como descobrir a preferência da população por cada um está na nota de Problemas econômicos fundamentais.

O que decide os itens

A tabela de causas — o que decide praticamente todo item de FPP:

deslocamentocausa admissívelcausa que a banca oferece de errado
sobre a curvacusto de oportunidadeavanço tecnológico, crescimento
de dentro para a curvafim da ociosidade, realocação de fatoresavanço tecnológico
da curva para foramais fatores, qualificação, tecnologiacusto de oportunidade
para um ponto fora da curva atualimpossível sem deslocar a curva“basta produzir mais”

O que desloca a fronteira, e para que lado:

choquefronteira
avanço tecnológico em ambos os benspara fora, inteira
avanço tecnológico em um só bempara fora, só no eixo daquele bem
aumento da população ocupada, investimento, educaçãopara fora
catástrofe, guerra, epidemia, destruição de capitalpara dentro
desemprego, greve, recessãonão desloca: leva o ponto para dentro

Essa última linha é a distinção mais cobrada do assunto: desemprego não encolhe a fronteira, porque a capacidade continua existindo — apenas se produz aquém dela.

Conceitos do custo de oportunidade que decidem itens:

incluiexclui
custo de oportunidadeexplícitos + implícitoscusto afundado
lucro contábilreceita − custos explícitoscustos implícitos
lucro econômicoreceita − explícitos − implícitos
lucro normallucro econômico igual a zero

Regra de leitura de gráfico: localize os dois pontos em relação à curva antes de ler a causa que o item oferece. Um ponto dentro e outro sobre a curva nunca é tecnologia; dois pontos sobre a curva nunca é crescimento.

Como a CEBRASPE derruba você aqui

A base é de 2 itens, os dois explicados, e 2 itens não sustentam frequência. Vêm do mesmo caderno e do mesmo gráfico, um Certo e um Errado. Não há percentual, não há distorção dominante, não há estilo de banca a inferir daqui: há dois movimentos registrados e, depois deles, duas armadilhas que o assunto notoriamente tem e que este corpus não mediu, marcadas como tais.

Atribuir a um movimento de ponto uma causa que só desloca a curva. É o item errado da amostra, e é literal: “explicado pelo avanço tecnológico”, dito de um percurso que sai de um ponto interno e chega à fronteira. Tecnologia e dotação de fatores explicam a curva mudar de lugar; se a curva é a mesma nos dois pontos, a causa tem de estar do lado de dentro. Defesa: antes de avaliar a causa, decida se a curva se moveu. Se não se moveu, risque tecnologia e crescimento da lista de candidatos.

Descrever certo e chamar pelo nome errado. O item Certo da amostra faz o caminho honesto — “o custo de oportunidade de se produzir mais vestuário em detrimento de alimentos” para um percurso sobre a fronteira —, e é exatamente essa formulação que a banca costuma reaproveitar trocando o nome do conceito por “ganho de produtividade” ou “eficiência”. Defesa: o vocabulário é preso à geometria, não ao enredo. Sobre a curva, o nome é um só.

Dizer que o desemprego desloca a fronteira para dentro. Não medido nesta amostra, mas é a trap mais conhecida do assunto: recursos ociosos põem a economia num ponto interno; a fronteira, que mede capacidade, não se mexe. Só destruição efetiva de fatores a encolhe.

Afirmar custo de oportunidade constante. Também não medido aqui. A fronteira côncava implica custo crescente; item que descreva a curva como arqueada e afirme custo constante contradiz o próprio desenho.

Erros clássicos

Confundir custo de oportunidade com preço pago. O custo de oportunidade é o que se deixou de obter, não o que se desembolsou. Quem pagou nada por um ingresso recebido de presente ainda assim incorre em custo de oportunidade ao usá-lo: o valor da melhor coisa que faria naquele horário.

Somar todas as alternativas descartadas. É só a melhor delas. Somar duas ou mais é contar duas vezes a mesma renúncia.

Levar o custo afundado à decisão. O que já foi gasto e não volta é irrelevante para escolher o que fazer agora. A pergunta correta é sempre sobre o futuro: o que se ganha e o que se perde daqui para a frente.

Achar que um ponto sobre a fronteira é o ponto “certo”. Todos os pontos sobre a fronteira são eficientes; qual deles é o melhor depende das preferências da sociedade, e a fronteira não responde a isso. Eficiência produtiva não é o mesmo que a escolha socialmente desejada.

Ler a fronteira como previsão. Ela descreve o que é possível com a dotação e a tecnologia de hoje. Não diz o que vai acontecer, nem quanto tempo leva para mudar.

Tratar lucro contábil positivo como sinal de que vale a pena continuar. Se os custos implícitos superarem esse lucro, o lucro econômico é negativo e a melhor alternativa estava fora do negócio.

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