Básicos · Língua Portuguesa · Morfossintaxe
Subordinação substantiva (subjetiva, objetivas, completiva, predicativa, apositiva)
Depois de “é preciso”, “é possível”, “é essencial”, a oração seguinte é sujeito — nunca complemento do adjetivo. Metade do tópico é isso, e os quatro itens que dizem “complemento” erram.
Altíssima12 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
A oração substantiva ocupa uma casa que um substantivo ocuparia. Não circunstancia como a adverbial, não modifica um nome como a adjetiva: ela é um termo da oração principal — sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto. Daí o teste que resolve o tópico inteiro: substitua a oração por “isso” e veja em que casa o “isso” caiu.
Isso importa. → sujeito
Isso é preciso. → sujeito
Não sabiam isso. → objeto direto
Tinham a certeza disso. → complemento nominal
O tópico tem três subtipos e uma fronteira, e é a fronteira que a banca ataca.
Subjetiva. A oração é o sujeito. Aparece sempre com o verbo da principal na terceira pessoa do singular e sem sujeito nominal: verbos impessoais (importa, convém, consta, parece), verbos com partícula apassivadora (estima-se, sabe-se, diz-se) e — este é o caso que decide metade do tópico — a construção verbo de ligação mais predicativo: é preciso, é possível, é essencial, é necessário, é difícil, seria mais preciso.
Objetivas. A oração é objeto direto ou indireto de um verbo transitivo: o IBGE informou que…, não sabiam se…, lembrou que…. Vem introduzida por conjunção integrante — que ou se —, e o se aí não é condicional.
Completiva nominal. A oração completa um nome — substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio — que exige preposição: os pressupostos de que…, a necessidade de conter, pretexto para obrigar, a certeza de que. A preposição é obrigatória e é o que identifica o subtipo.
E aqui está a ideia que organiza tudo:
Numa construção “é + adjetivo”, o adjetivo não recebe complemento: ele predica sobre a oração. A oração é o sujeito.
Isso porque o adjetivo ali é predicativo do sujeito, e o sujeito é justamente a oração que vem depois. Dizer que a oração completa ou qualifica o adjetivo inverte a relação: quem qualifica é o adjetivo; quem é qualificado é a oração. É essa inversão que a banca vende, e ela a vende em quatro dos doze itens do tópico — todos os quatro errados.
Como funciona
O teste, em três passos
- Substitua a oração por “isso” e veja a casa que ela ocupa. Isso importa, isso é preciso, isso se estima → sujeito. Não sabiam isso → objeto direto. Tinham certeza disso → complemento nominal, com preposição.
- Procure a preposição. Completiva nominal sempre tem preposição regida pelo nome. Sujeito oracional nunca tem. Entre seria preciso falar e seria preciso de falar, só o primeiro existe — e é por isso que ali a oração é sujeito.
- Verifique se o verbo fica sem complemento quando você suprime a oração. Ficando, a oração é substantiva; não ficando, ela circunstancia e o assunto é Subordinação adverbial.
As três estruturas que produzem subjetiva
| estrutura | exemplo | por quê |
|---|---|---|
| verbo impessoal na 3.ª do singular | Importa destacar que…, Não importa o quão ocupadas estejam | não há sujeito nominal; isso importa |
| verbo com se apassivador | estima-se que…, sabe-se que…, diz-se que… | voz passiva sintética; voz passiva não tem objeto direto |
| ser + predicativo | é preciso, é possível, é essencial, é difícil, seria mais preciso | o adjetivo predica sobre a oração; a oração é o sujeito |
A segunda linha merece um comentário, porque é a que mais confunde. Estimam que tenham sido gastos tem objetiva direta. Estima-se que tenham sido gastos tem subjetiva, porque o se apassivador põe o verbo na voz passiva, e voz passiva não admite complemento direto. A partícula muda a função da oração inteira.
A fronteira com a adjetiva
Completiva nominal e adjetiva restritiva se prendem as duas a um substantivo e ambas podem vir com que. Duas checagens as separam:
| pergunta | completiva nominal | adjetiva |
|---|---|---|
| há preposição antes do que? | sim, regida pelo nome | não |
| o que tem função dentro da própria oração? | não, é conjunção integrante | sim, é pronome relativo — sujeito, objeto |
a expectativa de que o número caia → completiva nominal
uma população que buscará fazer sua poupança → adjetiva restritiva; o que é sujeito de buscará
A fronteira com a adverbial condicional
O se integrante e o se condicional se distinguem pelo verbo que os rege e pelo teste do “isso”:
não sabiam se seus homens voltariam → integrante; não sabiam isso
se seus homens voltassem, haveria festa → condicional; isso não cabe
Depois de saber, perguntar, ignorar, verificar, indagar e duvidar, o se é sempre integrante. E vale registrar: incerteza não é condição. A oração pode ser hipotética no conteúdo e objetiva direta na função.
Aposto explicativo × complemento
Dois-pontos anunciam aposto, não complemento. Em trouxe a resposta que não queríamos ter: o consumo diminuiu em 85%, quem completa ter é o pronome relativo que, que retoma a resposta; o que vem depois dos dois-pontos explicita o conteúdo desse nome e pode ser suprimido sem deixar o verbo sem objeto.
O que decide os itens
Os subtipos e suas marcas
| subtipo | função | marca formal |
|---|---|---|
| subjetiva | sujeito | verbo na 3.ª do singular sem sujeito nominal; sem preposição |
| objetiva direta | objeto direto | verbo transitivo direto; que ou se integrante; sem preposição |
| objetiva indireta | objeto indireto | preposição exigida pelo verbo |
| completiva nominal | complemento nominal | preposição exigida pelo nome |
| predicativa | predicativo | vem depois de verbo de ligação: a verdade é que… |
| apositiva | aposto | vem depois de dois-pontos ou vírgula, explicitando um nome |
Verbos e expressões que abrem subjetiva
importa, convém, consta, parece, ocorre, acontece, urge; sabe-se, estima-se, diz-se, acredita-se, conclui-se, exige-se, espera-se; é preciso, é possível, é essencial, é necessário, é fundamental, é difícil, é bom, é claro, é evidente — e as variantes em qualquer tempo: seria preciso, era possível, foi necessário.
Nomes que abrem completiva nominal (sempre com preposição)
necessidade de, certeza de, pressuposto de, expectativa de, medo de, capacidade de, dúvida sobre, pretexto para, disposição a, ávido de, útil a, favorável a.
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Dos 12 itens, 8 são errados — 67%, a maior taxa das quatro frentes de relação entre orações. E a concentração é a mais extrema que este corpus registrou em português.
Metade do tópico é uma única armadilha, e ela é determinística. Seis dos doze itens tratam da construção “verbo impessoal ou de ligação + oração”, e o resultado é binário:
- os quatro itens que chamam a oração de complemento do adjetivo são todos errados: “usar a iluminação natural” exerce a função de complemento do adjetivo “possível”; a oração “que haja a implementação…” tem a função de qualificar o adjetivo que a antecede: “essencial”; “falar de manutenção” funciona como complemento do termo “preciso”; “filtrar um pouco os excessos” funciona como complemento do termo “preciso”.
- os dois itens que chamam a mesma oração de sujeito são ambos certos: em “Importa destacar”, a oração “destacar” exerce função de sujeito; as orações “o quão ocupadas algumas pessoas estejam” e “não participarem de alguma conversa” são ambas orações que exercem a função de sujeito.
Não há um único contraexemplo. Se o item disser que a oração ligada a “é preciso”, “é possível”, “é essencial” ou “é difícil” completa ou qualifica o adjetivo, marque Errado sem hesitar. A defesa formal é a preposição: complemento nominal é sempre preposicionado, e entre é preciso falar e é preciso de falar só o primeiro existe em português.
Os dois itens de completiva nominal verdadeira são ambos certos, e ambos têm preposição regida por um nome. A oração “para obrigar os povos nativos ao trabalho” funciona como complemento do termo “pretexto” e o segmento “de que é sobretudo por meio da deliberação…” complementa o termo “pressupostos”. É o contraste que fecha a regra: com um nome que rege preposição, a oração completa; com um adjetivo predicativo em construção impessoal, a oração é sujeito. O primeiro desses itens merece nota extra — o valor semântico de para obrigar é claramente de finalidade, e ainda assim a função é completiva nominal, porque pretexto exige para. Valor e função são perguntas diferentes, e este tópico pergunta função.
Os outros quatro itens errados atacam as fronteiras do tópico, não o seu miolo. Cada um deles empresta uma classificação de assunto vizinho:
- a fronteira com a adverbial: uma objetiva direta aberta por se é chamada de condicional, “pois expressa uma condição hipotética”. O verbo que a rege é saber. Incerteza não é condição.
- a fronteira com a adjetiva: “que buscará fazer a sua própria poupança” é chamada de oração substantiva que complementa o nome população. Não há preposição antes do que, e o que é sujeito de buscará — portanto é relativo, e a oração é adjetiva restritiva.
- a fronteira entre voz ativa e passiva: em estima-se que…, a oração é chamada de complemento direto. Voz passiva sintética não admite objeto direto; a oração é sujeito.
- a fronteira entre aposto e complemento: a oração depois dos dois-pontos em trouxe a resposta que não queríamos ter: o consumo diminuiu em 85% é chamada de complemento de ter. Quem completa ter é o relativo que; o que vem depois dos dois-pontos é aposto.
Defesa comum às quatro: antes de nomear o subtipo, faça as duas perguntas formais. Há preposição antes do conectivo, e ela é exigida por um nome? O conectivo tem função dentro da própria oração? Essas duas perguntas separam completiva nominal de adjetiva, e integrante de relativo, sem que você precise julgar o sentido.
Erros clássicos
Achar que a oração depois de “é preciso” completa o adjetivo. É o erro mais cobrado do tópico e ele não tem exceção: a oração é o sujeito, e o adjetivo é o predicativo dela.
Achar que oração qualifica adjetivo. Qualificar é o que o adjetivo faz. Item que disser o contrário inverteu a relação.
Esquecer a preposição como divisor. Completiva nominal sempre a tem; sujeito oracional nunca a tem; objetiva direta nunca a tem.
Tratar estima-se que como objetiva direta. O se é apassivador, o verbo está na passiva sintética e a oração é sujeito. Sem o se, seria objetiva direta.
Chamar de condicional um se integrante. Depois de saber, perguntar, ignorar, verificar e duvidar, o se introduz substantiva. O teste é a substituição por isso.
Confundir completiva nominal com adjetiva. Duas checagens: preposição antes do que, e função do que dentro da própria oração. Sem preposição e com o que funcionando como sujeito ou objeto, a oração é adjetiva — assunto do tópico de Subordinação adjetiva.
Tomar a oração depois de dois-pontos por complemento. Dois-pontos anunciam aposto. Se o verbo já tem objeto e a oração pode ser suprimida sem deixá-lo truncado, ela é apositiva.
Julgar a função pelo valor semântico. Para obrigar os povos nativos ao trabalho tem valor de finalidade e função de complemento nominal, porque pretexto rege para. Neste tópico a pergunta é sempre sintática.
LidoPraticado