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Esperança e variância: E(aX+b), Var(aX+b) = a²Var(X)
Variância de soma e de diferença fazem a mesma coisa: somam. E a variância da média amostral cai com n, corrigida quando a população é finita.
Alta4 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Esperança é o centro; variância é o espalhamento. As duas respondem a perguntas diferentes e reagem de modo diferente quando a variável é transformada ou combinada — e é exatamente nessa assimetria que o assunto vive.
A regra que organiza tudo cabe em duas linhas. Numa transformação linear
Y = aX + b:
E(aX + b) = aE(X) + b— a esperança acompanha tudo. Deslocar a variável desloca o centro.Var(aX + b) = a²Var(X)— a variância ignora obe eleva oaao quadrado. Somar uma constante move a distribuição inteira sem esticá-la, logo não muda o espalhamento; multiplicar poraestica, e a variância, medida em unidades ao quadrado, estica ao quadrado.
Daí sai a consequência que a banca mais explora, e que soa errada na primeira
leitura: a variância da diferença soma as variâncias. Com U e V
independentes, Var(U − V) = Var(U) + (−1)²Var(V) = Var(U) + Var(V). Subtrair
variáveis não cancela incerteza; acumula. Quem lê “diferença” e subtrai as
variâncias erra o item.
A base de evidência, com honestidade. O corpus tem 1 item neste tópico,
e ele está explicado: a variância da média amostral, com o fator de correção
para população finita. Um item não mede nada — não há frequência, não há
distorção típica, não há estilo de banca a inferir. E ele não pede
E(aX + b) nem Var(aX + b): o título do tópico anuncia a fórmula da
transformação linear, e o único item medido cobra variância de estimador.
Trate E(aX + b) como ferramenta a ter, ainda não medida neste corpus, e não
como o alvo.
Como funciona
Esperança. E(X) é a média ponderada pelos pesos de probabilidade. É
linear sem condições: E(X + Y) = E(X) + E(Y) vale sempre, dependentes ou
não. Essa é a propriedade mais generosa da estatística básica, e é por isso que
ela raramente vira pegadinha.
Variância. Var(X) = E[(X − E(X))²], e na prática Var(X) = E(X²) − [E(X)]².
Não é linear. Para combinações:
Var(X + Y) = Var(X) + Var(Y) + 2Cov(X, Y)Var(X − Y) = Var(X) + Var(Y) − 2Cov(X, Y)
Com independência, a covariância é zero e as duas viram a mesma soma. Note a direção da exigência: independência é hipótese suficiente para cancelar a covariância, não consequência dela.
Desvio padrão. Raiz da variância, de volta à unidade original. Não é aditivo: com desvios 3 e 4 e independência, somam-se as variâncias (9 + 16 = 25) e só então se extrai a raiz (5). Somar 3 + 4 = 7 é o erro clássico; o resultado correto é a hipotenusa, não o perímetro.
Variância da média amostral. Este é o caso que o item explicado cobra. Numa
amostra de tamanho n, com variância populacional σ²:
- com reposição (ou população infinita):
Var(X̄) = σ²/n; - sem reposição, em população finita de tamanho
N, entra o fator de correção para população finita:Var(X̄) = (σ²/n) × (N − n)/(N − 1).
O fator é sempre menor que 1: tirar sem reposição de uma população finita dá
mais informação por unidade sorteada, logo o estimador é mais preciso.
Com σ = 2, n = 100 e N = 1.000: σ²/n = 4/100 = 0,04, e o fator vale
900/999 ≈ 0,9009, resultando em Var(X̄) ≈ 0,036. É por isso que “inferior a
0,04” é Certo — e é por isso que quem esquece a correção pára em exatamente 0,04
e marca Errado.
O que decide os itens
O que a constante faz com cada medida:
| operação | esperança | variância | desvio padrão |
|---|---|---|---|
X + b | E(X) + b | não muda | não muda |
aX | aE(X) | a²Var(X) | dp(X) multiplicado pelo módulo de a |
aX + b | aE(X) + b | a²Var(X) | dp(X) multiplicado pelo módulo de a |
Combinações de duas variáveis:
| geral | sob independência | |
|---|---|---|
E(X + Y) | E(X) + E(Y) | igual — vale sempre |
Var(X + Y) | Var(X) + Var(Y) + 2Cov | Var(X) + Var(Y) |
Var(X − Y) | Var(X) + Var(Y) − 2Cov | Var(X) + Var(Y) — também soma |
dp(X ± Y) | — | √(Var X + Var Y), nunca dp(X) ± dp(Y) |
Estimador da média:
| situação | variância de X̄ |
|---|---|
| com reposição / população infinita | σ²/n |
| sem reposição, população finita | (σ²/n) × (N − n)/(N − 1) |
| efeito do fator | reduz a variância; nunca aumenta |
n = N (censo) | fator vale 0 — variância nula, não há erro amostral |
Números que caem
| quantidade | valor |
|---|---|
dp = 3 e dp = 4, independentes → dp da soma ou da diferença | 5 |
σ = 2, n = 100 → σ²/n | 0,04 |
fator de correção com N = 1.000, n = 100 | 900/999 ≈ 0,90 |
Var(X̄) no mesmo caso | ≈ 0,036 |
Var(X + b) para qualquer constante b | igual a Var(X) |
Var(aX) | a²Var(X) |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
O tópico tem 1 item, e ele está explicado. Um item não é frequência: o que segue é o que esse item faz e, depois, o que o assunto notoriamente cobra e este corpus não mediu.
O número que sai da conta sem a correção. O item explicado afirma que a
variância do estimador é inferior a 0,04 — e 0,04 é precisamente o valor que se
obtém parando em σ²/n. O enunciado tinha dito “sem reposição” e tinha dado o
tamanho da população; os dois dados só existem para acionar o fator de correção.
A defesa é mecânica: se o enunciado informa N, o N tem função.
Desvio padrão tratado como se fosse aditivo — não medido. Nenhum item deste tópico cobra soma ou diferença de variâncias; a armadilha entra aqui por ser a mais conhecida do assunto. Sempre que aparecerem dois desvios padrão e uma soma ou diferença, converta para variância, some, e só depois volte para o desvio: 3 e 4 dão 5, nunca 7.
“Diferença” sugerindo subtração — também não medido. É a armadilha semântica
do assunto: Var(U − V) soma. Se o item apresentar um valor menor que as duas variâncias
isoladas, desconfie — só covariância positiva forte produz isso, e o enunciado
teria de fornecê-la.
Erros clássicos
Somar desvios padrão. 3 e 4 não dão 7. Dão 5, pela soma das variâncias.
Subtrair variâncias numa diferença. Sob independência, Var(U − V) é a
mesma coisa que Var(U + V).
Achar que b mexe na variância. Var(X + 500) = Var(X). Deslocamento não é
espalhamento.
Esquecer o quadrado no a. Dobrar a variável quadruplica a variância; o
desvio padrão é que dobra.
Ignorar o fator de população finita quando o enunciado diz “sem reposição”. Esse é o único item deste tópico que o corpus traz.
Exigir independência onde ela não é necessária. E(X + Y) = E(X) + E(Y) vale
sempre; quem precisa de independência é a variância.
LidoPraticado