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Termos da oração: tipos de sujeito, predicado, objetos, predicativo
Toda questão pergunta que função um termo exerce na oração dele — e em três de cada quatro itens errados essa função é sujeito. Teste a concordância antes de aceitar o nome que a banca deu.
Altíssima43 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Termos da oração é a pergunta mais simples da sintaxe e a mais fácil de errar: que papel esta palavra desempenha dentro da oração em que ela está? Sujeito, predicado, complementos, adjuntos e predicativos não são propriedades da palavra — são posições que a oração abre, e quem as abre é o verbo.
Cada verbo cria um conjunto fechado de posições, e fora dele não há o que discutir. Verbo de ligação abre sujeito e predicativo, e mais nada. Verbo intransitivo abre sujeito e nenhum complemento. Transitivo direto abre sujeito e objeto direto; transitivo indireto, sujeito e objeto indireto; bitransitivo, os dois. Verbo na voz passiva abre sujeito paciente e agente da passiva — jamais objeto direto. E o impessoal (haver existencial, fazer de tempo, tratar-se de) não abre posição de sujeito nenhuma. Adjunto adverbial e adjunto adnominal ficam fora dessa contabilidade: cabem em qualquer oração, porque ninguém os exige.
O item, por sua vez, faz sempre a mesma coisa: executa a classificação no seu lugar e afirma o resultado.
o termo “X” exerce a função de sujeito de “Y”, o segmento “X” funciona como complemento da forma verbal “Y”, “X” e “Y” exercem a mesma função sintática nos períodos em que ocorrem.
Medido sobre 42 dos 43 itens do tópico, essa é praticamente a forma única, e 71% deles são Errados. Sua tarefa não é julgar se o nome oferecido parece plausível — ele foi escolhido para parecer. É nomear a função por conta própria e só então olhar o nome que o item deu.
E aqui está o resultado mais rentável da medição: 77% dos itens errados discutem o sujeito. Não os complementos, não os adjuntos: o sujeito. O tópico se chama “termos da oração”, mas o que decide os itens é achar quem pratica a ação em orações construídas para escondê-lo — que invertem a ordem, deixam-no oculto, encaixam-no dentro de um aposto, ou simplesmente não o têm.
A segunda ideia vem da referenciação e vale inteira aqui: o núcleo restringe. Adjetivo só pode ser adjunto adnominal ou predicativo; advérbio só pode ser adjunto adverbial; termo preposicionado nunca é sujeito; o núcleo de um sintagma é o substantivo de que todos os outros dependem, e é com ele que o verbo concorda. Antes de discutir sentido, veja o que a classe da palavra permite. Metade dos itens se resolve aí, sem ler o texto.
Como funciona
Cinco passos, nesta ordem. Nenhum deles exige entender o assunto do texto.
1. Delimite a oração. Um termo só exerce função dentro da oração em que está, e cada verbo é uma oração. Marque as fronteiras antes de qualquer coisa: quase toda troca que a banca oferece é um termo da oração vizinha vendido como termo desta. O objeto de uma oração apresentado como sujeito da seguinte; o antecedente de um relativo apresentado como sujeito da adjetiva; o sujeito da principal apresentado como sujeito da subordinada.
Aquele que conhece a justiça não pode deixar de agir de modo justo. Aquele é sujeito da principal; o sujeito de que conhece a justiça é o relativo que.
sua descoberta que elucidou alguns problemas (…) e confirmou a teoria. Quem confirmou foi a descoberta, pelo relativo que — não César Lattes, que é sujeito lá fora, na principal.
2. Classifique o verbo. Ele decide quais posições existem. Se o verbo é intransitivo ou de ligação, não há complemento a discutir e o item que falar em complemento já caiu. Se está na voz passiva, não há objeto direto. Se é haver existencial ou tratar-se de, não há sujeito.
3. Teste a concordância. Só o sujeito arrasta a flexão do verbo. Ponha o termo no singular ou no plural e veja o que muda.
ainda abundam problemas crônicos do subdesenvolvimento → ainda abunda o problema crônico. O verbo mudou: problemas é sujeito, não complemento.
As regiões metropolitanas (…) concentram a atenção das autoridades. Passe o primeiro sintagma ao singular e o verbo o acompanha; passe o segundo e ele não se move.
4. Desinverta. A ordem direta não é obrigatória, e a ordem inversa é o ambiente natural do sujeito neste tópico. Se o termo puder vir antes do verbo sem que nada mais mude, ele é sujeito.
Faz parte da autonomia da universidade pública essa relação intrínseca com a cultura → essa relação intrínseca com a cultura faz parte da autonomia (…).
À expiação (…) deve suceder um castigo que atue sobre o coração → um castigo (…) deve suceder à expiação. O que abre o período é objeto indireto, porque vem preposicionado.
5. Só agora leia o nome que o item ofereceu — e leia o item até o ponto final, porque ele costuma afirmar duas coisas e basta uma ser falsa.
Sobre o sujeito que não aparece. Três situações diferentes, que a banca embaralha de propósito:
- Sujeito oculto (ou desinencial): existe, é determinado e a desinência o recupera. Em regra retoma o sujeito do período anterior — nunca o objeto dele, nunca o último substantivo lido. E não se herda por inércia: a cada verbo, pergunte de novo quem pratica aquela ação, porque conjunções como até que, mas e então marcam exatamente onde o referente troca.
- Sujeito indeterminado: ninguém no texto pode preencher a posição. Só o produzem verbo transitivo indireto ou intransitivo com se, e verbo na terceira pessoa do plural sem referente.
- Oração sem sujeito: a posição não existe. Haver existencial, fazer e ser de tempo, verbos de fenômeno da natureza, tratar-se de.
Verbo na terceira pessoa do singular não prova indeterminação: é também a concordância com sujeito oracional. Em É preciso pensar nisso, o sujeito é a oração pensar nisso, posposta ao predicativo.
O que decide os itens
O verbo abre as posições — e fecha as outras:
| tipo de verbo | posições que existem | o que o item inventa |
|---|---|---|
| de ligação (ser, estar, ficar, parecer, tornar-se) | sujeito + predicativo | chamar o predicativo de complemento |
| intransitivo (chegar, surgir, abundar, resultar = advir) | sujeito, só | chamar de complemento o sujeito posposto |
| transitivo direto | sujeito + objeto direto | trocar os dois de lugar |
| transitivo indireto | sujeito + objeto indireto | chamar de sujeito o termo preposicionado |
| voz passiva (foi concedida, é moldado) | sujeito paciente + agente da passiva | chamar o sujeito paciente de objeto direto |
| voz passiva sintética (contemplam-se ações) | sujeito paciente posposto | chamar de objeto o que faz o verbo ir ao plural |
| impessoal (haver = existir, tratar-se de) | nenhum sujeito; o termo é objeto direto | apontar sujeito onde não há |
A classe restringe a função:
| classe do termo | funções possíveis | nunca |
|---|---|---|
| adjetivo (sábio, juntas, contraditória) | adjunto adnominal, predicativo | adjunto adverbial |
| advérbio ou locução adverbial (drasticamente, de forma sustentável) | adjunto adverbial, sempre | adjunto adnominal |
| substantivo preposicionado | complemento, adjunto, agente da passiva | sujeito |
| oração reduzida de infinitivo | sujeito, complemento, adjunto | — |
| oração reduzida de gerúndio | adjunto adverbial | complemento verbal |
| pronome relativo que | sujeito ou objeto da adjetiva | função na oração de fora |
Duas notas que decidem itens sozinhas. Adjetivo flexionado é adjetivo, não advérbio: em arte e ciência tenham caminhado juntas, o feminino plural concorda com o sujeito, logo juntas é predicativo — se fosse adjunto adverbial, a forma seria invariável (caminharam junto). E advérbio continua adjunto adverbial mesmo quando modifica um adjetivo: em força de trabalho digitalmente qualificada, digitalmente é adjunto adverbial, jamais adnominal.
As quatro famílias de sujeito escondido — juntas, 23 dos 30 itens errados:
| família | como aparece | defesa |
|---|---|---|
| sujeito posposto chamado de complemento | Chega o porteiro, abundam problemas, foi concedida (…) a primeira patente | desinverta; teste a concordância |
| sujeito oculto com referente errado | Está presente quando…, É um problema complexo, mas se complementam | retome o sujeito anterior, não o objeto nem o substantivo mais próximo |
| núcleo do sujeito trocado por termo interno | uma nova pesquisa (…) trouxe evidências; A expressão “inteligência artificial” | apague apostos e adjuntos e leia o esqueleto |
| sujeito negado ou inventado | trata-se de…, É preciso pensar nisso, Há consenso | verbo impessoal não tem sujeito; predicativo anteposto tem |
Distinções que a banca opõe:
| × | |
|---|---|
| sujeito paciente × agente da passiva | a patente foi concedida × pelo governo |
| sujeito posposto × objeto direto | só o sujeito muda a flexão do verbo |
| predicativo do sujeito × predicativo do objeto | ele é sábio × considerá-lo sábio |
| predicativo × adjunto adnominal | o adjetivo chega pelo verbo × está colado ao substantivo |
| adjunto adverbial × objeto indireto | pode ser suprimido × o verbo fica incompleto sem ele |
| locução adverbial × locução adjetiva | realizar de forma sustentável × um ofício sustentável |
| núcleo × aposto especificativo | a expressão × “inteligência artificial” |
| sujeito oculto × indeterminado × oração sem sujeito | determinado e recuperável × ninguém o preenche × a posição não existe |
| antecedente × relativo | função na principal × função na adjetiva |
| reflexivo × objeto indireto | sujeito e pronome designam o mesmo ser × não designam |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Medido sobre 42 dos 43 itens do tópico. 71% são Errados — aceitar a
classificação oferecida é, sozinha, a pior política possível. E a distribuição
das distorções é muito concentrada: praticamente todo item errado é
troca_de_termo ou atribuicao_errada, isto é, nomear uma função que o termo
não tem. Não há aqui números alterados, nem generalizações, nem inversões de
regra: há um rótulo trocado.
Nomear o sujeito errado, ou negar que ele exista — 77% dos itens errados. É o tópico inteiro em uma linha, e ele se divide em quatro desenhos.
O primeiro é a posposição: o item aponta um termo que vem depois do verbo e o chama de complemento. “o termo ‘o porteiro’ complementa o sentido da forma verbal ‘Chega’”, “o termo ‘problemas’ funciona como núcleo do complemento verbal de ‘abundam’”, “o segmento ‘a primeira patente’ funciona como complemento direto da locução verbal ‘foi concedida’”. Nos três, o verbo é intransitivo ou está na voz passiva, e verbo assim não tem objeto. Aqui está a regra medida mais útil do tópico, e ela vale nas duas direções: nenhum item que chamou de complemento um termo posposto a verbo intransitivo, de ligação ou passivo foi Certo; e, ao contrário, dos sete itens que afirmaram que um termo posposto é sujeito, seis são Certos. Quem se assusta com a ordem inversa erra para os dois lados.
A única exceção é a que a banca explora com prazer: “o sujeito aparece posposto ao verbo, como é o caso de ‘publica o Sr. Homero Pires uma circular’ (…) e ‘não houve reclamação’”. Os dois primeiros exemplos são de fato inversão; o terceiro é haver impessoal, oração sem sujeito, e reclamação é objeto direto. Um exemplo incompatível derruba a lista inteira — o mesmo desenho que aparece em “as expressões (…) são coordenadas entre si e exercem a mesma função”, em que um dos quatro termos está em outro nível sintático.
O segundo desenho é o sujeito oculto com referente errado, e a regra que o desfaz é sempre a mesma: sujeito oculto retoma o sujeito do período anterior, não o objeto e não o último substantivo lido. “a forma verbal ‘Está’ apresenta sujeito oculto, cujo referente é ‘legitimidade’” — quando o sujeito é a governabilidade, e legitimidade está dentro de um adjunto. “o sujeito da oração ‘É um problema complexo’ corresponde a ‘a discriminação racial’” — quando é o racismo institucional, e a discriminação racial é objeto direto de perpetuar. “o sujeito da oração ‘mas se complementam’ é ‘investimentos em infraestrutura convencional’” — que é o objeto da oração anterior. E a variante que exige atenção redobrada: “As quatro orações que compõem o último período compartilham o mesmo sujeito referencial”, em que três compartilham e a primeira não. A cadeia troca de referente, e nunca avisa.
O terceiro é o núcleo. O item promove a sujeito um termo que está dentro de um adjunto, de um aposto ou de outra oração: “o sujeito da oração ‘trouxe evidências’ é ‘uma política pública de visível efeito’” quando é uma nova pesquisa; “o núcleo do sujeito é ‘inteligência artificial’” quando é expressão, e o termo entre aspas é aposto especificativo; “o segmento ‘a vestimenta outrora usada’ funciona como sujeito da oração cujo núcleo é ‘passará’” quando ele é objeto direto da oração anterior. Defesa: apague determinantes, adjuntos e apostos e leia o esqueleto da oração.
O quarto nega ou inventa a posição. “o sujeito da oração ‘trata-se de produtos gerados em meio a disputas’ corresponde a ‘produtos da DC’” — tratar-se de é impessoal e não admite sujeito expresso. Do outro lado, “o sujeito da primeira oração é indeterminado, o que se confirma pela flexão verbal na terceira pessoa do singular”, em É preciso pensar nisso, quando o sujeito é a oração pensar nisso. A terceira pessoa do singular é a prova que não prova nada.
Dar a um adjetivo função de advérbio, e vice-versa. A segunda família, bem menor, e resolvida sem ler o texto: “o vocábulo ‘juntas’ funciona como adjunto adverbial que veicula a circunstância do modo” — mas juntas está flexionado, logo é adjetivo, logo é predicativo. “O termo ‘sábio’ exerce a função sintática de adjunto adverbial” — em considerá-lo sábio, é predicativo do objeto. “A expressão ‘de forma sustentável’ relaciona-se com o termo ‘ofício’” — é locução adverbial e se prende ao verbo realizar. Defesa: flexione. Se o termo muda de forma para acompanhar um nome, é adjetivo e nunca será adjunto adverbial; se não muda, é advérbio e nunca será adnominal.
Acertar a função e mentir sobre o resto. O item identifica corretamente um termo e acrescenta ao lado uma afirmação falsa — o referente, o termo modificado, a justificativa. “o adjetivo ‘contraditória’ (…) expressa um atributo do termo ‘guerra’”: é mesmo predicativo, mas qualifica grande parte das notícias, e guerra está dentro de um adjunto. “o termo ‘Aquele’ exerce a função sintática de sujeito da oração ‘que conhece a justiça’”: Aquele é sujeito, sim — da principal. Defesa: depois de confirmar a função, leia o item outra vez procurando o segundo predicado.
O molde também aparece Certo, com a mesma cara. Doze dos 42 itens são Certos, e a maioria descreve exatamente as construções que assustam: sujeito posposto (“‘o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista’ desempenha a função de sujeito”, “‘ações voltadas para as drogas’ constitui o sujeito de ‘contemplam’”, “o sujeito da forma verbal ‘mantinha’ é ‘a Inglaterra’”), sujeito oculto retomando corretamente, e advérbio classificado como adjunto adverbial. O teste é o mesmo, e ele responde os dois lados — o candidato que aprendeu a desconfiar da ordem inversa passa a errar os Certos.
Erros clássicos
Concluir a função pela posição. O termo que vem depois do verbo pode ser sujeito, e o que vem antes pode ser objeto. Posição é estilo; função é concordância e regência.
Esquecer que verbo na passiva não tem objeto direto. Foi concedida a primeira patente tem sujeito paciente. Converta para a ativa e a dúvida acaba: concederam a primeira patente ao inventor.
Tratar haver existencial como verbo normal. Não tem sujeito, fica sempre no singular e o termo que o segue é objeto direto. É o exemplo que a banca insere nas listas de “sujeito posposto”.
Herdar o sujeito oculto por inércia. A cada verbo, pergunte de novo quem pratica a ação. Em enumeração, em coordenada com mas e em discurso citado, o referente troca sem aviso.
Pegar o substantivo mais próximo do verbo. Ele costuma estar dentro de um adjunto, de um aposto ou de outra oração. Apague o material intercalado e leia o esqueleto: sujeito, verbo, complemento.
Dar função sintática a termo preposicionado como se fosse sujeito. A, ao, à, de, em no começo do período anunciam complemento ou adjunto — e anunciam que o sujeito virá depois.
Confundir sujeito indeterminado com sujeito oculto. Oculto é determinado e recuperável pela desinência; indeterminado é aquele que ninguém no texto pode preencher. E oração sem sujeito é uma terceira coisa: a posição nem existe.
Aceitar o primeiro predicado do item e parar. Metade das armadilhas restantes está na segunda metade do enunciado — a função, o referente, o termo modificado, a justificativa. Um item só é Certo se todas as suas afirmações forem verdadeiras.
LidoPraticado