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Específicos · Segurança da Informação

Fundamentos: CID + autenticidade e não repúdio; identificação/autenticação/autorização

A banca descreve o cenário corretamente e assina a propriedade errada — antes de julgar, pergunte qual propriedade foi violada: sigilo, alteração, acesso, identidade ou negação de autoria.

Alta67 itens no tópico

A ideia que organiza o assunto

Segurança da informação não é uma qualidade só. É um conjunto de propriedades distintas, cada uma respondendo a uma pergunta diferente sobre a mesma informação:

São propriedades independentes. Um dado pode estar perfeitamente sigiloso e corrompido; íntegro e indisponível; disponível e de origem desconhecida. Não há implicação automática entre elas, e é exatamente sobre essa independência que a prova é construída.

Porque o formato dominante deste tópico é um só: o cenário é descrito corretamente e a propriedade é assinada errada. “Um funcionário alterou os dados dos clientes — logo, houve violação da disponibilidade.” A alteração aconteceu, a frase é bem escrita, o exemplo é real; só o nome está trocado. Nada mais é preciso saber para julgar. Leia o verbo do cenário — visualizar, alterar, derrubar, forjar identidade, negar autoria — e confira se ele bate com a propriedade citada. Se não bate, o item está errado, e você não precisou de criptografia, de norma nem de nada.

Por que se usa (e o que custa)

Separar as propriedades tem um propósito prático: cada uma se protege com um mecanismo diferente, e tratar “segurança” como bloco único leva a proteger o que já estava protegido e deixar aberto o resto. Criptografar um banco de dados não impede que ele seja apagado; fazer backup não impede que seja lido.

O custo é que as propriedades competem entre si. Cifrar, exigir múltiplos fatores e restringir acesso reduz disponibilidade e usabilidade; replicar e distribuir para garantir disponibilidade multiplica as cópias que precisam ser mantidas sigilosas. Toda decisão de segurança é uma escolha entre elas, nunca a maximização de todas — e é por isso que a prova gosta de itens que prometem uma solução que “garante” as três ao mesmo tempo.

Como funciona

Confidencialidade protege contra ataques passivos — a escuta, a interceptação, a análise de tráfego, o acesso não autorizado à leitura. Nada é alterado; alguém apenas viu o que não devia. Obtém-se com criptografia e com controle de acesso, e é a propriedade que cobre tanto o segredo comercial quanto a privacidade da informação pessoal.

Integridade garante que a informação não foi modificada ou destruída de maneira não autorizada ou acidental — em armazenamento ou em trânsito. Tem duas faces que a prova explora: impedir a alteração indevida e permitir que o usuário autorizado altere legitimamente. Obtém-se com hash, MAC, assinatura digital, controle de versão e validação de entrada de dados.

Disponibilidade garante que a informação e os serviços estejam acessíveis a quem tem direito, sempre que necessário. É a propriedade atingida por negação de serviço, queda de servidor, falha de link, ransomware que cifra o que você mesmo precisa ler. Obtém-se com redundância, backup, contingência, dimensionamento.

Autenticidade garante que a origem — e o destino — são quem alegam ser. Não é sobre o conteúdo, é sobre a identidade por trás dele. Obtém-se com autenticação (senha, token, biometria), assinatura digital e certificado digital.

Não repúdio, ou irretratabilidade, garante que o autor não consiga negar a autoria de um ato depois de praticá-lo. Vai além da autenticidade: a autenticidade convence a outra parte; o não repúdio convence um terceiro, e por isso precisa de prova que só o autor pudesse ter produzido. É por essa razão que criptografia simétrica não gera não repúdio: a chave é compartilhada, e qualquer um dos dois lados poderia ter escrito a mensagem. Só a chave privada assimétrica, que ninguém mais possui, sustenta o não repúdio — e é o que fundamenta a assinatura digital e a ICP-Brasil. Registros de log e trilhas de auditoria também são o instrumento típico da apuração de autoria.

Autenticação × autorização. Autenticar é provar quem você é — pelo que você sabe (senha, PIN), pelo que você tem (token, cartão, dispositivo) ou pelo que você é (biometria); combinar dois fatores distintos é autenticação multifator. Autorizar é decidir, depois de identificado, o que você pode fazer com cada recurso. A ordem é fixa: autentica-se primeiro, autoriza-se depois.

Os mecanismos e o que cada um entrega. Hash sozinho dá integridade, e só ela — não esconde nada, portanto não dá confidencialidade. Assinatura digital (hash cifrado com a chave privada) dá integridade, autenticidade e não repúdio — e não dá confidencialidade, porque a mensagem continua legível. Cifrar com a chave pública do destinatário dá confidencialidade. Certificado digital amarra uma chave pública a uma identidade, sustentando autenticidade e, com ela, o não repúdio.

O que decide os itens

A tabela central do tópico. Quase todo item se resolve olhando a coluna do meio:

propriedadeo que garanteo que a violamecanismo típico
confidencialidadesó quem é autorizado leitura, cópia, vazamento, interceptação, acesso sem privilégiocriptografia, controle de acesso, classificação
integridadeo conteúdo não é alterado nem destruído indevidamentealteração, corrupção, defacement, exclusão indevidahash, MAC, assinatura digital, validação de entrada
disponibilidadequem tem direito acessa quando precisaDoS/DDoS, queda de servidor ou link, indisponibilidade prolongadaredundância, backup, contingência, alta disponibilidade
autenticidadea origem é quem diz serfalsificação de identidade, spoofing, credencial roubadaautenticação, assinatura e certificado digital
não repúdioo autor não pode negar a autoriaausência de prova vinculada só ao autorchave privada / assinatura digital, log e trilha de auditoria

O verbo entrega a propriedade. Este é o atalho mais rentável do tópico:

o cenário diza propriedade é
visualizou, leu, vazou, interceptou, acessou sem permissãoconfidencialidade
alterou, adulterou, corrompeu, apagou, trocou a páginaintegridade
ficou fora do ar, não conseguiu acessar por dias, parou o serviçodisponibilidade
fingiu ser outro, forjou a origem, usou credencial alheiaautenticidade
negou que fez, alegou que não foi elenão repúdio

Autenticação × autorização — provar identidade × conceder permissão. Um item que descreve certinho um dos dois e chama pelo nome do outro é o par mais repetido do tópico.

Autenticidade × integridade — identidade da origem × imutabilidade do conteúdo. “Garante que o conteúdo não foi alterado” é integridade, mesmo quando a frase começa com “a autenticidade”.

Autenticidade × não repúdio — convencer a contraparte × convencer um terceiro. “O autor não pode negar que criou e assinou” é não repúdio, nunca autenticidade.

Simétrica × assimétrica — a simétrica dá confidencialidade e não dá não repúdio, porque a chave é compartilhada. A assimétrica, com chave privada, dá autenticidade e não repúdio.

Hash × assinatura × cifragem — integridade × integridade + autenticidade + não repúdio × confidencialidade. Nenhum dos três entrega as cinco propriedades.

Ataque passivo × ativo — o passivo só observa e fere a confidencialidade; o ativo modifica ou interrompe e fere integridade ou disponibilidade.

ACID não é CID. Em banco de dados, o A é de atomicidade, não de autenticidade.

Como a CEBRASPE derruba você aqui

Trocar o nome da propriedade — 77% dos itens errados. É a maior concentração de um único formato em todo o corpus, e o rótulo troca de termo diz pouco sobre ela: em 23 dos 27 casos, a palavra substituída é literalmente o nome de uma propriedade de segurança. O cenário está correto, a definição está correta, e a propriedade assinada é outra. “Um ataque de negação de serviço capaz de parar um serviço de tecnologia da informação impacta na autenticidade dos dados” — impacta a disponibilidade. “A alteração das informações de usuário por atacantes durante o processo de autenticação no XYZ Digital representa uma violação do princípio de confidencialidade” — é integridade, porque o verbo é alterar e não visualizar. “Segundo o princípio da integridade, uma informação deve sempre estar disponível no momento em que se necessite dela” — é disponibilidade. “A confidencialidade é uma propriedade verificável por meio do hash de uma mensagem” — é integridade; o resumo detecta alteração e não esconde nada. A defesa é sempre a mesma e vale para três quartos do tópico: não julgue pelo nome que abre a frase. Leia o cenário ou a definição até o fim, decida pelo verbo qual propriedade ele descreve — ver ou tomar conhecimento é confidencialidade, alterar ou destruir é integridade, não conseguir acessar é disponibilidade, provar quem é a origem é autenticidade, não poder negar a autoria é não repúdio — e só então volte ao rótulo para conferir se batem.

Dois pares concentram essa troca. O primeiro é integridade × disponibilidade, nos dois sentidos: “essa alteração necessariamente caracteriza uma violação da disponibilidade” quando o funcionário adultera dados armazenados, e “o conceito de disponibilidade refere-se à preservação da integridade dos dados disponibilizados aos usuários, a fim de evitar alterações indevidas” quando se pedia a definição de disponibilidade. O segundo é autenticação × autorização, e veio em dois itens espelhados, com a troca feita nas duas direções: “o processo de comprovar a identidade do usuário […] é denominado autorização” e “o processo pelo qual uma entidade determina se outra entidade tem permissão para usar um recurso é denominado autenticação”. Autenticação responde quem é; autorização responde o que pode. Quem fixa essas duas frases resolve o par inteiro sem pensar.

A propriedade certa com a definição da vizinha. Variação do mesmo formato, aplicada a definições puras, sem cenário nenhum. O não repúdio aparece “que trata do rastreamento do histórico dos fatos de um evento assim como a identificação dos envolvidos” — isso é rastreabilidade, obtida por log e auditoria; não repúdio é não poder negar a autoria. A autenticidade é oferecida como o princípio “que visa garantir que o autor não negue ter criado e assinado determinada informação” — isso é não repúdio. E “as propriedades autenticidade, consistência, isolamento e durabilidade” põem uma propriedade de segurança dentro do ACID, onde o A é de atomicidade. Confira a inicial e o conjunto a que a lista pertence antes de aceitar a enumeração.

Nem toda violação é de confidencialidade, integridade ou disponibilidade. Um item descreve o colaborador que usou software sem licença e sem autorização formal e conclui que “houve violação da integridade das informações da organização”: o que foi violado é a conformidade e a própria política de segurança, porque nenhum dado foi alterado. Quando o cenário não encaixa em nenhum dos verbos da tabela, considere conformidade, rastreabilidade e legalidade antes de forçar a CID.

Quando a palavra trocada não é uma propriedade, é um adjetivo. Os quatro casos restantes seguem a mesma lógica em outro vocabulário: descreve-se o perito que “mediante inspeção visual” coteja impressões digitais e chama-se isso de “a forma automática”; restringe-se a autenticação por token a “um token físico”, quando ele também existe em software e por mensagem; afirma-se que as chaves do par assimétrico são “matematicamente sequenciais em termos de números fatorados” em vez de matematicamente relacionadas; e o controle de acesso é justificado “com base em sua posição funcional hierárquica na organização”, quando o critério é a necessidade de conhecer. Leia o adjetivo com a mesma desconfiança com que lê o substantivo.

Absolutos — 9%. Três itens, todos suprimindo a ressalva que decidia o caso: disponibilidade entendida como “acesso irrestrito a qualquer tipo de informação disponível no sistema”, confidencialidade que “determina que uma informação seja criptografada com cifra assimétrica”, e “o repasse de informações institucionais a terceiros” tratado como violação sem o qualificador não autorizado nem sigilosas. Achado o absoluto, procure o caso autorizado ou o meio alternativo que ele exclui.

Propriedade a mais na lista, e capacidade real negada — 6% cada. No primeiro, a intrusa é sempre a confidencialidade: “o uso de hashes na geração de assinaturas digitais garante a autenticidade, a confidencialidade e a integridade” — assinar não cifra. Também entra aqui a pretensão de que uma parte possa usar mensagens cifradas com chave simétrica para “provar a autenticidade dessas mensagens para terceiros”, o que a chave compartilhada impede. No segundo, a frase começa correta e amputa o que a solução faz: “a integridade dos dados é indiferente à alteração de dados durante o trânsito” e certificados que garantem autenticidade e integridade “porém não oferece recursos de não repúdio na transmissão”. Sempre que um item listar propriedades, confira cada uma; e sempre que houver porém, julgue as duas metades separadamente.

Erros clássicos

Achar que confidencialidade e integridade andam juntas. São independentes. Cifrar não impede a alteração do texto cifrado, e o hash não esconde nada. Item que promete as duas com um mecanismo só quase sempre está errado.

Chamar vazamento de “perda de disponibilidade”. Ver o que não devia é confidencialidade. Disponibilidade só é violada quando alguém deixa de conseguir acessar.

Tratar autenticidade e não repúdio como sinônimos. A autenticidade responde “é você mesmo?”; o não repúdio responde “você consegue negar depois?”. Toda assinatura digital dá as duas, mas as definições não se substituem.

Supor que criptografia simétrica dá não repúdio. Não dá: com chave compartilhada, cada lado pode ter produzido a mensagem, e nada prova a autoria perante terceiros.

Confundir não repúdio com auditoria. Rastrear o histórico de um evento e identificar envolvidos é rastreabilidade/responsabilização; não repúdio é a impossibilidade de o autor negar o que fez. O log é o instrumento, não a definição.

Inverter autenticação e autorização. Comprovar identidade é autenticação; decidir se a entidade pode usar o recurso é autorização.

Achar que controle de acesso segue hierarquia. Segue necessidade de conhecer e requisito de negócio. Cargo alto não implica acesso amplo.

Esquecer que integridade também protege a alteração legítima. Garantir integridade não é congelar o dado: é assegurar que só quem está autorizado o altere — e que consiga alterá-lo.

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