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Básicos · Língua Portuguesa · Tipos e gêneros textuais

Formal × informal; denotação × conotação; funções da linguagem

Teste o sentido literal no contexto: se ele produz absurdo material, o emprego é conotativo — e itens que apenas identificam registro, conotação ou função da linguagem foram Certo em 6 de 7.

Altíssima7 itens no tópico

A ideia que organiza o assunto

Três classificações convivem neste tópico e são frequentemente confundidas, porque todas perguntam “como esta palavra está sendo usada”:

São eixos independentes. Um texto formal pode ter uma metáfora; um texto coloquial pode ser inteiramente denotativo; um vocativo informal pode cumprir função fática num texto institucional. Quem trata os três como um só erra exatamente onde a banca quer.

O tópico é pequeno e o gabarito é assimétrico: 6 dos 7 itens são Certo. Todos os seis apenas identificam o que está acontecendo com a palavra — está em sentido figurado, é típica da oralidade, predomina o uso denotativo, serve para atrair a atenção do interlocutor. O único Errado é um item de reescrita, que promete manter a correção gramatical e oferece uma sugestão agramatical. A leitura prática: item que descreve o funcionamento da palavra tende a ser Certo; item que promete uma operação sobre a frase é onde se procura o erro.

Como funciona

O teste da conotação

Substitua mentalmente a palavra pelo seu sentido próprio e veja o que acontece no contexto. Se o resultado for absurdo material, o emprego é conotativo:

Verbo de corpo aplicado a produto intelectual — gestar uma obra, digerir um conceito, alimentar um debate — é conotação garantida.

As marcas do registro

Formalidade se mede por apagamento do falante, não por vocabulário difícil. Descem o registro: a gente por nós, tem existencial por haver, a perífrase vai ter por terá, o verbo esvaziado (olha, escuta, sabe), a expressão feita da fala (fique ligado, não tem jeito, porcarias). Sobem o registro: passiva sem agente, terceira pessoa, futuro simples, verbo preciso no lugar de ter, fazer e dar.

Marca de oralidade em cartaz, campanha ou peça publicitária é deliberada: aproxima o órgão do leitor. Não é falha de adequação.

As funções da linguagem no formato em que caem

funçãofococomo aparece no item
referencial (denotativa)o referentepredomina a função denotativa, texto expositivo, 3.ª pessoa
emotivao emissor1.ª pessoa, interjeição, adjetivo avaliativo
conativao receptorimperativo, vocativo, você
fáticao canal / o contatoolha, escuta, alô, entende?, fique ligado
metalinguísticao códigoo texto fala da própria palavra
poéticaa mensagemjogo sonoro, imagem, forma trabalhada

O caso mais cobrado é o fático: um verbo no imperativo que não designa a ação do verbo. Olha, é pontuda não pede que ninguém olhe — chama o interlocutor de volta para a explicação. Marcadores conversacionais (olha, escuta, sabe, vê bem, entende) quase nunca valem pelo seu conteúdo.

O peso do quantificador

Predomina admite exceções; exclusivamente e apenas não admitem nenhuma. Um texto expositivo com uma imagem solta continua sendo de predomínio denotativo — só deixaria de ser se o item afirmasse que não há qualquer emprego figurado. Repare no quantificador antes de recusar o item.

O que decide os itens

o item afirmao que conferir
está em sentido figurado / conotativoo sentido literal produz absurdo no contexto?
predomina a função denotativaé predomina ou exclusivamente?
emprega-se o nível formalhá oralidade, gíria, a gente, apelo direto?
é típica da oralidade e adequada ao gêneroo gênero prevê fala espontânea?
tem a finalidade de atrair a atençãoo verbo designa mesmo a ação, ou é marcador?
poderia ser reescrito como…a proposta é gramatical?

Formal e informal não são certo e errado. A informalidade só vira inadequação quando compromete a finalidade do texto — e, nos gêneros em que a oralidade é prevista, nunca compromete.

Como a CEBRASPE derruba você aqui

Com 6 Certos em 7 itens, o risco dominante aqui não é aceitar o item errado: é recusar o item certo por excesso de desconfiança. Três movimentos produzem essa recusa indevida.

Achar que o item é simples demais para estar certo. O vocábulo miragem foi empregado no texto em sentido figurado parece pouco para um item de prova, e é exatamente o que a banca queria: identificação correta, sem pegadinha.

Tropeçar no quantificador. O candidato lê predomina a função denotativa, lembra de uma expressão figurada no texto e marca Errado. Predomina já acomodou a exceção.

Chamar de inadequado o coloquialismo intencional. Fique ligado num cartaz institucional do TJDFT é estratégia de aproximação com o servidor, não desvio de registro.

O único item Errado do tópico pertence à outra família e segue a regra geral das reescritas: a proposta foi Se faz aqui uma distinção entre o poder formal… com o poder informal, que abre período com pronome átono e troca a preposição da locução correlata entre… e. Duas falhas de correção decidem o item sem que se precise discutir sentido. Sempre que o enunciado prometer sem prejuízo da correção gramatical, leia a sugestão como redação de prova.

Erros clássicos

Tomar conotação por informalidade. São eixos distintos: há metáfora em texto jurídico e literalidade absoluta em conversa de bar.

Ler o marcador conversacional ao pé da letra. Olha, escuta, sabe não designam olhar, escutar nem saber.

Confundir função conativa com função fática. A conativa quer que o outro aja (imperativo de conteúdo pleno: Desligue as luzes); a fática só quer manter o contato (Fique ligado!, entende?).

Esquecer que o gênero autoriza o registro. Em tirinha, quadrinho, chat e diálogo de crônica, o coloquialismo é o previsto.

Iniciar período com pronome átono na reescrita. Se faz, me parece, lhe disse não passam na escrita culta: a forma é Faz-se, Parece-me, Disse-lhe.

Trocar a preposição de uma locução correlata. Distinção entre X e Y, nunca entre X com Y.

Praticar7 itens