Básicos · Língua Portuguesa · Coesão textual
Sequenciação textual e articulação entre orações e parágrafos
Todo item nomeia uma relação entre duas partes do texto — sucessão, causa, oposição, reformulação. O conectivo que o texto escreveu é o desempate; a direção da seta é o que a banca mais inverte.
Altíssima11 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Sequenciação é a maneira como o texto encadeia o que vem depois com o que veio antes. Os itens quase nunca perguntam o que um trecho diz: perguntam que trabalho um elemento faz entre dois trechos — se ordena, se conclui, se explica, se reformula, se marca tempo, se detalha.
Três perguntas resolvem praticamente tudo, sempre nesta ordem:
- Que relação o conectivo do texto realmente marca? Daí é consecutivo, não temporal. Isto é reformula. De tal modo que introduz consequência. Nesse sentido conclui e aponta para trás. O conectivo escrito pelo autor é a evidência mais forte disponível, e é ele que desempata.
- Qual é o alcance do elemento? Anafóricos como nesse sentido, dessa forma, daí, assim recolhem uma porção do texto anterior — um período, dois, o parágrafo inteiro. O erro do item costuma estar no alcance, não na natureza da relação.
- Em que direção a seta aponta? Quando dois trechos guardam causa e efeito, o item acerta que a relação existe e troca as posições. Essa inversão é a forma mais barata de produzir um item errado a partir de uma frase que parece transcrição.
Como funciona
Testes que funcionam
Causa e consequência sem conectivo. Insira porque entre os dois períodos nas duas ordens possíveis. Só uma produz sentido, e é ela que diz qual período é a causa. O ser humano não conviveu com os dinossauros porque eles foram extintos antes do surgimento da humanidade fecha; a ordem inversa, não.
Enumeração: acumulação ou sequência? Inverta a ordem dos termos. Se a inversão soa errada porque desrespeita o curso dos fatos — murchar, perder as pétalas, secar, sumir-se —, a enumeração é sequencial. Se nada se perde, é acumulação.
Supressão de um trecho. Para julgar se um trecho pode ser eliminado, leia o que vem depois dele, não o período em que ele está. Se o período seguinte retoma um termo que só existe no trecho suprimido, a eliminação deixa referência sem antecedente.
Junção de dois períodos com articulador. Duas verificações, nesta ordem: a frase resultante fica gramatical, e a relação que o articulador impõe é a que já havia entre os dois períodos.
Marcadores temporais em série. Antes de aceitar que formam uma linha do tempo, resolva a referência de cada um. Se todos recuperam o mesmo antecedente, não há sucessão — há repetição.
Dêixis textual
Aqui e agora, neste texto, acima, adiante, como se viu, na proposta a que me referi não localizam nada no mundo: localizam um trecho dentro do próprio texto. É dêixis textual, e é disso que fala o item quando menciona expressões de caráter ordenador ou que fazem referência ao próprio texto. Distinga-a da dêixis situacional (ontem, em 1989, naquela cidade), que aponta para fora.
O gerúndio posposto
Oração reduzida de gerúndio depois da principal quase nunca opõe: ela soma, explica, conclui ou indica circunstância concomitante. Oposição exige marca — mas, porém, contudo, embora, ao contrário — ou conteúdos efetivamente incompatíveis.
O que decide os itens
| elemento | o que ele realmente faz | com o que a banca o confunde |
|---|---|---|
| daí, donde, por isso | consecutivo, indica origem do resultado | marcador temporal |
| nesse sentido, dessa forma | recolhe o anterior e conclui | acréscimo; ou alcance maior/menor |
| isto é, ou seja | reformula explicativamente | acréscimo de informação nova |
| de tal modo que | consequência | finalidade |
| por sua vez | troca o sujeito da perspectiva | oposição |
| ponto e vírgula em enumeração | segmentos paralelos, um reformula o outro | segmentos sucessivos |
| gerúndio posposto | consequência, concomitância | oposição |
| pretérito perfeito em cadeia | sucessão de fatos | — |
Os pares que a banca opõe.
| o texto faz | o item diz | por que cai |
|---|---|---|
| B explica A | A é a causa e B, a consequência | a seta está invertida |
| retoma o mesmo momento três vezes | estabelece três momentos distintos | repetição não é sucessão |
| acrescenta pelo gerúndio | opõe-se à oração anterior | falta marca adversativa |
| reformula em outro nível | acrescenta dado novo | paráfrase reforça, não progride |
| detalha um bloco anunciado | inverte genérico e específico | o genérico vem antes |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Os 11 itens deste tópico estão todos explicados, e apenas 3 são Errados — base pequena. Os três, porém, repetem exatamente o padrão medido nos tópicos vizinhos de articulação e de ideia central, e é esse padrão que vale levar para a prova.
Trocar o nome da relação por um vizinho. Dois dos três. Sucessão temporal onde há consecução e retomada do mesmo marco; oposição onde o gerúndio acrescenta uma consequência. O conteúdo dos trechos citados é reproduzido com fidelidade e só o rótulo da relação muda — e é por isso que a leitura de relance aprova o item. Defesa: localize o conectivo real e leia o que ele marca, não o que o item diz que ele marca.
Inverter a direção da relação. Um dos três. O item acerta que há causa e consequência entre dois períodos justapostos e troca qual é qual. Defesa: o teste do porque nas duas ordens.
Errar o alcance do anafórico. É a variante refinada da primeira família: o item acerta que nesse sentido conclui, e erra quanto do texto anterior ele recolhe. Defesa: delimite a porção recuperada antes de comparar com o escopo afirmado.
Erros clássicos
Ler daí como marcador de tempo. Em Resultou daí, ele é consecutivo. Daí, donde e por isso indicam origem do resultado.
Aceitar sucessão temporal sem resolver as referências. Três expressões temporais podem apontar todas para o mesmo instante.
Exigir conectivo para admitir relação. Causa, explicação e reforço existem em períodos apenas justapostos. Faça o teste da inserção antes de negar.
Tomar paralelismo por sucessão. Em enumeração separada por ponto e vírgula, os segmentos tendem a reformular-se mutuamente, não a suceder-se. Se o mesmo par de oposição reaparece, o segundo segmento reforça o primeiro.
Julgar supressão pelo período de origem. O prejuízo, quando existe, aparece depois: é o trecho seguinte que fica sem antecedente.
Confundir gerúndio com adversativa. Ele soma, explica ou conclui — opor, quase nunca.
LidoPraticado