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População × amostra; parâmetro × estatística; censo × amostragem
Parâmetro é da população e é fixo; estatística é da amostra e varia. Mas os dois itens do corpus cobram outra coisa: seleção por conglomerados.
Alta2 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Toda a estatística inferencial vive de uma separação em dois planos, e quase todo vocabulário do assunto é apenas o nome do mesmo objeto em cada plano.
| plano | o conjunto | a medida | o símbolo típico | varia? |
|---|---|---|---|---|
| população | todos os elementos de interesse | parâmetro | μ, σ, p, N | não — é fixo, embora desconhecido |
| amostra | o subconjunto observado | estatística ou estimador | x̄, s, p̂, n | sim — muda a cada amostra sorteada |
O ponto que decide itens não é decorar a tabela: é entender que o parâmetro é
uma constante desconhecida e a estatística é uma variável aleatória. μ não
tem distribuição de probabilidade; x̄ tem. É por isso que faz sentido falar em
variância do estimador, em erro amostral e em intervalo de confiança — todos são
afirmações sobre o que varia, nunca sobre o que é fixo.
Censo × amostragem é a mesma separação vista pelo lado da coleta. No censo,
observa-se a população inteira: o que se calcula é parâmetro, e não há erro
amostral. Na amostragem, observa-se parte: o que se calcula é estatística, e o
erro amostral existe por construção. Daí um resultado elegante — quando n = N,
o fator de correção para população finita, (N − n)/(N − 1), zera, e a variância
do estimador vai a zero. O censo é o caso-limite da amostragem, não o seu oposto.
A base de evidência, com honestidade, porque aqui ela é mínima. Este tópico tem 2 itens no corpus, e os dois vêm do mesmo enunciado — uma população de 20 elementos distribuídos em seis conglomerados, da prova da CGE/RJ. Um é Certo e um é Errado. Nenhum dos dois trata de parâmetro contra estatística, de censo contra amostragem, ou de população contra amostra em definição, apesar de o título do tópico anunciar exatamente essas três oposições. Os dois cobram probabilidade de seleção em amostragem por conglomerados. Duas questões não medem nada: a seção das pegadinhas abaixo diz o que esses dois itens fazem, e nada além disso. O vocabulário das três oposições está acima porque o candidato precisa dele, não porque o corpus o tenha testado.
Como funciona
A população é definida, não encontrada. Ela é o conjunto que o estudo declara como universo de interesse — os 1.000 indivíduos cujas idades se quer conhecer, as 100 indenizações pagas no ano. Mudar a definição muda o parâmetro. Por isso “população” em estatística não é sinônimo de gente: é o conjunto de unidades de observação, sejam elas pessoas, apólices, quarteirões ou lotes de peças.
A amostra é um recorte com regra. O que a torna útil não é ser parecida com a população por inspeção, mas ter sido obtida por um mecanismo cuja probabilidade se conhece. É essa probabilidade que transporta a conclusão da amostra de volta para a população.
A unidade de observação e a unidade de sorteio podem ser diferentes. É aqui que os dois itens do corpus moram, e é a distinção mais rentável deste tópico. Em amostragem por conglomerados, a unidade de observação continua sendo o elemento — quer-se a idade de cada indivíduo —, mas a unidade sorteada é o conglomerado inteiro. Consequências imediatas, todas cobradas:
- o tamanho da amostra declarado no enunciado conta conglomerados, não elementos. “Amostragem por conglomerados de tamanho 2” significa dois conglomerados sorteados;
- o número de elementos observados não é fixo quando os conglomerados têm tamanhos diferentes. Com os conglomerados I a VI de 4, 4, 4, 3, 2 e 3 elementos, sortear dois deles pode produzir amostras de 5 a 8 elementos;
- um subconjunto que misture elementos de conglomerados diferentes sem levar os
conglomerados completos não é uma amostra possível deste plano.
{13, 17}junta um elemento do conglomerado IV a um do V e deixa de fora os companheiros de ambos — não é resultado que o sorteio possa produzir; - saber que um elemento está na amostra determina a presença de todos os seus companheiros de conglomerado. Se o elemento 12 está na amostra, o conglomerado III foi sorteado, e os elementos 9, 10 e 11 estão na amostra com probabilidade 1. Não “provavelmente”: exatamente 1.
Probabilidade de inclusão de um elemento. É a probabilidade de o seu
conglomerado ser sorteado. Com 6 conglomerados e 2 sorteados sem reposição, cada
conglomerado entra em C(5,1)/C(6,2) = 5/15 = 1/3 das amostras possíveis. Note
que a probabilidade é a mesma para todo elemento, apesar de os conglomerados
terem tamanhos diferentes — o que não é verdade em todo plano por conglomerados,
mas é verdade quando se sorteiam conglomerados com igual probabilidade.
O que decide os itens
Os três pares de vocabulário:
| população | amostra |
|---|---|
| parâmetro | estatística / estimador |
μ, σ, σ², p, N | x̄, s, s², p̂, n |
| valor fixo e desconhecido | variável aleatória, muda a cada sorteio |
| obtido por censo | obtido por amostragem |
| sem erro amostral | com erro amostral |
Unidade de sorteio × unidade de observação, por plano:
| plano | o que se sorteia | tamanho da amostra conta | nº de elementos observados |
|---|---|---|---|
| AAS | o elemento | elementos | fixo, igual a n |
| estratificada | elementos dentro de cada estrato | elementos por estrato | fixo |
| conglomerados | o conglomerado inteiro | conglomerados | variável, se os grupos diferem de tamanho |
Probabilidades no plano por conglomerados do corpus — 20 elementos, 6 conglomerados (4, 4, 4, 3, 2, 3), 2 conglomerados sorteados:
| evento | probabilidade |
|---|---|
| um conglomerado específico ser sorteado | 1/3 |
| um elemento qualquer entrar na amostra | 1/3 |
| dois elementos do mesmo conglomerado entrarem juntos | 1/3 — e não 1/9 |
| um elemento entrar, dado que outro do mesmo conglomerado entrou | 1 |
amostra ser {13, 17} | 0 — não é uma amostra possível |
Números que caem
| quantidade | valor |
|---|---|
| população do enunciado da CGE/RJ | 20 elementos em 6 conglomerados |
| composição dos conglomerados | I: 1–4; II: 5–8; III: 9–12; IV: 13–15; V: 16–17; VI: 18–20 |
| amostras possíveis de 2 conglomerados entre 6 | C(6,2) = 15 |
| probabilidade de inclusão de um elemento | 5/15 = 1/3 |
| menor e maior número de elementos numa amostra | 5 e 8 |
fator de correção quando n = N (censo) | 0 |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
São dois itens, os dois explicados, e os dois do mesmo enunciado. Não há frequência a relatar, não há distorção dominante, não há como dizer o que a banca prefere aqui — há dois movimentos a reconhecer e, no fim, as oposições do título que o corpus não mediu.
Trocar a unidade amostral. O item Errado afirma que a amostra “deve ser
constituída exatamente por dois elementos, por exemplo, {13, 17}”. O número 2
veio do enunciado, e está certo; o substantivo que o acompanha é que foi trocado.
Dois conglomerados, não dois elementos. O exemplo oferecido é o reforço da
armadilha: {13, 17} parece uma amostra razoável e é impossível neste plano.
Defesa: antes de contar, releia o enunciado e responda o que exatamente foi
sorteado.
Usar a dependência a favor, e não contra. O item Certo é o espelho do anterior: sabendo que o elemento 12 entrou, a probabilidade de o elemento 9 entrar é igual a 1. Muito candidato marca Errado porque “probabilidade 1” soa absoluto demais para uma questão de amostragem. Não é: dentro do conglomerado a dependência é total, e probabilidade condicional 1 é o resultado correto. A mesma estrutura que torna Errado o item anterior torna Certo este.
A regra que os dois itens compartilham. Em conglomerados, o conglomerado é indivisível. Ele entra inteiro ou não entra. Todo item deste enunciado se resolve lendo a tabela, localizando o conglomerado do elemento citado, e perguntando se o item respeita a indivisibilidade.
As três oposições do título, e nenhuma delas medida. O tópico se chama
população × amostra; parâmetro × estatística; censo × amostragem, e os dois
itens do corpus não tocam em nenhuma das três. Ficam registradas aqui por serem
as armadilhas conhecidas do assunto, e não por terem aparecido. Chamar x̄ de
parâmetro, ou μ de estatística: o parâmetro é da população e é constante, a
estatística é da amostra e é variável aleatória. Dizer que o censo não tem
erro: ele não tem erro amostral, o que não é a mesma coisa — cobertura,
resposta e registro continuam falhando. Tratar censo e amostragem como
opostos: o censo é o caso-limite da amostragem, aquele em que n = N e o fator
(N − n)/(N − 1) zera. Estude-as como conteúdo; nenhuma é padrão da banca neste
corpus, porque padrão da banca aqui não existe.
Erros clássicos
Chamar x̄ de parâmetro. Parâmetro é da população e é fixo. Média amostral é
estatística e varia — e é justamente por variar que tem variância e erro padrão.
Achar que o censo é isento de erro. Não há erro amostral num censo, o que é diferente de não haver erro: cobertura, resposta e registro continuam podendo falhar.
Contar elementos onde o plano conta conglomerados. O erro do item Errado do corpus, e o mais rentável deste tópico.
Montar amostras que o plano não produz. Misturar elementos de conglomerados distintos sem levar os conglomerados inteiros é construir um conjunto de probabilidade zero.
Recusar probabilidade 1 por parecer categórica demais. Quando a dependência é estrutural, o condicional vale 1, e essa é a resposta.
Tratar “população” como sinônimo de pessoas. É o conjunto de unidades de observação, definido pelo estudo.
LidoPraticado