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Coordenação: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas, explicativas

Dos 24 itens do tópico, 15 giram em torno de “mas” — e o valor dele não se decide pela palavra, mas pelo que vem antes: com “não só” ou “não apenas” no primeiro membro, soma; sem eles, opõe.

Altíssima24 itens no tópico

A ideia que organiza o assunto

Orações coordenadas são sintaticamente independentes. Nenhuma delas exerce função dentro da outra: se você apagar a segunda, a primeira continua de pé, e vice-versa. Daí decorre a única coisa que realmente organiza este assunto, e ela é incômoda: como não há dependência sintática, nada na sintaxe informa qual é a relação — só o conteúdo informa.

Compare com a subordinação. Em Embora chova, a rua alaga, a conjunção cria uma dependência: a primeira oração é adverbial da segunda, e embora é sempre concessivo. Já em coordenação o mesmo conector muda de valor conforme o que ele liga:

A humanidade produz 400 milhões de toneladas de plástico por ano, e apenas 10% dele é reaproveitado. → adversativo, apesar do e

Não foi apenas a aquisição de mais um modo de expressão, mas também uma revolução. → aditivo, apesar do mas

Estava tarde; saiu, pois. → conclusivo

Saiu, pois estava tarde. → explicativo

Quatro conectores, e em três deles o valor é o oposto daquele que a palavra sugere. É por isso que o tópico não se decora como lista de conjunções. A pergunta certa nunca é “que conjunção é essa?”; é “o segundo membro acrescenta, frustra, alterna, deduz ou justifica o primeiro?” — e essa pergunta se responde lendo as duas orações inteiras, não o conector.

O corpus confirma isso da maneira mais direta possível. Dos 24 itens, 13 são errados, e em nenhum deles a conjunção é rara ou difícil: quinze itens tratam de mas, três de pois, dois de portanto. A banca não esconde o conector. Ela conta com que você o julgue isolado.

Como funciona

São cinco classes. Duas delas — aditivas e adversativas — respondem por quase todo o tópico, e é nelas que mora o mecanismo que decide os itens.

Aditivas somam: e, nem (que é e não), tampouco, mas também, como também, bem como, e as correlações não só… mas também, tanto… quanto.

Adversativas contrapõem: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, só que. Só mas é preso ao início da oração; os demais deslocam-se e, deslocados, exigem vírgulas.

Alternativas excluem ou alternam: ou, ou… ou, ora… ora, quer… quer, seja… seja, já… já.

Conclusivas deduzem: logo, portanto, pois posposto ao verbo, por conseguinte, assim, então, dessa forma, destarte.

Explicativas justificam: porque, que, pois anteposto ao verbo, porquanto.

O mecanismo central: o advérbio de exclusão

Este é o ponto. Duas construções parecidíssimas, e valores opostos:

Não se trata apenas de X, mas de Y. → X continua valendo; soma-se Y.

Não se trata de X, mas de Y. → X é negado; Y o substitui.

A diferença é uma palavra: apenas, , somente. Ela desloca a negação. Sem ela, a negação recai sobre o conteúdo, e o mas retifica — é adversativo. Com ela, a negação recai sobre a exclusividade, e o mas apenas acrescenta o segundo termo ao primeiro, que permanece verdadeiro — é aditivo.

E há o caso sem negação nenhuma antes:

As tecnologias podem ser de grande utilidade, mas também suscitam questões éticas. → adversativo; o também é advérbio de inclusão, não parte de correlação.

Ou seja: a presença de mas também não prova adição, e a presença de uma negação antes do mas não prova adição. Só a correlação completa prova — membro negativo com advérbio de exclusão, seguido de mas (também).

O outro mecanismo: posição decide o valor de pois

Pois é a única conjunção do tópico que troca de classe conforme onde está. Abrindo a oração, logo depois da vírgula e antes do verbo, vale por porque e é explicativo. Deslocado para depois do verbo, entre vírgulas, vale por portanto e é conclusivo. Em nenhuma das duas posições ele é concessivo ou adversativo.

E o teste que separa conclusão de explicação é direcional, não lexical:

testese couber
antepor eu digo isso porque à segunda oraçãoexplicação
inserir por isso entre as duas oraçõesconclusão

Os dois nunca cabem ao mesmo tempo. A explicação vem antes do fato e o justifica; a conclusão vem depois do argumento e o deduz.

Coordenação não é só entre orações

Dois itens do tópico não perguntam pelo valor: perguntam se há coordenação. Vale lembrar que só se coordenam termos do mesmo nível sintático. Em Em um mundo que corre contra o relógio para descarbonizar a economia e conter o avanço das mudanças climáticas, medir e reduzir as emissões está longe de ser suficiente, há duas coordenações — descarbonizar / conter dentro da final, medir / reduzir no sujeito —, e não uma coordenação de quatro. Infinitivos vizinhos podem pertencer a orações encaixadas em pontos diferentes do período.

O que decide os itens

As cinco classes e o que a troca faz

classeconectorestrocar por… muda para
aditivae, nem, tampouco, mas também, como também, bem como, não só… mas tambémmas → oposição; portanto → conclusão
adversativamas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, só quee → adição; pois → explicação
alternativaou, ou… ou, ora… ora, quer… quer, seja… seja, já… jáe → adição simultânea
conclusivalogo, portanto, por conseguinte, assim, então, dessa forma, destarte, pois pospostopois anteposto → explicação
explicativaporque, que, pois anteposto, porquantoentão, logo, portanto → conclusão

O quadro que resolve os itens de mas

construçãovalorpor quê
não só X, mas também Yadiçãoa negação recai sobre a exclusividade
não apenas X, mas Yadiçãoidem
não basta somente X, mas Yadiçãoidem
não se trata só de X, mas também de Yadiçãoidem
X, mas também Y (sem negação antes)oposiçãotambém é só advérbio
não se trata de X, mas de Yoposição / retificaçãoa negação recai sobre o conteúdo
X, mas não Yoposiçãosegundo membro dispensa o que o primeiro impôs
X, mas Y (sem negação)oposiçãoquebra de expectativa

Trocas que passam × trocas que não passam

propostapassa?
e adversativo → maspassa: o e já carregava o contraste
mas adversativo → porém, no entanto, contudopassa: mesmo valor, conferida a pontuação
seja… sejaquer… querpassa: mesma correlação alternativa
supressão de nem em nem sequer sob negaçãopassa: é reforço, não coordenação
mas adversativo → enão passa: apaga o contraste
pois anteposto → entãonão passa: inverte explicação em conclusão
E somando negativas → masnão passa: cria oposição inexistente

Como a CEBRASPE derruba você aqui

Dos 24 itens, 13 são errados — 54%. O tópico é curto e extraordinariamente concentrado: 15 dos 24 itens tratam de mas ou de mas também, e é aí que está quase toda a perda.

A correlação aditiva é o eixo dominante: 8 itens, 6 errados. Nenhum outro eixo do tópico chega perto. A banca executa a manobra nas duas direções, e a proporção é reveladora — todas as vezes em que ela chama a correlação aditiva de oposição, o item é errado; todas as vezes em que a chama de adição, o item é certo. Os enunciados errados são literalmente estes: “a conjunção mas expressa sentido aditivo” dito de um mas adversativo; “mas também correlaciona ideias que se opõem”; “a expressão mas também introduz uma ideia de oposição”; “em todas as suas ocorrências… a conjunção mas introduz uma ideia de contraste”, sobre três ocorrências todas precedidas de apenas ou somente; e “o trecho introduzido pela conjunção mas tem sentido aditivo, o que se confirma pelo emprego do advérbio de negação no início do período” — em que a própria justificativa oferecida está invertida, porque ali não havia advérbio de exclusão. Defesa: nunca julgue mas também sem voltar ao início do período. A resposta está antes do conector, não nele.

Conclusão × explicação: 5 itens, 2 errados, e a regularidade é perfeita. Os três itens em que a banca nomeia corretamente o valor — pois explicativo, portanto conclusivo duas vezes — são todos certos. Os dois errados fazem a mesma coisa: chamam de conclusão um pois anteposto, ou propõem substituí-lo por então. O eixo mais carregado do tópico-pai reaparece aqui com volume menor, mas com direção única: neste tópico, a banca só erra para um lado, transformando explicação em conclusão, nunca o contrário.

O item de substituição é metade errado — 8 itens, 4 errados. É a mesma taxa medida no tópico-pai, e a defesa é a mesma: reconstrua a frase com a forma proposta e leia o resultado. Aqui, porém, o que derruba é quase sempre o sentido, não a regência, porque conjunções coordenativas têm todas a mesma regência. As duas exceções que pedem atenção sintática são a pontuação — mas não se desloca, no entanto sim — e a supressão de elementos, como o nem de nem sequer.

O item que apenas nomeia o valor é o formato mais comum: 16 itens, 9 errados. Vale notar quais rótulos são seguros e quais não. Ressalva, contraste, oposição, acréscimo, adição, conclusão e explicação aparecem nos dois lados; o que decide não é o rótulo, é se ele corresponde ao período apontado.

A banca aponta o período errado. Um item descreve com exatidão a relação de contraste coordenado… do penúltimo período, e a atribui ao último, que é Quanto mais se tem a saber, mais se pode ignorar — proporção subordinada, não coordenação. Defesa: conte os períodos antes de julgar o valor. Este é o mesmo comportamento que o tópico-pai mediu como “acertar a relação e errar os polos”, transposto para a localização.

A justificativa embutida derruba o item inteiro. Um item abre com “Dado o fato de o vocábulo mas… ter sido empregado com sentidos adversativo, de oposição” e propõe a troca por porém — troca que, isolada, seria inofensiva. O item cai porque a premissa é falsa: aquele mas integrava não só… mas também. Formulações como dado o fato de, haja vista, uma vez que e visto que trazem duas afirmações, e a razão vem depois da conjunção, que é onde o erro costuma estar — exatamente o padrão que o tópico-pai mediu nos 33 itens de outras matérias.

Um contrapeso. Nem toda troca entre valores diferentes falha. Trocar e por mas passou, porque o e já ligava fatos que se contrariavam. Suprimir o nem passou, porque ali ele era reforço de negação e não conjunção. E dois itens afirmaram que uma coordenada alternativa equivale a outra, o que é trivialmente verdadeiro. Não responda pelo formato do enunciado; responda pelo conteúdo da relação.

Erros clássicos

Achar que mas é sempre adversativo. Dentro de não só… mas também ele é aditivo, e esse é o item mais frequente do tópico.

Achar que a negação antes de mas prova adição. Prova o contrário, se não houver apenas, ou somente: não se trata de X, mas de Y nega X.

Achar que e é sempre aditivo. Quando o segundo membro frustra a expectativa criada pelo primeiro, o e é adversativo e aceita mas. Mas o caminho inverso quase nunca passa: mas genuinamente adversativo trocado por e apaga o contraste.

Achar que pois conclui. Anteposto ao verbo, vale por porque. Só posposto, entre vírgulas, vale por portanto. Essa é a única conjunção do tópico cuja classe depende da posição — veja também o tópico de Conectores e valores semânticos, onde o mesmo comportamento é medido em escala maior.

Tratar nem como conjunção sempre que ele aparece. Em nem sequer, nem mesmo, nem ao menos, ele reforça uma negação já existente e costuma ser suprimível. Ligando orações, não é.

Confundir mas com porém na hora de pontuar. O valor é o mesmo; a mobilidade não. Mas fica preso ao início da oração; porém, contudo, todavia, entretanto e no entanto podem deslocar-se e então pedem vírgulas.

Coordenar o que está em níveis diferentes. Verbos e infinitivos vizinhos podem pertencer a orações encaixadas em pontos distintos do período. Coordenação exige mesmo nível sintático — e a prova de fogo é a função: se uma é sujeito e a outra é adjunto adverbial, não há coordenação entre elas.

Praticar24 itens