Específicos · Ciência de Dados
Tipos de aprendizado: supervisionado, não supervisionado, reforço, transferência
Uma pergunta decide quase tudo: o que chega junto com os dados de treinamento — rótulo, nada, ou recompensa? Em 10 dos 14 itens errados a banca dá o nome de uma família e a definição de outra.
Alta30 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Os tipos de aprendizado não se distinguem pelo algoritmo, pela biblioteca nem pelo domínio de aplicação. Distinguem-se por uma única coisa: o que chega ao algoritmo junto com os dados de treinamento.
São três respostas possíveis, e delas saem as três famílias.
- Chega a resposta certa de cada exemplo — o rótulo, a classe, o atributo alvo. É aprendizado supervisionado: o algoritmo compara o que previu com o que deveria ter previsto, mede o erro e ajusta os parâmetros até que a função de mapeamento generalize para exemplos que nunca viu.
- Não chega nada além dos atributos de entrada. É aprendizado não supervisionado: sem gabarito, o algoritmo só pode se orientar pela estrutura interna dos dados — quem se parece com quem, o que costuma aparecer junto, que direções concentram a variação.
- Chega um sinal de recompensa, depois da ação e em geral com atraso. É aprendizado por reforço: não há resposta certa fornecida, há um agente que age sobre um ambiente e ajusta sua política para maximizar a recompensa acumulada.
Guarde a pergunta nessa forma — o algoritmo recebe gabarito, nada, ou recompensa? — porque ela resolve sozinha a maioria dos itens. Ela também explica por que certas tarefas são fixas de uma família: classificação exige classes conhecidas de antemão, logo é supervisionada; agrupamento produz os grupos como resultado, logo é não supervisionado. Na classificação a classe é insumo; no agrupamento ela é saída. Inverter essa ordem é o erro mais repetido do tópico.
O que este tópico realmente cobra. Vale dizer com números, porque o título do assunto promete mais do que a prova entrega. Nos 30 itens medidos:
| eixo | itens |
|---|---|
| supervisionado × não supervisionado (presença de rótulo) | 14 |
| vocabulário de mineração de dados (definição, associação, Apriori) | 10 |
| aprendizado por reforço | 2 |
| aprendizado por transferência | 1 |
| aprendizado semissupervisionado | 0 |
| dimensões de qualidade de dados do DMBOK | 2 |
| Python e pandas | 1 |
Ou seja: quase metade do tópico é o eixo do rótulo, um terço é vocabulário de mineração de dados que chega aqui pela porta dos fundos, e semissupervisionado não foi medido em item nenhum. Reforço e transferência aparecem, mas valem um item cada dois ou três concursos. Estude na proporção.
Por que se usa (e o que custa)
A escolha da família raramente é livre: ela é imposta pelo que se consegue obter.
Supervisionar custa rótulo. Alguém precisa dizer, exemplo por exemplo, qual era a resposta certa — classificar manualmente o processo, marcar a transação como fraude, anotar o documento. Em troca, ganha-se a única coisa que o não supervisionado não tem: um alvo conhecido, e portanto uma medida objetiva de desempenho. É por isso que a matriz de confusão e as métricas que dela derivam só existem no lado supervisionado.
Não supervisionar é barato e ambíguo. Dispensa-se o rótulo e aproveitam-se as bases que já existem, mas não há gabarito contra o qual comparar o resultado: avaliar um agrupamento é decidir, por critérios internos e por julgamento de negócio, se os grupos encontrados significam alguma coisa.
Reforçar custa interação. O agente precisa agir e colher consequências, muitas vezes milhares de vezes, e a recompensa chega atrasada — o que se ganha é a capacidade de aprender comportamento em decisões sequenciais, coisa que nenhum conjunto de exemplos rotulados ensina.
A formulação honesta para a prova: supervisão compra avaliabilidade e paga em rotulagem. Item que prometa desempenho medido sem rótulo, ou aprendizado de classe sem classe, está cobrando o preço sem pagá-lo.
Como funciona
Supervisionado. O conjunto de treinamento é um conjunto de pares: atributos de entrada mais o atributo alvo. O algoritmo ajusta uma função de mapeamento das entradas para a saída e é julgado pela generalização, não pelo acerto no treino. Divide-se pela natureza da saída: classificação quando o alvo é categórico (a que classe pertence) e regressão quando o alvo é contínuo (que valor). Árvores de decisão, regressão logística, máquinas de vetores de suporte, k vizinhos mais próximos e redes neurais treinadas com rótulo estão todos aqui.
Não supervisionado. Três tarefas cobram-se aqui, e convém tratá-las separadamente.
Agrupamento. Mede-se similaridade (quase sempre distância) e separam-se grupos. O k-means é particional: escolhe-se k, calcula-se a distância de cada objeto aos k centroides, atribui-se cada objeto ao centroide mais próximo e recalcula-se cada centroide como a média dos objetos do seu grupo, repetindo até estabilizar. O centroide é, portanto, um ponto calculado, que em geral não coincide com nenhum objeto real da base. O k-medoids faz o mesmo ciclo elegendo como representante um objeto que existe na base, o medoide — o que o torna mais robusto a valores extremos. Há ainda o agrupamento hierárquico, que constrói o dendrograma por aglomeração ou divisão e não exige k fixado antes.
Regras de associação. Procuram co-ocorrência: conjuntos de itens que aparecem juntos com frequência acima de um limiar, expressos como se A então B. Medem-se por suporte (frequência do conjunto na base), confiança (probabilidade de B dado A) e lift (quanto a regra supera o acaso). O Apriori torna a busca viável por uma propriedade de direção fixa: como acrescentar itens a um conjunto só pode reduzir o suporte, todo subconjunto de um conjunto frequente é frequente e, na forma usada para podar, nenhum superconjunto de um conjunto infrequente pode ser frequente. Associação não prediz valor nem classe — ela descreve o que ocorre junto.
Redução de dimensionalidade. Dois caminhos que a banca troca um pelo outro. A seleção de atributos identifica os atributos irrelevantes ou redundantes e os descarta, preservando os originais que sobram. A extração ou compressão de atributos não descarta: transforma os atributos originais em novos atributos combinados. O PCA é o caso clássico de extração — projeta os dados em direções ortogonais entre si, as componentes principais, ordenadas pela variância que explicam; como são ortogonais, os novos atributos ficam linearmente descorrelacionados. Ele olha apenas a covariância das entradas e não consulta rótulo algum, o que o torna não supervisionado. Quem usa a classe para escolher as direções é a análise discriminante linear, não o PCA.
Por reforço. Agente, ambiente, estado, ação, recompensa. O agente escolhe uma ação, o ambiente devolve um novo estado e um sinal de recompensa que chega depois — na etapa de tempo seguinte ou mais adiante ainda. O objetivo é a política que maximiza a recompensa acumulada, e não a previsão de um atributo alvo. É o que se aplica a jogos, controle, roteamento e recomendação sequencial.
Semissupervisionado. Poucos exemplos rotulados e muitos não rotulados no mesmo treinamento: usa-se a estrutura da massa não rotulada para estender o pouco rótulo disponível. Nenhum item do corpus deste tópico o testou — conheça a definição em uma linha e não gaste mais tempo com ele.
Por transferência. Reaproveita-se o que um modelo aprendeu num domínio ou tarefa para outro. A taxonomia clássica separa os casos pelo que muda: indutivo quando o domínio é o mesmo e a tarefa muda; transdutivo quando a tarefa é a mesma e o domínio muda, com rótulos disponíveis apenas na origem; não supervisionado quando não há rótulo de nenhum dos lados.
Mineração de dados — o vizinho que ocupa um terço do tópico. É o processo de descobrir padrões e conhecimento útil, antes desconhecido, em grandes volumes de dados, apoiado em três alicerces: aprendizado de máquina, estatística e volume de dados. É indução — vai do caso particular para a regra geral, ao contrário da consulta, que vai da regra para o caso. Suas tarefas são as quatro já vistas, e cada uma responde a uma pergunta diferente: classificação (a que classe pertence), regressão (que valor), agrupamento (quem se parece com quem), associação (o que ocorre junto). Mineração não é sinônimo de aprendizado supervisionado: metade das suas tarefas dispensa rótulo.
O que decide os itens
As três famílias pelo que recebem — a tabela que resolve a maior parte do tópico:
| família | recebe no treinamento | tarefa típica | vocabulário que a denuncia |
|---|---|---|---|
| supervisionado | entradas e atributo alvo (rótulo) | classificação, regressão | rotulado, classe conhecida, generalizar, atributo alvo |
| não supervisionado | somente as variáveis de entrada | agrupamento, associação, redução de dimensionalidade | sem rótulo, similaridade, padrão, cluster |
| por reforço | recompensa depois da ação | política de decisão sequencial | agente, ambiente, recompensa, maximizar |
| semissupervisionado | poucos rótulos + muitos não rotulados | qualquer das duas primeiras | não medido no corpus |
Classificação × agrupamento — o par mais cobrado, e sempre pela mesma aresta:
| classificação | agrupamento | |
|---|---|---|
| classes existem antes? | sim, são insumo | não, são resultado |
| o algoritmo vê o alvo? | sim | não, só as entradas |
| família | supervisionada | não supervisionada |
| pergunta | a que classe este objeto pertence | quais objetos se parecem entre si |
Tarefa × saída — o que cada técnica pode e não pode produzir:
| técnica | produz | não produz |
|---|---|---|
| classificação | uma classe | valor contínuo |
| regressão | um valor contínuo | regra de co-ocorrência |
| agrupamento | grupos descobertos | classe predita para um alvo conhecido |
| regras de associação | regra se A então B com suporte e confiança | valor previsto, causa |
Os pares de nomes que a banca troca:
| é | não é |
|---|---|
| k-means: centroide = média calculada | k-medoids: representante = objeto real da base |
| seleção de atributos: descarta os irrelevantes | extração/compressão: transforma em atributos novos |
| PCA: não supervisionado, maximiza variância | LDA: supervisionado, usa a classe |
| associação: co-ocorrência | regressão: valor contínuo |
| indução: do caso para a regra (mineração) | dedução: da regra para o caso (consulta) |
| transferência indutiva: muda a tarefa | transferência transdutiva: muda o domínio |
Apriori, a direção que não se inverte. Acrescentar item a um conjunto só pode manter ou baixar o suporte. Logo: frequente ⇒ todos os seus subconjuntos são frequentes; infrequente ⇒ nenhum superconjunto seu é frequente. Qualquer enunciado que faça a frequência subir ao acrescentar item está invertido, e invertido o princípio não podaria nada.
Qualidade de dados do DMBOK — dois itens do corpus caem aqui, e ambos por nome de dimensão:
| dimensão | é |
|---|---|
| acurácia | grau em que o dado representa corretamente a entidade do mundo real |
| consistência | ausência de contradição entre representações do mesmo dado |
| completude | ausência de vazios onde se espera valor |
| atualidade | o dado disponível a tempo do uso |
| unicidade | cada entidade registrada uma só vez |
E a regra sobre profiling: ele identifica o problema, mas não identifica a causa nem determina o impacto nos processos de negócio — isso exige investigar o processo de origem e as regras de negócio afetadas, que não estão no dado perfilado.
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Medido sobre os 30 itens do tópico: 16 Certo e 14 Errado, e uma única distorção domina — 10 dos 14 itens errados (71%) são troca de termo. Não é uma disputa sobre mecanismo: é um nome trocado numa frase que, fora isso, está correta.
Nome de uma família, definição de outra. Seis dos catorze itens errados, o maior bloco isolado do tópico. “Um sistema de aprendizado não supervisionado, dotado de um conjunto de dados de treinamento que foram classificados manualmente” — classificado manualmente é rotulado, logo supervisionado. “Os métodos de aprendizado supervisionado são capazes de identificar padrões sem a necessidade de receberem dados de treinamento rotulados” — a descrição é a do não supervisionado. “a filiação dos objetos é obtida por meio de um processo não supervisionado de aprendizado”, dito da classificação. “algoritmos de classificação podem ser treinados a partir de conjuntos de dados sem rótulos”, chamados em seguida de supervisionados. “O aprendizado por reforço […] tem por objetivo prever o resultado de um atributo alvo” — atributo alvo é vocabulário do supervisionado. “O aprendizado por transferência transdutiva ocorre quando os domínios de origem e alvo são os mesmos” — essa é a definição do indutivo. A defesa é sempre a mesma e é mecânica: leia o nome da família e o requisito de rótulo como um par único e verifique se combinam, antes de julgar qualquer outra parte da frase. Note que citar uma família não é sinal de nada — 14 itens nomeiam uma família e ficam 7 Certo, 7 Errado. O sinal é o desencontro entre o nome e a definição.
Nome de um algoritmo, comportamento de outro. Três itens, mesmo molde aplicado a técnicas em vez de famílias. “O algoritmo k-means seleciona objetos reais de uma base de dados como centroide do grupo” — isso é o k-medoids; o centroide do k-means é a média calculada. “A compressão de atributos é uma técnica de redução de dimensionalidade na qual atributos irrelevantes ou redundantes são identificados e desconsiderados” — descartar é seleção; comprimir é transformar. “Entre as dimensões da qualidade de dados, a consistência refere-se ao grau em que os dados representam corretamente as entidades do mundo real” — essa é a acurácia. Confira o nome por último e pergunte se a descrição que o acompanha é a dele ou a do vizinho de vocabulário.
Inverter a direção de um princípio. Um item, mas de um tipo que volta sempre. “se um itemset for frequente, então todos os seus superconjuntos também serão frequentes” — a direção correta é a dos subconjuntos, e só ela permite podar. Onde houver uma relação de ordem — suporte que cai quando o conjunto cresce, classe que existe antes ou depois, recompensa que vem antes ou depois da ação — reconstrua a direção antes de decidir.
Esticar uma regra verdadeira para além do seu domínio. “Nas técnicas de classificação e clusterização de dados, as classes, ou categorias, devem existir previamente” — vale para a classificação e é falso para a clusterização. Quando o item põe duas técnicas no mesmo sujeito e afirma uma propriedade das duas, teste a propriedade em cada uma separadamente: em geral ela vale só para uma.
Fechar a mineração no lado supervisionado. “As técnicas de data mining operam exclusivamente com dados rotulados, utilizando apenas algoritmos supervisionados”. Aqui vale um sinal forte e medido: entre os 30 itens, as palavras apenas, somente, exclusivamente e invariavelmente aparecem em uma afirmação doutrinária três vezes, e as três em itens Errados — nenhuma num item Certo. Localize a palavra de exclusão e derrube-a com um contraexemplo; o agrupamento serve para quase todas.
E uma armadilha que não é de aprendizado. Um item do tópico é código Python:
cliente [("Sexo", "Idade")] para selecionar duas colunas. No pandas, um par de
colchetes seleciona uma coluna e dois pares selecionam um subconjunto de
colunas — parênteses nessa posição formam uma tupla, que vira um rótulo de coluna
inexistente e produz erro, não seleção. Em item de pandas, conte os colchetes
antes de ler a saída prometida.
Erros clássicos
Achar que agrupamento e classificação são a mesma coisa com nomes diferentes. São opostos no ponto que importa: a classe é insumo de um e produto do outro. Cinco dos 30 itens do tópico se decidem por essa única diferença.
Ler “sem rótulo” e não conferir o nome da família na mesma frase. O rótulo é o que define a supervisão. Sempre que o enunciado disser sem rótulo, somente as variáveis de entrada ou sem feedback prévio, o nome que o acompanha tem de ser não supervisionado — e quando disser classificados manualmente, anotados ou com gabarito, tem de ser supervisionado.
Tratar mineração de dados como aprendizado supervisionado com outro nome. Agrupamento, regras de associação, detecção de anomalias e redução de dimensionalidade são mineração e não usam rótulo nenhum.
Confundir o centroide com um objeto da base. No k-means ele é a média do grupo, um ponto que em geral não existe entre os dados. Objeto real como representante é k-medoids — e é essa escolha que dá a robustez a valores extremos.
Pedir a uma regra de associação que preveja alguma coisa. Ela mede frequência conjunta, não causa e não valor. Suporte e confiança descrevem co-ocorrência; transformá-los em relação de causa, ou em previsão de atributo, muda a tarefa.
Descartar atributos e chamar isso de compressão. Se os atributos finais ainda têm o nome dos originais, houve seleção. Se viraram combinações novas, como as componentes principais, houve extração.
Supor que reforço é uma forma de supervisão com recompensa no lugar do rótulo. O que o agente recebe não diz qual era a ação certa: diz o quanto a ação tomada valeu, e diz depois. Por isso o objetivo é maximizar recompensa acumulada, nunca prever um atributo alvo.
Esperar itens de semissupervisionado. O título do assunto e os manuais o destacam; o corpus deste tópico não o mediu nenhuma vez. Saiba a definição e invista o tempo no eixo do rótulo e no vocabulário de mineração de dados, que juntos respondem por 24 dos 30 itens.
LidoPraticado