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Variável aleatória discreta × contínua; FDA e propriedades
Em variável contínua, probabilidade em ponto é zero — é o que o assunto cobra. O único item do corpus, porém, é outro: probabilidade conjunta da amostra × fração amostral.
Alta10 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Variável aleatória não é um número nem um dado: é uma função que leva cada resultado possível do experimento a um número real. Sorteia-se um condutor, lê-se o tempo de habilitação; sorteia-se um indivíduo, lê-se a idade. O experimento é aleatório, a leitura é determinística, e é por isso que se pode falar em probabilidade de valores.
A partição discreta × contínua não é decorativa. Ela decide onde mora a probabilidade:
- na discreta, a probabilidade está concentrada em pontos. Cada valor
possível carrega uma massa própria, e
P(X = x)é um número que pode ser positivo; - na contínua, a probabilidade está espalhada sobre intervalos. Um ponto tem
comprimento zero, logo
P(X = t) = 0para qualquert. Não é uma aproximação nem um caso-limite: é a definição em ação.
Guardada essa frase, quase tudo o que a banca faz aqui se resolve. Trocar < por
≤ numa contínua não muda nada, porque a fronteira vale zero. Perguntar a
“probabilidade de a variável contínua valer exatamente 2 anos” é perguntar por
zero. E dizer que uma contínua é caracterizada por P(T = t) é descrevê-la por
uma função identicamente nula.
Sobre a base de evidência deste tópico, com honestidade. O corpus tem 1 item aqui, e ele está explicado — o da prova do TC/DF, que não trata de discreta × contínua nem de FDA: trata da probabilidade de uma realização conjunta da amostra. Um item não mede nada: não há frequência, não há distorção típica, não há padrão de banca. E o descompasso com o título é o dado mais útil que este tópico oferece: ele promete discreta × contínua, FDA e propriedades, e nada disso foi medido. Leia as seções abaixo como o conteúdo que o assunto exige, não como uma distribuição medida de pegadinhas.
Como funciona
Discreta. Descrita pela função de probabilidade p(x) = P(X = x), com
p(x) ≥ 0 e soma igual a 1 sobre todos os valores possíveis. Contagens caem
aqui: número de sinistros, número de sucessos em n tentativas, número de peças
defeituosas. A FDA é uma escada: sobe em degraus exatamente nos pontos de massa,
e o tamanho do degrau é P(X = x).
Contínua. Descrita pela função densidade f(x), com f(x) ≥ 0 e
integral igual a 1. Probabilidade é área sob a densidade: P(a < X < b) é a
área entre a e b. Atenção ao ponto que mais se erra: f(x) não é uma
probabilidade e pode perfeitamente ser maior que 1 — o que não pode passar de 1
é a área. Medidas de tempo, peso, altura, valor monetário caem aqui.
A FDA unifica as duas. F(x) = P(X ≤ x), definida para qualquer variável
aleatória, discreta ou contínua, e com as mesmas propriedades sempre: é não
decrescente, vale 0 no limite à esquerda e 1 no limite à direita, e é contínua
à direita. A diferença aparece na forma: escada na discreta, curva sem salto na
contínua. Daí a regra prática — salto na FDA é massa de probabilidade, e uma
contínua não tem salto nenhum.
Uma variável aleatória por sorteio, e a amostra como vetor. Quando o
enunciado diz que a amostra “é representada por um conjunto de variáveis
aleatórias X1, …, X100”, cada Xi é a leitura do i-ésimo sorteio. A
probabilidade de a amostra inteira assumir uma configuração específica é a
probabilidade de um vetor de 100 coordenadas — não se confunde com a fração
amostral n/N, nem com a probabilidade de um indivíduo qualquer entrar na
amostra. Num sorteio sem reposição de 100 entre 1.000, essa probabilidade
conjunta é o inverso de um número astronômico; a fração amostral vale 0,1. São
grandezas de ordens de grandeza incomparáveis.
O que decide os itens
Discreta × contínua:
| discreta | contínua | |
|---|---|---|
| valores | enumeráveis (0, 1, 2, …) | todo um intervalo |
| descrita por | função de probabilidade p(x) | função densidade f(x) |
P(X = t) | pode ser positiva | é sempre 0 |
P(X < t) × P(X ≤ t) | podem diferir | são iguais |
| FDA | escada, com saltos | contínua, sem saltos |
| exemplos típicos | contagens, nº de sucessos | tempo, altura, valor pago |
Três funções que a banca embaralha:
| objeto | o que é | vale entre |
|---|---|---|
p(x) = P(X = x) | massa de probabilidade; só na discreta | 0 e 1 |
f(x) | densidade; só na contínua | 0 e +∞ (pode passar de 1) |
F(x) = P(X ≤ x) | FDA; nas duas | 0 e 1, não decrescente |
Probabilidades que não se confundem, num plano amostral:
| grandeza | o que significa |
|---|---|
fração amostral n/N | probabilidade de inclusão de um indivíduo em AAS |
P(Xi = xi) | probabilidade de uma coordenada assumir um valor |
P(X1 = x1, …, Xn = xn) | probabilidade da amostra inteira sair naquela configuração |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
O tópico tem 1 item, e ele está explicado. Um item não é contagem: não há percentual, não há distorção dominante e não há como dizer o que a banca prefere aqui. O parágrafo seguinte é o que o corpus mostra; os dois últimos são conhecimento do assunto, marcados como não medidos.
Trocar a probabilidade conjunta da amostra por um número do enunciado. O item
do TC/DF afirma que P(X1 = x1, …, X100 = x100) = 0,1, e 0,1 é exatamente a
fração amostral 100/1.000 que o enunciado deixa à mão. A defesa: antes de
aceitar um número, pergunte de quantas coordenadas é o evento. Evento de 100
coordenadas não tem probabilidade da ordem de um décimo.
Descrever variável contínua por P(T = t) — não medido. É a armadilha
central do eixo que dá nome ao tópico e nenhum item daqui a cobra. Sempre que o
enunciado tiver dito “variável aleatória contínua” e o item falar em
probabilidade de um valor exato, o número é zero — e essa consequência decide o
item nos dois sentidos: derruba quem caracteriza a contínua por P(T = t) e
sustenta quem conclui P(T > t) = 1 − P(T < t) sem descontar o ponto.
Números plantados no enunciado — sugerido por um caso, não medido. No item do
corpus, 1.000, 100 e 0,1 estão todos no enunciado, e é um deles que volta
como resposta falsa. Vale como hipótese de trabalho para todo o tópico, não como
frequência: confira sempre qual é a grandeza pedida antes de reconhecer o
número.
Erros clássicos
Achar que P(X = t) = 0 significa que o valor é impossível. Numa contínua,
probabilidade zero e impossibilidade não são a mesma coisa: a variável assume
algum valor, e todo valor individual tem probabilidade zero.
Confundir densidade com probabilidade. f(x) pode valer 3. Probabilidade
nenhuma pode.
Esperar que a FDA de uma contínua tenha degraus. Degrau é massa em ponto, e a contínua não tem. Inversamente, FDA sem nenhum salto não pode ser de uma discreta.
Tratar variável aleatória como se fosse o dado observado. X é a função; x
é a realização. Os itens que separam maiúscula de minúscula estão sempre
cobrando essa distinção.
Somar a fração amostral à conta errada. n/N responde “qual a chance de este
indivíduo entrar na amostra”, e não “qual a chance de sair esta amostra”.
LidoPraticado