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Subordinação adverbial: causal, concessiva, condicional, consecutiva etc.
A banca quase nunca pergunta se há circunstância; pergunta qual. E o rótulo falso que ela mais oferece é “causa” — sempre no lugar de finalidade, e sempre sobre uma oração reduzida.
Altíssima21 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Uma oração adverbial não completa nada nem qualifica nada: ela circunstancia — diz em que causa, condição, concessão, tempo, fim, consequência, comparação, conformidade ou proporção o fato da principal se dá. Sintaticamente é adjunto, e é por isso que se pode suprimi-la sem deixar a principal incompleta. Essa é a prova de que a oração é adverbial e não substantiva: circunstância é dispensável; complemento não é.
Dito isso, a prova quase nunca pergunta se há circunstância. Pergunta qual. E aí entra a ideia que organiza o assunto inteiro: o valor circunstancial não mora na conjunção, mora na relação entre os dois fatos — e por isso ele existe mesmo quando não há conjunção nenhuma.
Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar. → causa
Não havendo suplentes, procede-se a nova eleição. → condição
Submetidas a dadas condições, certas pólvoras explodem. → condição
Ao proporcionar-lhe um ofício, valorizou os costumes. → tempo / meio
Para não incomodar os moradores, avisava gritando. → finalidade
Cinco orações adverbiais, cinco valores, nenhuma conjunção subordinativa. São reduzidas — de gerúndio, de particípio, de infinitivo —, e elas respondem por 9 dos 21 itens do tópico. Quem estuda o assunto como lista de conjunções perde quase metade dele.
A segunda metade da ideia é o corolário: como o valor não está na palavra, há conjunções com mais de um valor, e a prova cobra exatamente essas. Conforme é conformativo diante de uma fonte e proporcional diante de um processo que avança. Como é causal abrindo o período, comparativo depois de tão, conformativo junto a verbo de dizer, exemplificativo diante de lista. Se é condicional diante de uma hipótese e integrante depois de verbo de conhecimento — e aí nem adverbial é.
Como funciona
São duas perguntas, sempre nesta ordem: que relação os dois fatos mantêm? e a forma verbal sustenta essa relação?
Que relação
Responda por paráfrase, não por impressão. Cada valor tem um conector prototípico; se a paráfrase por ele se sustenta, o valor é aquele.
| valor | pergunta que responde | paráfrase que confirma |
|---|---|---|
| causa | por quê? (fato já dado) | porque, por + infinitivo |
| finalidade | para quê? (resultado pretendido) | para que + subjuntivo |
| condição | em que hipótese? | se, caso |
| concessão | apesar de quê? | embora — e cabe mesmo assim na principal |
| consequência | com que efeito? | de modo que, com tão/tanto/tal antes |
| comparação | comparado a quê? | tal qual, quanto, com tão/tanto antes |
| conformidade | segundo o quê? | conforme, de acordo com |
| proporção | variando com o quê? | à medida que, quanto mais… mais |
| tempo | quando? | quando, assim que |
Três pares merecem atenção porque a intuição falha neles.
Causa × finalidade. Causa aponta para trás, para um fato já ocorrido; finalidade aponta para a frente, para um resultado ainda pretendido. O modo verbal confirma: final pede subjuntivo (para que a educação aconteça) ou infinitivo (para sobreviver); causal pede indicativo (porque não há escolas). E o marcador quase infalível de finalidade na prova é “para” mais infinitivo, sobretudo depois de verbos de esforço — lutar, agir, trabalhar, estudar.
Causa × concessão. São opostos exatos. Na causa, o primeiro fato produz o segundo; na concessão, o primeiro fato deveria impedir o segundo e não impede — é causa frustrada. Teste: cabendo mesmo assim na principal, a subordinada é concessiva.
Finalidade × consequência. As duas usam de modo que, de sorte que, de forma que. O que separa é o modo verbal e o intensificador: consecutiva pede indicativo e um tão, tanto, tal ou a tal ponto antes do conector; final pede subjuntivo ou infinitivo e nenhum intensificador. E para que é sempre final, nunca consecutivo.
A forma verbal sustenta?
É aqui que metade dos itens de reescrita morre, e a regra é fixa. A condicional tem três correlações e só três:
| prótase | apódose | valor |
|---|---|---|
| se + presente do indicativo | presente ou futuro do indicativo | condição real, tomada como dada |
| se + imperfeito do subjuntivo | futuro do pretérito | hipótese eventual |
| se + mais-que-perfeito do subjuntivo | futuro do pretérito composto | hipótese contrafactual |
Fora delas, a correção cai antes mesmo de o sentido ser discutido. Caso fossem submetidas… explodem é agramatical; caso sejam submetidas… explodem não é. E não havendo suplentes expande-se por se não houvesse porque a principal já está em far-se-ia.
Expandir uma reduzida
Toda reduzida tem duas expansões possíveis, e a prova costuma oferecer as duas na mesma alternativa: preposição mais infinitivo (Por incluir o processo produtivo) ou conjunção mais verbo flexionado (Como inclui o processo produtivo). Ambas legítimas, desde que a forma verbal acompanhe. Trocar uma pela outra sem reescrever a oração produz agramaticalidade ainda que o valor esteja certo — o mesmo fenômeno que o tópico de Conectores e valores semânticos mede em embora contra apesar de.
O que decide os itens
Conjunções de valor múltiplo — o entorno decide
| palavra | um valor | outro valor |
|---|---|---|
| conforme | conformidade, diante de fonte ou de verbo de prever, dizer, determinar | proporção, diante de processo que avança junto com outro (= à medida que) |
| como | causa, abrindo o período | comparação após tão; conformidade junto a verbo de dizer; exemplificação diante de lista |
| se | condição, diante de hipótese | integrante, depois de saber, perguntar, ignorar, verificar, duvidar — e aí a oração é substantiva |
| que | consecutivo, depois de tão/tanto/tal | integrante, relativo, comparativo |
| tanto… que | consequência | — |
| tanto… quanto | comparação | — |
| ao + infinitivo | tempo (= quando) | meio ou modo |
| por + infinitivo | causa | — |
| para + infinitivo | finalidade | — |
| enquanto | tempo | oposição; na qualidade de |
Reduzidas: como identificar o valor
| forma | valores possíveis | desempate |
|---|---|---|
| gerúndio | causa, condição, concessão, tempo | o fato da reduzida favorece a principal (causa) ou a contraria (concessão)? concessiva costuma vir com mesmo ou ainda antes |
| particípio | condição, tempo, causa, concessão | expanda e teste a correlação de tempos |
| infinitivo com para | finalidade | invariável |
| infinitivo com por | causa | invariável |
| infinitivo com ao | tempo, meio | nunca causa |
| infinitivo com de modo a | finalidade | consecutiva exigiria intensificador antes |
Marcadores obrigatórios
| relação | exige |
|---|---|
| consequência | intensificador antes: tão, tanto, tal, a tal ponto |
| comparação | elemento de intensidade antes: tão, tanto, tal — ou termo comparado explícito |
| proporção | duas grandezas variando juntas |
| conformidade | uma fonte, norma ou verbo de dizer no segundo termo |
| finalidade | verbo no subjuntivo ou no infinitivo |
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Dos 21 itens, 13 são errados — 62%, taxa alta para um tópico de português. A distribuição das armadilhas é limpa e vale decorá-la, porque quase todos os itens têm o mesmo formato: o item nomeia o valor circunstancial de uma oração, e é o nome que está errado.
Causa é o rótulo falso preferido da banca, e o alvo dela é sempre a finalidade. Três itens errados oferecem “causa” para uma oração que enuncia finalidade ou meio: “para não incomodar os moradores” expressa circunstância de causa; as orações introduzidas por “para” indicam as causas por que os mais pobres lutam; “ao proporcionar-lhe realizar um ofício” exprime a causa da ação de Gandhi. Em nenhum desses períodos há causa — e, no terceiro, a razão do gesto já estava expressa por outra oração do mesmo período, a final aberta por para valorizar. Defesa: pergunte por quê e para quê separadamente. “Para” mais infinitivo responde a para quê e nunca a por quê; a causa por infinitivo vem com “por”, jamais com “ao” nem com “para”.
Concessão aparece em 3 itens e os 3 são errados. Uma vez a banca chama de explicativa uma oração aberta por embora; uma vez chama de concessivas reduzidas de gerúndio que são causais (Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar); uma vez chama de concessiva uma condicional aberta por desde que. Nenhum item do tópico nomeia corretamente uma concessão. Se o enunciado disser “concessiva” neste tópico, desconfie antes de ler o resto. O tópico-pai media conquanto como a isca mais rentável do assunto — cinco itens, quatro errados. Aqui conquanto não aparece nenhuma vez, e a concessão é atacada pelas outras duas pontas: pela reduzida de gerúndio e por desde que.
Conformidade nunca está certa quando é oferecida. Dois itens a oferecem e os dois são errados: um chama de conformativo um como exemplificativo (profissionais como administradores ou advogados), outro chama de conformidade um Conforme proporcional (Conforme as mulheres vão progredindo na carreira, esse cenário muda). Defesa: conformidade exige que o segundo termo seja uma fonte ou uma norma. Não havendo a quem ou a que se conformar, não há conformidade — e o teste de à medida que resolve o caso de conforme.
Condição é o valor mais bem tratado do tópico: 6 itens, só 2 errados. Os quatro certos usam o vocabulário canônico — “expressa uma hipótese”, “hipótese real, ou seja, fato existente”, “poderia ser substituída por se não houvesse”, “a substituição de se por quando seria gramaticalmente correta”. Vale registrar esse último: a troca se → quando passa quando o período enuncia um hábito, porque tempo iterativo e condição coincidem, exatamente como o tópico-pai mediu. E o item que fala em “hipótese” para uma condicional contrafactual também está certo: hipótese é o gênero; real, eventual e irreal são as espécies.
Dos 2 itens errados de condição, um erra o valor e o outro erra a gramática. O que erra o valor chama desde que de concessivo. O que erra a gramática acerta o valor — reconhece o sentido condicional da reduzida de particípio — e cai porque a expansão proposta, caso fossem submetidas, não combina com o explodem da principal. Esta é a variante fina do tópico: acertar a circunstância e morrer na correlação verbal. Em item que manda expandir uma reduzida, escreva o período inteiro e leia-o.
Dois itens não são de valor, são de função. Um chama de adverbiais causais duas orações que são substantivas objetivas diretas de informou — assunto do tópico de Subordinação substantiva, que a banca embaralha com este de propósito. Outro afirma que duas orações com para “exercem função adverbial e expressam circunstância de finalidade”, quando uma delas está presa ao substantivo medidas concretas e portanto não é adverbial. Defesa: valor e função são perguntas diferentes. Pergunte a que palavra a oração se prende antes de aceitar o rótulo adverbial — e, se o verbo da principal ficar sem complemento quando você suprime a oração, ela não é adverbial coisa nenhuma.
Consequência e comparação aparecem pouco, mas com o mesmo mecanismo. Um item propõe trocar o que de temiam-se tanto os mortos que… por quanto — uma letra separa consecutiva de comparativa. O outro é um raro item de facultatividade que passa: eliminar o do de mais interessante do que mantém tudo.
Erros clássicos
Achar que “para” pode indicar causa. Não pode. Para mais infinitivo é finalidade; por mais infinitivo é causa; ao mais infinitivo é tempo ou meio. Esta única linha resolve três dos treze itens errados do tópico.
Confundir tanto… que com tanto… quanto. A primeira é consecutiva, a segunda é comparativa. O que introduz o efeito; o quanto introduz o segundo termo da comparação.
Achar que para que pode ser consecutivo. É sempre final. Consecutiva pede indicativo e um intensificador antes do conector.
Achar que conforme é sempre conformativo. Diante de um processo que avança junto com outro, ele é proporcional e equivale a à medida que.
Achar que se é sempre condicional. Depois de saber, perguntar, ignorar, verificar, duvidar, ele é conjunção integrante e a oração é substantiva, não adverbial.
Expandir uma reduzida sem conferir o tempo verbal. O valor pode estar certo e o item ainda cair: a condicional tem três correlações fixas de tempo e modo, e fora delas o período é agramatical.
Ler a reduzida de gerúndio como concessiva por padrão. Ela é muito mais frequentemente causal. A concessiva costuma exigir mesmo ou ainda antes do gerúndio; sem eles, pergunte se o fato da reduzida favorece a principal — se favorece, é causa.
Chamar de adverbial o que é adjunto de substantivo. Medidas para garantir, necessidade de conter, pretexto para obrigar: a oração tem valor de finalidade, mas se prende a um nome, e nesses casos ela é ou adjunto do nome ou completiva nominal — assunto do tópico de Subordinação substantiva.
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