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Complemento nominal × adjunto adnominal; aposto × vocativo; agente da passiva
Antes de decidir entre complemento nominal e adjunto adnominal, decida de quem o termo preposicionado depende — verbo ou nome; e quando depende de nome, se ele é agente ou paciente desse nome.
Altíssima28 itens no tópico
A ideia que organiza o assunto
Dois pares disputam este tópico, e eles têm naturezas opostas.
O primeiro é complemento nominal × adjunto adnominal, e existe por uma razão só: os dois aparecem como de + substantivo, colados a um nome, com a mesma cara. A construção da casa e a construção do pedreiro são idênticas na superfície e opostas na sintaxe. Quem decide não é a preposição, não é a posição e não é o tipo do nome: é quem faz e quem sofre.
a construção da casa — a casa é construída. O termo é o paciente do nome: complemento nominal.
a construção do pedreiro — o pedreiro constrói. O termo é o agente: adjunto adnominal.
Esse é o teste inteiro, e ele se aplica porque substantivos abstratos derivados de verbo — construção, disseminação, investigação, formação, uso, falta, acesso, risco — herdam a estrutura do verbo de que vieram: continuam tendo um agente e um paciente, agora sob forma de preposição. O complemento nominal é o objeto daquele verbo escondido dentro do nome.
Duas ampliações que a banca explora e que o candidato esquece: o complemento nominal não completa só substantivo. Ele completa também adjetivo (capaz de, livre de, alheio a, relativo a, pertencente a) e advérbio (diferentemente de, referentemente a). Adjetivo e advérbio são nomes para efeito dessa análise, e o termo que os completa recebe o mesmo rótulo. E, do outro lado, adjunto adnominal não é só o de + substantivo agente: adjetivo, artigo, numeral, pronome adjetivo e locução adjetiva também são adjuntos adnominais, sempre, sem disputa alguma.
O segundo par é aposto × vocativo, e ele não é uma disputa: é um par de opostos que se confundem apenas por estarem os dois isolados por pontuação. O aposto está dentro da oração — refere-se a um termo dela, exerce a mesma função dele e pode substituí-lo. O vocativo está fora da oração — não se liga a termo nenhum, não exerce função sintática e serve para chamar o interlocutor.
E agora a informação que muda a política de resposta neste tópico, medida sobre os seus 27 itens de língua: 18 são Certos e 9 são Errados. Dois em cada três. É o inverso exato de termos da oração, onde 71% são Errados. Aqui a banca usa o tópico sobretudo para confirmar análises corretas, e o candidato que aprendeu a desconfiar de toda classificação oferecida perde dois terços dos pontos. Faça a análise e aceite o resultado.
Como funciona
Três perguntas, nesta ordem. A ordem importa: quase todo item errado do corpus se resolve na primeira, e nenhum precisou da segunda.
1. De quem este termo depende — de um verbo ou de um nome?
Olhe para a esquerda do termo preposicionado e identifique quem o exige. Se quem exige é verbo, acabou: o termo é objeto indireto (complemento verbal), e a disputa complemento nominal × adjunto adnominal nem começa.
visando à recuperação do meio ambiente — visar, no sentido de ter por objetivo, é transitivo indireto e rege a. Objeto indireto.
conferem testemunho adicional a esse fato — conferir é bitransitivo: confere-se algo a alguém. Quem exige é o verbo, não o adjetivo vizinho.
pois se tratava de escravos — tratar-se de é impessoal e transitivo indireto. Complemento verbal.
vão se beneficiar do uso da Linguagem Simples — beneficiar-se de é pronominal de regência indireta. Objeto indireto.
o público foi substituído por múltiplas comunidades — locução passiva: o termo é agente da passiva. Converta para a ativa e ele vira sujeito.
2. Se depende de um nome: o termo é o agente ou o paciente desse nome?
Paciente, complemento nominal. Agente ou possuidor, adjunto adnominal. Transforme o nome no verbo de que ele veio e veja quem faz o quê.
o uso da palavra → a palavra é usada. Paciente: complemento nominal.
a mistura da contribuição de brancos, negros e índios → a contribuição é misturada. Complemento nominal.
a formação de comunidades → as comunidades são formadas. Complemento nominal.
investigações de queixas → as queixas são investigadas. Complemento nominal.
o uso do orador → o orador usa. Agente: adjunto adnominal.
Se o nome completado for adjetivo ou advérbio, a resposta é imediata: só existe complemento nominal, porque adjetivo e advérbio não têm posse nem agente. Capaz de produzir, livre de impurezas, relativos a crimes, pertencentes a esse segmento, alheio àquilo, diferentemente da desinformação, referentemente a esse período — todos, sem exceção, complemento nominal.
3. Se o termo não é exigido por ninguém, é adjunto — e verifique se ele não é aposto.
O aposto tem duas marcas objetivas, e nenhuma delas depende de sentido:
- designa o mesmo ser do termo a que se refere, e pode substituí-lo;
- vem isolado por vírgula, travessão ou dois-pontos (explicativo) ou sem pontuação nenhuma, depois de um nome genérico (especificativo).
Nise da Silveira, grande admiradora do autor brasileiro — entre vírgulas, suprimível: aposto explicativo.
a estrela da festa*: a uva*** — dois-pontos, mesmo referente: aposto.
o aforismo o cliente sempre tem razão, a expressão direito do consumidor — sem vírgula, depois de nome genérico: aposto especificativo. O núcleo continua sendo aforismo e expressão.
os biomas amazônia e cerrado — dizem quais biomas: aposto especificativo. Compare com o menor bioma brasileiro, em que o adjetivo qualifica: adjunto adnominal.
Sobre o vocativo. Ele não exerce função sintática, não se refere a termo algum e pode ser deslocado ou apagado sem afetar a oração. Dois testes bastam:
Posso ajudá-lo, cavalheiro? — isolado, chama o interlocutor: vocativo.
O senhor vai dar risada quando souber. — determinado por artigo, não isolado, comanda a flexão de vai: sujeito. Forma de tratamento cortês não é vocativo por ser cortês.
E uma regra de ordem que decide um item sozinho: quem leva o determinante é o núcleo. Em o iconoclasta Oscar Wilde, o artigo determina iconoclasta, que é o núcleo, e o nome próprio é aposto especificativo. Invertido para o Oscar Wilde iconoclasta, o núcleo passa a ser o nome próprio e iconoclasta vira adjunto adnominal. Mudar a ordem inverte as funções; nunca as conserva.
O que decide os itens
A árvore de decisão, em quatro linhas:
| pergunta | resposta | função |
|---|---|---|
| quem exige o termo é verbo? | sim | objeto indireto (ou agente da passiva, se houver locução passiva) |
| quem exige é nome e o termo é paciente? | sim | complemento nominal |
| quem exige é nome e o termo é agente ou possuidor? | sim | adjunto adnominal |
| ninguém exige, e o termo designa o mesmo ser do anterior? | sim | aposto (fora da oração e sem referente: vocativo) |
Complemento nominal × adjunto adnominal, o par clássico:
| complemento nominal | adjunto adnominal | |
|---|---|---|
| papel semântico | paciente do nome | agente ou possuidor |
| exemplo | a construção da casa | a construção do pedreiro |
| completa | substantivo abstrato, adjetivo e advérbio | apenas substantivo |
| é exigido? | sim, o nome fica incompleto sem ele | não, é acessório e suprimível |
| forma | sempre preposicionado | preposicionado ou adjetivo, artigo, numeral, pronome adjetivo |
| com adjetivo e advérbio | capaz de, livre de, alheio a, diferentemente de | impossível |
Aposto × vocativo:
| aposto | vocativo | |
|---|---|---|
| onde está | dentro da oração | fora da oração |
| a que se refere | a um termo da oração, com o mesmo referente | a ninguém: chama o interlocutor |
| função sintática | exerce (a do termo a que se prende) | nenhuma |
| pode ser suprimido? | o explicativo, sim; o especificativo, não | sim |
| marca | vírgula, travessão, dois-pontos, ou nome genérico + termo sem vírgula | vírgula, entonação de chamamento |
| exemplo | o aforismo o cliente sempre tem razão | Oh, Deus, meu Deus |
Distinções que a banca opõe:
| × | |
|---|---|
| complemento nominal × complemento verbal | a mistura da contribuição × tratava-se de escravos |
| complemento nominal × objeto indireto | dificuldade em abrir mão × satisfaz à necessidade |
| complemento de adjetivo × complemento de verbo | pertencentes a esse segmento × conferem testemunho a esse fato |
| agente da passiva × adjunto adverbial | substituído por comunidades × substituído por engano |
| agente da passiva × objeto indireto | compreendido por cidadãos × beneficiar-se do uso |
| adjunto adnominal × aposto especificativo | o menor bioma brasileiro × os biomas amazônia e cerrado |
| núcleo × aposto especificativo | a expressão × direito do consumidor |
| aposto explicativo × adjunto adnominal | o iconoclasta Oscar Wilde × o Oscar Wilde iconoclasta |
| vocativo × sujeito | cavalheiro? × O senhor vai dar risada |
| dativo de posse × objeto indireto | roubando-lhe parte do ser (= dele) × deu-lhe o livro |
| oração completiva nominal × oração objetiva indireta | capazes de aceitar × precisa de que o ajudem |
Os substantivos que quase sempre pedem complemento nominal, porque são abstratos e derivados de verbo: construção, disseminação, investigação, formação, redução, recuperação, reformulação, escuta, uso, acesso, falta, oferta, risco, necessidade, dificuldade, mistura. Diante de qualquer um deles, pergunte apenas: o termo seguinte é aquilo que sofre a ação contida no nome?
Como a CEBRASPE derruba você aqui
Medido sobre os 28 itens do tópico — um deles, na verdade, de direito administrativo, indexado aqui por engano. Dos 27 itens de língua, 18 são Certos e 9 são Errados: dois em cada três estão corretos. É a medição mais acionável do tópico e o inverso exato de termos da oração. A política vencedora aqui é fazer a análise e confirmar, não desconfiar.
E há um resultado que contraria frontalmente o que este tópico promete no título. Nenhum dos nove itens errados se resolve pelo teste agente/paciente. Nenhum. O par complemento nominal × adjunto adnominal, que dá nome ao assunto e ocupa metade de qualquer apostila, não decidiu um único item errado deste corpus. O teste continua sendo a ferramenta certa — é ele que sustenta os Certos, e é ele que você usará quando o par aparecer —, mas o erro que a banca de fato explora está um passo antes.
O que decide, em quatro dos nove itens errados: de quem o termo depende. Verbo ou nome. É a família mais rentável do tópico, e todos os quatro seguem o mesmo desenho — um termo preposicionado exigido por um verbo é vendido como se completasse um nome que está por perto:
- “a expressão ‘a esse fato’ complementa o termo ‘adicional’” — mas o período é conferem testemunho adicional a esse fato, e conferir é bitransitivo; o adjetivo apenas qualifica testemunho. O nome vizinho não é o regente.
- “os termos ‘da contribuição de brancos, negros e índios’ e ‘de escravos’ desempenham a mesma função” — o primeiro completa o substantivo mistura, o segundo é exigido pelo verbo impessoal tratava-se.
- “‘por múltiplas comunidades de interesse’ funciona como adjunto adverbial de meio” — há locução passiva: é agente da passiva.
- “‘por cidadãos com ensino médio completo’ e ‘do uso da Linguagem Simples’ desempenham a mesma função — ambas na voz passiva” — a primeira é agente da passiva, a segunda é objeto indireto de beneficiar-se de, e essa oração nem está na passiva.
Defesa única para os quatro: olhe à esquerda do termo preposicionado e ache quem o exige, não quem está mais perto. Proximidade não é dependência.
Três dos nove giram em torno do aposto — isto é, do par que o tópico trata como secundário. “as funções sintáticas de ‘Oscar Wilde’ e de ‘iconoclasta’ permaneceriam inalteradas” depois da inversão da ordem, quando elas se invertem. “O termo ‘brasileiro’ desempenha a mesma função sintática dos termos ‘amazônia’ e ‘cerrado’”, quando um é adjunto adnominal e os outros são aposto especificativo. “o termo ‘senhor’, em ‘O senhor vai dar risada’, exerce função de vocativo”, quando é sujeito e comanda a flexão do verbo. A defesa também é uma só: o aposto designa o mesmo ser e pode substituir o termo; o adjunto qualifica e não substitui; o vocativo está fora da oração e não exerce função nenhuma.
Os dois restantes atacam o alcance da dependência. “o segmento ‘dos outros’ complementa o sentido dos substantivos ‘expressão’ e ‘escuta’” — na citação, o modo de expressão é declaradamente nosso, e só a escuta é dos outros: o complemento vale para um nome, e o item o estende a dois. “Os substantivos ‘soluções’ e ‘educação’ estabelecem com o termo ‘disseminação’ o mesmo tipo de relação sintática” — soluções completa disseminação, mas educação está três encaixes adiante, dentro da enumeração regida por demandas. Defesa: dependência sintática é local. Cada termo se prende ao nome imediatamente superior, não ao primeiro nome da cadeia.
A moldura dominante é a comparação, e ela não é sinal de nada. Onze dos 27 itens de língua pedem que se compare a função de dois ou três termos — “desempenham a mesma função sintática nos períodos em que ocorrem”, “estabelecem o mesmo tipo de relação sintática”, “verifica-se paralelismo de funções sintáticas”. Dos dez que afirmam identidade, seis são Certos. A forma do enunciado, portanto, não antecipa o gabarito: ela apenas obriga você a classificar dois termos em vez de um, e a errar qualquer um dos dois derruba o item. Classifique cada termo separadamente e do zero, e só então compare.
O molde Certo tem exatamente a mesma cara do Errado. Os 18 Certos afirmam identidade de função entre um complemento de adjetivo e um complemento de substantivo (capazes de aceitar e dificuldade em abrir mão; alheio àquilo e acesso aos lugares de poder; de produzir materiais preciosos e de energia elétrica), entre um complemento de advérbio e um de substantivo (referentemente a esse período e oferta de alimentos; diferentemente da desinformação e formação de comunidades), ou descrevem corretamente apostos e vocativos. A construção que assusta — um adjetivo completado, um advérbio completado, uma expressão entre aspas depois de um nome genérico — é precisamente a que a banca usa para os Certos.
Erros clássicos
Perguntar se é complemento nominal ou adjunto adnominal antes de perguntar se é complemento verbal. É o erro mais caro do tópico: quatro dos nove itens errados vivem dele. Verbo primeiro, nome depois.
Tomar o vizinho pelo regente. Em testemunho adicional a esse fato, o termo preposicionado encosta no adjetivo e é exigido pelo verbo. Refaça a regência em vez de aceitar a colagem.
Esquecer que adjetivo e advérbio têm complemento nominal. Capaz de, livre de, relativo a, pertencente a, alheio a, favorável a, diferentemente de, referentemente a. E esquecer o corolário: junto de adjetivo ou advérbio não existe adjunto adnominal, logo a disputa não existe.
Achar que por indica sempre meio ou causa. Havendo locução passiva, por introduz o agente da passiva. Converta para a voz ativa: se o termo vira sujeito, é agente.
Confundir verbo pronominal com voz passiva. Beneficiar-se de, tratar-se de, referir-se a são pronominais de regência indireta. Passiva exige auxiliar mais particípio e sujeito paciente.
Chamar de adjunto adnominal o aposto especificativo. Depois de palavra, termo, expressão, aforismo, bioma, cidade, o que vem sem vírgula designa o mesmo ser e é aposto — e o núcleo continua sendo o nome genérico, com o qual o verbo concorda.
Chamar de vocativo toda forma de tratamento. O senhor, você e Vossa Excelência são sujeito quando determinam o verbo. Vocativo está fora da oração, isolado, e pode ser apagado.
Estender o complemento a mais de um nome. Dois nomes coordenados seguidos de um único termo preposicionado nem sempre o partilham. Leia cada nome sozinho com o complemento e veja se a frase continua dizendo o que o texto diz.
Comparar dois termos julgando só o primeiro. Metade dos enunciados do tópico pede uma comparação, e basta errar um dos lados. Classifique cada um do zero antes de decidir se são iguais.
Desconfiar por hábito. Dois em cada três itens são Certos, e os Certos descrevem justamente as construções que parecem exóticas. Aplique a árvore de decisão e assine o resultado.
LidoPraticado